IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UM NICHO DE MERCADO

     

    A fim de “chegar a outro universo (um “nicho de mercado”) de conhecedores e apreciadores”, um senhor muito culto e útil à sociedade acaba de dar à estampa uma “tradução” dos “Lusíadas” em “língua” mirandesa.

    Isto porque “há milhares de mirandeses que ao longo de centenas de anos continuam a falar mirandês”.

    Notável. Não sei quantos “milhares” (mesmo contando com os mortos) de pessoas falam essa corruptela do português, nem jamais ouvi, mesmo na terra deles, tal falar. Presumo que os “milhares” sejam meia dúzia de carolas, que têm todo o direito de o ser e de falar como quiserem, mas que estão longe de constituir o tal proclamado “universo”. Menos ainda um “nicho de mercado”.

    Dando de barato o direito de cada um falar como entender, erigir em “língua” um português pessimamente falado não será a mais louvável das actividades.

     

    Corrompe-se a língua portuguesa, “traduzindo-a” para aquele pobre dialecto, de que não se conhece a gramática nem o “dicionário”, nem jamais foi instrumento de qualquer obra, literária ou oral, digna de nota.

    Estropiar uma língua a favor de quem a trata com os pés, seria coisa ridícula se não fosse grave.

     

    10.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • MISERICÓRDIAS

     

     

    As Misericórdias, à excepção da de Lisboa, são instituições de fiéis católicos, desde há séculos sob a tutela e a orientação da Igreja.

    Têm tido, como é natural, uma vasta autonomia decisória, e têm desenvolvido as suas actividades, enriquecido o seu património e prestado relevantes serviços à comunidade.

    Isto, como é evidente, sem controlo estatal, ainda que o Estado despenda com elas importantes somas a partir de contratos, convénios e protocolos de diversa ordem.

    Acontece que os bispos, tratando-se de instituições umbilicalmente ligadas à Igreja Portuguesa, decidiram dar uma olhada às contas. Assim o decretaram. Vai daí, os provedores desataram aos gritos pelo país fora, que não pode ser, que as misericórdias são independentes, que etcetera e tal.

     

    O IRRITADO, que destas coisas sabe quase nada, notou que os protestos dos senhores provedores tinham mais a ver com dinheiro que fosse com o que fosse. Percebeu a enorme quantidade de milhões que querem escapar ao controlo dos bispos, ou seja de quem for. Percebeu o valor imenso do património das Misericórdias, das compras e vendas que fazem ao seu alto critério, sem que seja quem for olhe para elas. Viu, no pátio das ditas, os BM’s e outros carritos que os altos senhores utilizam. Julga ter percebido que, muito para além da defesa da independência das organizações em causa e da sua federação, à reacção corporativa de quem as dirige subjaz qualquer coisa menos clara e mais intrigante.

    Oxalá o IRRITADO se engane.

    Mas, pelo menos à primeira vista, parece que os bispos têm carradas de razão.

     

    8.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DELICADEZA CAMARÁRIA

    Já não estando por dentro da evolução das coisas do imobiliário, é-me dado presumir, com boa base, que o metro quadrado na zona nobre da baixa, em aluguer para comércio, ultrapassa os 25 euros/mês.

    Acontece, segundo os jornais, que há um prédio, no Rossio, com nada menos de 1.260m2, cujo inquilino paga, não os 31.500 euros por mês da minha “cotação”, mas 611, cerca de 48 cêntimos por m2, 52 vezes menos que o preço de mercado.

     

    Espantoso? Nem por isso. É o que, no estrito respeito pela legalidade republicana que o 5 de Outubro instituiu, que a II República consagrou e que a III República carinhosamente conserva, se justifica e é permitido.

    Acresce que o inquilino, sem dar cavaco à senhoria mas com o extremoso apoio da Câmara, fez obras de recuperação do locado.

     

    A proprietária do edifício em causa resolveu achar que a situação era injusta e resolveu protestar. O Presidente da Câmara de Lisboa apressou-se a defender a legalidade chamando, delicadamente, “parasita” à dita senhora.  

    Em resumo, pelo menos nos privilegiados cérebros do Costa, do Fernandes e da Roseta, o inquilino é um herói e a proprietária uma besta, uma “parasita”. Só falta exigir à senhora que pague as obras do inquilino.

     

    Aquelas magníficas criaturas acham, com a certeza e a razão que a lei republicana lhes confere, que a dona do imóvel deveria, com os 611 euros que recebe por mês, ter gasto para aí um milhão a reabilitar o que é seu. Não o tendo feito, não passa de uma parasita, uma espécie de piolho na cabeça da CML. Piolho que, no estrito respeito pela moral republicana, deveria ser objecto de uma desparatização química ou, quem sabe, de um auto de fé.

     

    O inquilino, esse, continuará, com o apoio da CML, a desenvolver o negócio que lá explora há não sei quantos anos, negócio obviamente rentável, sobretudo por não ter custos de instalação.

    O que, aliás, se passa com a maioria dos negócios da Baixa, e não só.

     

    Se isto é justiça, se isto é defender os interesses da cidade, se isto tem seja o que for a ver com progresso, modernidade, equidade, etc., vou ali e já venho.

    E pure si muove…

     

    8.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VIVA A REPÚBLICA!

     

    Foi notável a sessão de Prós e Prós com que o “serviço” público de televisão quis brindar os ignaros.

    No palanque como na primeira fila e, é de julgar, na douta e abonecada assistência, com alta profusão de velhas loiras, amontoava-se, muito compostinho, um sem número de defensores da excelência do 5 de Outubro.

     

    O pior, ou o melhor, foi que os debitantes de opiniões eram historiadores. Pelo menos foram como tal anunciados.

    O IRRITADO presta homenagem aos ditos pela forma como não conseguiram disfarçar a real realidade da I República, ficando claro, aos olhos dos espectadores, a desgraça nacional que ela foi.

     

    Não é possível deixar de comparar o que se ouviu às opiniões do Avante! e quejandos sobre o comunismo soviético. Diz essa gente que a coisa correu mal, mas que as receitas marxistas-leninistas não deixam por isso de ser as melhores.

