IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ABANANADOS

     

    Você “compra” a app “Stayaway covide”. No dia seguinte, está sentado numa esplanada, a beber o seu café. Outras pessoas há na mesma esplanada. Uma delas deu positivo ao covide, e está na lista negra do SNS. Tanto a tal pessoa como você têm um telemóvel destes que já não são telemóveis, mas agentes de uma organização não identificada que se chama Google ou outra porcaria qualquer, em Portugal corporizada pelo governo socialista. Vai daí, o seu telemóvel comunica às “autoridades” a má vizinhança a que você se sujeitou. O mau vizinho é visitado por agentes do bigbrother Costa, e posto perante a tenebrosa acusação de andar na rua em vez de estar “confinado”. O hediondo crime será devidamente punido. E você passa a estar sob vigilância policial.

    É isto, mais ou menos, mais mais do que menos. Um artista (especialista) da coisa veio à televisão “explicar” que aquilo é secreto, anónimo, ninguém sabe, caduca ao fim de quinze dias, etc. Mas ficará, garante, disponível no mundo inteiro. Percebeu? Eu também não. Como é que é anónimo, se toda a organização sabe que o telemóvel é seu e o do “criminoso” dele?  Você passa a “suspeito”, e está com muita sorte se não o meterem em prisão domiciliária.

    Num colégio, um pai estremoso, prenhe de “civismo”, comunicou que um aluno, seu filho, esteve na rua contacto próximo de um infectado. O rapaz foi “suspenso”, e a turma inteira está sob “vigi lância”. Outros casos do género, e as crianças, ou turmas, foram corridas.

    Você vai poder andar sem máscara ao ar livre, desde que não haja ninguém num raio de 200 metros. Contrata um agrimensor para saber se, no seu passeio no Gerês, haverá algum malandro a menos de 200 metros: atenção, se for 199 está feito.

    Proponho a criação de uma app chamada Stayaway Costa. Haja informáticos que a criem. Eu compro.

    Agora, falemos de coisas mais sérias. Números não desmentidos rezam assim:

    – Cirurgias adiadadas sine die: 100.000

    – Consultas adiadas: 1.000.000

    – Consultas em cuidados primários adiadas: 5.000.000

    – Casos de morte não covide, a mais do que nos últimos 5 anos: 8.000

    Os três primeiros números dizem-nos da colossal paralisia dos serviço, à conta do covide. O último número diz-nos também que o SNS, o tão louvado SNS, o serviço que não está em crise, que tem camas livres, etc. e tal, está de rastos. Morre mais gente sem covide do que com ele, muitas mais do que dantes, muitas das mortes serão de pessoas com covide mas que não morreram disso, o que agrava a situação.

    Enquanto as distintas “autoridades” andam a entreter os servos com apps, os doentes não têm a assistência que lhes é devida por um Estado que todos os dias anuncia gloriosamente que vai investir mais, gastar mais, meter milhares de novos eleitores (perdão, funcionários), aumentar os encargos fixos, etc. Os pacientes que tenham paciência e que vão morrendo sem chatear muito. Entretanto, há milhares, centenas de milhares, de infectados que nunca deram por isso, outros tantos que se curam com uns comprimidos para a febre e uns xaropes, as mortes “por covide” são em números cada dia mais ridículos, mas a guerra às mais elementares liberdades continua em acção.

    Eu sei, eu sei que não é só cá, que há uma loucura universal fomentada por governos irresposáveis e jornalistas sem escrúpulos, um pânico instalado que serve de desculpa para a instauração das novas medidas, dando laivos de credibilidade a todas as teorias da conspiração.

    Por cá, Maria vai com as outras, desta feita com cumplicidade pedida ao parlamento, a fim de salvar a face ao governo. A verdade é que o governo não tem qualquer culpa de nada, nunca teve culpa de nada. É o “abanão” do Costa, que pode não  nos abanar, mas que, de certeza, nos abanana ainda mais do que já estávamos.

    Vivemos com isso, o que é pelo menos tão mau como o covide.     

     

    16.10.20

  • NOVIDADES

    Alegrem-se os papalvos. As retenções na fonte vão baixar! Fantástico. Por outras palavras, o IRS fica na mesma. No fim de contas, quem tiver sorte pagará o mesmo. É só esperar pela pancada. Quem não tiver sorte é capaz de levar com algum “toque”, mais ou menos subreptício, nos escalões, ou com outras trafulhices.

