IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • MALANDRICES DO CHOCO

    Os direitos do “amigo Oliveira” à “privacidade e à palavra” foram violados pelo “Sol”. É o que diz a já famosa ERC, recentemente sacudida com a demissão de um dos seus membros que não estava para aturar os “critérios” da organização.

    A ERC condena veementemente a publicação das escutas entre o Vara e o “amigo Oliveira”.

    Muito bem.

    Porque será que a mesma ERC se não debruçou sobre os célebres emails que o jornal do “amigo Oliveira” publicou em altíssimas parangonas, entrando na “privacidade e na palavra” de uns tipos do “Público”, a fim de dar cabo do PSD em plena campanha eleitoral?

     Será porque, para a ERC, tais tipos trabalhavam num jornal rival do do “amigo Oliveira”?

    Será que os jornais do “amigo Oliveira” estão isentos das malandrices da ERC?

    Será que a “privacidade e a palavra” do “amigo Oliveira”, para a ERC, valem mais que as dos outros?

     

    Depois, ainda há quem diga que o polvo não existe. Será um choco?

     

    20.9.10

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    NB. O Ministério Público arquivou a queixa apresentada pelo “amigo Oliveira” a respeito do mesmo assunto.

  • DO NACIONALISMO SOCIAL-COMUNISTA

    A extrema-esquerda, isto é, os partidos comunistas, PC+BE, vigorosamente acompanhados pelo camarada Manuel Alegre, estão com um ataque de nacionalismo primário.

    É vê-los, aos berros, que a “Europa” quer fiscalizar as nossas contas, que se trata de uma insuportável perda de soberania, que a dona Ângela é uma ditadora, que é a má da fita, que cai a quatro patas em cima dos pobres portugueses, e mais isto e mais aquilo.

    Quando se trata de demagogia, esquecem-se do internacionalismo da cartilha. Minto. É que o tal internacionalismo é o proletário. Como já não há proletários, ficam sem internacionalismo.

    Como o que vendem aos adeptos é a bambochata dos “direitos sociais”, coisa que jamais foi minimamente respeitada nos países em que a doutrina desta gente vingou e só existe nos sistemas que esta gente odeia, isto é, nos sistemas capitalistas, acham, ou seja, dizem que acham que os nossos problemas se resolvem internamente, aumentando os salários para aumentar o consumo, aumentando os impostos a uma plêiade, que seleccionaram, de pagantes, baixando a idade da reforma, protegendo o aborto e os deficientes sexuais a fim de aumentar a natalidade (!), numa palavra, oferecendo ilusões aos crédulos e aos invejosos.

    Agora querem que “a Europa” se responsabilize pelas asneiras do senhor Pinto de Sousa, e que o faça sem fazer contas. Querem que o “mercado” baixe os juros da dívida, que a Alemanha ponha à disposição do senhor Pinto de Sousa, sem olhar a números, as massas que a sua economia vai criando, que os “ricos” desembolsem para dar aos pobres – suprema aldrabice, já que, acabando com os ricos, acaba-se com o que resta de emprego enquanto os ricos vão, calmamente, criar mais riqueza noutras paragens. O que, aliás, já aconteceu!

    É ver o Tavares (Rui) a insurgir-se contra os que acham que o camarada Alegre, na sua crassa ignorância, meteu a pata na poça ao revoltar-se contra o chamado “visto prévio” que “a Europa” vai impor. É ver os pêésses a meter os pés pelas mãos a este respeito, cada vez com mais dúvidas quanto ao juízo do fulano. É ver o camarada Jerónimo, seguido de perto pelo Louça, a gritar loas à “independência nacional” e a outros valores que, anos atrás, consideraria “fascistas”.

     

    É certo que não se prevê que esta gente tenha hipótese de chegar ao poder. Mas tem a possibilidade de explorar a credulidade de muita gente. Não se esqueçam que Portugal é o único país da Europa onde esta gente se mantém com números importantes. Ou seja que Portugal, também nesta matéria, é o mais ignorante e o mais “nabo” dos povos europeus.

    Por isso, as previsões podem sair furadas. Por isso, podemos ainda acabar por ficar atrás de outros, que não sendo europeus, já não acreditam em “amanhãs que cantam”, nem no “homem novo” nem na banha da cobra. Por isso que esta gente tem hipóteses. O senhor Pinto de Sousa não as tem? Como vêm, tudo é possível.

     

    19.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PONTAPÉS

     

    Parece ter chegado ao fim a farsa do seleccionador de futebol.

    Mas não chegou. A seguir à lamentável cena do convite a Mourinho – como se os castelhanos fossem parvos… – aí está a nomeação do novo treinador.

    Há quem fique tranquilo? Só se for o novo treinador, que é tranquilo por natureza e mais tranquilo fica com o ordenadinho que lhe vão pagar e que, de certeza certezinha, jamais tinha feito parte dos seus mais ambiciosos sonhos.

    Quem é ele? Um jogador de futebol que, sem as habilitações necessárias (que não sei nem quero saber quais são, mas que existem) foi alcandorado a treinador do Sporting. São conhecidos os brilhantes resultados que, tranquilamente, obteve.

    Agora, a Federação, apesar de ter os cofres cheios do cacau que o Queiroz lá meteu, não foi capaz de ir além do rapazola, treinador com um curto historial de… falhanços.

     

    A inteligentsia futebolística nacional parece que ficou satisfeita. Donde se conclui que inteligentsia nada tem a ver com inteligência.

     

    Com franqueza, acho que podemos ficar “tranquilos”. Este, à partida, tem desculpa.    

     

    19.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • INTELIGÊNCIA SOCIALISTA

    Os meus olhos não conseguem acreditar no que vêm.

    Nada menos que isto:

     

    Fisco obriga os gestores de falências a pagar as dívidas das empresas (DN).

     

    Você, meu caro, é economista ou coisa do género. O Tribunal nomeia-o para tratar da massa falida de uma empresa qualquer.

    Você faz o que pode. Revê as contas, avalia os activos, confirma o que há a pagar, reúne com os credores, negoceia com eles, etc.

    Depois de uns meses de aturado e sério trabalhinho, chega à conclusão que pouco há a fazer. Uns leilões, umas dações em cumprimento, mas fica um balúrdio para pagar ao fisco, à Segurança Social, ao diabo. Os credores privados, pobres deles, voltam a casa com o rabo entre as pernas.

    Mas o socialismo não. O socialismo não pode ser prejudicado. Ora, como ficou provado que não há massa para pagar, o que faz o socialismo? É fácil. Vai-se ao andarzinho que v. anda a pagar há vinte e cinco anos, e saca-lho. Vai-se ao Fiat Uno, e saca-lho. Vai-se-lhe àqueles cobres que anda a poupar para a velhice, e saca-lhos. Vai-se ao seu ordenado e, como é generoso, só penhora um terço.

    Compreende-se. Você é culpado! Meteu-se no buraco e não foi homem para o tapar.

