IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO CALIFADO DO ALGARVE

Vão anos e anos, um grande intelectual e filósofo ligado ao extinto jornal “57” propôs, com humor e sabedoria, que Portugal fosse dividido em diversos “países”, cada um com um regime político apropriado. Teríamos assim a República Popular do Alentejo, o Califado do Algarve, a República Pontifícia de Braga, o Principado da Beiras, etc.

Tratava-se, como é evidente, de uma paródia à peregrina ideia, então nascente, da regionalização.

Tal ideia fez caminho na Constituição social-comunista de 1976, ainda que com o tempero, certamente por engano, da criação simultânea de todas as regiões. Nas revisões que, devagarinho por causa do reaccionarismo do PS, vieram a, minimamente, democratizar a Constituição (1982 e 1989), ninguém se lembrou de alterar o artigo, ficando as regiões em banho-maria. O tudo ou nada paralisou a tramóia.

  

Ninguém se entendia – nem entende – quanto a que regiões, que critérios, que poderes, que limites, que “capitais”, etc. Para além do habitual e demagógico palavreado sobre a “descentralização” e outros clichés já gastos, as regiões mirraram nas nossas preocupações.

Até que houve quem se lembrasse de pegar no marcador e cortar o mapa aos bocados, sujeitando a coisa a referendo. O resultado foi claro. A malta não estava para isso.

 

Ressuscitada a regionalização por via dos equilíbrios internos do PSD, voltamos à vaca fria. Propõe-se a criação da região “piloto” do Algarve, com indisfarçado regozijo de grados exemplares, género Mendes Bota, Macário Correia ou José Apolinário, tudo alta gente de provinciana saúde mental e ambições de califa.

 

Não sei até que ponto Passos Coelho tem tendências maquiavélicas. Espero bem que as tenha e que a proposta, para além de servir para fazer olhinhos aos putativos futuros califas, se destine a não passar, assim metendo outra vez no saco, oxalá por muitos anos, a espúria ideia.

 

Se assim for, tudo bem. Se não, tudo mal.

 

20.09.10

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “DO CALIFADO DO ALGARVE”

  1. Como vem sendo habitual, concordo em absoluto com as suas asserções fundamentais – neste caso, que a regionalização é absurda num país como Portugal, e que apenas serve a uns quantos caciques/califas sedentos de mais dinheiro, e mais poder – mas tenho de assinalar certas lacunas, no seu comentário. Estas lacunas, que aparentemente apenas eu comento (mais ninguém se interessa, ou mais ninguém se dá ao trabalho?), no seu “otherwise” excelente blog, são sempre as mesmas: é especialista em desancar o PS, o pseudo-socialismo corrupto que temos, e o respectivo Estado-da-treta, mas falha sempre nomear o grande cúmplice: o PSD, a tal direita fantoche, que até governou Portugal durante tantos anos. Quando critica a regionalização, porque não fala no Alberto Bronco, o BOKASSA da Madeira, o maior e mais antigo CACIQUE desta República das Bananas? Esse sorvedouro de dinheiros públicos, esse anti-comuna que é o primeiro a cagar-se (descendo ao nível do espécime) para as “liberdades democráticas”, na sua ilha / feudo? O tal que nos classifica como “cubanos”, enquanto MAMA à grande, directa e indirectamente, nos impostos do “Contenente”, e que o PSD – cobarde e cinicamente – trata com luvas, pois não quer perigar os seus votos na Madeira, junto da CARNEIRADA que insiste em reeleger o energúmeno? Quando fala contra a regionalização, pensa no Alberto Bronco? Se não pensa, devia pensar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *