IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA OPINIÃO FORA DO CAIXOTE

 

O maior acto radicalmente racista da nossa história viveu-se por efeito da nossa maior vergonha: a descolonização, dita “exemplar”. Quase um milhão portugueses brancos, gente de honra e de trabalho (depois de exilados viriam, mais uma vez, a prová-lo), foi arrancado à sua vida pelo MPLA e quejandos, com o apoio criminoso e cobarde das autoridades portuguesas, civis e militares.

Mortos ou expulsos os portugueses brancos, os novos donos do poder dedicaram-se a matar-se uns aos outros. Há mais de 40 anos nenhum dos povos “libertados” ( à ecepção de Cabo Verde, que nem fez guerra nem virou marxista) encontrou segurança ou progresso. Mais de quarenta anos de guerra, de golpes, de tirania, de assassínios políticos, tudo sem fim à vista. Morreu mais gente a tiro no primeiro ano de “liberdade” do que em 13  anos de “guerra colonial”. E muito mais depois disso.

Em face dos “ventos da história”, o abandono do poder em África era uma inevitabilidade. É verdade. O Estado Novo não deu por isso, manteve-se, teimoso, burro e incapaz. É verdade. Nada disto justifica que a explosão de racismo nas colónias não tenha ainda merecido qualquer julgamento histórico. Em vez disso, continuamos, felizes e contentes, a celebrar os promotores nacionais do racismo.  

A benefício do “que está a dar”, lançou-se uma campanha desmesurada, ou acrítica, de revisão histórica e sociológica sem quaisquer barreiras, seja a barreira da verdade, seja a do bom senso, da justiça, e  de um mínimo de honestidade intelectual. A cortina de ferro do racismo, feita de informação – ou servil ou fabricada -, de propagandistas desvairados, da cegueira de uns e da intencionalidade de outros, instalou-se. É certo que há muitos africanos a viver em condições indignas (também os há de pele branca), mas todos têm protecção jurídica e social, mercê de uma comunidade que não distingue pela cor da pele, antes se movimenta e mobiliza para atender aos mais fracos. Cerca de 50% da assistência é prestada por movimentos comunitários, mormente de inspiração católica. Não chega, dir-se-á. Mas só o emprego, a já existente ausência de descriminação educacional, o progresso económico, poderão vir, a médio/longo prazo, a ser um verdadeiro elevador social.

Os abusos de umas dúzias de “supremacistas brancos”, cretinos, violentos e acéfalos, que cedem às provocações dos racistas negros, ou rejubilam com elas, não passam de excepções que confirmam a regra, e merecem a perseguição criminal que está em curso.

Entretanto, o verdeiro racismo, impulsionado por activistas africanos e pelo Bloco de Esquerda, fará o seu caminho, com o beneplácito dos media e a cobarde e irresponsável apatia dos políticos.

Até quando?

 

20.8.20    



4 respostas a “UMA OPINIÃO FORA DO CAIXOTE”

  1. Como ‘filho de Abril’, nascido depois da gloriosa golpada corporativa de 74, nunca entendi bem porque foram os retornados recebidos com desprezo e desdém. Talvez o Irritado me possa ajudar: a malta levava-lhes a mal terem ficado por África? Tomava-os por sobas oportunistas, privilegiados zarolhos em terras de cegos? Ou havia outra questão? Da descolonização: a seu ver, como podia ou devia ter sido feita? Os angolanos ou moçambicanos iam querer, ou tolerar, algo muito diferente? Fala-se sempre da Commonwealth; havia condições políticas e militares para isso? Do racismo: no geral de acordo, e quem dera a tantos países africanos / árabes / asiáticos / etc. serem tão abertos e tolerantes como os ocidentais, e sim, como Portugal. Mas aqui entre nós: sempre vi e ouvi racismo em Portugal. Não é um racismo hostil ou violento, não é aquela sanha arrogante e ignorante que vemos no sul dos EUA ou nos filmes. Mas existe, como julgo que existe em qualquer sociedade humana, aquela nítida diferença entre ‘nós’ e ‘eles’, quase sempre sussurrada, a piada dita a olhar em redor, o olhar duas vezes para um casal interracial, o hesitar ao ver um currículo dum negro. Não me diga que nunca viu isto, nunca ouviu nada parecido, nem sabe do que estou a falar?

  2. A questão do irritado é outra, e ele sabe muito bem qual é.Já passou o tempo, quando os irritados estavam aflitos abriam a gaveta do desastre/atentado do Sá Carneiro. Aquilo é que foi um homem e tal e coisa, mas vendo bem uma Lei, só uma, importante para o país, do consulado Sá Carneiro., não há nenhuma, e até o Dec.Lei 874/76, férias, feriados e faltas, só foi revogado com o novo Código do Trabalho mais de vinte e cinco anos depois.Depois esgotou-se a gaveta do Sá Carneiro, esgotou-se ou houve pagamentos de indemnizações e assunto resolvido.Agora, irritados há já vários anos, apenas com aquele de Passagem e o chega pra lá a chatear, vai de abrir outra gaveta: o racismo e os retornados. Ao racismo já chega ram atrasados e vai daí ‘os nossos retornados’ , que ainda são mais de meio milhão que dava jeito. Já numa campanha eleitoral atrás, uns irritados ‘e tal os retornados deviam ser indemnizados’, mas ficou-se por ali a fazer contas entre o dono da sanzala e dono do café império, e a coisa parou com a Passagem, mas agora é que vai ser: os retornados e tal, vamos arranjar no Rossio registos de propriedades dos portugueses em Angola. (esta é das boas, já lá se arranjaram diplomas do 7º ano a analfabetos)Mas, os irritados esquecem-se que os retornados fizeram-se à vida, como já o tinham feito em terras africanas, e querem que não os chateiem para continuar a trabalhar para terem melhor vida para si e para os seus descendentes.Ó irritado vá apanhar caracóis, para ver se é incomodado e poder dizer: neste país já nem se pode apanhar caracóis.

    1. V. ou não percebeu, ou tresleu, ou responde a alhos com bugalhos. Obrigado.

  3. Que prazer ver que não estou só ao discordar de siEstou com o Voltaire: “Não concordo com o que dizes, mas defenderei com a vida o teu direito a dizê-lo “Entendi, não “tresli”, tal como os outros comentários o não fizeramNão sou pai, mas sou família dos progenitores do tal Abril. Combati como pude e soube o colonialismo, não os colonos, de cujo trabalho, maioritariamente esforçado e honrado ainda hoje beneficio. Apoiei e apoio os MPLA, FRELIMOS, PAIGC/PAICV, sul-africanos, zinbabweanos, vietnamitas, e tantos outros! Não posso concordar que haja parques onde “são proibidos cães e chineses “!Caro irritado, como inteligente e algo culto que demonstra ser, não era melhor deixar-se de interesseiros “monarquismos” serôdios, Sá-Carneirismos oportunistas, anti-marxismos patetas, etç (vou enviar-lhe um excelente texto que demonstra que “marxistas somos todos nós”!) Ou ainda defende que a terra é plana? Mas olhe “que ela move-se!”Há tanto para criticar e tentar melhorar neste nosso AINDA imperfeito e infeliz mundo e humanidade!E você tem jeito e capacidade crítica para contribuir para o melhorar! Só precisa escolher de forma menos egoísta onde o fazer!Termino com uns versos do “lírico “ Lennon:You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one. I hope some day you will join us, and the World will be as one!Ass: um inconformado

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