IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VUVUZELAS

 

Desiludam-se os amantes da bola. Não vou falar de futebol.

Se titulo vuvuzelas é porque uma obscura coisa que se auto-denomina MUP – Mobilização e Unidade dos Professores (cheira a PC que tresanda) está a planear uma manifestação de protesto contra a precariedade, em que o argumentário se consubstanciará no uso de vuvuzelas.

 

Ponhamos de lado as insuportáveis cornetas e vejamos o que subjaz ao protesto: a precariedade.

 

Há quem diga que o IRRITADO tem a mania de ser contra tudo e mais alguma coisa. Não é o caso. O IRRITADO, ao contrário do MUP, é a favor da precariedade. Como já tem dito, acha que um emprego é um passo na vida ou na carreira de cada um, não uma sinecura indestrutível. A chamada garantia do emprego, entendida como o é nesta pobre terra, não passa de (mais) um elemento de paralisia social e económica. Um tipo com emprego garantido para a vida é levado a perder o sentido da responsabilidade, a ambição pessoal, o brio profissional, o interesse pelo seu próprio progresso, coisa que passa a medir em termos de aumentos salariais, não de melhores e mais exigentes funções, e em diuturnidades de vária ordem, não em pró-actividade laboral. O desafio da vida passa-lhe ao lado.

Ao fim de décadas de “estabilidade”, eis onde chegámos: às vuvuzelas.

 

Segundo o INE, citado nos jornais, mais de 47% dos portugueses (2,4 milhões) tem o mesmo emprego há mais de 10 anos, divididos por 24% há 20 anos ou mais, 9% entre 15 e 19 anos, 14% entre 10 e 14 anos.

Estes números dão-nos uma noção clara da hedionda paralisia laboral em que o país soçobra, vítima da “segurança”, do “estado social”, do socialismo. Se procurarmos razões para a falta de produtividade, aqui temos uma delas. A tal “segurança” criou uma sociedade de desmotivados, de encostados, de vítimas de um sistema que se pretendia salvífico, levadas a encostar-se a vírgulas e invejas, não a procurar valorizar-se.

O sistema tem consequências outras, tão graves como esta, bem expressas na rolha que impede o emprego jovem, na estagnação económica, na mediocridade dos salários, no desemprego galopante.   

 

Quando vemos as “lutas” contra a precariedade, com tanta gente a bramar, com tantos partidos a bolsar teorias num mar de vuvuzelas ideológicas, percebemos até que ponto o socialismo (de direita e de esquerda) criou “o homem novo”: o que acha que tudo lhe é devido e nada lhe é exigível, nem por si próprio.

Não há uma única “luta” que o seja pela dignidade do trabalho, pela produtividade, pela justiça, pela previsibilidade das consequências do marasmo, pelo estímulo, pela lógica das coisas, pela cooperação dentro das empresas, por nada do que pode encaminhar-nos, numa geração que seja, para coisa diferente, mais estimulante, mais responsável, mais estável, mais virada para a vida, que não é coisa fácil, mas pode ser feliz.

 

Esperança? Praticamente nenhuma. Talvez aconteça alguma coisa (o FMI, a revolta dos mais novos, sei lá) que sacuda os portugueses, que sacuda os partidos políticos, que abra alguma luz, que faça nascer um futuro outro que não o que, cobardemente, a minha geração e a dos que lhe sucederam andam a preparar.

 

5.9.10

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “VUVUZELAS”

  1. À medida que as sociedades se desenvolvem o emprego para a vida tende a passar de regra a excepção mas receio que em Portugal tal demore um “pouco” mais do que na maioria dos outros países.Afinal, em Portugal, quantos lideres sindicais, sejam eles nacionais ou regionais, não estão também no seu emprego garantido para a vida?

  2. Neste pobre país carente de tanta coisa,regra geral os discursos p´ro liberaloides são proferidos por BARRIGAS CHEIAS.São francos atiradores que se posicionam acima dos “vulgares”,têm sempre opinião sobre todos os males que afligem o país,nunca passa por eles,sempre pelos outros que são uns esquerdalhos malignos.Uma coisa é concordarmos que já não podemos pensar no emprego para toda a vida,outra coisa bem diferente,é criarmos uma força de trabalho subjugada aos interesses de meia duzia de safardanas que enriquecem á tripa forra explorando os outros.Estes problemas acho têm solução,não podem é serem discutidos por fanáticos ideológicos!!!

    1. Compreendo que o conceito de ter de fazer pela vida, o deixe tão sobressaltado. É certamente mais agradável ter um tacho tranquilo, nem que seja a escrever comentários a defender chulos e trafulhas. É por isso que o nosso Estado é o buraco negro que sabemos, e boa parte da Função Pública é tão eficiente e prestável, como também sabemos. E é por isso que temos uma legislação laboral retrógrada, que penaliza e desincentiva a criação de postos de trabalho (sobretudo em pequenas empresas), pois o trabalhador tem todos os direitos, e o empresário tem todos os deveres. Por exemplo: se um funcionário efectivo se demite, para ir para outra empresa, o empregador tem de comer e calar, e pagar-lhe tudo e mais alguma coisa – a somar ao prejuízo de ficar sem o funcionário. Já se quiser despedi-lo, além da inevitável indemnização, é o cabo dos trabalhos. A meu ver, o Irritado só terá falhado em distinguir 3 situações distintas: o Estado, as grandes empresas (as Sonaes e PTs da vida), e as PMEs. Parece-me impossível meter todas no mesmo saco.