     

    O mesmo se passou no prós e prós. Sem contras. Isto é, os ilustres historiadores em praça concordaram em que a I República não podia ter sido pior, mas que blá, blá, blá, a modernidade, o registo civil napoleónico, o divórcio, as perseguições religiosas, laborais e civis, a ausência de liberdade de expressão, etc., tinham sido contribuições altamente positivas para a Pátria e que, por isso ou apesar disso, o 5 de Outubro foi porreiro, pá.

    O camarada Jerónimo não conseguiria melhor.

     

    Para supremo gozo do IRRITADO, o prós e prós – se é que alguém que se veja assistiu à manifestação – foi porreiro pá.

    É que quem viu e ouviu não pode ter deixado de se perguntar por que raio de carga de água se comemora esta porcaria e não se comemora a Batalha de Alcácer-Quibir. Esta, ao menos, teve dignidade.

     

    6.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTAS PATRIÓTOCAS

     

    Ontem, a TVI anunciou em notícia de rodapé:

     

    No consulado de Portugal em Macau, a bandeira nacional foi, durante a noite, substituída pela da Monarquia.

     

    O IRRITADO sugere nova redacção. Por exemplo:

     

    “No consulado de Portugal em Macau, a bandeira da República foi, durante a noite, substituída pela Bandeira Nacional.”

     

    *

     

    Segundo várias famílias, as entrevistas dadas pelo senhor Pinto de Sousa ao Financial Times e ao Wall Street Journal foram catastróficas para os nossos interesses, dada a total falta de inteligência do entrevistado.

     

    *

     

    O governo português deu aval do Estado à CGD do Estado para um montante de mais de quatro mil e duzentos milhões de euros que esta pôs à disposição do BPN, banco nacionalizado pelo Estado. Para descansar o pagode, o governo garantiu que iria vender o BPN para realizar as massas que lá tinha enterrado. Num esforço terrível, parece que já há quem ofereça duzentos milhões pela coisa. Só faltam quatro mil milhõezitos.

    Um negócio que merece, sem dúvida nenhuma, o prémio Nobel da estupidez.

     

    *

     

    As palhaçadas de ontem reuniram uma vasta quantidade de “homens bons” da III República, a classe política quase em peso – ai!, se não apareço ‘eles’ são capazes de dar por isso! – deputados, ministros, secretários de estado, presidentes de diversas coisas, autarcas, etc.. Só a malta, o chamado povo, ficou em casa.

     

    O IRRITADO, possuído de infrene fervor patriótico, içou a Bandeira azul e branca lá em casa, comeu um rico polvo à lagareiro com uns amigos, e regou-o com um tintol alentejano.

    Foi o melhor 5 de Outubro dos últimos cem anos.   

     

    6.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • COMO SOMOS DIFERENTES!

     

    A reacção à crise e aos apertos que ela causa, por parte da generalidade dos eleitorados europeus, tem sido uma viragem à direita. Ou seja, por muito que lhes doa e muito que lhes custe, os europeus, no fundo, intuem que o estado social-democrata que, com tanto êxito, se sucedeu à II Guerra, acabou. Os eleitorados sabem que, em ambiente de crise económica e sem suficientes ou visíveis saídas dela, é inevitável alterar profundamente as regras de financiamento da “previdência”, sob pena de acabar com ela a médio prazo – um médio prazo que cada vez é mais curto.

     

    A nenhum eleitorado europeu ocorreu virar à esquerda ou apoiar as receitas dos restos de mentalidades comunistas e socialistas que por lá vegetam.

    Nenhum? Mentira. Há um eleitorado, lá para os confins do Oeste, que ainda acredita na “salvação” social-comunista: o nosso!

    Olhem as sondagens. Os dois representantes da bolorenta trampa comunista – PC+BE – sobem para quase 10% cada um! Somados com os socialistas, mostram, com mais de 52%, os resultados do analfabetismo político da Nação.

    Isto, num país onde nem os partidos mais à direita são de direita. Um diz-se social-democrata e entra em histeria quando lhe chamam liberalizante, outro diz-se democrata cristão e arrenega a liberdade liberal como o diabo arrenega a Cruz.

    Isto, num país que se dedica, quase há um ano, a comemorar o mais rasca de todos os regimes políticos que jamais se abateu sobre ele: a I República.

     

    Diga-me o mais pintado como se sai disto para outra coisa que não seja pior que aquela em que já estamos.

     

    3.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • TERRORES GLOBAIS E TERROR NACIONAL

     

    O terror dos não é só profissão de terroristas. Há outros terrores para além dos ditos como tal e também muitos terroristas que assim não são chamados.

    O terror é um sinal dos tempos. Manifesta-se um pouco por toda a parte e das mais diversas maneiras. O terror está “a dar”, é um negócio, uma forma de manter a humanidade em baias, via apóstolos informados por instâncias “credíveis”, “científicas”, “idóneas”, cujo resultado é provocar o medo colectivo através de esquemas, ou para que a humanidade se submeta a novas autoridades ou, simplesmente, para a pôr a gastar dinheiro como nunca e em coisas que jamais pensaria onerosas.

     

    Alguns exemplos:

     

    – A gripe das aves – fantasia imaginária que, partindo de inferências sem justificação possível e de modelos matemáticos especialmente concebidos, pôs a humanidade à beira da histeria;

    – Outra gripe, a suína, ternamente chamada “A”, que teve o mesmo efeito, acrescido da “descoberta” da respectiva vacina, que deu o que deu em ataques de medo e em monumentais despesas mascaradas de profilaxia;

    – O CO2 – um gás benigno, produzido pelos mares, pelas florestas, pela Natureza, um gás que não polui, que não faz mal à saúde, mas culpado, dizem os propagandistas do terror, do chamado “efeito de estufa”, que provoca o “aquecimento global” que vai destruir a vida na Terra, ou coisa que o valha;

    – A descoberta da antropogénese do maléfico CO2 – o homem é o culpado, como se fosse o homem o grande produtor da coisa, como se a coisa fizesse mal ao planeta – como se não fosse um pecado, de orgulho ou de estupidez, pensar que fenómenos naturais que se processam em milhares de anos podem ser avaliados em observações de décadas ou motivados por um telemóvel ou uma acelera.