    O BE lançou um ultimato. Dada a maravilhosa situação da nossa economia, quer proibir os despedimentos. Brilhante a inteligência desta gente.  E quer mais, ou seja, menos: para o Novo Banco, zero. Mas adianta uma “solução”: que sejam os outros bancos a adiantar o taco. Qualquer economista, ou mero contabilista, sabe que, de uma forma ou de outra, o Estado, nós, pagará a factura, dêm-lhe as voltas que derem. O BE anda esquecido do contrato que, com o seu aval, foi celebrado pela geringonça. Não esquece que não há solução senão pagar o que se deve, mas atira toneladas de areia aos olhos das pessoas, partindo do princípio de que são estúpidas. Muitas haverá que o sejam. É o populismo no auge da desonestidade e da demagogia. Se calhar, o Rio ajuda.

    O Estado, ou seja, o governo, já contratou milhares e milhares de novos funcionários. Ninguém sabe quantos, nem o tal governo. Ficarão pendurados no Estado, prestem ou não prestem, e para o resto da vida. Despesa fixa, e para sempre. Quem vier atrás que feche a porta.

    Entretando com a desculpa do covide, despeja subsídios e mais subsídios. Ninguém pode ser contra. Só, talvez, quem anda à procura de mão de obra disponível, e nada encontra.

    O Estado, ou seja, o governo, não está em maré de fazer contas. Contas para quê? Vem aí a bazuca espirrar notas por todos os cantos. Não se preocupem. É claro que a bazuca é um ovo nos primeiros alvores da gestação, não sendo garantido que não aborte. Contar com ela no rabiosque da galinha não é aconselhável, mas dá votos, não é? Por outro lado, a bazuca, mesmo que dispare, não será com certeza para pagar subsídios aos subsídio-dependentes. Pagarão os do costume, até que os do costume deixem de ter dinheiro para pagar, o que já esteve mais longe.

    Como se vê, temos um futuro sorridente: os amanhãs que cantam, na óptica do socialismo.

     

    12.10.20

  • NÃO CONVÉM À DITADURA, NÃO CONSTA

    Ontem à tarde, umas centenas de cidadãos juntaram-de ordeiramente junto à Assembleia para protestar contra as loucuras do governo, os confinamentos (prisão domiciliária), os abusos das máscaras, as manobras “sanitárias” contra as crianças, as limitações inconstitucionais que anulam direitos, a paralisia do SNS, a manipulação das estatísticas, a insistência nas más notícias, a propagação do medo, etc.,etc. Médicos, outros especialistas e cidadãos usaram da palavra. Não houve quem insistisse em teorias da conspiração ou outras maluquices.

    Factos são factos. Com argumentos respeitáveis, há quem ponha em causa as “medidas”, a sua legitimidade e os seus catastróficos efeitos.

    A polícia lá estava, como de costume. Como não houve pancadaria, nada houve a assinalar.

    Aconteceu. Quem sabe que aconteceu? Ninguém. Não houve televisões, nem jornais, nem reportagens, nem entrevistas, nada. Parece que estava lá, perdido ou incorrecto, um jornalista da Lusa que terá feito um despacho. Ainda não vi os jornais de hoje mas, a avaliar pelos sites de “informação” a que acedi, nada consta.

    É assim. Se a Catarina tivesse juntado sete taradinhos sentados numas cadeiras, todo o país teria sido bombardeado com as patacoadas da fulana. Se fosse um encontro de um ignorado sindicato da CGTP, lá estaria a matilha informativa. E assim por diante.

    Tratando-se de uma manifestação “incorrecta”, nada constou. A “informação” está às ordens do governo, tudo o que não servir para reforçar o terror é censurado sem apelo.

     

    12.10.20

  • BRILHANTE FUTURO

    O primeiro ministro já toda a gente sabe quem é, inimputável, mentiroso, trambiqueiro, vale tudo, tem mais lata que uma fábrica de tintas, borrifa nas pessoas, inventa coisas, cavalga o “consenso” do covide com segurança e desfaçatez – o que dá muita estabilidade ao governo. E a malta aceita, que remédio!

    O Presidente da República, prenhe de “moral republicana”, lambe-se com o que o PM lhe dá a comer, num escandaloso seguidismo que, até dele, se não esperaria, ou não esperava a maioria dos que nele votaram. Perderá mais votos que os que tem andado a deitar fora, à espera dos que o Costa lhe arranje? Não se sabe, mas, se não os perder é porque o povo desistiu de existir.

    O chamado chefe da oposição dá o seu aval a tudo e mais alguma coisa. A oposição também há muito deixou de existir. Andaram uns milhões a votar para isto.

    Gasta-se tanto tempo e tanto dinheiro, tanta discussão inútil, para ter presidentes da República deste calibre (e doutros), e não se vê o descanso que seria termos um Rei, independente, verdadeiramente representante de todos e do país, digno e distante de circunstâncias passageiras, atento e estimável. Com defeitos pessoais, às vezes, mas sem preferências políticas que não sejam as da liberdade e da dignidade das pessoas e da Nação. Eu sei, eu sei que Portugal, nos termos constitucionais, “é uma república”, não uma nação, um país, um povo. Nasceu em 1910, não em 1141, diz a filosofia dos intelectuais de serviço. Mas, que raio, porque é que, em três repúblicas, as pessoas, injectadas por este pobre mainstream,  não dão por isso, nem são capazes de olhar à sua volta e ver o que se passa? Ainda há dias, dizia essa desgraça em figura humana que é o senhor Ferro, que “a democracia nasceu em 1910”. Eu sei que ao homem não se pode exigir muito mais que bojardas deste calibre, mas há alturas em que o calibre ultrapassa o dos canhões sem recuo.

    Dê-se uma olhada ao que nos é proposto. Primeiro, o actual protector do socialismo nacional. Depois, três comunistas, proto comunistas ou social-populistas. Finalmente, o Ventura. E veja-se o que nos espera depois de mais um caríssimo, absurdo e inútil ou contraproducente trabalhão com as eleições presidenciais.

     

    8.10.20  

  • BEIJOQUICE

    Dizia ontem o IRRITADO que, no caso de Joana Marques Vidal, o senhor de Belém tinha dado mais uma ajudinha ao geringonço-mor. E que veríamos o que faria no que ao TdC se refere.

    Veríamos? Foi rápido, já vimos. O Costa foi buscar aos bas-fonds do TdC um “candidato” muito conhecido na Polícia Judiciária por ter ajudado Sócrates/Paulo Campos a fazer passar uns contratos suspeitos de milhares de milhões que estão a ser investigados. Mais um fiel do socratismo/costismo/socialismo alcandorado a altas posições no aparelho de Justiça.

    Que fez o senhor de Belém? E menos de 24 horas, foi a correr ajudar à tramóia: sem comentários assinou a nomeação de um suspeito em investigações em curso. Porquê? Será para garantir os votos do PS à sua candidatura a um segundo mandato? Se não, para quê? Para arranjar lenha para se queimar? Aburdo. Para reforçar o seu indesmentível apoio à ocupação do Estado pelo PS de Sócrates/Costa? Ainda por cima, disse o Costa, com a esfarrapada desculpa de um acordo secreto entre os dois? Que areia pensam estes senhores atirar à cara das pessoas para “justificar” mais esta brilhante actuação?

    Já não há beijinhos para o povo, por causa do covide, mas continua a beijoquice “virtual” com a o tsunami socialista que inunda e arruína o país.

    Que mais teremos que “comer”?

     

    7.10.20

  • PROTOCOLO E EDUCAÇÃO

    Muita gente acha estranho que o Presidente da República não tenha um protocolo de Chefe de Estado, levando a seu popularuchismo ao ponto de receber, de gravata, uns tipos desargalados ou de ticharte. O porteiro de Belém devia ter uns blazers e umas gravatinhas para pôr aos formalmente recebidos pelo Presidente. Mas não tem.

    No Conselho de Estado, mostram as imagens, houve uma excepção de monta: o camarada Louçã apareceu com um fatinho de Verão, de coleira ao pescoço. Alvíssaras!

    Mas houve galegada na mesma. Sentados os ilustríssimos conselheiros nos respectivos lugares, eis senão quando entram o Presidente da República e a Senhora da União Europeia. Nem um dos ilustríssimos tirou o rabo da cadeira. Isto de as pessoas não se levantarem quando entra o Presidente estará de acordo com a má educação em vigor em Belém. Mas, entrando uma Senhora, sendo quem é ainda por cima, ultrapassa-se o máximo da informalidade ordinária.

    À atenção do protocolo de Estado, se ainda existe tal coisa.

     

    5.10.20   

  • DO SOCIALISMO “ABRANGENTE”

    Diz-se que, no tempo do Salazar, o dito corria com ministros e outros altos titulares com um cartão de visita em que , com cumprimentos, “agradecia os serviços prestados”. Temos agora um sucessor à altura: o inaceitável Costa corre com o Presidente do Tribunal de Contas com um telefonema: adeus ó vai-te embora! Em termos da “autoridade”, cada dia que passa mais Costa parece um Salazarzinho “democrático”.

    Dizem as boas línguas que o presidente do TdC costumava assinar despachos pouco favoráveis à geringonça em geral e ao PS em particular, assim ofendendo a fina sensibilidade do poder constiuído. Várias vezes pediu ao grande Costa que o recebesse, eventualmente para lhe dar bons conselhos. Levou sempre com os pés.

    O mesmo tinha sucedido à doutora PGR, e pelas mesmas razões: pisaste o risco, vai à vida – no caso, com a prestimosa colaboração do senhor de Belém. A ver vamos, na actual oportunidade, o que sucedrá.