     

    Para a próxima, não seja parvo. Se o Tribunal o quiser obrigar a tratar de uma chatice destas, confesse a sua incompetência, meta um atestado médico, corte a mão direita. Faça o que lhe der na gana, mas não seja parvo, que isto do socialismo tem que se lhe diga.   

     

    19.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ESTÚPIDA ESPERANÇA

    Quando Passos Coelho se candidatou a líder do PSD já era conhecido o plano inclinado onde Portugal escorregava em movimento cada dia mais acelerado. Passos Coelho já sabia que nada do que o PM dizia era verdade. Já sabia que o PM e a sua corte de desinformadores e aldrabões não mereciam a mais leve sombra de crédito. Já conhecia a brutal desonestidade da central de notícias do governo. Estava a par da dívida que o socialismo criou e que jamais parou de aumentar. Tinha plena consciência de que, tanto por uma questão de dignidade como pela sua ruína iminente, o mais grave problema de Portugal, a maior força de bloqueio, o cancro da Nação, era o primeiro-ministro, o seu apalhaçado governo e um partido socialista que perdera toda a noção de serviço e toda a honestidade política e intelectual.

    Sabendo tudo isto e muito mais, Passos Coelho deveria ter posto no seu programa eleitoral interno a promessa de derrubar o governo com uma moção de censura mal fosse eleito.

    Sabendo tudo isto e muito mais, Passos Coelho deveria preocupar-se com uma rápida mudança de rumo.

    O que fez? Achou que o governo devia descalçar a bota, e que ele, Passos Coelho, só lhe saltaria em cima com ela já descalçada. Apresentou cumprimentos ao rival, ajudou-o a continuar a enganar os portugueses, fechou os olhos à crise que o PS todos os dias agrava, aprovou um orçamento impossível, deixou passar o PEC 1, e o PEC 2, e vai deixar passar de novo um orçamento sem futuro.

    Aquilo que o IRRITADO a seu tempo disse – que Passos Coelho ou agia depressa ou se desgastava – acabou por acontecer com a maior brutalidade. Menos 10% para ele nas sondagens, mais 10% atascados na lixeira socialista.

    E agora? Passos Coelho a cair, o PR a apoiar o PS com todas as suas forças, ou com toda a sua ambição eleitoral, sem respeito por nada, nem por si mesmo, os partidos comunistas a prometer as habituais omeletas sem ovos, o CDS aos berros que é democrata-cristão, as “forças intelectuais” a bramir contra o “neo-liberalismo” como se houvesse algum liberalismo, “neo ou não “neo”, em Portugal, como se Portugal não fosse a piscina estatista, esquerdista e socialista em que todos nos vamos afogar, como se o “estado social”, agora na berra, não fosse, como diz a Cavilhas, um sonho insustentável e falido, como se alguém, na Europa ou no mundo, não tivesse há muito chegado à conclusão que somos governados por palhaços, como se, como se.         

     

    A não ser que Passos Coelho tenha um ataque de bom senso e nos ponha a viver em duodécimos na esperança que o PR venha a dissolver a AR quando puder e que as pessoas percebem que Pinto de Sousa nunca mais.

     

    Esperança estúpida? Talvez. Mas é a alternativa que resta à inevitável queda no abismo que, braços abertos, nos espera.

     

    18.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CUBA E NÓS

    O camarada Castro, cinquenta anos passados sobre a revolução de que foi autor e que, dizendo libertá-los, escravizou os cubanos, descobriu que, afinal, estava tudo errado. O sistema económico falhou, a escravidão reduziu o povo à fome e ao atraso, numa palavra, o socialismo teve, em Cuba, o mesmo resultado que se verificou em todos os países que a ele foram submetidos.

    Esta serôdia auto-crítica, se feita com sinceridade, deveria levar o camarada Castro pelo menos à auto-flagelação ou, mais logicamente, ao suicídio. Em alternativa, cinquenta anos a impor um sistema e chegar à conclusão que o sistema imposto é, como a humanidade quase inteira já percebeu há que tempos, uma inenarrável e criminosa trampa económica, social e política, deve, ou devia, ser motivo suficiente para ser condenado a prisão perpétua no Tribunal de Haia, se houvesse justiça internacional, ou se o juiz Garzon fosse isento.

    Quantos morreram por causa do regime castrista, quantos passaram, sem culpa nem julgamento, boa parte da sua vida nas prisões comunistas do Castro, quantos foram torturados, estropiados, maltratados à ordem do canalha? Como explicar que, como por toda a parte onde esta gente imperou ou impera, milhares de milhões de pessoas tenham sido assassinadas, reduzidas à miséria, à falta dos mais elementares benefícios da civilização, à carência alimentar, à vergonha de assistir impotentes aos privilégios das gentes do partido, à vilania de ver as suas filhas vendidas aos estrangeiros nas praias e nos hotéis, à desonra de andar a vender-se por uns dólares – a moeda do “inimigo” – para obter as coisas mais insignificantes e comezinhas?

    A explicação é só uma: o socialismo, cujo resultado nunca foi outro.

     

    A política tem, às vezes, um carácter quase bíblico. Castro é louvado, qual filho pródigo, pela malta da política. Em vez de condenado, é elogiado. Mais vale tarde que nunca. É como se o Hitler e o Estaline ressuscitassem e dissessem que, afinal, se tinham enganado: perdoar-se-lhes-ia os crimes? Pois com Fidel, parece que sim.

     

    O mano Raul já andava há tempos a dar grandes benesses ao povo. Tinha, até, autorizado as massas a comprar torradeiras e micro-ondas. Agora, animado pelas palavras do chefe, tratou de pôr na rua 500.000 funcionários públicos. Que se desenrasquem. Que abram tascas e lojas de telemóveis, bordéis e sex-shops, o que lhes apetecer desde que deixem de andar pendurados no Estado!

     

    Bons exemplos para nós. Quando, a breve prazo, deixarmos de ter dinheiro para torradeiras e micro-ondas, a solução será parecida. 500.000 funcionários para a rua talvez seja demais. Uns 450.000… quem sabe?

     

    Entretanto, imagine-se, há quem diga que o camarada Kim Jong Il, já abriu umas frestas.

    A ser verdade, dentro de pouco tempo só em Portugal haverá lugar a Jerónimos e a Louças, ou a partidos socialistas ultra-reaccionários como o nosso, que proclama não mexer em nada que nos possa safar da miserável enrascada em que nos meteu com o seu socialismo de pacotilha, feito de promessas falsas (como as do Castro) de ruína financeira (como a do Castro) de estagnação económica (como a do Castro), ainda que, reconheçamos, com uma tal dose de demagogia e de capacidade para a mentira, que consegue almejar os mesmos resultados do Castro sem precisar de acabar com a democracia, antes transformando-a na mais profunda aldrabofonocracia de que há memória e fundando-a na ignorância de um povo ingénuo, crédulo e desinformado.      