    – Como consequência, mais um terror das empresas e das economias foi lançado pelos crentes, talvez o mais rendoso de todos os terrores: a criação dos “créditos de carbono”, trafulhice global que custa triliões às pessoas sem que dêem por isso ou sejam informadas, cabendo-lhes tão só pagar, sem aviso ou factura, e dar-se por felizes porque lhes diminui o terror;

    – Como consequência, ao mesmo tempo que se descobrem novas e colossais jazidas de petróleo e gás, ameaça-se as pessoas com o fim do petróleo e com a necessidade de pagar com língua de palmo autênticas florestas de moinhos de vento, caríssimos, ineficazes, predadores dos nossos bolsos, construídos com o dinheiro dos nossos impostos, incapazes de substituir seja o que for que se veja, não fiáveis, uma balela universal, uma desgraça que, essa sim, devia aterrorizar as pessoas. 

     

    A demagogia, a falsa ciência, os lóbis económicos, os estados incapazes de senso prático e ausentes de massa crítica, tudo se conjuga para arruinar o mundo civilizado e para dar aos “emergentes” armas de produção e comércio que contribuem para a ruína da civilização.

     

    *

    Chamem a isto, se quiserem uma “irritação” mal disposta. A completá-la, um terror verdadeiro, um terror exclusivamente nacional: o do Orçamento de Estado.

     

    – Vítimas das burrices constitucionais que mandam para as calendas a queda do medonho governo que nos esmaga em catadupas de aldrabice de há cinco anos a esta parte;

    – Vítimas das hesitações de Passos Coelho, que, em vez de correr com este peçonhento bando na ocasião própria resolveu deixar-nos chegar, e a si próprio, à miserável situação a que o aldrabão de feira não ia, como era do conhecimento geral, deixar de nos levar;

    – Vítimas de um presidente que foi capaz da pôr acima dos interesses da Nação os seus objectivos pessoais,

    os portugueses estão metidos nesta camisa-de-onze-varas: ou o orçamento passa, e ficamos pelo menos mais um ano nas mãos sujas da incompetência e dos enganos dos canalhas, ou não passa, e os ditos canalhas terão na mesma um ano para fazer a sua propaganda na base das culpas de Passos Coelho, “traidor à Pátria” que não o deixou passar e que, com isso, causou todas as desgraças que se seguirão.

    O IRRITADO sempre foi de opinião que Passos Coelho devia chumbar mais esta canalhice governamental. Mas, tal como o governo não vem a tempo de colmatar a miséria que gerou, parece que Passos Coelho, seja para o que for, também já não vem a tempo.

     

    Clamam várias vozes que as “medidas” do senhor Pinto de Sousa são exageradas, isto é, que, se forem bem geridas, baixarão o défice mais que o previsto. Se assim for, eis o timing do senhor Pinto de Sousa para o ano que se segue:

    a)   Garrote orçamental;

    b)   Défice abaixo do estimado;

    c)   Benesses para gastar as sobras;

    d)   Doses maciças de propaganda;

    e)   Eleições no papo.

     

    Estão a ver o esquema?

     

    Não é o mais horrível dos terrores?

    Ao contrário de todas as gripes, do aquecimento global, do CO2 et alia, este terror existe, é verdadeiro e justifica-se.

     

    Como se sai disto?

    Não sei. Só sei que não queria estar na pele do Passos Coelho.

     

    3.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • LEGISLAÇÃO À MANEIRA

     

    O Senhor Procurador Geral da República habituou-nos às tristes características da sua estranha personalidade, evidentes em diversas matérias, por exemplo na defesa do primeiro-ministro haja o que houver e aconteça o que acontecer, nas suas declarações, umas vezes contraditórias outras ridículas, nas guerras intestinas que provoca e alimenta, na sua sede de poder, nos seus comunicados, dignos ou do amigo banana ou, pior, do Silva Pereira, não sei em quantas parvoíces que o classificam e que dão cabo da dignidade do lugar que ocupa.

     

    Poderá dizer-se, com particular boa vontade, que o PGR fez, disse, escreveu e despachou coisas criticáveis, mas não pisou a lei.

    O pior é que, além de outras coisas, a pisou mesmo!

     

    A história do amigo que lá tinha como número dois é exemplar. Legalmente, o homem já não podia exercer por ter atingido o limite de idade. Mas, ilegalmente, o PGR manteve-o durante meses. Apertado pela opinião, política e pública, retratou-se? Nem pensar! Ele, um dos mais altos representantes do sistema de Justiça, não cumpre a Lei, e insiste nisso. Como se pode exigir ao cidadão comum que a respeite? Que sistema de Justiça é este? Onde estão os responsáveis pela manutenção do contumaz incumpridor e do seu amigo? Onde está o PM? Onde está o PR?

     

    A história não acaba aqui. O senhor PGR, não contente com os conflitos que causou, com o seu descrédito dentro e fora de portas, com a sua insuportável insistência no não cumprimento da Lei, teve uma iniciativa!

    Pior a emenda que o soneto. O PGR pediu ao parlamento que aprovasse uma lei permitindo manter os amigos ao serviço mesmo que já tivessem atingido a obsolescência legal! E com efeitos retroactivos, a fim de “apanhar” o amigo dele!!!

    Como é possível? Como é que um magistrado do seu nível desce a uma coisa destas? Que sistema de Justiça é este que não reage a uma coisa destas, que permite uma coisa destas?

    O seu protegido, o PM – que, como é sabido, não tem a menor consideração pela Lei a não ser que lhe convenha – deu ordens aos deputados para aprovar o inacreditável documento, tal como foi proposto, isto é, permitindo legalizar a presença do amigo, pelos vistos também amigo do PM.

    A oposição, em bloco, não deixou.

     

    Mas o amigo lá continua a ir ao escritório todos os dias. Só falta passar à reforma e continuar a ganhar, de preferência a dois carrinhos.

     

    O que anda o Presidente a fazer? Quem mete esta gente na ordem?

     

    3.10.10.

     

    António Borges de Carvalho

  • TANGA!

     

    Os medicamentos vão aumentar, como é do conhecimento geral. Trocado por miúdos, os laboratórios vão receber menos (que se lixe!), as farmácias vão receber menos (que se lixe!), os utentes vão pagar mais, o Estado vai pagar menos.

    Sinais dos tempos.

     

    Quando há estas mudanças de preços – veja-se o caso dos táxis – é comum o vendedor ter uma tabela que mostra ao cliente para justificar o novo preço enquanto os taxímetros ou equivalente não estão devidamente programados. É simples.

