IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ONDE ESTÁ A DIREITA?

 

Os partidos comunistas passam a vida a clamar contra as chamadas “políticas de direita”. Fazem o que, no seu caso, tem alguma lógica, embora careça de fundamento. Para eles, o mundo divide-se entre maus e bons, sendo os bons de esquerda e os maus de direita. O PS, sendo de esquerda, se se “porta mal”, passa a ser de direita.

Trata-se de uma espécie de fundamentalismo sem a oportunidade de se tornar terrorista, pelo menos terrorista propriamente dito. Tudo o que é mau, ou corre mal, é de direita. Tudo o que acham que corre bem é de esquerda, mesmo quando corre mal.

 

Acontece que, em Portugal, não há políticas de direita. Nem as que o CDS defende o são. Portugal ainda não saiu da piscina de esquerda em que se afoga há trinta e tal anos. O chamado complexo de esquerda é o que mais manda entre nós.

O Estado é o que foi herdado do Estado Novo (anti-liberal e omnipotente), terreno de cultura ideal para a esquerda, que brutalmente o engordou – os anos Pinto de Sousa, a este respeito, são de um exagero que ultrapassa a imaginação – e é hoje obeso, omnipresente, balofo. E falido, como não podia deixar de ser.

 

O Estado aumenta todos os dias a despesa. Todos os dias aumenta os impostos.

O Estado acredita nas virtudes salvíficas do investimento público, mesmo que o investimento público se faça em áreas absurdas, improdutivas, inviáveis e ruinosas.

O Estado ataca os ricos, entendidos como ricos os membros de uma anémica classe média.

O Estado vai buscar aos privados os “grandes dinheiros”, engordando privados com investimento público sem, sequer, se preocupar em saber como e quando vai pagar os “grandes dinheiros”.

O Estado, campeão mundial das chamadas energias renováveis, enche a paisagem de moinhos de vento pagos a peso de ouro com subsídios e parcerias, sem perceber que as tais energias são renováveis, mas o que custam não é.

O Estado entra em todas as demagogias da moda, tipo “aquecimento global”, “luta contra o CO2” (um gás que não polui), coisas que, sem utilidade de nenhuma ordem, custam milhões de milhões à humanidade e a nós também.

O Estado, ao contrário do que se passa em todos os países com problemas financeiros, insiste num modelo social inviável e caduco.

 

Tudo isto – o Estado obeso, o Estado omnipresente, o Estado gastador, o Estado falsamente protector, isto é, criador de sistemas de protecção inviáveis, o Estado estúpido e fanfarrão – é de esquerda. Poderia, outrossim, ser de extrema-direita, como já foi, ainda que nada comparável aos nossos tempos.

 

Onde está a direita? Onde está seja o que for para além do comunismo, do socialismo, da social-democracia, da democracia cristã, tudo ideologias anti-liberais e auto proclamadas “solidárias”, tudo ideologias que implicam a desresponsabilização individual e a noção da utilidade do trabalho, fazendo do homem um sugador de benefícios e um utilizador de direitos, não um cidadão que use direitos tendo a noção clara das suas responsabilidades e dos seus deveres.

 

O socialismo nórdico é mais liberal que o odiado “neoliberalismo”, por cá tão ferozmente anatemizado.

No auge do poder do partido socialista sueco, a economia estatal resumia-se a cinco por cento do total. O Estado cobrava impostos e servia a sociedade em conformidade. Os sindicatos colaboravam com o patronato, nunca pondo em causa a sua essência de indispensabilidade. Ainda hoje assim é.

Nunca houve progresso social, nem liberdade, sem liberalismo económico, isto é, sem um capitalismo saudável. Os males do capitalismo curam-se com os remédios do capitalismo, não com injecções socialistas de capital em empresas falidas ou bandidas.

 

Onde está a direita em Portugal? Não a direita do nacionalismo fascista – hoje também comunista – mas a direita dos direitos propriamente ditos, os que geram e viabilizam os chamados direitos sociais. Ou seja, a direita da Liberdade, da responsabilidade e, para usar um chavão moderno, do “desenvolvimento sustentável”.

 

21.9.10

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “ONDE ESTÁ A DIREITA?”

  1. Vejo que há pessoas mais inteligentes, experientes, e eloquentes do que eu – como o Irritado – que procuram essencialmente o mesmo que eu, sem o encontrar: um sistema político que represente as pessoas que não dependem, nem querem depender de ninguém. As pessoas que só querem ser deixadas em paz, num sistema justo e igual para todos, em função daquilo que contribuem para o bem comum. (Agora assustei-me: parecia estar a descrever o Socialismo, quiçá até o Marxismo (igual para todos… bem comum…!) Mas também passa por Capitalismo, livre iniciativa, portanto tudo bem) Sou o primeiro a defender os direitos dos trabalhadores, explorados por tantos patrões mauzões, que coleccionam Ferraris enquanto pagam ordenados mínimos, e abrem falência com a mesma facilidade com que colocam os bens em off-shores, ou no nome de familiares, velhinhas desconhecidas, ou imigrantes a quem pagam umas lecas. Sou também o primeiro a defender os direitos dos empresários e empreendedores, que sustentam a economia, tendo como única recompensa mais e mais impostos, mil e um entraves e burocracias, até ao ponto em que só cria um negócio quem é louco, ou masoquista. Neste contexto, não sei dizer exactamente o que é “esquerda” ou “direita” – confesso-me perdido. O Pinto de Sousa fala do “Estado Social”, coisa falida cá, mas que na Suécia aparentemente funciona; já o Irritado, chama aos suecos “liberais”, embora lá se paguem impostos elevados, e o Estado lá faça (muito) mais do que cá. E quem diz a Suécia, diz muitos outros países. Falamos então da gestão da coisa, não tanto da cor da bandeira: antes viver numa Suécia liberal, comunista, anarquista, o que for, do que num Portugal socialista, social-democrata, enfim, no CENTRÃO PODRE deste pântano há muito estagnado. Para mim, temos de CORRER COM ESTA CANALHA POLÍTICA, todos os partidos actuais, os seus boys e apêndices, e começar de novo. Nunca seremos a Suécia, ou a Dinamarca – mas também não queremos ser. A nossa história, e o nosso valor, são suficientes para querermos ser apenas nós próprios. Várias vezes, já me senti discriminado por ser Português – país pequeno e corrupto – mas jamais tive vergonha de ser Português. Não é qualquer país, que se liberta dum país 5 vezes maior, e divide com ele o mundo inteiro. Conseguimos tanto, e hoje não somos capazes de nos libertar de um sistema corrupto, não conseguimos ultrapassar esta inércia dos Pintos de Sousa e das Múmias Cavacas?

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