    É de temer que, aos poucos (e aos muitos), se ressuscite os gloriosos tempos de Sócrates e dos seus judiciais protectores. É que, como diria o filósofo oficial do sistema (Santos Silva) quem se mete com o PS leva!

    É conhecida a magna tarefa de ocupação do Estado pelo PS, via boys, girls, primos/as, tios/as,  filhos/as, amigos/as, etc. (os “as” são para não ofender os tipos do BE infiltrados na tropa a dar cabo da gramática). É conhecido o abandono da CRESAP, demoníaca invenção de Passos Coelho para usar o critério do mérito. É sabido que, mesmo em concursos europeus, quem ganha é preterido por alguém “de confiança”.

    A tudo isto, e muito mais, soma-se o covide, oportunidade de ouro para esta gente. Instalado o medo, aproveita-se a desculpa para meter obediência e disciplina na cabeça das pessoas. Quanto mais obedientes elas forem, melhor se conseguirá enraizar a autoridade socialista. Para o efeito, antigamente havia a PIDE os os tribunais plenários. Agora há o PS.

     

    5.10.20

  • LÁ E CÁ

     

    Era de esperar a universal condenação de que foi objecto o tom dos candidatos à presidência dos EUA no seu primeiro frente a frente. Do Trump, uma indiscutível besta, era de esperar. Do outro, figura um tanto cinzenta, não se previa que se deixasse arrastar para o campo dos ataques pessoais. Mas caíu, e há que diga que foi de propósito. De políticas ou ideias, pouco se falou. Dizem os analistas que, de um ponto de vista eleitoral, ficou tudo na mesma.

    Isto de ser velho tem as suas vantagens, ou inconvenientes, se quizerem. Lembrei-me do último debate entre o Soares e o Freitas, em que o primeiro se atirou ao segundo como um cão raivoso, mesmo sabendo que o adversário não tinha culpa nenhuma daquilo de que era acusado. A diferença é que, por cá, de um ponto de vista eleitoral, nada ficou na mesma. A carroceirada ganhou. Dir-se-á que, tempos passados, ficaram amigos do peito. Mas isso é outra história, que não vale a pena lembrar.

     

    1.10.20

  • EST MODUS IN REBUS

    A insuportável Catarina, em mais uma das suas bombásticas declarações, veio reforçar a mui patriótica opinião daquela coisa (o BE), reafirmando que ajudar o Novo Banco – no cumprimento do contrato que subscreveu com a geringoça -, nem pensar.

    Juntou desta vez às suas habituais fantasias uma razão de peso. É que, diz o infrene populismo da fulana, num sindicato bancário que haja ou seja criado para o efeito, entrará a Caixa Geral de Depósitos, a qual, sendo pública, é nossa, e nós não temos que sustentar malandros. Cristalino, ou catarino, não é?

    A CGD, pública, nossa(!), recebeu do nosso dinheiro tantos ou mais milhões que o NB recebeu, ou vai receber, dos nossos colossais impostos. Mas, como é pública, mereceu ver a sua buracaria financiada pelo Estado. Nada a fazer. Como é pública, não pode falir, estando autorizada a ter os buracos que entender. O NB, sendo, ao que parece, mais privado que público, não merece nada, sejam quais forem as obrigações contraídas pela geringonça, com o apoio da Catarina.

    A esquerda apoderou-se do Estado. O Estado é sagrado, os seus oragos são a Catarina, o Jerónimo e o Costa. Sendo sagrado, é livre de rasgar os contratos que subscreveu. Até essa desgraça em figura o humana chamada Rio, no caso, acompanha a Catarina.      

    Por outras palavras, segundo esta gente os depositantes do BE podem ser levados à miséria, desde que os da CGD tenham o seu dinheiro protegido.

    Admito que o contrato de venda dos restos mortais do BES seja um porcaria, como tantas que a geringonça fez. O que não admito é que esta gente, que sempre apoiou com unhas e dentes o governo que o subscreveu, tenha agora a lata de apelar ao seu não cumprimento.

    Até o populismo devia ter limites.

     

    1.10.20

  • FAKE NEWS

    Vivemos num mar de aldrabice, sem precisar de redes sociais. A última vaga deste mar, a desafiar a da Nazaré, é a da crise política. Nela “surfam”, como toda gente sabe, o Presidente, o chamado primeiro-ministro, os partidos, os deputados, os jornais, as televisões, os comentadores. Como toda a gete sabe, ou devia saber, não vai haver crise nenhuma, o orçamento vai passar, o PS e a Catarina, sua bengala, continuarão a governar, o fogo de vista da crise política não passa disso mesmo.