    No “Simplex”, porém, é complicado. O governo, não só não põe nas farmácias qualquer lista de novos preços à disposição do pagode, como impede que os laboratórios alterem as embalagens.

    Simplex é Simplex, e o resto é conversa: ordena o governo que deixe de haver preço nas embalagens! Remédio santo.

     

    Quer isto quer dizer que, ao contrário de qualquer outro produto, os medicamentos passam a ter preços mistério, que o contribuinte só passa a saber depois de lhe ser apresentada a factura. Se o farmacêutico não for sério, bem “trabalhadas” as coisas pode cobrar o preço que muito bem lhe der na real gana. Basta ter no computador um programinha lateral.

    Ao consumidor nem sequer é dado saber a que comparticipação tem direito.

     

    Protecção do consumidor no seu mais alto nível. SNS (Socialismo Nacional da Sacanice) do melhor.

     

    30.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • HISTÓRIA REPUBLICANA

     Vejam bem como se faz história:

     

    (Há) dezenas de exposições, umas já patentes ao público, outras a inaugurar em breve, que traçam a história dos homens que forçaram a queda da monarquia e abriram, no Portugal arcaico e periférico, caminho a uma sociedade nova.

     

    Os  homens que repeliram o velho País… deixaram um legado plural… os rostos, os corpos, o viajar por prazer (???) ou a resistência à ditadura salazarista em nome de uma sociedade democrática, são objecto das exposições acima referidas.

     

    Há mais: uma exposição itinerante, com uma viatura adaptada, duas tendas e uma equipa de mediação (???), que desde o início do mês e durante todo o ano, levam história a mais de cem concelhos do país…

    Evocam-se nomes, rostos, gestos. É um Portugal a sacudir a herança medieval (???).

     

    Estes magníficos pedaços de prosa estão, preto no branco na edição de ontem do jornal do “amigo Oliveira”.

     

    O “Portugal arcaico” tinha conservado o ‘núcleo duro’ do Império – que a república tanto prezava – apesar dos ataques de que fora alvo.

    O “Portugal arcaico” tinha um conjunto de escolas universitárias que faziam inveja a muita gente, mais rica e mais ‘culta’.

    O “Portugal arcaico” tinha um conjunto de linhas-férreas que metiam num chinelo muito boa gente, e que, nos cem anos de república, não foram desenvolvidas, antes (ainda hoje!) são desactivadas ou abandonadas.

    O “Portugal arcaico” vivia há 80 anos num regime político que, mutatis os mutandis temporais, era tão democrático como o de hoje.

    O “Portugal periférico” era visitado pelos chefes dos mais importantes países da Europa, numa ‘corrida’ diplomática coroada de enormes êxitos.

     

    Pode dizer-se que, neste “Portugal arcaico e periférico”, o sistema político, apesar dos esforços do Rei, funcionava mal. A república, porém, repetiu e aumentou todos os defeitos do sistema que abateu.

    Os homens que “repeliram o velho país” deixaram, é verdade, “um legado plural”: o legado da desordem, da bomba, do terrorismo, dos assassínio políticos, da repressão, da ausência de liberdade de imprensa, das perseguições religiosas, das deportações dos adversários e dos sindicalistas, da proibição de partidos políticos, das crises intermináveis, da bancarrota, da guerra. Mais pluralismo que isto é difícil.

    Tenebroso legado, a fazer jus às suas origens, já que construíram o seu miserável regime sobre o cadáver de um Rei que assassinaram, um Rei que foi um patriota indomável, que sofreu pelo seu país, um diplomata emérito, um cientista de valor, um artista talentoso, um Homem admirado em toda a Europa. E expulsaram o seu Filho, valoroso e patriota como o Pai.

    Deixaram o legado dos grupos terroristas armados, que mantinham ao serviço do novo regime e das suas mais obscuras facções.

    Deixaram a inevitável criação de uma nova república, que os seus herdeiros negam apesar de a comemorar, uma nova república autoritária que o Povo aclamou por indispensável à altura, que consolidou a república que fundaram, que defendeu a sua herança imperial feita de abandono e de miséria, que teve como defeito maior o de ter querido eternizar-se e tê-lo conseguido.

     

    Foi assim que o 5 de Outubro “sacudiu a herança medieval”.  

     

    O país inteiro vive mergulhado numa crise de cuja enormidade só uma geração já desaparecida teria memória.

    O país inteiro vive uma História esfrangalhada na monumental aldrabice que as “comemorações” do 5 de Outubro lhe impingem.

     

    Se houve homens sérios na primeira república, e houve, foram traídos pelos seus próprios erros. Se vivessem hoje, faço-lhes a justiça de pensar que gostariam tanto como eu destas “comemorações”.

     

    27.9.10

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    AVISO – No dia 4 de Outubro, no Palácio da Independência, abre uma exposição sobre “A repressão da Imprensa na I República”. Deve valer a pena. Pelo menos, na esperança de que não se dê, em tal exposição, mais pontapés na História.

  • BOYS DE AVIÁRIO

     

    O diplomata Mira Gomes não é embaixador, tão só foi conselheiro em Paris. Não sei qual é a sua posição nas “letras” da função pública em geral, ou do MNE em particular.

    Sei que, sem mais nem menos, foi alcandorado à posição de embaixador de Portugal na NATO.

    Conheci um sem número de embaixadores naquele posto, todos “rapazes” já muito maduros ou até diplomatas em fim de carreira que tinham aquele posto como prémio de muitos e, em princípio, bons serviços prestados à diplomacia portuguesa.

    Fica assim sem explicação a subida de uma data de degraus de uma só vez por parte deste jovem, coisa que, diz quem sabe, não foi lá muito bem vista, nem na NATO, nem na “carreira”.

    Sem explicação? Nem por isso. O diplomata Mira Gomes foi secretário de estado no ministério da defesa. Passou, pois, à categoria de boy.

    No melhor pano cai a nódoa. Não sei se o senhor em causa se enquadra no conceito de melhor pano. Demos isso de barato. Mas que a nódoa caiu, caiu.