            

    17.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A MENTALISTA

    Dona Helena Roseta, subitamente alcandorada à posição de presidente da Câmara de Lisboa – o Costa e o Salgado foram passear para a China! –  resolveu embargar uma obra de modernização de um estabelecimento com a desculpa de que o edifício em que se encontra é capaz de vir a ser classificado “de interesse municipal”.

    Estamos assim perante um não regulamento, uma não ordem, uma não classificação, perante efeitos sem causa. Ou abre-se-nos, deslumbrante, a visão inédita da aplicação retroactiva, não de normas, mas dos pensamentos da senhora vereadora/presidente em exercício, que, qual médium, aplica no presente as normas que pensa poderem vir a estar em vigor no futuro.

    Ficamos a saber que não têm as pernas cortadas só aqueles proprietários que tiveram a desgraça de ver os seus bens classificados, sabe Deus com que critérios, pela distinta e veneranda CML. Em igualdade na desgraça estão aqueles que a dona Roseta acha, na sua privilegiada cabecinha, que podem, um dia que lhe dê na gana, vir a ser objecto dos ditames da zelosa câmara.

    Vasco Gonçalves e Otelo não fariam melhor.

     

    Já agora, o IRRITADO recomenda aos leitores que, se tiverem pachorra, se debrucem sobre o PDM da cidade e façam uma visita a meia dúzia de edifícios que foram objecto do “interesse municipal”. Verão onde podem levar os “critérios” de furiosos burocratas à solta.

    Recomenda também que se dirijam à poderosa CML e perguntem o que quer dizer, em termos reais, a classificação de “interesse municipal”. Aposto que ninguém o saberá dizer. Ninguém, ainda menos a câmara, sabe ao certo quais as consequências práticas de tal classificação.

    No entanto, quem quiser “mexer” num dos tais e tão interessantes imóveis, terá uma alcateia de “técnicos” à perna, e chegará à conclusão que o melhor é ficar quietinho, porque, se mexe muito, ainda lhe vão ao bolso, em vez de o compensarem pelas limitações que lhe impõem, por absurdas e idiotas que sejam.

    Em alternativa, façam as obras à sorrelfa, que é, comprovadamente, a melhor maneira de fazer obras em Portugal. Os tipos do Corte Inglês que o digam.

     

    16.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VERBORREIAS

    Há largos anos, era o doutor Jorge Miranda assistente na FDL, sendo professor da cadeira André Gonçalves Pereira.

    À altura, as provas orais eram presididas por um juiz conselheiro que, a maior parte das vezes, tinha que fazer hercúleos esforços para se manter acordado.

    Miranda interrogava um aluno. A certa altura, apercebeu-se que o examinando não sabia a data da revolução francesa, ou a data em qua é comemorada. Deu uma descasca de morte ao rapaz. Que parecia impossível não saber tal coisa, que uma ignorância de tal ordem não era própria de um estudante de direito, que isto e que aquilo, e aí vai uma interminável lição de história, com o conselheiro a dormitar e Gonçalves Pereira quase na mesma.

    A finalizar a descompostura, Miranda declarou solenemente:

    – Pois fique sabendo que a data do início da revolução francesa é 14 de Julho de 1789!

    Gonçalves Pereira descerrou uma pálpebra e acrescentou:

    – À tarde!

     

    Vem esta história a propósito do prolixo e repetitivo raspanete que o Professor Miranda deu ao PSD por causa da proposta de revisão constitucional. Que não se faz, em vésperas de eçleições presidenciais, que não está certo vir do partido em vez de vir dos deputados, que não há direito que se altere a “razão atendível” para “razão legalmente atendível”, e patati e patata, etc. e tal.

    Como se alguém quisesse, ou pudesse, impor que a revisão se faça antes das presidenciais. Como se o Presidente a eleger, ao jurar a Constituição, não estivesse a jurar que aceitava as suas alterações, desde que feitas nos seus termos. Como se o Professor Miranda não tivesse congeminado as alterações que propôs em 1982 e que veio a defender em nome da defunta ASDI, comandando os três ou quatro deputados que a organização tinha. Como se, ao fim de cinquenta anos de vida académica, ainda não tivesse percebido que o imobilismo laboral é fonte das maiores injustiças e motivo de desemprego e de desgraça.

     

    O IRRITADO não foi dotado pela natureza com a superior inteligência de André Gonçalves Pereira, ainda menos com o seu requintado quão brutal sentido de humor.

    Mas apetecia-lhe imaginar qualquer coisa como o “à tarde” do ilustre professor, a fim de calar a prosápia catequista do doutor Miranda. 

     

    14.9.10

     

    António Borges de Carvalho

     

  • O ESTADO DO ESTADO

     

    Há coisas que nem o mais esperto consegue perceber.

     

    Um bom exemplo desta asserção é o que se tem passado com a sociedade em geral e com a classe política em particular relativamente às últimas asneiradas do PGR.

     

    O Dr. Pinto Monteiro está “no poder” há mais de dois anos. Após as mais diversas atrapalhações e maluquices, depois de ter queimado o que não lhe interessava mas que a nação tinha o sagrado direito de saber, depois de se ter, publicamente, zangado com estes e com aqueles dos seus colegas e subordinados, depois de trapalhices só comparáveis, desde que tenho memória, às do seu protegido Pinto de Sousa, subitamente descobriu que a culpa de tudo é nem mais nem menos que da falta de poder que a Lei lhe outorga. Para provar a justeza da sua opinião, decidiu comparar-se a S.M. a Rainha de Inglaterra, assim mostrando que, além de estúpido, é carroceiro.

    Ó espanto, isto não é o pior. O pior é que a classe política, tanto a que o quer ver na rua como a que lhe paga a protecção, se pôs a pensar nos tais poderes que o homem tem a menos. Ao ponto de lhe permitir pronunciar-se sobre a “reforma” que deseja, e dar a melhor atenção às suas opiniões.

    Depois, ou antes, já não sei, para dar mais “sal” à questão, o CSMP desatou a doutrinar sobre o mesmo assunto, alegando, evidentemente, o contrário do que o homem opina.

    Não ficamos por aqui. Desgraça das desgraças, a classe política, em vez de mandar calar um e outros, mais que não fosse ignorando as opiniões expendidas e relegando o assunto para tempo e lugar próprios, dá atenção a mais este brutal descrédito de instituições que se digladiam na praça pública, como se de peixeiras se tratasse.

     

    O Estado “de direito” segue, assim, o mesmo caminho do Estado “social”: a ruína.

    O Presidente assobia para o ar, o PM acha muito bem, a oposição anda a pensar na revolução socialista, passeia nas feiras de roupa falsificada, entretem-se em avanços e recuos sobre questões fundamentais.

     

    O PGR, afinal, é o PGR que esta gente merece.        

     

    13.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • LITERATICES VAGINAIS

    Num (péssimo) almoço no “Madeirense” das Amoreiras, já há uns anos, dizia-me o António Lobo Antunes que isto de vender livros tem mais a ver com os públicos que os compram que com o seu conteúdo, a sua qualidade, o que neles se escreve ou o que se quer dizer com eles.

