IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COMEMORAÇÕES

 

 

O IRRITADO não cabe em si de contente.

Calcule-se que recebeu um convite para se deslocar à Aula Magna, em 11 de Outubro, a fim de assistir à “Abertura do Ano Académico” “nas comemorações dos cem anos da Universidade de Lisboa”. É o que reza a capa do convite. Mas não só: trata-se também da outorga do grau de doutor honoris causa a “suas Excelências António dos Santos Ramalho Eanes, Mário Alberto Nobre Lopes Soares e Jorge Fernando Branco de Sampaio”.

 

Aberto o convite, verifica-se que se trata de mera propaganda da República e do cinco de Outubro. Aproveita-se uma data que não existe (o Decreto que cria a UL faz cem anos em 2011) para gastar mais uns cobres dos dez milhões de euros que foram, dada a nossa folgada situação, destinados à celebração da coisa.

 

Várias são as perplexidades que este convite suscita:

 

1)    Porque carga de água convidaram o IRRITADO? Tanto o blogue como o seu autor são insuspeitos de qualquer simpatia pela República, ainda menos pelo 5 de Outubro, nem tem especial consideração pelos homenageados para além da civilizada urbanidade que merecerão. O convite quer, por isso, dizer que foi preciso andar para aí à cata em bases de dados, antigos alunos, antigos deputados, clientes da EDP, etc., para poder ter esperança de ter a sala cheia, isto no justificado temor que o assunto não interesse a ninguém;

2)    Por alma de quem se comemora, em Outubro de 2010 uma coisa que aconteceu em 1911 e cujo primeiro ano lectivo foi o de 1911/1012? A resposta será que se pretende atribuir à República mais um grande contributo para a cultura do povo: uma nova universidade! ;

3)    Porque merece o decreto de 2011 comemoração especial?

4)    Vejamos:

a)    O Estudo Geral foi fundado em Lisboa em 1288, seguindo-se, em 1290, a sua promoção a universidade;

b)    Em 1308, a universidade de Lisboa foi transferida para Coimbra;

c)    Voltou a Lisboa em 1338;

d)    Outra vez para Coimbra em 1353;

e)    E para Lisboa em 1377;

f)      Para Coimbra em 1537;

g)    Em Lisboa, fundou-se, em 1825, a Escola Régia de Cirurgia que, nos anos trinta do séc. XIX, passou a Escola Médico-Cirúrgica;

h)    Na década de 30, foram criadas, em Lisboa, a Academia de Belas-Artes e a Escola Politécnica, tendo a Escola Régia de Cirurgia passado a Escola Médica de cirurgia;

i)       Na década de 50 criou-se, em Lisboa, o Observatório Meteorológico, o Curso Superior de Letras e o Museu Nacional de História Natural;

j)       Anos 90, é criado o Instituto Bacteriológico que, na mesma década, passou a Real Instituto Bacteriológico e depois a Instituto Câmara Pestana;

k)     Em 1911 é criada, por decreto, a Universidade de Lisboa; em 1914 a Faculdade de Direito em 1918 é autonomizado do Instituto câmara Pestana a escola de Farmácia que, em 1921 passa a Faculdade de Farmácia;

l)       Na década de 30 esta faculdade passa a Escola Superior de Farmácia e á criado o curso de ciências pedagógicas;

m) Nos anos 50 foi criada a ESBAL e construído o Hospital de Santa Maria, onde passaram a ser ministrados os cursos médicos;

n)    Nos anos 60, construiu-se a Cidade Universitária e a escola de farmácia passou de novo a Faculdade de Farmácia;

o)    Nos finais do anos 80, é criado o Museu da Ciência

 

(Fonte: www.ul.pt )

 

Verifica-se, claro como a água, que:

 

  • Em 1911 não foi criada Universidade nenhuma, antes meramente agrupados os institutos universitários existentes no tempo do Reino;
  • A I República (o que agora se comemora) limitou-se a criar a Faculdade de Direito (1914) e a renomear a Escola de Farmácia sete anos depois;
  • A II República (que consolidou a República, mas que os comemoradores não consideram República), limita-se, nos anos 30, a renomear (outra vez!) a Faculdade de Farmácia e a criar um curso de Ciências Pedagógicas;
  • Nos anos 50, cria a ESBAL e o HSM, e
  • Nos anos 60, constrói a CU, torna a renomear a escola de farmácia (!) e, nos anos 80, cria um museu.
  • A III República, a que os comemoradores chamam segunda, segundo as mesmas fontes, não criou coisa nenhuma.

