IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O COSTA E OS NÓS

O nosso inestimável (o que não merece estima) primeiro-ministro disse que os médicos destacados julgo que para Reguengos de Monsaraz e que se recusaram a trabalhar, são uns “cobardes”.

Diz o “Expresso”, tremebundo, que tal foi dito em off. Mas foi dito. E foi filmado pelos filmantes do “Expresso”. O “Expresso” filma offs! E com som! E não só foi filmado, como o take do “cobardes” foi enviado a várias gentes. Alguém de tais gentes retirou a frase e publicou-a na Net. Diz o “Expresso” que, além de roubado, o dito foi “descontextualizado”. É claro que só há uma maneira de “contextualizar” a frase de sua excelência: é publicar o que a “contextualiza”. Mas isso… querias!

O coro é geral, tonitruante: houve um “roubo”. Duvido, mas talvez seja verdade. Anda meio mundo a tecer os mais altos louvores aos ruis pintos, assanges & companhia, gente que se dedica a roubar textos, emails, vídeos, correspondência diversa, contas, tudo aos milhões. São uns heróis. Isso da quebra do sigilo e roubalheiras a sério é coisa que as constituições democráticas condenam, mas que os instintos policiescos em vigor admitem, admiram e até protegem.

Mas, se tocar as augustas canelas de sua excelência, meu Deus, passa a hediondo crime. O “Expresso”, altíssima figura das mais desbragadas intromissões ilegais, desta vez tropeçou.  

Não há moralidade, nem comem todos. Há o comum – ou não tão comum – dos mortais, que pode e deve ser roubado à vontadinha. E há o primeiro-ministro que, mesmo que filmado e gravado, está ao abrigo da Constituição.

Aprendam, cidadãos do meu país: ao pé do primeiro-ministro, vocês não valem a ponta de um chanfalho.

 

24.8.20   



4 respostas a “O COSTA E OS NÓS”

  1. Era inevitável: cá estou para pôr-lhe a questão ao contrário. Então já não gosta de segredinhos? Já não há respeito por Sua Exa. o PM? Que aconteceu ao ‘segredo de Estado’, à ‘dignidade das instituições’, ao sagrado e inviolável sigilo que deve proteger os nossos mais altos ‘representantes’? E recordo-lhe que já não pode chamar usurpador ao Costa – desta vez ganhou mesmo a farsa eleitoral. É o PM eleito. Então que aconteceu aos sacrossantos segredinhos dos eleitos e das elites? “Há o comum – ou não tão comum – dos mortais, que pode e deve ser roubado à vontadinha. E há o primeiro-ministro que, mesmo que filmado e gravado, está ao abrigo da Constituição. Aprendam, cidadãos do meu país: ao pé do primeiro-ministro, vocês não valem a ponta de um chanfalho.” E não foi sempre, sempre assim? E não defendeu v. sempre, sempre tais diferenças? O que mudou? Desde quando defende o Irritado a igualdade, ou tratamento igual para políticos, realeza e outros mamões?

    1. Não se trata dos “nossos mais altos representantes”. Trata-se de todos nós. Aceito que se diga que não faço parte do mundo dos nossos dias. É verdade. O que quis foi sublinhar as diferenças, em que o “Expresso” é especialista. Acha bem que se entre em tudo o que é privado, desde que haja, segundo “superiores” critérios jornalísticos, suspeitos ou equivalente, mas que não aceita tais “entradas”, se se tratar de sua excelência. Há valores que eu considerava sagrados, mas que deixaram de o ser. Paciência, não tenho outro remédio senão aceitar. O que irrita é que os especialistas na matéria façam contrições hipócritas quando a coisa lhes bate à porta.Somos (a sociedade em geral) propagandistas de nós mesmos. Em raras ocasiões em que sou levado a ir, por exemplo, ao facebook, leio as coisas mais absurdas e desinteressantes sobre a vidinha dos “amigos”. O que legitima perseguições, intrusões, etc., que podem ser utilizadas segundo critérios variados. Nada é seguro, privado, individual. Não consigo deixar de ser contra. Que a nova moral, por si representada, me perdoe. Se não perdoar, que se lixe.

      1. ‘Todos nós’ não temos Mercedes com motorista pago pelo Estado, nem viagens, cartões e outras regalias. Não temos poder sobre milhares de milhões do Estado. Não decidimos políticas, obras, compras, adjudicações, nomeações, tudo pago, isso sim, por todos nós. A classe política não é como todos nós. Não pode ser tratada como todos nós. Muito menos pode ter imunidades e segredinhos para todos nós. Esta classe deve ser tratada como a máfia que provou ser.

  2. Irritado, força com esta dos ‘cobardes’, que com o covid não se safa.Tancos, fogos, pedreiras, e tal e coisa já ninguém se lembra. Ah! e a dos familiares também não.Atire-se a ele, que o outro está a empurrar chega pra lá e até já quer proibir iniciativas do PCP.

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