    A ameça de crise não passa de encenação, não direi que combinada com a Catarina mas que lhe é mais que conveniente. O BE é barraca onde se acoitam ainda inúmeros representantes da linha dura da UDP e outras criaturas afins oriundas das catacumbas do marxismo-leninismo-maoismo-trotzquismo-enverhochismo e demais totalitarismos do estilo. A Catarina é mais moderada, ou mais esperta, por isso quer poder e vai defendendo a democracia para inglês ver, tendo o cuidado de incluir democracias como as do Maduro e quejandos, com excepção do Xi Jin Ping (revisionista capitalista).  Assim, nada melhor que fazer uns números para convencer os seus mais exigentes amigos: ameaça com linhas vermelhas, sabendo de certeza certezinha que vai sacar, com “grande esforço”, umas “medidas” que já sabe que o Costa comerá sem batatas. Umas cenas de “oposição” são mel na sopa, com os media de serviço. O nacional-papalvismo, chefiado pelo senhor de Belém, come disto que se farta. Ai a crise, que horrível ameaça, nesta altura em que há a o covide, a presidência da UE, o medo devidamente instalado, o esquerdismo garantido pelo PS (local onde vicejam inúmeros amigos da Catarina). Qual crise qual carapuça!

    A estratégia é a de entreter o pagode com aldrabices, quanto mais melhor. E ainda há quem diga que as fake news não pagam!    

     

    29.9.20

  • OUTRA VEZ A VILANAGEM

    A chuva de dinheiro que se anuncia, dada como garantida mas que, para já, não é mais que um ovo nas entranhas da galinha, é a coqueluche da propaganda governamental. Anuncia-se tudo, casas aos pontapés, cabazadas de combóios (com bitola ibérica!), subsídios aos milhões, pontes, camas, o calamitoso disparate do hidrogénio, tudo de uma vez, como se fosse possível. É o populismo, do bom, do já instalado no poder, do verdadeiramente demagógico, do verdadeiramente esquerdista.

    Almas aflitas perguntam pela economia, pela produção de bens transaccionáveis, pela indústria, pela agricultura, pela iniciativa, pelo  investimento produtivo. Nada, não consta. O que se vê é um indivíduo a reservar e aumentar a sua fatia de poder, o seu dirigismo, a sua sanha estatista, o poder que diz “fazer” em vez de regular, que pensa mais em votos que em economia real ou em sociedade equilibrada e produtiva.

    Se vier a tal chuva de dinheiro, teremos o mesmo esbanjamento, a mesma apropriação, o mesmo dirigismo desenfreado. Até que o dinheiro se acabe, como sempre fez o socialismo nacional e nada indica que mude. Sócrates está vivo e de boa saúde. A sua obra tem continuadores.

     

    29.9.20

  • MISTÉRIOS

     

    Nesta vida moderna, ele há mistérios insondáveis que o IRRITADO não consegue descortinar. Deve ser defeito meu, deficiências no QI, iliteracia, preguiça, o que queiram. Feito este esclarecimento, ou declaração de desinteresse como de diz agora de pernas para o ar, passemos ao que interessa.

    Um por certo estimável senhor Neves, emigrado em Londres, arranjou uma catraca informática para vender artigos de luxo (na sua maioria coisas caríssimas que não valem um caracol) com a qual parece que conseguiu transformar-se num animal qualquer cujo nome me escapa, mas que é designação de uns macacões que, num ápice, passam a valer milhares de milhões. O senhor Neves vem sendo celebrado na imprensa como indivíduo riquíssimo, merecedor dos mais elevados encómios, estudos, opiniões, reportagens, etc. Isto porque, ombreando com Bill Gates e outros trutas, animais de calibre semelhante, resolveu dar dois terços da sua fortuna a uns fundos destinados a praticar o bem. É o que diz a publicidade mediática.

    Tudo normal. O que causa impressão, ou incompreensão, pelo menos da parte dos ignorantes como  eu, é que, no meio de generalizados louvores, se proclama que a organização do senhor Neves nunca teve lucros. Pelo contrário, de ano para ano vai averbando resultados negativos. Pergunto: se o homem perde dinheiro, como é que é multimilionário? Rouba a própria empresa em benefício pessoal? Talvez não. Diz quem sabe, ou acha que sabe, que a massa vem da “capitalização bolsista”. Venderá acções da sua empresa por preços astronómicos e embolsará o resultado? Talvez, o que quer dizer que, apesar dos prejuízos, há quem ache que tais acções são um bom investimento? Isso  mesmo. Será? O IRRITADO, dadas as catacumbas em que passeia o seu primitivismo intelectual, tem dificuldades em perceber, ou seja, não percebe mesmo. Aqui há marosca. Qual?

