IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VERBORREIAS

Há largos anos, era o doutor Jorge Miranda assistente na FDL, sendo professor da cadeira André Gonçalves Pereira.

À altura, as provas orais eram presididas por um juiz conselheiro que, a maior parte das vezes, tinha que fazer hercúleos esforços para se manter acordado.

Miranda interrogava um aluno. A certa altura, apercebeu-se que o examinando não sabia a data da revolução francesa, ou a data em qua é comemorada. Deu uma descasca de morte ao rapaz. Que parecia impossível não saber tal coisa, que uma ignorância de tal ordem não era própria de um estudante de direito, que isto e que aquilo, e aí vai uma interminável lição de história, com o conselheiro a dormitar e Gonçalves Pereira quase na mesma.

A finalizar a descompostura, Miranda declarou solenemente:

– Pois fique sabendo que a data do início da revolução francesa é 14 de Julho de 1789!

Gonçalves Pereira descerrou uma pálpebra e acrescentou:

– À tarde!

 

Vem esta história a propósito do prolixo e repetitivo raspanete que o Professor Miranda deu ao PSD por causa da proposta de revisão constitucional. Que não se faz, em vésperas de eçleições presidenciais, que não está certo vir do partido em vez de vir dos deputados, que não há direito que se altere a “razão atendível” para “razão legalmente atendível”, e patati e patata, etc. e tal.

Como se alguém quisesse, ou pudesse, impor que a revisão se faça antes das presidenciais. Como se o Presidente a eleger, ao jurar a Constituição, não estivesse a jurar que aceitava as suas alterações, desde que feitas nos seus termos. Como se o Professor Miranda não tivesse congeminado as alterações que propôs em 1982 e que veio a defender em nome da defunta ASDI, comandando os três ou quatro deputados que a organização tinha. Como se, ao fim de cinquenta anos de vida académica, ainda não tivesse percebido que o imobilismo laboral é fonte das maiores injustiças e motivo de desemprego e de desgraça.

 

O IRRITADO não foi dotado pela natureza com a superior inteligência de André Gonçalves Pereira, ainda menos com o seu requintado quão brutal sentido de humor.

Mas apetecia-lhe imaginar qualquer coisa como o “à tarde” do ilustre professor, a fim de calar a prosápia catequista do doutor Miranda. 

 

14.9.10

 

António Borges de Carvalho

 



7 respostas a “VERBORREIAS”

  1. in Portugal dos Pequeninos:”…Passos deu à costa com um tema perfeitamente escusado, mal explicado e sem o menor interesse. Depois do calçadão, a revisão como evento para consumo de meia dúzia de alucinados e do tradicional cortejo de comentadores “especializados” – é demasiada inutilidade em tão pouco tempo. Guterres, com aquele frasear que o afamou, dizia que nunca havia uma segunda oportunidade para criar uma primeira boa impressão. Passos já vai na terceira ou na quarta oportunidade e ainda não conseguiu uma primeira boa impressão fora as que duraram três dias nos jornais. Palpita-me que tem um lindo futuro atrás dele.”

    1. gostei sobretudo da frase: Palpita-me que tem um lindo futuro atrás dele

      1. Sem dúvida, ATRÁS dele: ex-ministro de Pinto Balsemão, por MERA COINCIDÊNCIA, do PSD. Professor, ministro, hoje administrador de várias empresas de sucesso, e administrador (não executivo) da Fundação Calouste Gulbenkian. Cheira-me – é só um palpite – que o brilhantismo do Sr. André Gonçalves Pereira, não foi inteiramente desperdiçado. Cheira-me que terá sido, e será ainda, muito bem remunerado: com uns cobres muito valentes. Hajam cobres, e valentia, para remunerar tanto brilhantismo.

        1. Para sua informação, nunca tive inveja dos homens de sucesso, sobretudo dos que o tiveram sem andar pendurados no Estado.Da inteligência, e do sentido de humor, também não tenho inveja, embora gostasse de ter tais dons em melhor qualidade.Acrescento que a passagem de AGP pelo MNE foi muito positiva, e até contribuiu para acabar com muita coisa inútil e cara que por lá havia, herdada do soarismo.Além disso, não aproveitou do MNE para progredir na vida, até porque não precisava disso para nada. Na minha opinião, foi pena que se não tivesse dedicado mais à coisa pública. É tudo.É tudo.

