IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A LIBERDADE NÃO É PARA TODOS

    Aqui há tempos andei em arrumações, o que quer dizer que deitei uma data de coisas para o lixo. Entre elas, muita papelada dos tempos da ditadura. No meio, um molho de números do “Avante!” clandestino, naquelas folhinhas de papel ultra-leve, azul, cor de laranja, na cor que calhasse, cheias de elogios à URSS e de patacoadas ideológicas para engromilar incautos. Tinha a sua piada, o “Avante!”, e até dava um certo frisson ter aquelas porcarias em casa, numa gaveta “secreta”, não fosse a PIDE ter alguma ideia, o que, reconheço, era pouco provável.

    Os tempos mudaram, e de que maneira. Nos meus mais arrojados cálculos jamais imaginaria que, julgados libertos, viéssemos a passar por uma onda oficialmente pró-soviética, ainda menos que, mais de quarenta anos depois do malfadao PREC, o meu pobre país continuasse a ter uma organização tão primitivamente mal cheirosa como um PC igualzinho ao que era, mas com (ainda!) uns 7% de votantes, lado alado com o seu avatar, o BE, a dar-nos uma imagem clara do nosso quiçá inultrapassável atrazo civilizacional.

    Enfim, vem esta arenga a propósito das últimas semanas, sobretudo da última, em que as nossas atrazadíssimas estações de TV nos vêm martelando a cabeça com propaganda dos campeões do atrazo, a propósito da chamada “festa do Avante!” (forma de obtenção de incontroláveis fundos). Uma obra ímpar de publicidade barata (horas e horas de antena, conosco a pagar a RTP, a MEO, a Vodafone e não sei mais quantas que por aí vicejam). Um vê se te avias sem peias nem vergonha. Ao ponto de, mesmo que a tal “festa” fosse proibida, já a organização tinha ganho, não dinheiro, mas fama e proveito públicos. De mestre.

    Até quase ao último momento, os envolvidos na marosca – a DGS e o PC – esconderam as condições ditas sanitárias para a realização do arraial. Agora que, por pressão presidencial, já são conhecidas, vamos sofrer, matraqueados com a coisa, mais outra ou outras semanas .

    Uma declaração de interesse. Para mim, o comício de 4 dias mascarado de “festa”, devia ser autorizado, como autorizados deviam ser muitos outros “ajuntamentos” populares. Como sabe quem me lê, não alinho nem com as ordens das oxigenadas, nem com as do Costa. A ser proibido, que fosse por não ser líquido que os partidos políticos devam poder organizar este tipo de propaganda para angariação de fundos.

    O problema é que, no meio dos indecentes limites e atentados à liberdade que todos sofremos e vamos continuar a sofrer (até as criancinhas, meu Deus!), há, oficialmente, governamentalmente, oxigenadamente, uma só excepção de monta, corporizada nos direitos “especiais” que ao PC são outorgados.

    Liberdade, democracia, o que é isso para a gente que está no poder?

     

    31.8.20

  • RECOMENDAÇÃO

     

    Às vezes, escapam aos informadores coisas que nos aproximam da realidade. Por exemplo, ontem, com ar grave, anunciaram-nos que, não sei onde, se tinha descoberto 40 infectados com o célebre covid19, e morrido dois. Destes, um tinha 93 anos. Do segundo não foi declarada a idade, mas disse-se que estava sujeito a “cuidados geriátricos”. Os outros 38 eram “assintomáticos”. Assintomáticos quer dizer cheios de saúde. Todos alojamos de vírus de várias tamanhos e feitios, covid19 incluído, mas tal não quer dizer que estejamos todos doentes ou às portas da morte. Como está provado, mas não declarado. A informação acima deve ter escapado à censura. Os 38 foram devidamente “confinados”, ça va sans dire. Pagam a falta de informação com a liberdade.

    Uma recomendação às senhoras e cavalheiros que se dedicam, todos os dias, todas as noites, horas a fio, a aterrorizar as gentes sobre o covid19, de tal maneira que a esmagadora maioria de tais gentes acredita na monumental catástrofe que (quer quem “informa”) atingiu a humanidade.

    Uma  recomendação simples, sem grandes pretenções. Trata-se de informar um pouco mais, ou um pouco melhor. Tem a ver com estatísticas, que não existem ou, se existem, não fazem parte da informação disponibilizada.

    Toda a gente sabe que, quanto mais testes mais portadores de covid, quanto menos testes menos “doentes”.  

    As fontes das estatísticas devem ter certos números. Mas não têm, ou omitem-nos. Há, até, um chamado Instituto Nacional de estatística, que custa uma fortuna e se poderia dedicar ao assunto. Assim, já que querem entreter o pagode com números, deveriam dizer: dos descobertos com a infecção, quantos estão doentes, quantos estão em casa a tomar umas aspirinas, quantos não sentem nada, quantos estão confinados sem jamais terem tido sintomas ou tendo-os ligeiros, quantos dos “recuperados” estavam doentes ou deixaram de ter o vírus sem ter dado por ele, quantos dos mortos com covid morreram disso, da idade, ou de falta de serviços médicos para outras patologias, ou ainda de medo de ir aos hospitais. E por aí fora, muitos dados podiam ser publicados, mas não são.

    Há também estatísticas  de mortalidade e da sua evolução que são esclarecedoras mas omitidas se contiverem algum optimismo.