    Por outro lado, é estranho que o senhor Neves tenha dito que ia “disponibilizar” dois terços da sua fortuna para fazer casinhas em África, vacinar milhões e outras meritórias actividades. Mas não diz quanto. Diz é que vai fundar uns “fundos”, passa a redundância, fundos esses que gerirá, a bem da humanidade. Não se sabe se tais fundos serão contemplados com triliões ou com tostões. Os comentadores abalizados não esclarecem o povo a este respeito nem, reconheça-se, a respeito nenhum.

    Não fico à espera de esclarecimentos. Não vale a pena. O que espero com ansiedade é que o senhor de Belém condecore o senhor Neves, pelo menos com um alto grau da Ordem do Infante. Um português de primeira que, como tem prejuízos, não paga impostos. E, se pagasse, pagaria em Londres.

    O que me vai acontecer, pelo menos, é que me chamem burro velho, incapaz de aprender línguas. Que se lixe.

     

    28.9.20       

  • AJUDINHAS

    Veio o senhor Rio reiterar a sua moralíssima opinião sobre os dinheiros dados, ou a dar, ao Novo Banco, bem como sobre as alienações de activos. Nem mais um chavo! Comissão de inquérito já! Uma vergonha!

    Costa e Centeno agradecem. É fundamental lançar uma boa cortina de fumo para disfarçar a borrada que foi a venda do banco. É preciso pôr culpas à gestão actual, a ver se  Centeno/Costa/geringonça passam na chuva sem se molhar. Cria-se um bode expiatório, e pronto, a culpa jamais será dos culpados. Há anos que é assim, é coisa de nascença.

    Não há uma única entidade, nacional ou internacional, com competência na matéria, que ponha em causa, seja a legitimidade das vendas de activos, seja a das injecções de capital. Está tudo devidamente estatuído, previsto, legislado.

    Há asneira? Há. Há muitas asneiras, todas ditas “salvíficas”, cometidas, sem excepção, pela mesma gente nos apertos da queda do BES. A actual gestão do Banco, num caso e noutro, mais não faz que honrar os compromissos que o Centeno, o Costa e a esquerda em geral assumiram em nome do país.

    Mas vale tudo para baralhar as pessoas. Nada melhor que criar a confusão em vez de, honradamente, dizer que se errou.

    Se houver, e há, uma ajudinha do Rio, excelente.

     

    23.9.20

  • SÓS

    Anda este mundo muito ocupado na discussão sobre o que fazer à “pipa da massa” que a UE nos vai oferecer a partir de 2021.

    Acho muito bem. Mas o que já se sabe não é de molde a dar-nos esperança. O guru Costa Silva deu ao governo uma mãozinha – o Costa deve estar muito contente, se houver azar a culpa é do Costa Silva.

    O guru deu grande largesse ao poder constituído. O dinheiro deve ter gestão e aplicação pública. Subsidiariamente, talvez os privados (a economia) sejam autorizados a investir. Contentíssimo, o socialismo viu-se apoiado. Vai ser um fartote. TGV para o Porto(!), poupa-se meia hora, o galamboso hidrogénio, mais umas coisas por aí, digitalização, ai o CO2, tudo do Estado, ar mais puro com o dinheiro que escorre. Bitola europeia, nem pensar, energia para França, o que é isso? Orgulhosamente sós, como dantes. Uns largos dinheiros para acudir aos desgraçados, pagar o desemprego, distribuir umas massas, e pronto, ficam os votos no papo.

    Vamos ter um projecto a apresentar à UE. Talvez de Bruxelas venham algumas exigências com pés e cabeça. De cá, ideias, só se for para engordar o poder.

     

    23.9.20   

  • DEMOCRACIA EM ÉVORA

     

    Já lá vão muitos anos, o primeiro comício do CDS, no Palácio de Cristal (Porto) foi cercado por uma multidão ululante formada por inúmeras organizações à época existentes – PC, MRPP, FML, SUVs, UDP e mais uma colecção de díscolos de extrema esquerda, bolchevistas, maoistas, albaneses, a porcaria toda. O CDS era um partido fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representava “mais negra reacção”, os adeptos do Estado Novo, devia ser proibido, etc. A coisa meteu polícia, pancadaria, o que, à época, era a bagunça vigente.

    Passados mais de quarenta anos, a cena repete-se, desta vez em Évora. Os herdeiros dos brigões daquele tempo, PC, BE, Livre e mais não sei quantas organizações ditas “progressistas”, juntaram-se para impedir uma manifestação do Chega, que alcunham, como alcunhavam o CDS, de  fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representante da “mais negra reacção”, adepto do Estado Novo, xenófobo, racista, que devia ser proibido, enfim, a mesma receita com ligeiras actualizações. A mesma mentalidade com novos intérpretes, inimiga de tudo o que não seja rigorosamente “correcto”, quer dizer, de tudo o que não coma, em quantidades variáveis, do prato do totalitarismo de esquerda.

