IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HISTÓRIA REPUBLICANA

 Vejam bem como se faz história:

 

(Há) dezenas de exposições, umas já patentes ao público, outras a inaugurar em breve, que traçam a história dos homens que forçaram a queda da monarquia e abriram, no Portugal arcaico e periférico, caminho a uma sociedade nova.

 

Os  homens que repeliram o velho País… deixaram um legado plural… os rostos, os corpos, o viajar por prazer (???) ou a resistência à ditadura salazarista em nome de uma sociedade democrática, são objecto das exposições acima referidas.

 

Há mais: uma exposição itinerante, com uma viatura adaptada, duas tendas e uma equipa de mediação (???), que desde o início do mês e durante todo o ano, levam história a mais de cem concelhos do país…

Evocam-se nomes, rostos, gestos. É um Portugal a sacudir a herança medieval (???).

 

Estes magníficos pedaços de prosa estão, preto no branco na edição de ontem do jornal do “amigo Oliveira”.

 

O “Portugal arcaico” tinha conservado o ‘núcleo duro’ do Império – que a república tanto prezava – apesar dos ataques de que fora alvo.

O “Portugal arcaico” tinha um conjunto de escolas universitárias que faziam inveja a muita gente, mais rica e mais ‘culta’.

O “Portugal arcaico” tinha um conjunto de linhas-férreas que metiam num chinelo muito boa gente, e que, nos cem anos de república, não foram desenvolvidas, antes (ainda hoje!) são desactivadas ou abandonadas.

O “Portugal arcaico” vivia há 80 anos num regime político que, mutatis os mutandis temporais, era tão democrático como o de hoje.

O “Portugal periférico” era visitado pelos chefes dos mais importantes países da Europa, numa ‘corrida’ diplomática coroada de enormes êxitos.

 

Pode dizer-se que, neste “Portugal arcaico e periférico”, o sistema político, apesar dos esforços do Rei, funcionava mal. A república, porém, repetiu e aumentou todos os defeitos do sistema que abateu.

Os homens que “repeliram o velho país” deixaram, é verdade, “um legado plural”: o legado da desordem, da bomba, do terrorismo, dos assassínio políticos, da repressão, da ausência de liberdade de imprensa, das perseguições religiosas, das deportações dos adversários e dos sindicalistas, da proibição de partidos políticos, das crises intermináveis, da bancarrota, da guerra. Mais pluralismo que isto é difícil.

Tenebroso legado, a fazer jus às suas origens, já que construíram o seu miserável regime sobre o cadáver de um Rei que assassinaram, um Rei que foi um patriota indomável, que sofreu pelo seu país, um diplomata emérito, um cientista de valor, um artista talentoso, um Homem admirado em toda a Europa. E expulsaram o seu Filho, valoroso e patriota como o Pai.

Deixaram o legado dos grupos terroristas armados, que mantinham ao serviço do novo regime e das suas mais obscuras facções.

Deixaram a inevitável criação de uma nova república, que os seus herdeiros negam apesar de a comemorar, uma nova república autoritária que o Povo aclamou por indispensável à altura, que consolidou a república que fundaram, que defendeu a sua herança imperial feita de abandono e de miséria, que teve como defeito maior o de ter querido eternizar-se e tê-lo conseguido.

 

Foi assim que o 5 de Outubro “sacudiu a herança medieval”.  

 

O país inteiro vive mergulhado numa crise de cuja enormidade só uma geração já desaparecida teria memória.

O país inteiro vive uma História esfrangalhada na monumental aldrabice que as “comemorações” do 5 de Outubro lhe impingem.

 

Se houve homens sérios na primeira república, e houve, foram traídos pelos seus próprios erros. Se vivessem hoje, faço-lhes a justiça de pensar que gostariam tanto como eu destas “comemorações”.

 

27.9.10

 

António Borges de Carvalho

 

 

AVISONo dia 4 de Outubro, no Palácio da Independência, abre uma exposição sobre “A repressão da Imprensa na I República”. Deve valer a pena. Pelo menos, na esperança de que não se dê, em tal exposição, mais pontapés na História.



Uma resposta a “HISTÓRIA REPUBLICANA”

  1. Poixé Na linha do que acima aponta, saliento, entre outros, o Caso do Oficial da Marinha de seu nome António Maria de Azevedo Machado Santos, que sendo na altura do 5 de Outubro de 1910 um jovem Oficial Subalterno, e não fazendo parte das cúpulas dos aventais e das carbonárias foi o único Oficial que se manteve no terreno (na Rotunda) junto de alguns Sargentos e Praças, enquanto as grandes glórias da “Revolução” se mantinham como ratos escondidos nas Janelas Verdes, perdidos da vida, pensando que a dita tinha sido um fracasso e que, por tal crença, o muito glorificado Almirante Cândido dos Reis, deu um tiro na cabeça, por lhe faltar a coragem para enfrentar as consequências da ambição que a isto os teria conduzido. Acresce dizer que o Jovem Oficial que acima referi, foi sempre homem de dar a cara, porque acreditava de facto nessa causa, apesar de se tornar uma figura bastante incómoda, (porque nele havia honestidade moral, intelectual e política) e como se veio depois a comprovar foi traído e assassinado, pelos mesmos que haviam beneficiado da sua coragem que eles não possuíam pois resguardavam-se na penumbra e na traição. Acredito que este Oficial aquando do seu assassinato, já estava arrependido de se ter metido com esta corja Republicana, que apenas tem como grandes referências o crime, a traição e o oportunismo. E como se pode perceber, as raízes da corja, mantém-se . Cumprimentos Sou o Francisco Luiz

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