    Porquê? Porque o que está a dar é o terror, é o que vende jornais, o que justifica a quebra de direitos, o que incensa as “autoridades”, o que, “profilaticamente”, arruína o mundo.

    O IRRITADO sabe que,  por dizer estas coisas, vai ser acusado de algum “crime contra a humanidade” ou coisa parecida.. Que se lixe.

     

    28.8.20

  • SOL DE POUCA DURA

    O inigualável Costa reuniu com a Ordem dos Médicos a fim de deitar água na fervura na história dos “cobardes”. Os “gajos”, a bem da estabilidade e da civilidade das suas relações com o governo, resolveram ouvi-lo. Diz-se que a coisa correu tão bem quanto possível, o que, para qualquer pessoa, deve querer dizer que Costa pediu desculpa, disse que tinha sido uma irritação por causa do caso de Reguengos, uma imprudência, e outras coisas mais ou menos simpáticas, para acalmar os ânimos. Pelo menos teoricamente, Costa terá reconhecido ter metido a pata na poça quando, na entrevista ao “Expresso”, teceu estúpidas, ignorantes e arrogantes considerações sobre as competências estatutárias da Ordem.

    Uma coisa é o que se diz numa reunião à porta fechada, outra é o que se atira cá para fora. Costa, perante o furibundo olhar do bastonário, veio dizer ao povo que estava tudo OK, não havia problema nenhum, o que não condizia com o que os senhores da Ordem achavam que se tinha passado.

    Apaz foi Sol de pouca dura. Sossegadas as almas, vem o bastonário dizer que a comunicação pública do PM não reflectia fielmente o que se tinha passado. Uma forma civilizada de dizer que o PM mentiu ao povo. As almas estão desassossegadas outra vez. Não tanto quanto seria de desejar, isto é, as almas dão ao caso o valor de um fait divers. Num país onde há “movimentos”, “associações”, “activistas” e mais não seu quantos “protestantes” a ocupar-se de tudo e mais alguma coisa, não se vê reacção de monta a mais esta bronca do poderosíssimo cidadão.

    Para passar entre os pingos de chuva sem se molhar, para sacudir a água do capote, para demonstrar a sua “inocência” – inimputabilidade -, para proteger os fiéis (uma multidão de dependentes) bem empregados, António Costa é capaz de tudo. E tudo lhe corre bem. Relapso e contumaz, Costa diz o que for preciso, verdade ou mentira. A malta, entretida com a “terrível pandemia”, com a liga dos campeões, com as “doenças” do planeta, com a saúde dos cães, parece que nem ao desemprego – que a chamada guerra do covid desencadeou sem escrúpulos – dá importância de maior.

    E os pingos de chuva parece que se afastar-se de Costa sem lhe tocar. Até que… até que o ciclone que aí vem lhe caia em cima.

     

    27.8.20        

  • UM BEM ENTENDIDO

    Segundo as notícias, o senhor Costa acha que o facto de ter chamado cobardes aos médicos foi um “mal entendido”. Não foi, não há nada para entender, bem ou mal, cobardes são cobardes, chamar cobardes é chamar cobardes, não há nada para entender a não ser isso mesmo..

    O mais grave, porém, não é que o PM tenha tido esse tipo de desabafo, eventualmente até por não estar bem informado. Grave é que, primeiro, tenha começado por desautorizar indevidamente a Ordem por esta ter ido ao lar da morte ver o que se passava. Com palavras altamente condenatórias, os médicos foram acusados pelo Costa de ultrapassar ilegalmente as suas competências. Mesmo que tivesse razão (não tinha), o que estava a fazer era desviar as atenções dos males postos a nu com afirmações que nada tinham a ver com o verdadeiro assunto. Isso sim, é cobardia, e da grave. Tentar cobrir com legalismos bacocos as malfeitorias de uma constelação de boys do PS, tentar fugir ao assunto, que outra classificação pode ter?

    Pior ainda. Posta na mesa a sua ofensiva imprudência, não pediu desculpa. Sacudiu a água do capote com a história do “mal entendido”.

    Ressalve-se a atitude do chefe dos médicos. Com cara de pau, aceitou a “explicação”, obviamente a bem das relações que não pode deixar de ter com o governo.

    Assim se distingue um homem a sério de um que não presta.

     

    26.8.20   

  • O COSTA E OS NÓS

    O nosso inestimável (o que não merece estima) primeiro-ministro disse que os médicos destacados julgo que para Reguengos de Monsaraz e que se recusaram a trabalhar, são uns “cobardes”.

    Diz o “Expresso”, tremebundo, que tal foi dito em off. Mas foi dito. E foi filmado pelos filmantes do “Expresso”. O “Expresso” filma offs! E com som! E não só foi filmado, como o take do “cobardes” foi enviado a várias gentes. Alguém de tais gentes retirou a frase e publicou-a na Net. Diz o “Expresso” que, além de roubado, o dito foi “descontextualizado”. É claro que só há uma maneira de “contextualizar” a frase de sua excelência: é publicar o que a “contextualiza”. Mas isso… querias!

    O coro é geral, tonitruante: houve um “roubo”. Duvido, mas talvez seja verdade. Anda meio mundo a tecer os mais altos louvores aos ruis pintos, assanges & companhia, gente que se dedica a roubar textos, emails, vídeos, correspondência diversa, contas, tudo aos milhões. São uns heróis. Isso da quebra do sigilo e roubalheiras a sério é coisa que as constituições democráticas condenam, mas que os instintos policiescos em vigor admitem, admiram e até protegem.