    Não sou eleitor do Chega, como, na altura e até hoje, nunca o fui (com uma exepção) do CDS. Mas a “ascensão” do Chega tem razões de ser que pouco ou nada tem a ver com as acusações que lhe fazem. O Chega, há que reconhecê-lo, diz muita coisa – às vezes com pouco aceitáveis expressões e exageros –  que cala fundo no espírito de muita gente que nada tem da “fascista” ou coisa parecida. Denuncia problemas que os partidos têm pudor em reconhecer. Não é contra o sistema democrático (ao contrário da extrema esquerda), é contra o seu actual funcionamento. Se tal funcionamento não o fizesse passar a vida a meter importantes questões debaixo do tapete, o Chega não teria espaço nem o apoio popular que parece ter. Mas como vasculha debaixo do tapete de um sistema inquinado, como vai buscar lixo cuja existência os demais partidos se recusam a reconhecer, passa a persona non grata. Acresce que, ao contrário dos partidos europeus de direita radical, não é estatista, nem jacobino, o que é imperdoável para os “correctos”. E como tais “correctos” são donos e senhores da liberdade – coisa que todos os dias maltratam – para eles merece os mais variados insultos e a bagunça nas ruas quando deita a cabeça de fora.

    O problema não é a existência do Chega, é o da prevalência da porcaria intelectual, ideológica e política em que estamos enclausurados.

     

    21.9.20       

  • CRITÉRIOS

     

    A candidatura da dona Gomes disparou em beleza. Mal tinha declarado que tencionava candidatar-se, imediatamente, pressurosa, a TV do Estado (nossa!) brinda-a com uma “grande entrevista”. Decorridos dois dias, outra TV qualquer põe-na a perorar no “seu” espaço habitual de “comentário”. E o que mais se seguirá. A máquina da propaganda está afinada e em marcha.

    Um elogio ao senhor de Belém: quando disse que ia candidatar-se, parou com as semanais arengas. Dona Gomes usa e abusa delas: o pessoal de serviço cumpre, venerador e obrigado.

    É o socialismo do costume.

     

    21.9.20

     

    NB. Já este post estava publicado, dou comigo na retransmissão do programa cómico-apologético do já estafado RAP – sim, o mesmo da festa do Avante – em que o convidado de honra era, imagimen, a dona Gomes.  Em dois dias, a balsemónica estação oferece à candidata dois comícios, um pago (a ela) outro, julga-se, de borla. Para já, não se escandalizem, a seguir será pior.

     

  • DESDITAS DE UMA CORONELA

     

    Tinha o nosso bem amado primeiro-ministro dito que em guerra não se muda os generais, mas não falou em majores ou tenentes-coronéis ou coronéis. A generala da saúde não gramava uma coronela que lá tinha e resolveu pô-la na rua sem mais aquelas. Lá foi a repariga para a reserva estratégica do quartel de São Bento.

    O nosso bem amado preferiu a generala e deixou cair a coronela, fazendo-a passar a alferes. Dona Jamila não gostou de ser despromovida. Chateada, deu à casca. Tinha sido apanhada à meia volta, sem satisfações nem desculpas. Uma inqualificável ofensa, a demonstrar o estado a que o exército chegou. São assim as zangas entre mulheres, diria o IRRITADO, apesar de, em tese, não ser machista.

    O mais interessante de tudo foi, na posse dos pedronunistas (um antigo tenente-coronel foi promovido a coronel e ficou como lugar da novel alferes), o desvelo com que o bem amado tratou a Jamila, com palavras de consolação, apreço e carinho, só faltando o beijinho por causa do covide. Comovente, sincero, a paz no rebanho, o jeitinho do pastor.

    Já agora, uma pergunta, talvez injusta. Onde estava o senhor de Belém na cerimónia da posse? Alguém o viu?

     

    18.9.20

  • NEGOCIAÇÕES

    – Boa tarde, senhor Valeira.

    – Olá, tá bom? Como vão as coisas lá na Gomes Vieira?

    – Tudo bem, mas temos preocupações.

    – Então?

    – Bom, o seu amigo gostava de lhe falar mas, como sabe, é melhor ser no sítio do costume…

    – OK. Quando?

    – Amanhã às dez.

    – Combinado.

    Às dez, dois discretos automóveis pararam num descampado atrás do cemitério de Benfica. Dois homens, de chapéu cambado, óculos escuros, máscara e viseira saíram, cada um do seu carro, e afastaram-se até um plátano solitário ainda cheio de folhas.