     

    27.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • NEGÓCIOS LEGÍTIMOS

     

    Hoje, como quase todos os dias, o jornal socialista do “amigo Oliveira” apresenta à Nação duas ou três páginas contendo centenas de anúncios de prostitutas que, generosamente(?), oferecem as mais variadas especialidades, manipulações, “massagens” e demais martingalas da profissão. Anúncios, como é de timbre, devidamente acompanhados por esclarecedoras fotografias de senhoras em posições tipo professora de Trás os Montes, ainda que menos sofisticadas.

    Trocadas as coisas por miúdos, verifica-se que o “amigo Oliveira” promove a mais velha profissão do mundo e factura que se farta à conta dela. Se a raparigada que se dedica a tal função vive disso, o “amigo Oliveira”, pelo menos em parte, também.

    Com uma agravante: o “amigo Oliveira”, ainda que, pessoalmente e que se saiba, não ofereça tais serviços nem cobre por eles, não há dúvida que, com intenção lucrativa, fomenta, favorece e facilita o exercício por outrem da nobre arte da prostituição.

     

    Reza o Código Penal, art.º 169º (Lenocínio), o que segue:

    Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição é punido com pena de prisão de seis meses a oito anos”.

     

    Independentemente de se achar ou não legítimo que se exerça tal profissão (não será o          IRRITADO a lançar o seu anátema – não vale a pena – sobre as senhoras em causa), a verdade é que o Código Penal estabelece, com a maior clareza, que quem a promove e ganha dinheiro com isso comete um crime.

     

    Vem isto a propósito de uma cartinha que, aqui há uns tempos, o IRRITADO dirigiu ao senhor Provedor de Justiça, na qual se interrogava sobre a legitimidade dos anúncios com que o “amigo Oliveira” ganha a vida.

    Sua Excelência teve a amabilidade de responder, o que o IRRITADO agradece publicamente.

    O adjunto de Sua Excelência que se desempenhou da missão demonstrou à crassa ignorância do IRRITADO que não, os anúncios do “amigo Oliveira” não têm nada a ver com lenocínio. Trata-se de mera publicidade, legítima num regime em que há não só liberdade de imprensa como liberdade pessoal de cada um anunciar o que muito bem lhe der na gana. Isto escrito, não com as palavras chãs do IRRITADO, mas assaz doutamente, como é próprio da alta instância em causa, com rebuscadas justificações técnicas e solenes considerações de ordem jurídica e até constitucional.

     

    Talvez o IRRITADO não passe de um Velho do Restelo – ou das Avenidas Novas – que não compreende a evolução da sociedade e a moral vigente.

    Pensa, porém, que o melhor é deitar fora o artº 169º do Código Penal, em vez de tentar demonstrar que as actividades do “amigo Oliveira” não se enquadram nas respectivas prescrições.

     

    27.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DAS FARSAS REPUBLICANAS

     

    O Dr. Passos Coelho declarou aqui há dias que “o governo não é sério a negociar”.

    Grande descoberta!

    O governo e o PM alguma vez foram sérios, fosse no que fosse?

    O PM foi sério quanto a si próprio no caso do canudo? Foi sério a fazer projectos da treta lá para as beiras? Foi sério nas suas promessas eleitorais? Foi sério quando, para ganhar as eleições, deu aumentos impossíveis aos funcionários públicos? Foi sério no caso do aeroporto? No caso do TGV? No caso Cova de Beira? Foi sério ao negar a desgraça que criou? Foi sério na gestão dos negócios públicos?

    O Dr. Passos Coelho será capaz de nos dizer quando é que o PM foi sério? Não. Presumo que ninguém o será.

     

    O PM jamais negociou fosse com quem fosse. Nunca o quando fez tinha maioria. Quando a perdeu, inventou uma palhaçada de recepção aos partidos, dizendo que negociava com todos sem negociar com ninguém. Agora cavalga a onda jogando forte na proclamada impossibilidade de o PSD chumbar o orçamento. Mente desmesuradamente ou manda o rapazola da boca à banda dizer enormidades na televisão.

     

    Não se sabe onde isto vai dar. O IRRITADO não se cansou de repetir que Passos Coelho devia ter acabado com esta gente na primeira oportunidade. O PR ter-se-ia visto obrigado a dissolver o Parlamento e a convocar eleições ainda este ano, mau grado as suas contas eleitorais.

    Passos Coelho ou teve medo ou foi mal aconselhado. Achou que ainda não era o momento, que tinha a “obrigação patriótica” de deixar o governo governar, coisa que este governo, bem como o precedente, jamais souberam fazer. Em suma, encolheu-se. Deixou passar o PEC e a sua revisão. Agora, na mais completa escuridão quanto ao que o governo tem andado a fazer, ainda que se saiba que é o único governo europeu que aumentou a despesa, o PSD ameaça. Pinto de Sousa ri-se. Para ele cada dia que passa é mais um dia de poder, e ele quer o poder acima de tudo e seja à custa do que for.

    Passos Coelho ou os seus conselheiros não quiseram perceber, e deviam tê-lo feito desde a primeira hora, que o pior de todos os males não é o défice, a dívida, a crise económica, o desemprego. É, sim, quem fabricou todas estas desgraças, o senhor Pinto de Sousa e o seu entourage. A “obrigação patriótica” de Passos Coelho era acabar com esta malta o mais depressa possível.

     

    Agora que o PR já não pode dissolver a assembleia, o país fica sujeito, de uma forma ou de outra, a continuar a precipitar-se no abismo. Se o orçamento passar, Pinto de Sousa continuará, para vergonha e indignidade de todos nós, a fingir que governa, pelo menos mais um ano. Se o orçamento não passar, então Pinto de Sousa ficará “em gestão”, com duodécimos, a poder continuar a delapidar o que tiver à mão, agora 100% à vontade para não cortar na despesa. Os seus acólitos, sob a sua batuta, fabricarão mais uma monstruosa campanha de desinformação a “demonstrar” que o culpado de todos os males é… o PSD!

     

    Nesta alhada estamos, vítimas de análises completamente erradas e de um Presidente que se meteu em tábuas para, alegadamente, ter mais hipóteses de reeleição.

     

    A eleição presidencial é uma brincadeira que os constituintes inventaram para dar um ar mais “democrático” à III República. Uma pessegada. Não se elege por sufrágio universal alguém a quem não são conferidos poderes que sejam compagináveis com a sua legitimidade.

    Tudo não passa de uma palhaçada sem nome. Já que não temos um Rei, ao menos que o PR fosse eleito pelo parlamento, a fim de colmatar essa formalidade estúpida que é a necessidade da sua existência.