    Para ilustrar a asserção, exemplificou consigo mesmo e com uma “rapariga” que vende que se farta. Os livros dela e os dele nada, absolutamente nada, têm a ver uns com os outros, ainda que ambos se vendam bem.

    Eu, que não sabia quem era a tal rapariga, não disse nada por vergonha de mostrar ignorância em relação a um tal êxito literário.

     

    É claro que assim saí do “Madeirense” fui a correr à livraria e comprei um livro da “rapariga”. Queria resolver o mistério. Li-o de ponta à ponta com muito interesse. Da leitura tirei três conclusões, a) o êxito da obra era compreensível, b) o António tinha razão e c) nunca mais gastaria um chavo nem um minuto com a literatura da pequena.

     

    Anos passados, apareceu o jornal “Sol”. A tal rapariga tem duas colunas em página ímpar todas as semanas. Pelos títulos, percebe-se que se trata de variegadas lucubrações sexo-sociais mais ou menos primitivas, produzidas por quem não deve pensar noutra coisa.

    Costumo passar adiante. Esta semana, excitou-me o lead da coisa, a saber: O sexo oral de homem para mulher também requer rodagem, treino e alguns truques. E precisa de abertura cultural para ser praticado.

    O lead, como se pode compreender, dispensa a leitura do texto. Ficamos a perceber que aquilo a que tantos nomes se chama – não estou contra – não passa, afinal, de uma questão de cultura. E de abertura, por supuesto.

    Além disso, quem quiser fazer a coisa como deve ser terá, antes de mais, que a praticar com afinco e galhardia, a fim de ter uma rodagem apropriada, feita de aturado e adequado treino. Depois, deverá familiarizar-se com alguns truques, sendo, neste aspecto, de pedir conselho a quem sabe tudo e mais alguma coisa a tal respeito. Será de consultar a rapariga.

     

    O IRRITADO recomenda vivamente à senhora ministra da educação que integre uma sebenta da autoria da pequena no currículo da nova disciplina de educação sexual, indispensável acréscimo de “cultura” muito do agrado do senhor Pinto de Sousa em particular e do socialismo em geral.        

     

    13.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • APONTAMENTOS DO DIA

    1.PATRIOTISMO

    O distinto sindicato dos polícias anunciou uma greve para os dias da cimeira da NATO em Novembro. Atitude que muito honra a classe, como é fácil de perceber.

     

    2. ACTUALIZAÇÕES E ESTIMATIVAS

    Através do ministro que se cospe de boca à banda, o governo anunciou que a história das portagens não andarem nem para a frente nem para trás nem antes pelo contrário, não se deve à incompetência nem à irresponsabilidade, nem às aldrabices do governo. Nada disso. Em manifestação de inusitada honestidade, o excelente rapaz nem sequer pôs as culpas para o PSD. A razão do octogésimo sétimo atraso da coisa deve-se a uma “actualização de informação”. E, ainda mais claro, disse que o inenarrável ministro das obras públicas tinha feito uma “estimativa”, dizendo que, se calhar, a coisa ia ficar resolvida no próximo conselho de ministros. Era só “estimativa”.

     

    3.ABAIXO O LATIFÚNDIO

    Na ridente pátria do amigo Chávez há um português, por certo um malandro, um capitalista selvagem, um poderoso sem escrúpulos, um explorador do povo, que entrou em greve da fome. Diz ele que o governo do amigo Chávez lhe vai expropriar um latifúndio de 2 hectares (2 hectares!) de que se apropriou nos termos da lei em vigor antes do advento do bolivarianismo, ou seja, por compra. Acresce que o tal português tem a funcionar no latifúndio uma oficina de serralharia, a qual, dada a sua dimensão – consta que tem nada menos que 5 empregados! – também está na calha para a expropriação. Segundo as últimas informações que chegaram ao conhecimento dos serviços do IRRITADO, o irmão ideológico que o amigo Chávez tem no MNE vai mandar um pack de garrafas de água do luso para evitar a desidratação do nosso tenebroso concidadão.

     

    4. DIREITOS SOCIAIS

    A maralha lá das franças desceu à rua, diz-se que aos milhões. Com a maior indignação, a maralha protestou contra a intenção do governo de subir a idade de reforma dos 60 para os 62 anos. Medida que não pode deixar de ser classificada como esclavagista. Não é?

     

    5. ALTO SÁBIO

    Segundo titula o DN, o camarada Louça vai estar “em debate com um Nobel”. Lendo esta gorda informação, proveniente, como é óbvio, dos serviços do Bloco de Esquerda, fica o respeitável público a julgar que o homem vai debater o futuro da humanidade, na CNN, na BBC, ou coisa que o valha, com um tipo que ganhou um prémio Nobel, coisa desclassificada desde a história do Saramago mas, mesmo assim, digna de nota. Lida a notícia, porém, ficamos a saber que o camarada Louça vai passear a Budapeste, onde o vão deixar assistir a uma conferência com mais 349 indivíduos. Mais ficamos a saber que, em tal areópago, dirá de sua justiça um tal Stiglitz, grande guru do Dr. Mário Soares (que o adora, mesmo sem perceber patavina do que o homem diz), fulano que tem enchido o mundo de propostas mais ou menos absurdas.

     

    6. TRIBUNAIS ESPECIAIS

    Quando o IRRITADO ouviu um fulano que é secretário de estado da justiça dizer que queria criar um “tribunal do desporto”, achou que o homem (diz-se que é jurista), naquela noite, chegaria a casa e, depois de pensar duas vezes, perceberia que se tinha deixado levar pelo ódio do governo ao senhor Queiroz, e voltaria atrás. Mas não. Esqueceu tudo o que lhe terão ensinado, esqueceu o que são tribunais especiais, esqueceu que a lai é geral, esqueceu tudo aquilo que se esperaria fosse ou inesquecível ou sagrado para um jurista. Ansioso por mostrar serviço, o homem já nomeou uma comissão para tratar do assunto. O IRRITADO espera que esta comissão tenha o mesmo resultado que as montanhas de comissões estatais que por aí há: nenhum.

     

    7.A CONSCIÊNCIA DAS COISAS

    Dona Ângela Merkel vai prolongar a vida das suas centrais nucleares em cerca de 14 anos. É o que se chama visão do futuro e consciência das coisas. Dona Ângela sabe que ainda nada nem ninguém pode confiar nas energias alternativas, à excepção da hídrica, ainda que não seja despiciendo tentar desenvolvê-las e levá-las a aceitáveis condições de custo/benefício. Por cá, como somos ricos e bons rapazes, pomos o nuclear de lado e enchemos o país de moinhos de vento, os quais a malta não sabe que anda a pagar e que pagará para o resto da vida. O governo é doido e nós pagamos as doidices do governo.

