IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA IMPORTÂNCIA DO CROQUETE

 

Há dias, fui comprar uns hamburgueres em takeaway: Uma pequena multidão fazia bicha à porta da tasca, disciplinada, com distância mais ou menos de acordo com a ditadura sanitária, tudo minha gente de máscara, muitos com o acusatório olhar com que se presenteia um chato como eu, que não usa máscara (viseira!) a não ser que não possa deixar de o fazer.

Passadas algumas distâncias regulamentars, lá entrei na coisa. Pedi a horrível refeição. Mandaram-me esperar ao lado do balcão, para que outro se pudesse chegar. Um tipo, que me mirava de lado por causa da viseira, pediu sete imperiais. A menina disse que nem pensar, passava das oito, não se podia vender álcool. O fulano ficou furioso, começou a espumar. A menina, muito simpática, propôs uma solução: se pedir comida, passamos a restaurante e já podemos vender. O infeliz disse que ele e os amigos já tinham jantado, não queriam comida, só as imperiaizinhas. Vai daí, a menina foi em seu socorro: compre dois croquetes, e pronto. O rapaz não percebeu: dois croquetes? Sim, está na lista um prato de dois croquetes, com direito a quètechape e maionese. E, sem mais conversa, a diligente funcionária pôs em cima do balcão um pratinho com dois croquetes, um guardanapo, um pacotinho com quètechape e outro com maionese, acrescentando a esta copiosa refeição sete magníficas imperiais em copo de plástico. E lá foi o fulano levar as cervejinhas aos amigos e, possivelmente, deitar os croquetes para o lixo.

Esta cena é uma das muitas que nos dizem da inteligência que preside ao nosso “desconfinamento”(neologismo “covidual”). Tantas são as normas quantas as maneiras de fugir a elas. Ainda bem, felizmente há quem resista à estupidez institucionalizada e obrigatória, fazendo, enquanto tal, inveja ao socialismo constitucional.

Entretanto, morre muito mais gente sem covide do que morria o ano passado, e não morre mais gente com covide do que morria com gripe. Dizem que é do calor. Eu digo que é por falta de assistência médica. Mas quem sou eu para criticar os génios político-científicos que mandam nesta coisa?

 

 8.8.20



7 respostas a “DA IMPORTÂNCIA DO CROQUETE”

  1. Pois é, Irritado, pois é. Olhe, não sei se sabia: Juan Carlos está a ser investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e uma imensa fortuna escondida. Mete uma negociata de comboios, uma fundação-fantasma, fundos offshore, um primo, uma amante… Vai daí, pirou-se. Disseram que ia para a República Dominicana: para as estâncias de luxo do seu amigo FANJUL. Depois disseram que não, que estaria noutro luxo qualquer. Mas ficou no ar a bonita amizade. Eis o calibre moral da criatura. Os Fanjul são mamões mafiosos com plantações de semi-escravos e trabalho infantil. São o perfeito exemplo de DDT: financiam tanto o partido Republicano como o Democrata, recebem subsídios e benesses de ambos, até estão na cama com o PC de Cuba. Eis os típicos compinchas do seu caro Juan Carlos. Após 82 anos de mama, de luxo imerecido, de chulice e impunidade garantidas – “La persona del Rey es inviolable y no está sujeta a responsabilidad”, diz a Constituição – ainda teve de ser trafulha, aldrabão e mafioso. É obra, não é, Irritado?

    1. É isto o que tem a dizer sobre o croquete? Quando eu falar deste seu tão querido assunto, se quiser comente, ou responda com croquetes. Mas só falo quando me apetecer, não quando você mandar.

      1. Gostei muito do croquete, mas nesse tema estamos basicamente de acordo. Sobre este tema é que não. O Irritado sabe porque lho trago, não sabe? Não é apenas para constatar a hipocrisia do Juan ou da monarquia. Vai além disso: uma parte essencial da sua maneira de ver o mundo está errada. O privilégio, a desigualdade, até o suposto pragmatismo que v. defende estão moralmente, objectivamente, fundamentalmente errados. E caem de podre. O que venho lembrar é que andam todos ao mesmo, e que é tudo uma merda. Sim, todos. Sim, tudo. É preciso rebentar com isto tudo; e se com a água do banho for o bebé, a banheira, a casa e o resto, então já devia ter ido. Tem de ir.

  2. E eu que começo a pensar que são os científicos, em conjunto com as redes sociais, com ou sem croquetes, que mandam nos políticos. Se calhar estes últimos, talvez se tenham posto a jeito, para serem mandados em vez de mandarem.

    1. É capaz de ter razão!

  3. Para arranjar esta, ou melhor para chegar a esta irritação teve que ir pedir uma horrível refeição de hamburgueres em takeaway, melhor dizendo estar por dentro do assunto. Gabo-lhe a paciência surrealista, o outro para escrever sobre a homossexualidade foi para uns urinóis olhar para as do lado. Essa sua irritação podia ficar mais calma perguntando ao patrão da menina de quem foi a ideia dos croquetes e doutras tretas parecidas, que antes, durante e depois do covid vão continuar a existir.

  4. “os génios político-científicos” estão atirados para o fundo do cadeia de decisão….cá para cima, estão os ocupas, os primos, os encartados do clube (leia-se partido), o marido da prima, a prima do marido, ou seja, todos aqueles que brilhantemente com a sua inteligência, trabalho, mérito lá chegaram acima para poderem decidir assim brilhantemente e inteligentemente…é aqui, é nos comboios, nas estradas, nos fogos, nos miles e miles de institutos, agências, departamentos e outros que tais….!!!

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