Desde há muitos anos me reuno com outros soldados da guerra de Angola numa almoçarada de gente velha, com mulheres, filhos e netos, a lembrar os “bons tempos” do Império e os camaradas da infantaria que já lá vão. Este ano não há almoçarada nenhuma, é democrato-sanitariamente proibido. Caso contrário, podíamos ir todos parar ao chilindró ou ser sujeitos a pesada multa.
E, se for apanhado a confratenizar com outros – os amigos que restam – arrisco-me ao mesmo.
Segundo as estatísticas, que merecem o crédito que merecem, já foram detidas mais de quinhentas pessoas por cometer o nefando crime de confraternizar, ou de não usar máscara, isto para além dos milhares que já foram repreendidos (por medo da lei “democrática”) pelos funcionários dos restaurantes por ir faxzer xixi sem máscara, pelos polícias no meio da rua, ou até, imagine-se, por concidadãos “cumpridores” com instintos policiais. E por aí fora, num nunca acabar de exigências de “respeito pela legalidade em vigor”.
A confirmar estas democraticíssimas limitações, há excepções. Por exemplo, a coisa cessa quando o Presidente da República e o seu sócio de eleição resolvem ir a um espectáculo, já que está ressalvado o “afastamento”. O mesmo se o PC resolver manifestar-se nas ruas, também com afastamento dos participantes, mas não dos milhares de mirones, Jerónimo incluído.
Cereja no creme, o PC é autorizado, e ajudado, a reunir, não cinco, nem dez, nem vinte mânfios, mas 33.000×3, todos a tecer louvores ao falecido Che, ao camarada Maduro ou ao correligionário Kim. Aí, tudo na maior! Até os ministros (políticos) se prestam a reuniões (“técnicas”) para assegurar que as celebrações em causa não deixem de ter lugar.
Admita-se, num estúpido exagero de compreensão, a existência da catadupa de normas a que estamos submetidos. Rezam os “princípios” que a lei a todos obriga. O que não se pode admitir é que haja excepções, e das grossas, ainda por cima todas elas em benefício dos bolchevistas e em prejuízo dos meus almoços da tropa.
15.8.20

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