          1. Em boa verdade, não conheço o cavalheiro em causa (André Gonçalves Pereira), excepto o que dele li após o seu post, logo não tenho a presunção de saber avaliar o seu mérito pessoal e profissional. Admito que o meu comentário foi uma provocação, sem grandes pernas para andar. Teria de saber mais sobre o amigo André Pereira, para rebater (caso fosse capaz) os seus argumentos. Não sei porquê, o amigo Pereira recordou-me o amigo Almerindo Marques, o amigo Paulo Teixeira Pinto, enfim: pessoas incomparáveis. Direi apenas, que a INVEJA é um pecado tão comum, como o seu oposto: a genuflexão perante qualquer MAMÃO bem sucedido, sobretudo da nossa área política – no caso, a do Irritado – como se o sucesso certificasse o mérito de quem o tem. Todos sabemos que não é sempre assim: aliás, em Portugal, geralmente NÃO É assim. Não duvido do Irritado, que sinceramente me parece uma pessoa correcta e vertical, quando elogia fulano ou beltrano – acredito que não o faça de ânimo leve, mas em coerência com os seus valores, inteligência, e experiência. Duvido sim, da sua independência ideológica e partidária – parece que tende sempre para certo lado (o direito), como certos carros. Não estou a dizer que a minha direcção seja a correcta: saio frequentemente da estrada, digo os maiores disparates. Mas o Irritado conduz alegremente na berma direita, e já ninguém o tira de lá. Estarei enganado? Cumprimentos.

          2. Obrigado. Bom comentário.Se é verdade que anda por aí uma multidão de tipos que se “fizeram” por via política, também é verdade que, muitas vezes, tendemos a exceder-nos nas generalizações. Por exemplo, no caso do Almerindo, deixe-me vir em defesa do homem, que não conheço de parte nenhuma, mas cujo percurso fui seguindo como cidadão. O Almerindo era conhecido como economista de mérito, tendo feito carreira em várias empresas privadas. É certo que foi secretário de estado (por pouco tempo, se a memória me não falha) num governo socialista. Aliás, é tido como simpatizante do PS. Depois, foi, durante bons anos, com grande sucesso, presidente (ou administrador?) do Barclays Bank, sociedade inglesa que opera em Portugal e que não me parece ser dada a dar taxos a boys. Mais tarde, foi presidente da RTP, nomeado por um governo PSD. Teve, na RTP, uma acção verdadeiramente notável, dando a esse cancro nacional os únicos anos que teve de gestão sensata e viável. Meteu-se com o xuxa Rodrigues dos Santos e… lixou-se.Agora, sabe-se lá porquê, achou que era capaz de pôr a Estradas de Portugal nos eixos. Enganou-se, como é evidente.Julgo que se trata de mais um exemplo que contraria a sua generalização. O IRRITADO, como vê, não diz só mal de tudo e mais alguma coisa.Quanto à sua pergunta, respondo que não, não está enganado. Se calhar, se vivêssemos num país de direita, seria adepto da esquerda. É que, sabe, para mim o problema é o socialismo, e o socialismo tanto é de direita como de esquerda. Socialistas eram tanto o Estaline como o Mussolini, o Hitler (confessamente) e até o Salazar (sem o dizer).O mal é o Estado substituir-se à sociedade e aos cidadãos. Deve ser essa a minha luta.CumprimentosABC

          3. Sobre o amigo Almerindo, e sem o querer maçar, pode explicar-me em que consistiu a sua “acção verdadeiramente notável” na RTP? Falo de resultados práticos: acabou com o prejuízo?Acabou com o tachismo lá dentro? Melhorou a qualidade dos programas? Tornou a estação mais independente do Governo? Sobre a última questão, lembro-me dos seus últimos tempos de RTP, em que esta parecia uma muleta assumida do Governo(?) do Pinto de Sousa. Depois, certamente por coincidência, o amigo Almerindo foi parar às Estradas de Portugal…

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