     

    8. O ENSINO EM FRANCO PROGRESSO

    Solenemente, o governo anunciou uma medida de notável    alcance: vai acabar o “ensino recorrente” (no jargão desta gente trata-se de ensino para pessoas que trabalham de dia e estudam à noite), o qual obsolesceu em face da (em linguagem oficial dir-se-ia “face à”) existência das “novas oportunidades”. Trocando por miúdos, trata-se de acabar com algumas réstias de ensino chamado “à noite”, para criar uma legião de tipos ainda mais ignorantes que os “nocturnos”, mas devidamente “diplomados”. O exemplo do senhor Pinto de Sousa a dar os seus frutos.

     

    9. LIVROS PARA O POVO!

    O pessoal anda por aí à rasca a comprar livros para os filhinhos poderem andar na escola. Todos os anos há livros novos, concebidos segundo a nova reforma pedagógica ou a nona versão dos ditames da anterior. O pessoal, devidamente protegido pelo “estado social”, chegou ao estado social de não ter dinheiro para comprar os livrinhos que as editoras, generosamente aproveitando a “janela de oportunidade” oferecida pela governamental inteligência, lhe põem à disposição. Os outros, os que conseguem ir pagando, podem ter a certeza que o preço é o da livraria acrescido da taxa de IRS que vão pagar para o ano. Mais socialmente justo não pode haver. E, no próximo ano lectivo, há mais.

     

    9.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • OBRIGADINHO, Ó BALBINO!

     

    Ainda mal refeitos do miserável um a zero que levámos na Noruega, vale a pena fazer o ponto da situação.

     

    Sob a direcção do senhor Queiroz, Portugal viu-se à rasquinha para chegar à África do Sul.

    Mas chegou.

    Na África do Sul, viu-se à rasquinha para passar da primeira fase.

    Mas passou. Sem sofrer um único golo. Sem perder, apesar dos adversários fortes que lhe saíram na rifa.

    Nos oitavos, perdeu por um miserável um a zero com a equipa que com muita sorte e algum merecimento, ganhou a taça.

    Ou seja, só perdeu com o campeão do mundo, e o campeão do mundo viu-se à rasquinha para lhe ganhar.

     

    É pouco? Para a matilha dos maldizentes, que já o eram no tempo do Filipão e dos outros todos, é.

    Para quem tenha um mínimo de bom senso, é normal e razoável ficar não sei bem onde, mas entre os dezasseis melhores entre cento e muitos.

     

    Ora acontece que, durante a preparação, apresentou-se à selecção uma equipa de fulanos, pertencentes a uma “autoridade” qualquer (quantas há em Portugal?) com o nobre objectivo de verificar se os jogadores estavam drogados. Nada melhor para a moral da malta! Nada mais oportuno, mais inteligente, mais nobre, mais patriótico.

    O senhor Queiroz, diz-se, reagiu como reagiria qualquer pessoa decente e interessada no êxito da equipa. Mas, diz-se, disse uns palavrões. Como eu o compreendo! No entanto, os distintos membros da “autoridade” fizeram as suas malandrices como lhes apeteceu, sem que nada os impedisse.

     

    A matilha entrou em acção. Era preciso punir exemplarmente quem teria tido a aleivosa atitude de espernear contra a perturbação, e a provocação, que os autoritários, certamente apaniguados da matilha, lá foram fazer.

    Daí que o homem levasse um mês de suspensão, o que o impedia de “presidir” aos jogos com Chipre e com a Noruega. Já era demais, para os interesses da Selecção e do país.

     

    Para o governo, porém, era demenos. É aqui que entra em campo o Balbino. Não será Balbino, será Clementino, ou Jesuíno, ou Gurmesindo, o que se queira, que eu não sujo o post com o nome desse tipo. Um fulano gordinho, com cara de menino da mamã, cheio de poder, cheio de vontade de distrair o pessoal das manigâncias do primeiro-ministro.

    Um mês era pouco. O Balbino deu ordens à “autoridade” para carregar mais fundo em cima do Queiroz, da Selecção, de todos nós. O Balbino não é de modas: dêem-lhe seis meses, ou cinco, ou lá o que acabaram por dar.

    E depois?, ter-lhe-ão perguntado. Depois, se houver azar, a culpa é do Queiroz, terá respondido. Entretanto os media ficam ocupados com a história e deixam de chatear o chefe, terá pensado.

     

    Agara, e até ver, o Funil, ou Cabril, ou Tremoço, ou lá o que é, parece que não tem a coragem, a ombridade, a coerência, a decência, de proteger o homem que contratou e que, para além de uns palavrões, não fez mal a ninguém.

    A Selecção lá foi, penosamente, seguindo o seu pobre caminho. Uns, traíram. Aquele português feito à pressa, fugiu para o Brasil, que é a terra dele. Outro, como já está velho para ganhar contratos à custa da Selecção, ficou em Espanha a sacar o que lhe resta. Outro, que não faz falta nenhuma (lembram-se do Portugal/Grécia?), fez o mesmo. Tudo atitudes “moralizadoras”, de acordo com a putativa opinião do Balbino.

     

    O resultado está à vista. Mais uma obra, ou manobra de alto mérito que ficamos a dever ao senhor Pinto de Sousa e seu bando de tarados.

     

    7.9.10

        

    António Borges de Carvalho

     

     

    NB. O IRRITADO não conhece o senhor Queiroz de parte nenhuma, nem tem por ele mais consideração que por outro cidadão qualquer. julga-o pelos resultados, que não são maus de todo, e pronto. o que não quer dizer que não se revolte contra a miserável perseguição de que está a ser objecto.

  • AGENDA DO PRIMEIRO-MINISTRO DE TUGALHÂNDIA

     

    Os espiões internacionais por conta do IRRITADO descobriram a agenda primeiro-ministro de Tugalhândia para os próximos dias.

     

    Assim, amanhã:

     

    – Às nove, Sua Excelência deslocar-se-á a Fortes Macucos para inaugurar uma tasca, fruto da iniciativa privada e testemunho do progresso nacional, onde descerrará uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Ao meio-dia, Sua Excelência estará em Algochas de Cima, a fim de presidir à cerimónia de lançamento da primeira pedra do urinol público que, naquela risonha localidade, aliviará o povo de prementes necessidades e que é fruto de uma parceria do governo com o Grupo Xinello, o qual se compromete perante a Nação a não cobrar mais de 50 cêntimos por cada mijinha, debitando o restante à SS e à ADSE. Sua Excelência descerrará uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Às 13 horas, Sua Excelência almoçará com a Sociedade Recreativa das Velhinhas de Tretozelo, após o que descerrará uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Até às 16 horas. Sua Excelência gozará de merecido descanso no Lar dos Coveiros de Ramalhufe, onde descerrará uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Às 16,30, Sua Excelência, na qualidade de secretário-geral do PST, estará em confraternização com os militantes de Arcotrofo. Pronunciará um discurso em que sublinhará as inaugurações da manhã enquanto evidentes sinais da recuperação económica do país. A seguir, descerrará uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Pelas 18 horas, Sua Excelência visitará a exposição de bordados de ponto de cruz da Sociedade Recreativa e Dramática de Badalheira de Baixo, dignando-se descerrar uma lápide comemorativa da sua augusta presença.