    Mas, se tocar as augustas canelas de sua excelência, meu Deus, passa a hediondo crime. O “Expresso”, altíssima figura das mais desbragadas intromissões ilegais, desta vez tropeçou.  

    Não há moralidade, nem comem todos. Há o comum – ou não tão comum – dos mortais, que pode e deve ser roubado à vontadinha. E há o primeiro-ministro que, mesmo que filmado e gravado, está ao abrigo da Constituição.

    Aprendam, cidadãos do meu país: ao pé do primeiro-ministro, vocês não valem a ponta de um chanfalho.

     

    24.8.20   

  • AINDA

    Às vezes, como uma banana durante a manhã. Hoje, porém, comi só meia banana. A outra metade fica para 2021.

    Explico: fiquei verdadeiramente aterrorizado com a nova ameaça que sobre nós paira, corporizada nas brilhantes ideias dos “cientistas” da associação Zero (zero à esquerda, como é evidente) e de outros que tais, que postulam estarmos a consumir mais do que devemos, aproximando o mundo da fome generalizada, da exaustão dos recursos, do diabo a quatro.

    Em 2020, diz uma tonta cheia de direito de antena, estamos a comer, a beber, a “gasolinar”, etc., mais do que a Terra pode dar. Pois. O planeta não só está a aquecer por causa do CO2, está também a ficar exaurido de alimentação, de bens de consumo, de bananas que foram comidas antes de tempo.

    Aposto que a organização Zero é financiada pelos nossos impostos, como a maioria das agremiações deste género, e de centenas de outras inflorescências da sociedade civil, deste e de outros género, mas com fins paralelos: ganhar umas massas por instilar medos na cabeça das pessoas. Quanto mais medos fabricarem mais os governos têm medo, e mais financiam, com medo das queixinhas. Os media colaboram, como sempre, é preciso excitar para vender.

    Não é fácil resistir, a pressão é muita, o terror é fácil, o sentido crítico não compensa, é mais prático alinhar.

    E pronto. Incorrecto, vou comer a outra metade da banana. A maluca do Zero ainda não pode meter-me na cadeia. Ainda.

     

    24.8.20

  • DO NACIONAL MAMARRACHISMO

     

    Anda para aí uma polémica dos diabos sobre uma escultura em raiz de negrilho, árvore ao que se diz muito do agrado de Miguel Torga, que ornamenta um sítio qualquer lá para o Norte. Tal trabalho propõe-se retratar a cabeça do poeta, acrescentando-lhe vasta e lenhosa cabeleira. Descontada esta, parece-me que a cabeça lembra, com alguma fidelidade não só os traços fisionómicos do senhor como a sua bem conhecida severa expressão.

    Mas a malta não gosta. Sobretudo a esquerda dos donos disto tudo. Por mim, acho que o trabalho do escultor, se comparado com o que vemos por aí, é uma obra prima. Num país pejado de mamarrachos, esta escultura é uma maravilha. Olhem para o piço erecto no alto do Parque Eduardo Sétimo, a esguiçar mijocas na vertical, caindo o produto sobre um monte de horrorosos pedregulhos, esculpido (?) por alguém politicamante correcto. Ainda por cima, há quem diga que significa a “liberdade”! Olhem a cabeça de Sá Carneiro, miseravelmente decapitada na praça do Areeiro, homenagem póstuma de alta valia, segundo o parecer da Câmara. Olhem as vigas que um artista, ao que se diz consagrado, pôs, sem discussão, à beira mar, lá para os lados do Porto. Olhem as centenas de atentados à arte e ao bom gosto, generosamente distribuídas por tudo o que é rotunda por esses campos fora.

    E preste-se homenagem ao escultor e à junta de freguesia não sei de onde, pela sua digna iniciativa.

     

    20.8.20

  • UMA OPINIÃO FORA DO CAIXOTE

     

    O maior acto radicalmente racista da nossa história viveu-se por efeito da nossa maior vergonha: a descolonização, dita “exemplar”. Quase um milhão portugueses brancos, gente de honra e de trabalho (depois de exilados viriam, mais uma vez, a prová-lo), foi arrancado à sua vida pelo MPLA e quejandos, com o apoio criminoso e cobarde das autoridades portuguesas, civis e militares.

    Mortos ou expulsos os portugueses brancos, os novos donos do poder dedicaram-se a matar-se uns aos outros. Há mais de 40 anos nenhum dos povos “libertados” ( à ecepção de Cabo Verde, que nem fez guerra nem virou marxista) encontrou segurança ou progresso. Mais de quarenta anos de guerra, de golpes, de tirania, de assassínios políticos, tudo sem fim à vista. Morreu mais gente a tiro no primeiro ano de “liberdade” do que em 13  anos de “guerra colonial”. E muito mais depois disso.

    Em face dos “ventos da história”, o abandono do poder em África era uma inevitabilidade. É verdade. O Estado Novo não deu por isso, manteve-se, teimoso, burro e incapaz. É verdade. Nada disto justifica que a explosão de racismo nas colónias não tenha ainda merecido qualquer julgamento histórico. Em vez disso, continuamos, felizes e contentes, a celebrar os promotores nacionais do racismo.  