 

E é tudo.

 

Ligar a “criação” da Universidade de Lisboa ao 5 de Outubro e à I República é, pelo menos, um disparate indigno da Instituição.

Comemorar – antes de tempo – tal “criação” é, pelo menos, de um oportunismo altamente impróprio.

Aproveitar para, em vez de comemorar a Universidade e os seus “feitos”, doutorar três (ex) altos representantes da III República, neles incluindo o autor de um golpe de Estado, é uma vergonha.

 

Vistos os autos, o IRRITADO agradece, penhorado, o convite pessoal que lhe foi dirigido e declara solenemente que, por motivos de convicção pessoal, não estará presente à brilhante celebração.

 

22,9.10

 

António Borges de Carvalho



12 respostas a “COMEMORAÇÕES”

  1. O que interessa é aparecerem, emborcarem uns copos e mastigarem uns rissóis!

  2. Ainda bem para si que decidiu não estar presente no evento.Cheira-me que o queriam envenenar!!!

    1. Envenenado já eu estou com tanta propaganda!

    2. Um conselho…. GO AND FUCK YOURSELF.Ja enjoa tanto BLOW JOB ao sousa e companhia…

  3. Agora que o tecelão regressou de “férias”, há que reunir esforços para comemorar este “regresso”!Sem ele isto não tem piada (nem participação! Daí o seu “chamamento”).

  4. Rebolei a rir com o post, e com o convite parolo – que celebra um regime que falhou e falha em tudo, excepto nos inúmeros convites pacóvios (e respectivas mordomias) deste teor – mas não pude deixar de reparar no penúltimo parágrafo do post: …«incluindo o autor de um golpe de Estado»… O Irritado fala do Sempaio, quando demitiu o Marreta Santana, certo? O Santana que apenas chegou ao poder, após a – vergonhosa – FUGA do Barroso, para o MEGA-TACHO Europeu? Sei que estes temas são delicados, sobretudo quando conhecemos pessoalmente os envolvidos, e temos certas lealdades para com eles, mas tenho de lhe perguntar – acha mesmo que o Santana teria continuado – ou sequer chegado – a PM, num país “normal”? E o Paulinho? Com a opinião que lhe conheço sobre os “deficientes sexuais”, achava muito porreiro e bem, ter um paneleirote com bronzeado de solário, com a fama que todos sabemos, como responsável máximo das nossas Forças Armadas? Isso já não entra na sua visão independente – e conservadora – das coisas? Estou como no caso do MAMÃO QUEIROZ – se o Sempaio ajudou – com ou sem razão – a correr com um Marreta e com um Paulinho das… Feiras, então há males que vêm por bem. Triste país, com tais representantes. Depois veio o Pinto de Sousa, ainda pior… mas isso é outra história, e uma fatalidade não justifica a outra.

    1. Se a vinda do Pinto de Sousa “ainda foi pior”, onde é que encaixa os “males que vêm por bem”?É um “bem” que, num país onde toda a gente anda a berrar a favor da “estabilidade”, se acabe com uma maioria estável só porque não se gosta de um governo que nem sequer teve tempo para fazer mal fosse a quem fosse?

  5. Muitos parabéns ao Irritado pelo eloquente levantamento sobre a universidade em Portugal.Acho muito justo que os 3 ex-presidentes se tornem doutores. Até para ir abrindo caminho ao doutoramento de Sócrates, deveras merecido pelo excelente desempenho económico-financeiro com que tem maravilhado os seus eleitores.A inócua mentira sobre a universidade ter sido criada pela república é só mais uma entre milhares, projectadas no passado (o Irritado e todos nós veremos o que será dito no dia 5), propaladas no presente (qualquer telejornal, basta escolher ao acaso no dia e canal, oferece um extenso rol delas) e prometidas para o futuro.Afinal todos sabemos como a república sempre protegeu a cultura. Ainda recentemente relia o olissipógrafo Matos Sequeira sobre a demolição em 1911 do convento das Francesinhas, onde se erigia um asilo para criadas de servir, uma esquadra e um posto de desinfecção”.Sobre Sampaio ter demitido Santana Lopes não pode haver subjectividades: ou se cumprem as legislaturas ou não. O presidente tem o dever de respeitar o mandato do eleitorado, como faz com o seu próprio mandato. Aquela legislatura ia a meio, a maioria era estável, se Santana não servia, que se encontrasse outro. Sampaio não foi – de todo – isento como lhe competia, se fosse honrado. Basta ver o seu discurso na posse de Santana, cheio de ameaças, para se perceber qual a sua intenção. Idem com o discurso de demissão, em que meteu os pés pelas mãos quanto às razões por que o fazia.Sampaio foi tão traiçoeiro como havia sido com Guterres, ao auto-indigitar-se como candidato à presidência, ao arrepio do que ficara estabelecido entre os dois. Quem quiser que acredite nele, com aquela cara de boa pessoa e a larga testa onde a Maria José no passado atarrachou um sem fim de apêndices de marfim.Santana era incompetente? Também Sócrates. Porta é maricas? Não menos viril que Sócrates. Se são esses os motivos para demitir governos, estamos falados.