    – Pelas 20 horas, o PM dará entrada no Hotel Sheraton de Portalhadas, à porta do qual haverá uma concentração de apoiantes expressamente vinda de várias províncias, algumas bem longínquas, em autocarros pullman alugados para o efeito por um benemérito anónimo, concentração a que Sua Excelência se dirigirá, a fim de sublinhar que o país vai por bom caminho, que não deve nada a ninguém e que vai oferecer 3.800 computadores Cagalhães ao camarada Chaves Bolinholo Olé. Seguir-se-á a recepção pelo director do hotel, que ofereceu as instalações a Sua Excelência e sua comitiva, seguindo-se o descerramento de uma lápide comemorativa da sua augusta passagem por aquela unidade hoteleira, fruto de uma parceria público-privada que será paga a partir de 2022.  

     

    Nota: está garantida a presença da TE, Televisão Estatal, que dedicará à histórica jornada três horas de tempo de antena, seguidas 15 minutos nos dias subsequentes. Outros órgãos de comunicação estarão igualmente representados, esperando-se, ao todo, vinte e cinco páginas na imprensa, com seis presenças na primeira página, além de sete horas de antena distribuídas por várias estações de FM, ondas longas, médias e curtas.

     

    – No dia seguinte, Sua Excelência receberá, pelas 10 da manhã, o embaixador da Lóbia, a quem agradecerá, comovido, o convite para as comemorações do aniversário da ditadura do sargento Catráfio.

    – Às 11, Sua Excelência terá uma reunião com o ministro das finanças, a fim de estudar a melhor maneira de aumentar os impostos sem aumentar os impostos, de forma a passar sem sobressaltos pelo crivo das oposições.

    – Ao meio-dia, Sua Excelência assinará, em cerimónia pública, um protocolo de cooperação com a Associação dos amigos do Islão, presidida pelo engenheiro Mânfio Borreia.

    – Depois de um almoço ligeiro com os seus colaboradores, Sua Excelência reunirá com a Associação dos Antigos Alunos da Universidade de Cracilhas, onde se doutorou quando era jovem.

    – O resto da tarde será ocupado com a preparação de um discurso em que Sua Excelência provará o evidente progresso da Nação, coisa que muito ciúme causa à oposição, e anunciará a construção de um bairro de barracas com televisão e frigorífico para as 147.500 cabras que vão tomar conta dos incêndios, assim substanciando as suas promessas eleitorais.

    – Findo o dia, Sua Excelência participará num cocktail na embaixada de Vanuatu, onde anunciará um protocolo de cooperação política com aquele país da Oceânia, destinado a explicar aos vanuatuanos a excelência do socialismo. 

     

    Os espiões do IRRITADO não puderam obter mais informações porque os seus nomes foram publicados num comunicado do ministro da defesa, com informação à Interpol.

     

    8.9.10

     

    IRRITADO

  • A TRAMPA VAI GANHAR

    Numa só folha do DN de ontem (2 páginas), podemos ler, em bold, os títulos que seguem:

     

    – Custo dos empréstimos está a sufocar as PME

    – Área agrícola perde 390 mil hectares

    – Aumentos propostos são incomportáveis

    – Mal parado das empresas em crescimento

    – Crise agravou a economia paralela

    – Valor (da economia paralela) é já o dobro do défice orçamental

     

    E, em letra pequena:

     

    – Alemanha insiste em cortar a despesa

    – Mundo recupera mas lentamente

     

    Ou seja:

     

    Em Portugal, as desgraças são em catadupas. Se mais jornais citássemos, mais haveria a citar. Respondendo-lhes, em seis meses o governo aumenta a despesa anual em 5%.

    Na Alemanha, apesar do crescimento económico ser o maior da zona euro, o governo “insiste em cortar a despesa”.

    No mundo, a recuperação é fraca, mas acontece.

     

    Em Portugal, num comício organizado à moda do Estado Novo, com “autocarros para o povo”, etc., o chefe do governo faz um discurso tresloucado (parecia o Vasco Gonçalves, só lhe faltou atirar cravos às massas) a anunciar as mais rebuscadas balelas, como se tivesse dinheiro para as pagar, as promessas mais idiotas, como se fizesse tenções de as cumprir, os mais tremendas piruetas, a dizer que é óptimo hoje o que condenava há seis meses, num indescritível espernear esquerdóide e balofo.

    Na Alemanha, o Ministro das Finanças a firma que “temos uma montanha de dívida e seria irresponsável agravá-la”. Atente-se que a dívida pública alemã é, sobretudo, interna.

    Em Portugal, onde a poupança interna foi destruída pelo governo, a dívida é externa. É uma cordilheira, não uma montanha. Respondendo, o governo endivida o país em milhões todos os dias, e, num súbito e oportunista ataque de esquerdofilia, resolve fazer as mais idiotas promessas “sociais”.

    No nosso mundo, o ridículo de um país que não é capaz de se livrar da ditadura da incompetência e da demagogia, é motivo de patéticas gargalhadas.

     

    De que está o PR à espera para acabar com isto (faltam 2 dias!) é coisa que não cabe na cabeça de ninguém. Porque anda o senhor Passos Coelho a dizer que talvez deixe passar o orçamento, é coisa a que, sem exagero, se pode chamar irresponsabilidade.

     

    De uma coisa parece que podemos estar tristemente certos: a trampa vai ganhar.

     

    7.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VUVUZELAS

     

    Desiludam-se os amantes da bola. Não vou falar de futebol.

    Se titulo vuvuzelas é porque uma obscura coisa que se auto-denomina MUP – Mobilização e Unidade dos Professores (cheira a PC que tresanda) está a planear uma manifestação de protesto contra a precariedade, em que o argumentário se consubstanciará no uso de vuvuzelas.

     

    Ponhamos de lado as insuportáveis cornetas e vejamos o que subjaz ao protesto: a precariedade.

     

    Há quem diga que o IRRITADO tem a mania de ser contra tudo e mais alguma coisa. Não é o caso. O IRRITADO, ao contrário do MUP, é a favor da precariedade. Como já tem dito, acha que um emprego é um passo na vida ou na carreira de cada um, não uma sinecura indestrutível. A chamada garantia do emprego, entendida como o é nesta pobre terra, não passa de (mais) um elemento de paralisia social e económica. Um tipo com emprego garantido para a vida é levado a perder o sentido da responsabilidade, a ambição pessoal, o brio profissional, o interesse pelo seu próprio progresso, coisa que passa a medir em termos de aumentos salariais, não de melhores e mais exigentes funções, e em diuturnidades de vária ordem, não em pró-actividade laboral. O desafio da vida passa-lhe ao lado.

