IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DEMOCRACIA EM ÉVORA

 

Já lá vão muitos anos, o primeiro comício do CDS, no Palácio de Cristal (Porto) foi cercado por uma multidão ululante formada por inúmeras organizações à época existentes – PC, MRPP, FML, SUVs, UDP e mais uma colecção de díscolos de extrema esquerda, bolchevistas, maoistas, albaneses, a porcaria toda. O CDS era um partido fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representava “mais negra reacção”, os adeptos do Estado Novo, devia ser proibido, etc. A coisa meteu polícia, pancadaria, o que, à época, era a bagunça vigente.

Passados mais de quarenta anos, a cena repete-se, desta vez em Évora. Os herdeiros dos brigões daquele tempo, PC, BE, Livre e mais não sei quantas organizações ditas “progressistas”, juntaram-se para impedir uma manifestação do Chega, que alcunham, como alcunhavam o CDS, de  fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representante da “mais negra reacção”, adepto do Estado Novo, xenófobo, racista, que devia ser proibido, enfim, a mesma receita com ligeiras actualizações. A mesma mentalidade com novos intérpretes, inimiga de tudo o que não seja rigorosamente “correcto”, quer dizer, de tudo o que não coma, em quantidades variáveis, do prato do totalitarismo de esquerda.

Não sou eleitor do Chega, como, na altura e até hoje, nunca o fui (com uma exepção) do CDS. Mas a “ascensão” do Chega tem razões de ser que pouco ou nada tem a ver com as acusações que lhe fazem. O Chega, há que reconhecê-lo, diz muita coisa – às vezes com pouco aceitáveis expressões e exageros –  que cala fundo no espírito de muita gente que nada tem da “fascista” ou coisa parecida. Denuncia problemas que os partidos têm pudor em reconhecer. Não é contra o sistema democrático (ao contrário da extrema esquerda), é contra o seu actual funcionamento. Se tal funcionamento não o fizesse passar a vida a meter importantes questões debaixo do tapete, o Chega não teria espaço nem o apoio popular que parece ter. Mas como vasculha debaixo do tapete de um sistema inquinado, como vai buscar lixo cuja existência os demais partidos se recusam a reconhecer, passa a persona non grata. Acresce que, ao contrário dos partidos europeus de direita radical, não é estatista, nem jacobino, o que é imperdoável para os “correctos”. E como tais “correctos” são donos e senhores da liberdade – coisa que todos os dias maltratam – para eles merece os mais variados insultos e a bagunça nas ruas quando deita a cabeça de fora.

O problema não é a existência do Chega, é o da prevalência da porcaria intelectual, ideológica e política em que estamos enclausurados.

 

21.9.20       



7 respostas a “DEMOCRACIA EM ÉVORA”

  1. Ó irritado, você leu bem o que escreveu? Não tem a noção do ridículo?Vá ler o que escreveu sobre as imagens do 1º. de Maio na Alameda e vá rever as imagens desta Convenção do Chega.Então não merecia outra irritação que não essa do coisa e tal e bico calado com o que toda a gente viu.

    1. o que é que toda a gente viu?

      1. Toda a gente, quer dizer quem lá esteve presente ou viu a reportagem nas tvs.Toda gente viu a exiguidade do espaço para aquele número de pessoas, a falta de distanciamento entre as pessoas quase ao colo umas das outras, a falta de máscaras em muitas pessoas, os calorosos cumprimentos com beijinhos e abraços, ou seja toda gente viu o que não foi exigido e vigorosamente repudiado no 1º. de Maio na Alameda e na Festa do Avante que até foram realizados em espaços ao ar livre com distanciamentos exageradamente caricatos não fora haver intervenção policial para fazer cumprir a lei.Está bem, aquilo era toda gente de bem sem problemas de contágios e nos outros era gentalha coitada. Pcebe!!! e não se fala mais nisso.

        1. ahhh toda a gente viu isso.Mas também toda a gente viu no 1º maio, autocarros atulhados a trazer os sindicalistas todos, todos juntos em grupos à conversa alameda acima alameda abaixo, todos a cruzarem-se uns com os outros até que finalmente se meteram nos seus lugares. Fizeram a foto para os jornais todos separadinhos…voltaram todos uns para o pé dos outros, alameda acima alameda abaixo e de volta a casa nos seus autocarros atulhados.Toda a gente também viu na festarola do avante, a enchente e todos em cima uns dos outros quando o piadolas RAP foi lá dar o seu show ou quando os Xutos e Pontapés actuaram…já no resto da festarola não se viram ajuntamentos, isso é verdade, tal o fiasco que foi a festa do Avante. Isso é que ninguém diz, se não houve ajuntamentos foi porque não estava lá ninguém! FOI UM FIASCO!!!!!!

  2. Bom texto. Há muitos espertalhões do comentário que, quando não conseguem rebater as denúncias que o Chega faz, lá vêem com a história do espaço sem afastamento social, a ausência de máscaras, etc, e querer inpingir a cassete que, mais uma vez, determinado partido pretendeu vender.

    1. Ó Prata, quem é impingiu (com im) essa do afastamento social no caso do 1º de Maio na Alameda e da Festa do Avante, que por acaso também faziam denúncias que ninguém consegue rebater? Aqui o irritado não pretendeu vender outra coisa.Por mera curiosidade minha, aquela das listas só à terceira foi teatro ou, por causa das sondagens, já começou a haver discordâncias na distribuição de lugares de deputados/câmaras/juntas de freguesia absolutamente iguais às denúncias propaladas?

  3. O Irritado tem razão: a esquerda chama fascista aos outros, mas é invariavelmente a mais totalitária. E o Chega denuncia – ou melhor, constata – muito lixo que esta partidocracia cala ou varre para baixo do tapete. O Anónimo fala no diferente ‘distanciamento social’ entre Chega e comunas. Isso só releva a incoerência anti-covid. A sermos coerentes na histeria covideira, ambos deviam ser proibidos: numa ‘pandemia’ porquê exceptuar eventos pulhíticos? A questão de fundo, porém, é outra. O Chega, tal como o Livre, é um mero tacho do seu chuleco-fundador. Para além das denúncias fáceis e pedestres, nada mais ali há senão marketing e carneirismo. E quem o segue é mesmo carneiro. O Irritado não segue o Chega, mas tem-lhe certa simpatia porque irrita a esquerda e partilha alguns ideais direitalhos. Mas é aí que se vê a imensa fraude que é o Ventura: arma-se em ‘defensor do povo’, berra contra ciganos e comunas, mas é apenas mais um fiel lacaio de mão estendida aos Donos Disto Tudo. Forte com os fracos, manso com os mamões. Não aprecio o termo populismo, usado para tudo e mais umas botas, geralmente tudo que desagrada ao status quo, mas aplica-se bem ao Ventura. Um chuleco populista… benfiquista! Num país de carneiros, sucesso garantido.

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