    A benefício do “que está a dar”, lançou-se uma campanha desmesurada, ou acrítica, de revisão histórica e sociológica sem quaisquer barreiras, seja a barreira da verdade, seja a do bom senso, da justiça, e  de um mínimo de honestidade intelectual. A cortina de ferro do racismo, feita de informação – ou servil ou fabricada -, de propagandistas desvairados, da cegueira de uns e da intencionalidade de outros, instalou-se. É certo que há muitos africanos a viver em condições indignas (também os há de pele branca), mas todos têm protecção jurídica e social, mercê de uma comunidade que não distingue pela cor da pele, antes se movimenta e mobiliza para atender aos mais fracos. Cerca de 50% da assistência é prestada por movimentos comunitários, mormente de inspiração católica. Não chega, dir-se-á. Mas só o emprego, a já existente ausência de descriminação educacional, o progresso económico, poderão vir, a médio/longo prazo, a ser um verdadeiro elevador social.

    Os abusos de umas dúzias de “supremacistas brancos”, cretinos, violentos e acéfalos, que cedem às provocações dos racistas negros, ou rejubilam com elas, não passam de excepções que confirmam a regra, e merecem a perseguição criminal que está em curso.

    Entretanto, o verdeiro racismo, impulsionado por activistas africanos e pelo Bloco de Esquerda, fará o seu caminho, com o beneplácito dos media e a cobarde e irresponsável apatia dos políticos.

    Até quando?

     

    20.8.20    

  • DIREITOS HUMANOS

     

    Desde há muitos anos me reuno com outros soldados da guerra de Angola numa almoçarada de gente velha, com mulheres, filhos e netos, a lembrar os “bons tempos” do Império e os camaradas da infantaria que já lá vão. Este ano não há almoçarada nenhuma, é democrato-sanitariamente proibido. Caso contrário, podíamos ir todos parar ao chilindró ou ser sujeitos a pesada multa.

    E, se for apanhado a confratenizar com outros  – os amigos que restam – arrisco-me ao mesmo.

    Segundo as estatísticas, que merecem o crédito que merecem, já foram detidas mais de quinhentas pessoas por cometer o nefando crime de confraternizar, ou de não usar máscara, isto para além dos milhares que já foram repreendidos (por medo da lei “democrática”) pelos funcionários dos restaurantes por ir faxzer xixi sem máscara, pelos polícias no meio da rua, ou até, imagine-se, por concidadãos “cumpridores” com instintos policiais. E por aí fora, num nunca acabar de exigências de “respeito pela legalidade em vigor”.

    A confirmar estas democraticíssimas limitações, há excepções. Por exemplo, a coisa cessa quando o Presidente da República e o seu sócio de eleição resolvem ir a um espectáculo, já que está ressalvado o “afastamento”. O mesmo se o PC resolver manifestar-se nas ruas, também com afastamento dos participantes, mas não dos milhares de mirones, Jerónimo incluído.

    Cereja no creme, o PC é autorizado, e ajudado, a reunir, não cinco, nem dez, nem vinte mânfios, mas 33.000×3, todos a tecer louvores ao falecido Che, ao camarada Maduro ou ao correligionário Kim. Aí, tudo na maior! Até os ministros (políticos) se prestam a reuniões (“técnicas”) para assegurar que as celebrações em causa não deixem de ter lugar.

    Admita-se, num estúpido exagero de compreensão, a existência da catadupa de normas a que estamos submetidos. Rezam os “princípios” que a lei a todos obriga. O que não se pode admitir é que haja excepções, e das grossas, ainda por cima todas elas em benefício dos bolchevistas e em prejuízo dos meus almoços da tropa.

     

    15.8.20

  • SALVAR O ESSENCIAL

    Muita tinta tem corrido, e continuará a correr, sobre a história do Rei Emérito de Espanha, Dom Juan Carlos. Talvez a principal das acusações que lhe são assacadas seja a de corrupção. Juan Carlos terá recebido dinheiro a troco de favores. Tem piada, uma vez que se trata, não de corrupção, mas do seu contrário. Explico: o Rei saudita não “pagou” coisa nenhuma, pela simples razão que não tinha nada a pagar. A Arábia não fez nenhum negócio chorudo com a Espanha, deu-se exactamente o contrário, pelo que, a haver corrupção, seria em sentido contrário.  

    Lá para as arábias “não há corrupção”. Há, isso sim, uma enraizada tradição de premiar com dinheiro os familiares e os amigos. Foi o que aconteceu. Não há, nem ninguém tocou em tal assunto, nada que a Arábia deva a Espanha, coisa de tal monta que pudesse ser objecto de corrupção.

    Dom Juan Carlos terá recebido o dinheiro atroco de nada que não fosse amizade e a forma de a demonstrar segundo os padrões sauditas.

    Postas as coisas nos seus devidos termos, há que reconhecer que o Rei Emérito meteu o pé na argola, e merece crítica das pessoas e tratamento jurídico. Ele não devia ter ficado com o dinheiro. Pessoalmente, não ficou. Mas, a) devia tê-lo declarado e b) devia tê-lo doado a instiuições sociais ou equivalentes, encarregando alguém de o fazer com toda a transparência. Em vez disso – o amor é louco – escondeu-o e veio a dá-lo a uma amante. Pelo menos é o que por aí se diz, parece que com razão..