    Mas, para o Doutor Cavaco Silva, para o senhor Alegre e quejandos, trata-se de coisa importantíssima, ainda que nenhum deles faça a mais remota ideia sobre o que vai, ou iria, fazer para o Palácio Real de Belém.

     

    Assistimos, impotentes, a duas farsas simultâneas e quase tão deletérias uma como a outra: a da manutenção no poder do mais incompetente e desonesto governo da III República, e a da eleição de um Presidente que não mexe uma palha que interesse àqueles a quem o que pode fazer se destinaria.  

     

    26.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DURA LEX

    Então não é que o Queiroz foi ilibado das suas “culpas”?

    Hi, hi.

    Para completar o ramalhete, só falta o TAD confirmar o que se espera em relação ao processo selvagem movido pelos médicos – que já meteram os pés pelas mãos à farta – sob as ordens do Balbino e do Pinto de Sousa.

    O IRRITADO espera que o Queiroz consiga pôr esta malta toda a pão e laranjas, e deseja-lhe um futuro próspero à custa das indemnizações que vai sacar.

     

    23.9.10

     

    IRRITADO

  • PLURALISMO, ISENÇÃO E INDEPENDÊNCIA

    O jornal privado chamado “Público” tomou a notável iniciativa de pôr o “Povo” a “falar” com “os líderes políticos”.

     

    Povo é toda agente. Não se sabe, nem interessa lá muito, como é que o “Público” faz a selecção dos felizes contemplados com o “diálogo” que lhes é oferecido. O IRRITADO, como não está interessado no assunto, não se queixa de não ter sido “seleccionado”.

     

    Já no que respeita à escolha dos “líderes” a coisa tem que se lhe diga. Trata-se de um elenco de luxo. Nada menos que 5 camaradas o Jerónimo, o Louça, o Assis, o Chico e o Defensor Moura. Depois, dois tipos que não se sabe bem como entram num baralho destes: Passos e Portas (Paulo). Dito de outra forma: 3 comunistas, 2 socialistas, um dito social-democrata e um dito democrata-cristão. Cinco à esquerda do centro, dois no centro-direita.

     

    O IRRITADO agradece, penhorado, esta demonstração de pluralismo político, isenção informativa e independência jornalística.

     

    Daqui a pouco passamos a tratar o Belmiro por camarada. Ele que se ponha a pau com o pessoal que lá tem.

     

    23.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • COMEMORAÇÕES

     

     

    O IRRITADO não cabe em si de contente.

    Calcule-se que recebeu um convite para se deslocar à Aula Magna, em 11 de Outubro, a fim de assistir à “Abertura do Ano Académico” “nas comemorações dos cem anos da Universidade de Lisboa”. É o que reza a capa do convite. Mas não só: trata-se também da outorga do grau de doutor honoris causa a “suas Excelências António dos Santos Ramalho Eanes, Mário Alberto Nobre Lopes Soares e Jorge Fernando Branco de Sampaio”.

     

    Aberto o convite, verifica-se que se trata de mera propaganda da República e do cinco de Outubro. Aproveita-se uma data que não existe (o Decreto que cria a UL faz cem anos em 2011) para gastar mais uns cobres dos dez milhões de euros que foram, dada a nossa folgada situação, destinados à celebração da coisa.

     

    Várias são as perplexidades que este convite suscita:

     

    1)    Porque carga de água convidaram o IRRITADO? Tanto o blogue como o seu autor são insuspeitos de qualquer simpatia pela República, ainda menos pelo 5 de Outubro, nem tem especial consideração pelos homenageados para além da civilizada urbanidade que merecerão. O convite quer, por isso, dizer que foi preciso andar para aí à cata em bases de dados, antigos alunos, antigos deputados, clientes da EDP, etc., para poder ter esperança de ter a sala cheia, isto no justificado temor que o assunto não interesse a ninguém;

    2)    Por alma de quem se comemora, em Outubro de 2010 uma coisa que aconteceu em 1911 e cujo primeiro ano lectivo foi o de 1911/1012? A resposta será que se pretende atribuir à República mais um grande contributo para a cultura do povo: uma nova universidade! ;

    3)    Porque merece o decreto de 2011 comemoração especial?

    4)    Vejamos:

    a)    O Estudo Geral foi fundado em Lisboa em 1288, seguindo-se, em 1290, a sua promoção a universidade;

    b)    Em 1308, a universidade de Lisboa foi transferida para Coimbra;

    c)    Voltou a Lisboa em 1338;

    d)    Outra vez para Coimbra em 1353;

    e)    E para Lisboa em 1377;

    f)      Para Coimbra em 1537;

    g)    Em Lisboa, fundou-se, em 1825, a Escola Régia de Cirurgia que, nos anos trinta do séc. XIX, passou a Escola Médico-Cirúrgica;

    h)    Na década de 30, foram criadas, em Lisboa, a Academia de Belas-Artes e a Escola Politécnica, tendo a Escola Régia de Cirurgia passado a Escola Médica de cirurgia;

    i)       Na década de 50 criou-se, em Lisboa, o Observatório Meteorológico, o Curso Superior de Letras e o Museu Nacional de História Natural;

    j)       Anos 90, é criado o Instituto Bacteriológico que, na mesma década, passou a Real Instituto Bacteriológico e depois a Instituto Câmara Pestana;

    k)     Em 1911 é criada, por decreto, a Universidade de Lisboa; em 1914 a Faculdade de Direito em 1918 é autonomizado do Instituto câmara Pestana a escola de Farmácia que, em 1921 passa a Faculdade de Farmácia;

    l)       Na década de 30 esta faculdade passa a Escola Superior de Farmácia e á criado o curso de ciências pedagógicas;

    m) Nos anos 50 foi criada a ESBAL e construído o Hospital de Santa Maria, onde passaram a ser ministrados os cursos médicos;

    n)    Nos anos 60, construiu-se a Cidade Universitária e a escola de farmácia passou de novo a Faculdade de Farmácia;

    o)    Nos finais do anos 80, é criado o Museu da Ciência

     

    (Fonte: www.ul.pt )

     

    Verifica-se, claro como a água, que:

     

    • Em 1911 não foi criada Universidade nenhuma, antes meramente agrupados os institutos universitários existentes no tempo do Reino;
    • A I República (o que agora se comemora) limitou-se a criar a Faculdade de Direito (1914) e a renomear a Escola de Farmácia sete anos depois;
    • A II República (que consolidou a República, mas que os comemoradores não consideram República), limita-se, nos anos 30, a renomear (outra vez!) a Faculdade de Farmácia e a criar um curso de Ciências Pedagógicas;
    • Nos anos 50, cria a ESBAL e o HSM, e
    • Nos anos 60, constrói a CU, torna a renomear a escola de farmácia (!) e, nos anos 80, cria um museu.
    • A III República, a que os comemoradores chamam segunda, segundo as mesmas fontes, não criou coisa nenhuma.