    Ao fim de décadas de “estabilidade”, eis onde chegámos: às vuvuzelas.

     

    Segundo o INE, citado nos jornais, mais de 47% dos portugueses (2,4 milhões) tem o mesmo emprego há mais de 10 anos, divididos por 24% há 20 anos ou mais, 9% entre 15 e 19 anos, 14% entre 10 e 14 anos.

    Estes números dão-nos uma noção clara da hedionda paralisia laboral em que o país soçobra, vítima da “segurança”, do “estado social”, do socialismo. Se procurarmos razões para a falta de produtividade, aqui temos uma delas. A tal “segurança” criou uma sociedade de desmotivados, de encostados, de vítimas de um sistema que se pretendia salvífico, levadas a encostar-se a vírgulas e invejas, não a procurar valorizar-se.

    O sistema tem consequências outras, tão graves como esta, bem expressas na rolha que impede o emprego jovem, na estagnação económica, na mediocridade dos salários, no desemprego galopante.   

     

    Quando vemos as “lutas” contra a precariedade, com tanta gente a bramar, com tantos partidos a bolsar teorias num mar de vuvuzelas ideológicas, percebemos até que ponto o socialismo (de direita e de esquerda) criou “o homem novo”: o que acha que tudo lhe é devido e nada lhe é exigível, nem por si próprio.

    Não há uma única “luta” que o seja pela dignidade do trabalho, pela produtividade, pela justiça, pela previsibilidade das consequências do marasmo, pelo estímulo, pela lógica das coisas, pela cooperação dentro das empresas, por nada do que pode encaminhar-nos, numa geração que seja, para coisa diferente, mais estimulante, mais responsável, mais estável, mais virada para a vida, que não é coisa fácil, mas pode ser feliz.

     

    Esperança? Praticamente nenhuma. Talvez aconteça alguma coisa (o FMI, a revolta dos mais novos, sei lá) que sacuda os portugueses, que sacuda os partidos políticos, que abra alguma luz, que faça nascer um futuro outro que não o que, cobardemente, a minha geração e a dos que lhe sucederam andam a preparar.

     

    5.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • MANIPULAÇÕES DE ENCOMENDA

    Aquele tipo de olhos esbugalhados que, em tempos, foi director do jornal privado chamado “Público”, informal protector do PS em geral e do senhor Pinto de Sousa em particular tem, no “Sol” um notável lead, a saber:

     

    Dizer que ao PS cabe governar e só ele deve assumir a iniciativa política do OE – limitando-se os demais a observar, a contestar e a votar – significa o triunfo da gesticulação irresponsável e demagógica. Esperemos que a memória dos eleitores não seja curta.

     

    Conviria que o extraordinário (profissional bem pago) comentador tivesse, ele, alguma memória, a fim de não dizer em tão poucas palavras um tão grande chorrilho de asneiras.

    Se tivesse memória lembrar-se-ia, por exemplo, que nas últimas eleições os tais eleitores deram ao país e ao PS a oportunidade de formar pelo menos três coligações maioritárias (PS/PC/BE, PS/PSD e PS/CDS), com isto dizendo, evidentemente, que não queriam ser governados só pelo PS.

    Recordaria outrossim que o senhor Pinto de Sousa, logo a seguir a tais eleições, lançou uma palhaçada monumental para convencer as pessoas que estava a “negociar”, sem que nada tivesse querido negociar e preferindo assumir o poder sozinho.

    Recordaria que, apesar de acusar terceiros de “não apresentar propostas”, o PS chumbou liminarmente todas as propostas dos tais terceiros.

    Vir-lhe-ia à memória que, quando não teve outro remédio, o governo acabou por fazer, ou quere fazer sem que para tal tivesse competência (o caso SCUTS, por exemplo) o que terceiros recomendavam, tendo o cuidado de aldrabar as pessoas dizendo que se tratava de ideias suas.

    No que ao Orçamento diz respeito, se a esbugalhada criatura não retorcesse a memória, reconheceria o que o PSD, com a maior das clarezas, anda a dizer há semanas: que, se não houver aumento de impostos, às claras ou disfarçados, e houver ideias claras quanto à redução da despesa pública, o orçamento passará.  

    Se não retorcesse a memória, não diria que compete a terceiros pensar na solução dos problemas criados pelo governo, o mais solipsista dos governos que Portugal conheceu desde os tempos do Doutor Oliveira Salazar.

    Se não fosse um colaborador assíduo desta gente, lembrar-se-ia que o orçamento de 2010, em termos de despesa, em meio ano, já ultrapassou em 5% o que tinha previsto, legislado e prometido.

     

    Se não fosse um colaborador assíduo desta gente, lembrar-se-ia do que os impostos aumentaram para sustentar uma parte de tais despesas, ainda que sem chegar senão para uma parte ínfima delas.

     

    É de esperar que os eleitores não tenham a memória tão curta como a dele, nem entrem no seu jogo – e no do senhor Pinto de Sousa – jogo que consiste, exclusivamente, em tudo fazer para “o triunfo da gesticulação irresponsável e demagógica”.

     

    4.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • FALTAM SETE DIAS

     

    Evitar a crise (política) é preocupação maior de uma data de “pensadores” da nossa praça.

    Ainda não perceberam, coitados, que não evitam coisa nenhuma. A crise política está aí, queiram ou não queiram, metam ou não metam a cabeça na areia. A simples existência do senhor Pinto de Sousa é crise bastante. Vivemos nela há anos, e dela não sairemos enquanto formos governados por este pândego palavroso e desonesto.

     

    Esgrime-se com a necessidade do orçamento, indispensável coisa para evitar o desprestígio internacional e o agravamento da “confiança”, da “credibilidade externa”, etc.

    Pura patacoada. A “confiança” cada dia é menor. A “credibilidade externa” há muito não existe: disso, não faltam concludentes sinais. Os líderes europeus acham que o senhor Pinto de Sousa é um pantomineiro ridículo e incompetente.

    Correr com ele, isso sim, seria uma fonte de credibilidade para Portugal, para o Presidente da República, para os partidos políticos, para os portugueses. A “confiança”, essa, poderia, assim, renascer das cinzas em que se encontra e que já nem fumegam.

     

    Mas os pensadores aí estão, a escarafunchar na cabeça de cada um. Não entendem que o fundamental para Portugal, neste momento, é sair do pútrido pântano em que o senhor Pinto de Sousa o meteu, à custa de demagogia barata e de muitos milhões.

    O Presidente da República veio em socorro do homem, não porque goste dele, mas porque acha que perde votos se não o fizer. A Nação inteira paga hoje e pagará mais amanhã, para satisfação das ambições individuais do Prof. Cavaco.

    Marcelo, guru das intrigas, prenhe de inveja, quer evitar a todo o custo que Passos Coelho consiga o que ele nunca foi capaz de conseguir. Avisa: “os portugueses vão punir quem abrir a crise política”. Quer ele dizer: dêem tempo a Passos Coelho para se desgastar, a fim de, como eu, não chegar a parte nenhuma.