    As consequências devem cair-lhe am cima, de acordo com a Constituição e as Leis do Reino. Mas será essencial, para defesa da Paz e da Democracia, que seja salvaguardada a mais preciosa das instituições políticas espanholas: a Monarquia, hoje incarnada por Filipe VI. A não ser que se queira destruir a unidade de Espanha, transformar o Reino num saco de gatos (coisa em que os espanhóis são especialistas), e que tudo volte velha à cacetada.  

     

    13.8.20

  • DA INSTITUIÇÃO DO CAGAÇO

     

    Não faço ideia quem seja o Olavo Bilac. Havia outro do mesmo nome, mas que, creio, já morreu. Diz-se que o que anda agora nas bocas do mundo é um badalista muito conhecido que foi dar largas à exibição da sua arte num comício do Chega, presume-se que pago para tal.

    Descobrindo de que a coisa seria do desagrado da esquerda (maioritário pasto ideológico dos “artistas”), o indivíduo,  em esfarrapadíssima  desculpa, veio dizer que não sabia que o comício era um comício nem que o Chega era um partido político. Notável. É de pensar que, quando a criatura se exibe nas festas do Avante também não sabe que o PC é um partido político, nem que aquilo é a grande fonte de capital para a política do dito.

    Perante tanta e tão ingénua ignorância até as pedras se comovem. Tremendo de emoção, o pobre rapaz que “nunca pretendeu apoiar o Chega”, leva-nos a crer que, ou é do PC, ou vai onde lhe pagam para ir, o que, se asumido, seria legítimo e compreensivel. Mas é tal o medo que a esquerda e o politicamente correcto – filho dilecto de tal esquerda –  infundem em toda a gente, que o homem se borrar e veio bater com a mão no peito, não vão a Catarina e o Jerónimo, os jornalistas, os comentadores, etc.,  novos pides, cair-lhe em cima, zangar-secom ele e deixar de o contratar.

    Não sou frequentador, nem dos comícios do Chega, nem da festa do PC. O que me traz é denunciar o regresso, na generalidade aplaudido, dos saneamentos, da censura e da prepotência política.

     

    13.8.20

  • O GRANDE JUIZ

    É um tipo importante, odioso e odiento, mas importante. Tem verbo fácil e tiques inquisitórios. Faz parte de uma organização que postula a tirania marxista, a desorganização social, o fim da família tradicional e outras martigalas da esquerda moderna: o Bloco de Esquerda. Por evidente involuntária antonomia, chama-se Pureza.

    A agremiação política a que pertence mantém uma espécie de “escola de ‘formação’ de deputados”, isto é, faz substituições sempre que lhe dá na gana, para treino de não eleitos. Nunca foram postas em causa tais substituições, todas, é de supor, “justificadas” com doenças com mais de trinta dias, licenças de paternidade e outras “razões” atendíveis.

    Até que apareceu o Ventura, ódio de estimação de purezas e de ferros, a querer suspender o mandato para se candidatar à presidência da República. Hediondo crime! Aquilo que o Pureza pratica sempre que ao partido convém, passa a tremenda ilegalidade se feito por um tipo que o Pureza não grama.

    Não faço tenções de vir a votar no Ventura, sequer sei se virei a votar seja em quem for. É-me indiferente que o Ventura suspenda ou não suspenda o mandato de deputado. Mas acho que o fulano não é um cidadão de segunda, nem que os seus direitos existam ou deixem de existir por soberana vontade do Pureza.     

     

    10.8.20

  • LIBANOLOGIAS

    Esta história das explosões no Líbano não tem descrição possível. É um horror, ponto. Faz correr rios de tinta, como se justifica. Há os repórteres, os socorristas e, sobretudo, os grandes intelectuais cá do burgo.

    Permitam-me que sublinhe um deles, para ver onde se pode chegar. O senhor Rui Tavares, conhecido cá em casa por Tavares Mau – por contraste com o JM Tavares, o bonzinho – cozinhou uma série de observações altamente cultas sobre o assunto. Ficámos a saber que somos todos filhos dos libaneses, via fenícios, via alfabeto, via romanos, via uma data de gente, num bouquet histórico só passível de ser produto de superiores conhecimentos, julgo que todos disponíveis na Wikipedia. Além destes esclarecimentos, que muito agradeço ao tal Tavares, o dito dedica-se, por exemplo, a condenar veementemente o senhor Macron, que terá ido a Beirute em odiosa manifestação de neocolonialismo. E mais: condena o dito a União Europeia, que não terá reagido reunindo imendiatamente os chefes dos governos, a fim de montar uma operação conjunta de socorro, ainda que já lá esteja a malta toda a fazer o que pode e sabe. E a dona Ursula, um produto da direita reccionária, imagine-se que não obedeceu aos desejos do ilustrérrimo Tavares! E mais ainda, o dito fala do Líbano dos nossos dias (conhecido saco de gatos) sem tocar na orla das vestes do Hezebolah (é assim que se escreve?), o qual, apesar de listado como organização terrorista em todo o mundo civilizado, apesar de ser parceiro de eleição de iranianos, daeches e coisas do género, apesar de ter no currículo centenas de milhar de mortos, apesar de ser uma das forças político militares mais horrorosas do mundo e de ser residente do Líbano, com território e tudo, não faz parte da crónica nem dos conhecimentos do senhor Tavares.

    Onde pode chegar a intelectualidade de esquerda é coisa difícil de imaginar, não é?