    1. Caro Manuel, não conheço muitas pessoas que defendam, ou apreciem especialmente, o Sr. Sampaio. Aliás, vendo bem, não me ocorre uma única. Não fosse a demissão do governo Santana/Portas, e pouco ou nada haveria a dizer sobre os 10 anos que passou em Belém: a palavra “MEDÍOCRE” chega bem para os resumir. Santana tem certamente qualidades, reconhecidas até pelos seus adversários, mas a credibilidade não é uma delas. O mesmo vale para Portas. Justo ou injusto, isso é um facto. Também é um facto, que Barroso traiu a confiança de milhões de eleitores, ajudando assim a descredibilizar o seu partido, e o seu sucessor em particular. Governo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Até Cavaco ajudou à festa. Podemos agora criticar a hipocrisia e a má-fé de Sampaio, mas foi o PSD – Barroso, Santana, Cavaco – que se pôs a jeito para o que veio a acontecer, e a verdade é que Santana teve a oportunidade de voltar a ser eleito, enfrentou o Pinto de Sousa, e foi massacrado nas urnas. Sampaio e Pinto de Sousa terão muitos defeitos, mas que se saiba, não apontaram pistolas à cabeça da carneirada que preferiu Pinto de Sousa a Santana, ou a Ferreira Leite.

      1. Ora aqui está uma opinião bem fundamentada.Como os eleitores não votaram em Santana nem na Leite,são promovidos a carneiros.Bestial pá!

      2. Acho muito interessante as referências democrátias , lógicas e justas que aqui se apontaram. Recordo que há já algumas legislaturas atrás um tal senhor deputado do PS (cabeça de Lista pelo circulo de Aveiro) (parece que já faleceu) aquando de uma campanha eleitoral em que o seu partido estava a perder terreno a olhos vistos para o Partido do Dr Paulo Portas (que era cabeça de Lista pelo mesmo Circulo) decidiu usar daquela politica muito elevada que se destaca entre a rapaziada do PS e que foi lançar uma calúnia do mais nojento que se pode conceber, usando para o efeito, a comunicação social (a todos o níveis), onde se usava e abusava de tudo o que se podia para denegrir a imagem de um adversário político. Esse senhor de deputado, achou por bem dizer que o Dr Paulo Porta era homossexual, usando de chacota e ironia pelo facto, subentendendo-se que isto era algo de muito condenável. Para mim não passa de calúnia asquerosa. Mas se fosse verdade, porque será que é tão mau ser homossexual quando se trata de Paulo Portas, e passa a ser virtude quando se trata de um Sousa Pinto qualquer ou mesmo Pinto de Sousa, desde que estes sejam do PS?- Como é que um Partido constituído por gentinha que em dada altura da sua vergonhosa história se assume em condenação pública da homossexualidade e mais tarde presta toda a vassalagem aos mesmos (desde que socialista) inclusive aprontam Leis de “casamentos” entre Homossexuais e outras coisas mais. Enfim, estamos (des)governados por gentinha sem carácter que é apoiada por gente com ainda menos carácter .Sou oFrancisco Luiz

        1. Caro Francisco Luiz, Eu gosto de chamar os BOIS PELOS NOMES, espero que não mo leve a mal. O “senhor deputado” de que fala, chamava-se CARLOS CANDAL, discordava dele em muitas coisas, mas admito que era um homem que também chamava os bois pelos nomes. Um desses BOIS, era o Paulinho das Feiras, ex-ministro, hoje ilustre deputedo. Não chamou outros bois, pelo mesmos – e merecidos – nomes? É verdade, falhou – e entretanto, morreu. Mas o seu “Breve Manifesto Anti-Portas em Português Suave”, representa muito do que falta aos representantes desta partidocracia – e aos D. Duartes da “sua” monarquia. Haja alguém, que chame os Paulinhos panascas e hipócritas pelos nomes – já que os da suposta “direita” FINGEM ignorar a podridão.

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