    O senhor Correia, porta-voz dos interesses islâmicos em Portugal, vai pelo mesmo caminho. E se Passos Coelho não for tão sensível à amizade do Càdáfi como o Pinto de Sousa?

    Por diapasões deste género, como seria de esperar, alinha uma data de pensadores, sobretudo os que dependem ou julgam que dependem do senhor Pinto de Sousa.

     

    Faltam sete dias.

    Haja alguém que “ilumine” a cabeça egoísta do Presidente e o faça perceber que tem sete dias para dar algum sentido patriótico ao seu mandato.

    Como disse a Dona Manuela, muito mais mal nos vem se esta gente continuar a arruinar-nos do que se vivermos uns meses com duodécimos…         

     

    2.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA CONSPIRAÇÃO ÀS CLARAS

    Como já foi dito noutros textos, o “caso Queiroz” funciona como um brinde para o governo.

    É o governo que o “empurra”, sedento de distrair as pessoas do que, na verdade, lhes interessa. E fá-lo com plena consciência do que está em causa: a manutenção do prestígio do país em termos futebolísticos, uma das raríssimas áreas onde tal coisa ainda existe.

     

    Dirão que estou a imaginar culpas para o governo. Nem por sombras.

    Senão vejamos:

    O senhor Queiroz foi punido pela Federação por ter dito umas coisas menos simpáticas, voire ordinárias, a uns tipos do governo que foram chatear os rapazes com mijinhas em plena preparação para o campeonato do mundo.

    Durante o processo, várias vezes ouvimos um rapazola gorducho, de melena para a testa, membro do governo que temos, proferindo aleivosias, encapotadas ou não, contra o senhor Queiroz. Era mais que evidente que a “entidade”, ou “autoridade”, ou “alto comissariado” das mijinhas (uma entre as centenas de coisas destas que o socialismo tem gerado) estava a ser empurrada pelo governo para exercer as suas “competências”, isto é, para lixar o mais possível o bode expiatório que o governo elegeu para ocupar as primeiras páginas, em benefício próprio.

    A “autoridade”, ou coisa que o valha, não foi de modas. Encorajada pelo melenas, pimba!, arrefinfa 6 meses ao bode. Com duas interessantes particularidades, de um ponto de vista jurídico: não ouviu o arguido e “julgou-o” pela segunda vez pelo mesmo “crime”!!!

    Fica provado que, quando se trata da vontade do governo, os princípios fundamentais e elementares do direito, os direitos das pessoas, o respeito pela lei, tudo é letra morta. Vale a vontade destes bocassazinhos de pacotilha.

     

    Agora, a Selecção não tem treinador, em plena fase de apuramento para o “europeu”.

     

    Agora, não há uma alma caridosa que demita essa gente que faz “julgamentos suplementares” e sem ouvir o “réu”.

     

    Agora, cúmulo da bestialidade governativa, vem um membro do governo (um jurista!) vem propor a criação de um “Tribunal Especial” para o desporto.

    Tribunais especiais? Onde é que eu já ouvi falar disto? Onde é que eu já vi disto?

            

    Agora, o ilustre islamófilo Correia vem propor que se transforme a FPF em entidade pública!

     

    Onde é que eu ouvi falar na “libertação da sociedade civil”?

    Foi cá, eu sei que foi cá.

    Infelizmente, fico também a saber que ninguém sabe o que isso é.

     

    2.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • AS CORTINAS DE FUMO

     

    Com a prestimosa colaboração dos chamados órgãos de comunicação social, adensam-se as cortinas de fumo que escondem as obras do senhor Pinto de Sousa.

    Ele são os incêndios – cortina de fumo propriamente dita – que ocupam muito mais tempo informativo do que deviam.

    Ele é a dona Rosalina, coitadinha, que acordou ao fim de nove meses na morgue, para ocupar o pessoal. Ainda por cima, o mais “chateado” com a coisa é um tipo do PSD. Sopa no mel!

    Ele é o caso Queiroz, meticulosamente empolado pelo governo, a fim de esconder os malefícios do chefe.

     

    Escondido o que “não interessa” por estas contínuas fumaradas, o primeiro-ministro desdobra-se em cerimónias de propaganda, primeiras pedras, inaugurações de coisas que nem um secretário de estado mereciam. Lá estão os jornais, sobretudo os telejornais, para ampliar à saciedade estas ninharias, tão dignas de um ditador africano quanto duvidosas num PM que se diz europeu.   

     

    Atrás do fumo negro da vilania informativa fica tudo o que interessa à nossa vidinha: os gastos malucos do poder, o desemprego, a estagnação, as barracas das SCUTS, as inúmeras malfeitorias do primeiro-ministro, as bocas ordinárias do Vitalino, do manhoso porta-voz, do Silva, do tipo que rouba gravadores, do Pereira, do rapazola com a boca à banda, daquele díscolo verbal de Viseu… da vasta plêiade de obscuros cidadãos que o primeiro-ministro foi buscar aos arquivos do partido para seu serviço pessoal.

     

    E o Presidente da República? Que faz ele? Alinha.

     

    2.9.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O MUNDO PINTODESOUSIANO

    Inúmeras e abalizadas vozes repetem por aí que Sua Excelência o primeiro-ministro “anda na Lua”, “não vive neste mundo”, “se move numa fantasia”, “não reconhece os problemas”, etc.

     

    Nada mais falso. O senhor Pinto de Sousa sabe muito bem qual é a realidade, quais são os problemas, quais os riscos. Sabe muito bem que quem tem razão é o Medina Carreira, o Ernâni Lopes e quejandos. Sabe tudo, melhor que nós. Não anda na Lua, vive neste mundo, etc.

    Só que falar do mundo como ele é, ou no país como ele está, é coisa que não lhe convém. O senhor Pinto de Sousa não governa, nunca governou, para outra coisa que não seja ele próprio, a sua ambição, o seu orgulho, as suas vitórias. O país é uma coisa que ele tem que “ter na mão” à custa seja lá do que for. Assim, aprendeu a passar entre os pingos de chuva sem se molhar. Jamais reconheceu publicamente a existência da realidade, embora a conheça. A realidade não é coisa que lhe convenha, a não ser que a consiga manipular em seu favor.

     

    O senhor Pinto de Sousa “cria” um mundo, que ele sabe não existir, mas que é “vendável”. Quanto mais compradores houver, mais hipóteses tem ele de continuar no poleiro. É isso, para ele, a “estabilidade governativa”, a “governabilidade” e outros chavões em que o Prof. Cavaco embarca com deleite.

     

    O futuro não interessa, o que interessa é ir manipulando o presente. Na certeza que, na cabecinha privilegiada do senhor Pinto de Sousa, quando o futuro nos cair em cima a quatro patas, haverá sempre um culpado. Outro que não ele.

     

    30.8.10

     

    António Borges de Carvalho