As Misericórdias, à excepção da de Lisboa, são instituições de fiéis católicos, desde há séculos sob a tutela e a orientação da Igreja.
Têm tido, como é natural, uma vasta autonomia decisória, e têm desenvolvido as suas actividades, enriquecido o seu património e prestado relevantes serviços à comunidade.
Isto, como é evidente, sem controlo estatal, ainda que o Estado despenda com elas importantes somas a partir de contratos, convénios e protocolos de diversa ordem.
Acontece que os bispos, tratando-se de instituições umbilicalmente ligadas à Igreja Portuguesa, decidiram dar uma olhada às contas. Assim o decretaram. Vai daí, os provedores desataram aos gritos pelo país fora, que não pode ser, que as misericórdias são independentes, que etcetera e tal.
O IRRITADO, que destas coisas sabe quase nada, notou que os protestos dos senhores provedores tinham mais a ver com dinheiro que fosse com o que fosse. Percebeu a enorme quantidade de milhões que querem escapar ao controlo dos bispos, ou seja de quem for. Percebeu o valor imenso do património das Misericórdias, das compras e vendas que fazem ao seu alto critério, sem que seja quem for olhe para elas. Viu, no pátio das ditas, os BM’s e outros carritos que os altos senhores utilizam. Julga ter percebido que, muito para além da defesa da independência das organizações em causa e da sua federação, à reacção corporativa de quem as dirige subjaz qualquer coisa menos clara e mais intrigante.
Oxalá o IRRITADO se engane.
Mas, pelo menos à primeira vista, parece que os bispos têm carradas de razão.
8.10.10
António Borges de Carvalho

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