     

                 9.8.20        

  • DA IMPORTÂNCIA DO CROQUETE

     

    Há dias, fui comprar uns hamburgueres em takeaway: Uma pequena multidão fazia bicha à porta da tasca, disciplinada, com distância mais ou menos de acordo com a ditadura sanitária, tudo minha gente de máscara, muitos com o acusatório olhar com que se presenteia um chato como eu, que não usa máscara (viseira!) a não ser que não possa deixar de o fazer.

    Passadas algumas distâncias regulamentars, lá entrei na coisa. Pedi a horrível refeição. Mandaram-me esperar ao lado do balcão, para que outro se pudesse chegar. Um tipo, que me mirava de lado por causa da viseira, pediu sete imperiais. A menina disse que nem pensar, passava das oito, não se podia vender álcool. O fulano ficou furioso, começou a espumar. A menina, muito simpática, propôs uma solução: se pedir comida, passamos a restaurante e já podemos vender. O infeliz disse que ele e os amigos já tinham jantado, não queriam comida, só as imperiaizinhas. Vai daí, a menina foi em seu socorro: compre dois croquetes, e pronto. O rapaz não percebeu: dois croquetes? Sim, está na lista um prato de dois croquetes, com direito a quètechape e maionese. E, sem mais conversa, a diligente funcionária pôs em cima do balcão um pratinho com dois croquetes, um guardanapo, um pacotinho com quètechape e outro com maionese, acrescentando a esta copiosa refeição sete magníficas imperiais em copo de plástico. E lá foi o fulano levar as cervejinhas aos amigos e, possivelmente, deitar os croquetes para o lixo.

    Esta cena é uma das muitas que nos dizem da inteligência que preside ao nosso “desconfinamento”(neologismo “covidual”). Tantas são as normas quantas as maneiras de fugir a elas. Ainda bem, felizmente há quem resista à estupidez institucionalizada e obrigatória, fazendo, enquanto tal, inveja ao socialismo constitucional.

    Entretanto, morre muito mais gente sem covide do que morria o ano passado, e não morre mais gente com covide do que morria com gripe. Dizem que é do calor. Eu digo que é por falta de assistência médica. Mas quem sou eu para criticar os génios político-científicos que mandam nesta coisa?

     

     8.8.20

  • ENCOVIDADOS

     

    Quando se ouve aquela rapariguinha a dizer coisas não é de esperar que venha dali grande coisa. Desta vez, foi demais. Diga-se em abono da verdade que a importantíssima ministra não sei de quê parecia comprometida, pouco à vontade, o que, se calhar, quer dizer que tinha consciência dos disparates que produzia em nome dos colegas que dizem governar-nos.

    Abrir discotecas desde que nelas não se dance é como autorizar a circulação de camiões desde que não carreguem coisa nenhuma. Abrir bares desde que não vendam bebidas é como autorizar as pessoas a ir à praia proibindo-as de tomar banho. Pôr os restaurantes a abrir até à uma da manhã, não para que as pessoas comam até mais tarde mas para “facilitar a acção da polícia”(!!!) é coisa que se compreende, é o nobre obectivo de opar os poderes paraditatoriais do governo na sua nova interpretação da democracia liberal. Proibir as imperiais a partir das oito da noite é outra manifestação da citada nova democracia.

    Tudo isto em nome da “guerra” contra o covide. A arma dos guerreiros tem efeitos colaterais de monta, ou objectivos inconfessáveis, a saber: Destruir a vida social, arruinar centenas de milhar de comerciantes e industriais, arrastar para o desemprego, a miséria, a fome quantos mais melhor, destruir a educação, prejudicar sem escrúpulos a infância, desproteger os doentes que não tenham o vírus, acabar com as consultas médicas, as cirurgias, os exames, causar mais mortes do que as que ao vírus se deveriam, prologar e exponenciar o pânico, as doenças mentais, afastar as pessoas, as famílias, os amigos, pôr uns contra os outros com exgências policiescas, chegue-se para lá, ponha a máscara, seja “cívico”…

    Alguém, por exemplo os “jornalistas de ivestigação”, os institutos de estatística, os académicos, os “órgãos de informação, seja quem for, já pôs cá fora os números da letalidade dos últimos meses comparando-a com a dos anos anteriores, por exemplo com os tempos dos surtos de gripe? Não. Houve ontem, com certeza passando as malhas da censura estabelecida, um médico que disse ter feito tal comparação e concluído que não há problema de maior. Garantidamente, será silenciado.

    Toda a gente sabe que as mortes atribuídas ao covide (“por” covide, nova preposição, tão estúpida como os tempos em que vivemos) são todas as das pessoas que tiveram o vírus, tenham morrido por isso ou por outra causa qualquer.

    O que interessa é assustar, telejornais com horas de covide, jornais com páginas e páginas de covide, preciso é aumentar o pânico, pôr as pessoas “nos varais”, como a mulas nas carroças. E não há nada a fazer: As pessoas já estão infectadas com o pior de todos os vírus, o do medo, coisa que as desconstrói, as altera, as faz mais infelizes.

    Para isto não há, nem haverá, vacina.