    – Olá, pá. Rapidamente, antes que nos filmem, venho pedir-te ajuda.

    – …

    – Tás a ver o que se passa? Anda tudo a dar-me cabo do juízo por causa da tua candidatura à presidência do Carcavelinhos. Dizem que eu não devia alinhar, tás a ver a chatice, até o gerente dos pastéis de Belém me anda a morder as canelas, temos que parar com isto.

    – É fácil, pá. Dás o dito por não dito, dizes que foi uma imprudência, foi um tipo do gabinete que se enganou, foi um mal entendido, mandas umas bocas das que tu sabes, e pronto, em dois dias está tudo em ordem.

    – Pois, mas vão dizer que são desculpas de mau pagador, que me encolhi, que me acobardei…

    – Então, Teotónio, o que queres que eu faça, caraças?

    – Expulsa-me. Diz que já não me queres, saneia-me, põe-me na rua, assume o erro, diz que abusaste, que estamos a ser perseguidos por uma cáfila inqualificável, os teus advogados que escrevam uma balela qualquer.

    – Tá bem pá. Vou fazer isso. E, quando eu precisar, não te esqueças de mim.

    – Fixe.

    E lá se foram, cabeça lavantada e consciência tranquila.

     

    18.9.20  

  • UM MUNDO À DERIVA

    Não sei se leram, hoje, as declarações de um dos lesados pelo ladrão Rui Pinto. Roubados lhe foram uns trinta mil emails e outras coisas. Toda a correspondência profissional e pessoal do homem foi escarrapachada na net, incluindo as fichas de saúde da família, as fotos dos filhos, tudo à disposição de toda a gente nos mais ínfimos pormenores.

    Um mundo onde as instâncias mais “abalizadas”, os políticos mais “preocupados”, os legisladores mais “eficazes”, ao mesmo tempo que dizem à boca cheia – e com vasto apoio social – defender a privacidade de cada um, é o mundo que protege e priviligia  os gatunos informáticos com “medidas de protecção” especiais e loas ditas de “informação” e de “investigação”. Um mundo, ou um país, onde há candidatos à presidência da república a pôr, impunemente, tais canalhas nos altares da respeitabilidade e da credibilidade, é um mundo que perdeu a cabeça no que respeita aos mais elementares princípios em que diz acreditar.

    Não sei onde isto irá parar, se é que parará um dia. O que sei é que a civilização a que pertenço e em que acredito, se não arrepiar caminho, tem os dias contados, às mão de assassinos como a dona Gomes, o BE e quejandos*.

     

    *Ontem, a dona Gomes declarou que “não sabe, nem lhe interessa saber”, como Rui Pinto obteve as informações que publicou. Está tudo dito.

     

    17.9.20

  • UMA BATATA

     

    Algumas informações úteis ressaltam da entrevista caridosamente oferecida à dona Gomes pela TV do Estado.

    Por exemplo, disse ela que o seu orago Sampaio foi fundador do PS. Mentira. Sampaio fundou o movimento de extrema esquerda chamado MES, o qual, em 74/75, defendia o totalitarismo socialista, opondo-se à realização de eleições. Entrou no PS em 79 ou 80.

    Dona Gomes “explicou” que o PS devia ter subscrito um acordo com os parceiros da geringonça, a fim ressuscitar a maioria de esquerda no parlamento. Devia? Pois. Foi o que fez Cavaco, que exigiu tal acordo para indigitar Costa. Só que, para Cavaco, tal podia ser uma forma de não ter que o fazer, contrariando a sua consciência, ignorando os interesses legítimos do povo português expressos nas urnas e abolindo uma praxe constitucional válida pelo menos a partir de 1982. Dona Gomes queria agora o mesmo, com a intenção inversa: para ela é preciso acabar com a direita (toda ela), instaurando para sempre o socialismo obrigatório. Por um lado, é o que se poderia esperar da criatura, por outro é a prova provada da qualidade do que temos pela frente.

    Toda a retórica de “independência” pessoal cai assim por terra. Não se candidata para ser, como diziam os antigos, presidente de todos os portugueses (nunca o foram, como diz a Constituição, foram presidentes da República e de mais coisa nenhuma), mas importa salientar a intenção: candidata-se para ser motor da abolição da direita, ou seja, da democracia que, cinicamente, diz defender. Não quer, nem nunca quis, “unir e federar”, o seu objectivo é dividir, ou seja proteger o “trigo” descricionário da sua ideologia e aniquilar o “joio”, que são todos os que tal coisa não apoiam.

    Se isto é alternativa, a democracia é uma batata.

     

    17.9.20