     

    E é tudo.

     

    Ligar a “criação” da Universidade de Lisboa ao 5 de Outubro e à I República é, pelo menos, um disparate indigno da Instituição.

    Comemorar – antes de tempo – tal “criação” é, pelo menos, de um oportunismo altamente impróprio.

    Aproveitar para, em vez de comemorar a Universidade e os seus “feitos”, doutorar três (ex) altos representantes da III República, neles incluindo o autor de um golpe de Estado, é uma vergonha.

     

    Vistos os autos, o IRRITADO agradece, penhorado, o convite pessoal que lhe foi dirigido e declara solenemente que, por motivos de convicção pessoal, não estará presente à brilhante celebração.

     

    22,9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ONDE ESTÁ A DIREITA?

     

    Os partidos comunistas passam a vida a clamar contra as chamadas “políticas de direita”. Fazem o que, no seu caso, tem alguma lógica, embora careça de fundamento. Para eles, o mundo divide-se entre maus e bons, sendo os bons de esquerda e os maus de direita. O PS, sendo de esquerda, se se “porta mal”, passa a ser de direita.

    Trata-se de uma espécie de fundamentalismo sem a oportunidade de se tornar terrorista, pelo menos terrorista propriamente dito. Tudo o que é mau, ou corre mal, é de direita. Tudo o que acham que corre bem é de esquerda, mesmo quando corre mal.

     

    Acontece que, em Portugal, não há políticas de direita. Nem as que o CDS defende o são. Portugal ainda não saiu da piscina de esquerda em que se afoga há trinta e tal anos. O chamado complexo de esquerda é o que mais manda entre nós.

    O Estado é o que foi herdado do Estado Novo (anti-liberal e omnipotente), terreno de cultura ideal para a esquerda, que brutalmente o engordou – os anos Pinto de Sousa, a este respeito, são de um exagero que ultrapassa a imaginação – e é hoje obeso, omnipresente, balofo. E falido, como não podia deixar de ser.

     

    O Estado aumenta todos os dias a despesa. Todos os dias aumenta os impostos.

    O Estado acredita nas virtudes salvíficas do investimento público, mesmo que o investimento público se faça em áreas absurdas, improdutivas, inviáveis e ruinosas.

    O Estado ataca os ricos, entendidos como ricos os membros de uma anémica classe média.

    O Estado vai buscar aos privados os “grandes dinheiros”, engordando privados com investimento público sem, sequer, se preocupar em saber como e quando vai pagar os “grandes dinheiros”.

    O Estado, campeão mundial das chamadas energias renováveis, enche a paisagem de moinhos de vento pagos a peso de ouro com subsídios e parcerias, sem perceber que as tais energias são renováveis, mas o que custam não é.

    O Estado entra em todas as demagogias da moda, tipo “aquecimento global”, “luta contra o CO2” (um gás que não polui), coisas que, sem utilidade de nenhuma ordem, custam milhões de milhões à humanidade e a nós também.

    O Estado, ao contrário do que se passa em todos os países com problemas financeiros, insiste num modelo social inviável e caduco.

     

    Tudo isto – o Estado obeso, o Estado omnipresente, o Estado gastador, o Estado falsamente protector, isto é, criador de sistemas de protecção inviáveis, o Estado estúpido e fanfarrão – é de esquerda. Poderia, outrossim, ser de extrema-direita, como já foi, ainda que nada comparável aos nossos tempos.

     

    Onde está a direita? Onde está seja o que for para além do comunismo, do socialismo, da social-democracia, da democracia cristã, tudo ideologias anti-liberais e auto proclamadas “solidárias”, tudo ideologias que implicam a desresponsabilização individual e a noção da utilidade do trabalho, fazendo do homem um sugador de benefícios e um utilizador de direitos, não um cidadão que use direitos tendo a noção clara das suas responsabilidades e dos seus deveres.

     

    O socialismo nórdico é mais liberal que o odiado “neoliberalismo”, por cá tão ferozmente anatemizado.

    No auge do poder do partido socialista sueco, a economia estatal resumia-se a cinco por cento do total. O Estado cobrava impostos e servia a sociedade em conformidade. Os sindicatos colaboravam com o patronato, nunca pondo em causa a sua essência de indispensabilidade. Ainda hoje assim é.

    Nunca houve progresso social, nem liberdade, sem liberalismo económico, isto é, sem um capitalismo saudável. Os males do capitalismo curam-se com os remédios do capitalismo, não com injecções socialistas de capital em empresas falidas ou bandidas.

     

    Onde está a direita em Portugal? Não a direita do nacionalismo fascista – hoje também comunista – mas a direita dos direitos propriamente ditos, os que geram e viabilizam os chamados direitos sociais. Ou seja, a direita da Liberdade, da responsabilidade e, para usar um chavão moderno, do “desenvolvimento sustentável”.

     

    21.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A PATA NA POÇA

     

    A pedido de várias famílias, vem o IRRITADO meter-se num grave sarilho, isto é, na história do senhor Sakozy e dos ciganos.

    Já está a ouvir os gritos do pessoal, mas, mesmo assim, aí vai.

     

    O erro fatal do Presidente francês não foi expulsar os ciganos, foi dizer que estava a expulsar ciganos. Segundo a moral vigente, isto não é aceitável, nem justificável. Convenhamos que com alguma razão. A raça há muito deixou de ser critério seja para o que for. E bem.