     

    31.7.20

  • FIM DE SEMANA EM NOTÍCIAS

     

    – O Boris prolonga a quarentena do turismo, grande vitória diplomático-sanitária da geringonça;

    – O Orban paga os elogios do Costa com uma via verde para as multidões de turistas húngaros que costumam visitar Freixo de Espada às Costas e para os inúmeros portuguesinhos que usam passar o Verão em Budapeste;

    –  A dona Greta (e as organizações que estarão por trás dela) vai receber um milhãozito para continuar a divertir-se à conta. O planeta, dito em crise de aquecimento, marimba nela. A Gulbenkian gasta dinheiro mal gasto;

    –  O camarada Nogueira, para grande irritação do geringonço barbaças, ameaça com greves e mais greves dos professores, coitadinhos, que têm horror ao trabalho;

    –  A esperança de vida diminui: resultado, é mais que certo, do estado a que o Estado levou o Serviço Nacional de Saúde;

    – Em consequência da política do pânico estão esgotados os medicamentos para a ansiedade;

    – Abata-se os fetos, não os cães, segundo leis em vigor em Portugal;

    – O ministro da ciência quer mais cursos – privados! – de medicina em Portugal, mas não se demite do governo que proibiu tal coisa;

    – Os reitores fecham as portas das faculdades de medicina a centenas de candidatos.

    Ora bolas!

     

    27.7.20

  • A QUATRO PATAS

     

    Depois da primoministerial oração pela reconstrução do tripé da geringonça – como se tal estivesse em risco – e do anátema de troça, desconsideração e desdém com que brindou o PSD, com servil silêncio deste, ficámos a saber que, apesar do ligeiro espernear dos parceiros de eleição, a geringoncial organização está firme e de boa saúde, ou seja, como o IRRITADO já tem dito, nunca esteve em causa.

    Na última ocasião – até daqui a dois meses por brinde do senhor Rio – em que “enfrentou” o parlamento, coisa fácil e sem controvérsia que se visse, o chefe do socialismo cada vez menos democrático do PS averbou mais um triunfo. A democracia da terceira república, ou a falta dela, ficou consagrada com a acéfala aceitação do PSD/Rio.

    Por outro lado, na incontida ânsia por um segundo mandato com muitos votos, o senhor de Belém continua, popularucho e amigo da esquerda, a não arriscar qualquer sobressalto eleitoral vindo do lado dos geringonços. O chefe Costa tem nele a quarta pata da geringonça, o que lhe dá  a estabilidadae de que precisa para garantir mais quatro anos de navegação à vista, sem chatices de maior.

    Quem ainda pensasse que, em Belém, havia algum respeito pelo passado democrático do seu habitante, bem pode esperar sentado, ou deitado. Cansa menos e muito contribui para a falta de sanidade mental que é hodierno timbre da Nação.

    Disse.

     

    26.7.20

  • VENHA O TIRIRICA

    O PSD, nasceu “popular”. Por razões de oportunidade política que não sei se a razão conhece, passou a “social-democrata”. Foi sempre, claramente, contra o socialismo, primeiro o imposto pelos militares, depois, em doses menos radicais, adoptado pelo PS. Era o tempo do chamado “socialismo democrático” que Mário Soares defendia e identificava como social-democracia.

    A “social-democracia” do PSD nunca passou de um rótulo que só incidentalmente correspondeu à sua imagem política ou ao que os seus apoiantes e eleitores dele esperavam: a oposição ao PS. Filiou-se no PPE, colocou-se no seu sítio, e conheceu, enquanto tal, largos êxitos.

    Porém, nos finais do século XX (Sampaio), princípios do XXI (Costa) as coisas mudaram. A velha distinção soarista entre partidos democráticos e partidos não democráticos tinha os dias contados. Aos poucos, os segundos, por obra do “novo PS”, passaram a fazer parte dos primeiros, não por ter declarado o seu amor à democracia liberal, coisa que nunca farão, mas por ter descoberto vantagem na aceitação da mão que lhes era estendida.

    O PSD, por seu lado, não foi capaz de capitalizar a entorse esquerdista, oportunista e pouco séria que está no ADN da geringonça e nunca a abandonará. Traindo a praxe constitucional que entregava o poder ao PSD por via eleitoral, o PS enterrou definitivamente o soarismo e a saudável tradição da III República do poder ao mais votado.

    Empurrado, à primeira, pelo turismo e os juros baixos e, à segunda, pela pandemia do medo, o PS solidificou o seu poder, sempre devidamente encostado aos partidos não democráticos (na feliz definição de Soares).

    Assim, o seu poder tornou-se avassalador. Os abusos do poder pelo PS começaram com Sócrates – os resultados estão à vista – e, vinda a geringonça, tomaram conta da sociedade. Adoptaram a moral esquerdista, dita fracturante, cumpriram a agenda do BE, passaram a mão pelo pêlo do PC, meteram os media no bolso, promoveram a nova “educação”, apoderaram-se de media obedientes e acéfalos ao mesmo tempo que continuaram, e continuam, a proteger uma economia dita “livre”, mas baseada em rendas e privilégios. Invadiram o Estado, privilegiaram os seus intocáveis empregados em prejuízo de terceiros, criaram um novo eleitorado, feito de favores e de excepções que passaram a regras.

    E o PSD? Depois de hesitações várias, sem projecto ou ideologia, acabou nas mãos de um fulano que, sem perceber rigorosamente nada do que o PSD, em matéria de sociedade, representa, voltou à velha tónica da “social democracia” e passou a mendigo do status quo, isto é, do PS. Com a ”desculpa” do “interesse público”, passou a compagnon de route do PS, estando à disposição do poder para tudo o que o poder quer, ou seja, para tudo em que o poder não tenha apoio dos seus geringonços de eleição. Não reage, nem pressionado pelo brutal desprezo com que o adversário o brinda. À fatal ausência de quaisquer ideias que o distingam do adversário, o homem responde com repugnante servilismo. Nem de gato precisa para ir à caça: já tem o cão do PS para caçar, mas não percebe que tal cão leva a caça ao dono, não a ele.

    Tudo isto redunda num gigantesco problema para a nossa sociedade. Estamos no caminho do pensamento único, do fim do juízo crítico, do esvasiamento de opção outra que não seja a do seguidismo obrigatório. Tudo o que o PSD podia representar deixou de existir às mãos assassinas do seu líder, feliz por ser desprezado, a apoiar quem dele escarnece, sem sombra de ideia mobilizadora ou útil.

    Que hão-de fazer os eleitores, habituais ou ocasionais do PSD? Julgo que há uma só solução: continuar, mas exigir, com todas as forças e todos os meios legítimos ao seu alcance, que este ominoso trambolho dê lugar a outro. Será como com o Tiririca: com outro, pior não fica.

     

    25.7.20

  • OS NOSSOS DIAS

    A incontestada líder da indigência mental dos portugueses e da hiper-possidoneira, campeã do nacional-histrionismo, dona do mais estridente vozear e dos dentes mais equinos da Nação, deu com os pés (por quanto?) à balsemónica organização, e vai voltar a abrilhantar os dias do mais ignaro pagode. Segundo se diz por aí, o negócio contou com os milhões que o Estado deu aos media. Será? Isso não interessa, são bocas do Rio, valem o que valem, quer dizer, nada. Mas podem ser verdade: o erário público é capaz de estar a contribuir para o progresso da gritaria. O que interessa é verificar que as gargalhadas alarves da senhora, verdadeira boba, não da corte mas da plebe, valem milhões. Goste-se ou não, o novo emprego da espernéfica criatura é uma das grandes preocupações do povo, induzidas pelos do costume: os media.

    Mas há mais: a segunda grande notícia dos dias é o triunfal regresso dess’outro grande pilar da nossa cultura, o senhor Jesus, homem de fartas melenas e altos triunfos.

    A isto junta-se, com importância menor, uma reunião de amigos, com inimigos à mistura, que tem, ou teve, lugar em Bruxelas. Diz-se que vem aí muito dinheiro, mas, dada a profundidade do abismo, também se diz que não passa de peanuts. O camarada Costa, depois da proclamada “compreensão” que deu aos malefícios do colega Orban, viu o muito dinheiro passar a menos e, como é natural e costumeiro, prepara-se para o gastar da pior maneira, o que já está largamente anunciado com os milhares de milhões que irão para o hidrogénio, futuro elefante branco de estimação.

    Há também uns incêndios para animar as artes. Felizmente ainda não tiveram importância de maior, a não ser pela morte de dois bombeiros e ferimentos em vários. Respeite-se.

    E há o “incêndio” do BES/GES, coisa que vai levar uns vinte anos a resolver, lado a lado com o caso Sócrates e outros da mesma igualha. Nada de novo, é o costume.

    Lado positivo disto tudo é que o covide está em quebra de influência. As duas marretas aparecem menos, o que é um descanso. Mas as manchetes continuam: tudo o que acontece, ou não acontece, é multiplicado pelas letras gordas que, quase sempre, nada de interessante dizem, a não ser que é preciso manter o terror bem vivinho.

    E pronto, os nossos dias são assim. Vamos para a praia.

     

    21.7.20    

  • É O QUE QUISEREM DAR

    Hoje, o nosso geringoncial governo vai ser altamente representado em Bruxelas pelo seu inigualável primeiro-ministro. Vai, nem formoso nem seguro, a caminho da mais covídica das cimeiras da UE. Haverá máscaras com fartura, afastamento “social”, gel aos quilolitros, tapetes para lavar as solas, luvas, viseiras, uma nunca acabar de saúde. Os tipos do Norte e o penteadinho da Áustria vão fazer a vida negra ao pobre do rapaz. Os elogios públicos que fez ao seu colega húngaro – conhecido por indefectível democrata, defensor dos direitos humanos e outras raras qualidades – não deixarão de lhe ser úteis ao confrontar os forretas.

    Será, diz-se, uma jornada difícil. Mas tudo será consequência de um imperdoável erro de casting. É que, juram inúmeros politólogos, quem devia ter ido à reunião era o inultrapassável Pedro Nuno Santos, o único que teria estaleca para enfrentar os canalhas: amedrontaria toda a gente com as suas farfalhudas barbas, mandaria o holandês àquela parte, o homem ficava à rasca, mandaria calar a Merkel, que se poria de joelhos (já não era a primeira vez), chamava maricas ao Macron, dava um par de estalos ao penteadinho, desatava ao pontapé a quem se lhe opusesse, poria toda a malta nos varais com um discurso daqueles que fazem estremecer a estátua do Marquês de Pombal, viria de lá sem um chavo mas teria defendido a honra da Pátria, coisa que lhe compete salvar, como salvou a TAP do sócio e correu com a Isabel da Efacec. Assim, salvos os termos e a linguagem do socialismo nacional, ficaríamos todos contentes.

    Com o Costa, vai acontecer como com os pedintes: virá de lá com o que lhe quiserem dar. Nem precisava de lá ir.

     

    17.7.20