     

    O senhor Sarkozy, ele próprio filho de imigrantes magiares, não pode, nem deve, expulsar comunidades. Mas pode, e deve, expulsar quem, sendo estrangeiro, se não rege pela lei e costumes do país, nem os aceita ou tolera, quem seja profissional da mendicidade, quem se “porte mal” vis-a-vis a lei em vigor, quem se encontre ilegalmente no território, quem cometa crimes, etc. Qualquer entidade soberana tem o direito de o fazer, nada havendo na lei nacional ou internacional que o impeça. Mas os critérios têm que ser estes, não o da raça ou da nacionalidade.

    Assim, se o senhor Sarkozy tivesse ordenado uma “campanha” contra a presença de ilegais e de indesejáveis, estaria no seu direito. Se, “por acaso”, muitos desses fossem ciganos, que culpa tinha disso o senhor Sarkozy?

     

    Não é verdade que, entre nós, a maioria dos mendigos, que alugam crianças, que enxameiam os semáforos, que aldrabam os cidadãos, são ciganos romenos? É. Nem o mais fanático defensor dos “direitos humanos” terá coragem para o negar. Teremos que os receber de braços abertos? Que os pôr a viver à custa da Segurança Social? Parece que não. Não por serem ciganos nem por serem romenos, mas porque são indesejáveis.  

     

    Um senhor que é um cigano proeminente, presidente da câmara não sei de onde, veio à liça nos jornais dizer que a comunidade cigana portuguesa não gosta nem quer ser confundida com os ciganos estrangeiros que por aí vegetam a roubar, a mendigar, a aldrabar cada um.

    Nem os ciganos os querem! Se os fossem buscar aos semáforos e os levassem ao aeroporto não seria “de direito”?

     

    A tempestade parece amainar. A vibrante comissária europeia que disse cobras e lagartos do senhor Sarkozy já meteu o rabo entre as pernas. Tendo declarado, a propósito das expulsões em França, que “A Europa não quer voltara ver uma situação como a da II Guerra Mundial”, já veio espernear dizendo que jamais tinha dito tal coisa a propósito da França!

     

    O que o senhor Sarkozy, agora, tem a fazer, é pegar numa molhada de indesejáveis e ilegais, brancos, pretos, amarelos, europeus, asiáticos, católicos, protestantes, muçulmanos, lituanos, russos, malteses, ugandeses, o que se queira (tem lá disso com fartura), e mandá-los de volta às origens. Desde que provadamente indesejáveis e/ou ilegais.

     

    É tudo. A harpia de Bruxelas cala-se, os ciganos ficam “reabilitados”, e até pode ser que o senhor Sarkozy não faça mais asneiras.

     

    20.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DO CALIFADO DO ALGARVE

    Vão anos e anos, um grande intelectual e filósofo ligado ao extinto jornal “57” propôs, com humor e sabedoria, que Portugal fosse dividido em diversos “países”, cada um com um regime político apropriado. Teríamos assim a República Popular do Alentejo, o Califado do Algarve, a República Pontifícia de Braga, o Principado da Beiras, etc.

    Tratava-se, como é evidente, de uma paródia à peregrina ideia, então nascente, da regionalização.

    Tal ideia fez caminho na Constituição social-comunista de 1976, ainda que com o tempero, certamente por engano, da criação simultânea de todas as regiões. Nas revisões que, devagarinho por causa do reaccionarismo do PS, vieram a, minimamente, democratizar a Constituição (1982 e 1989), ninguém se lembrou de alterar o artigo, ficando as regiões em banho-maria. O tudo ou nada paralisou a tramóia.

      

    Ninguém se entendia – nem entende – quanto a que regiões, que critérios, que poderes, que limites, que “capitais”, etc. Para além do habitual e demagógico palavreado sobre a “descentralização” e outros clichés já gastos, as regiões mirraram nas nossas preocupações.

    Até que houve quem se lembrasse de pegar no marcador e cortar o mapa aos bocados, sujeitando a coisa a referendo. O resultado foi claro. A malta não estava para isso.

     

    Ressuscitada a regionalização por via dos equilíbrios internos do PSD, voltamos à vaca fria. Propõe-se a criação da região “piloto” do Algarve, com indisfarçado regozijo de grados exemplares, género Mendes Bota, Macário Correia ou José Apolinário, tudo alta gente de provinciana saúde mental e ambições de califa.

     

    Não sei até que ponto Passos Coelho tem tendências maquiavélicas. Espero bem que as tenha e que a proposta, para além de servir para fazer olhinhos aos putativos futuros califas, se destine a não passar, assim metendo outra vez no saco, oxalá por muitos anos, a espúria ideia.

     

    Se assim for, tudo bem. Se não, tudo mal.

     

    20.09.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PARVOÍCES

     

    É sabido que muita, muita gente (de direita, de esquerda, católicos, ateus…) ficou com um pó de morte ao Doutor Cavaco quando ele cometeu a suprema desonestidade de aprovar o casamento dos defeituosos sexuais.

     

    Daí que, não sem alguma lógica, tenha surgido a ideia de contrapor ao candidato Cavaco um outro, oriundo da direita. É evidente que se tratava de uma espécie de “defesa da honra” em relação a um homem que gravemente a ofendera.

    Não tinha hipóteses de ser eleito, o tal putativo candidato. Mas mereceria consideração, se se tratasse de alguém de mérito político, conhecimento público e incontestável valia pessoal. Alguém que pudesse, com honra ainda que sem proveito, levar a candidatura avante.

    Quixotesco? Com certeza. Mas bem intencionado e clarificador.

     

    O Dr. Bagão Félix encaixava perfeitamente no perfil necessário. Não quis. Está no seu direito. Compreende-se.

     

    O que não se compreende é que o Dr. Ribeiro e Castro ande para aí a manobrar no sentido de ser ele o tal candidato.

    Não é uma figura que cause empatia, ou que irradie simpatia, bem pelo contrário. Não é conhecido da esmagadora maioria dos eleitores. Não tem, no serviço público – ou privado – currículo que justifique a candidatura. Ser uma pessoa de bem, que o é com certeza, não chega. Ser, em exclusivo, oriundo de uma área restrita da direita, é curto. Andar há que tempos a dizer “coisas” mais ou menos sem nexo, é fatal. Preparar assim uma estrondosa vergonha para si próprio e para os seus, que ideia mais bronca!

     

    Já que Deus parece não o iluminar, o Dr. Portas (Paulo) que o faça, e o mais depressa possível.

     

    20.9.10

     

    António Borges de Carvalho