      1. Não sei se esse desalinho desbocado tem a ver comigo.Deve estar enganado na porta onde bateu,não tenho nem nunca tive tachos,chulos e trafulhas é gente com quem não privo.Se os tem na familia,paciência,sabe, afamilia é coisa que nós não escolhemos.Para sua informação,um funcionário que pretende demitir-se de uma empresa,está obrigado a um pré aviso cuja duração é calculada em função do tempo de casa.Essa de todos os direitos dos trabalhadores e deveres dos empresários,está curtida.Você é um pandego!!!

        1. O empregador tem de dar ao Estado o IRS e a SS descontada ao funcionário, bem como 23.75% adicionais da empresa. Tem de pagar o seguro de trabalho. Tem de pagar subsídio de férias e de Natal, e comparticipar os dias de baixa. Curiosamente, quando discute salários, o funcionário nunca conta com os 23.75%, nem com os subsídios. Certamente caem do céu. O funcionário pode ir-se embora a qualquer momento, se abdicar de certo valor. Se não quiser abdicar, qualquer demissão (mesmo decidida pelo funcionário) custa uma estalada valente ao empregador. Já este, só o pode despedir batendo a nota, e se for efectivo, nem assim: só com justa causa, ou extinção do posto de trabalho. Forjar uma “justa causa” não será difícil, para um empregador desonesto. Para um honesto, pode ser complicado – porque o funcionário tem sempre a lei do seu lado. Já nem falo das restantes responsabilidades do empresário: impostos (até antecipados, como o IVA e os PEC), higiene e segurança, software legal, etc etc. Se o negócio correr mal, azar: é a sua cabeça que está no cepo, e nem merece subsídio de desemprego. Sabe, já estive dos dois lados: empregado, e empregador. Conheço ambos muito bem. E o estimado Tecelão – deixe-me adivinhar, passa recibos verdes à sua agência xuxa?

  3. Onde concordo plenamente com o Irritado, é na consequência óbvia que este sistema tem na motivação das pessoas. Está na natureza humana acomodar-se, procurar uma zona de conforto, evitar o risco e o esforço. Isto é duplamente verdade em Portugal, e triplamente verdade na Função Pública – onde o emprego é garantido. Há com certeza excepções, mas são isso mesmo. Pessoalmente, e admito que seja algum azar da minha parte, poucas coisas me incomodam tanto como entrar numa Repartição de Finanças. Da última vez, ali em Benfica, tirei a senha e sentei-me a observar. Um fulano de óculos carregava uns papéis, num trajecto vago, de um lado para o outro. Outro, escrevia num computador, talvez 15 palavras por minuto. Uma mulher que atendia um utente, dizia-lhe em tom arrogante: “Então o Sr. não sabe os prazos das coisas? Isto não é à vontade do freguês! Olhe, a multa é X. Amanhã já é mais Y!”. Detive-me na mulher: quem a ouvisse, pensaria que o utente era um patife que tinha fugido com o dinheiro dela. Ciente da sua importância, do seu pequeno feudo onde era monarca absoluta, olhava para o homem com um desprezo real. Como ousava aquele verme, vir dar-lhe trabalho? O tipo que carregava os papéis, abeirou-se dela para lhe dizer alguma coisa. Ficou lá 4 ou 5 minutos, durante os quais o utente se contorcia na cadeira, aguardando o inevitável momento de entregar o seu dinheiro ao Estado – para ajudar a pagar o ordenado daquelas criaturas. Voltei a olhar para o tipo no computador. Já não escrevia, só usava o rato. Diabos me levem, mas fiquei com a nítida impressão que jogava ao Solitário. Após algum (muito) tempo, chegou a minha vez. Levantei-me, e dirigi-me solenemente para o guichet indicado, com o respeito devido a uma entrevista com um monarca. Sabia que não era bem-vindo. O paraíso, naquela Repartição, era não ir lá ninguém. Eu, o homem da multa, e todos os outros utentes, éramos meras pedras num caminho tranquilo, de dias, semanas, meses, anos, décadas, umas após as outras, a contar pacientemente os dias que faltam para a reforma. Com excepção do desemprego, não consigo imaginar um destino profissional mais deprimente.

    1. Pela forma como avalia os trabalhadores,cheira-me que você é uma espécie de empresário que detesta entrar nas repartições de finanças.Para si os funcionários publicos são todos uns parasitas,tirando algumas excepções,não é sério fazer esse tipo de apreciação.

      1. Quando diz “trabalhadores”, face ao quadro (real) que descrevi, presumo que empregue o termo em sentido muito lato. Sou de facto «uma espécie de empresário», mas tal como lhe disse, já estive também do outro lado: trabalhei em grandes empresas, em pequenas empresas, e – surpresa – até no Estado. Fui militar contratado. Confesso que saí de lá (conheci o Exército e a Força Aérea) enjoado, com tanto desperdício de tempo e dinheiro. A minha mãe é funcionária pública, há 30 e muitos anos. Quanto à minha “malapata” com as Repartições de Finanças, suspeito que estou longe de ser caso único. Seja mais honesto no que escreve, às vezes parece responder só por responder. É uma sugestão.

        1. Você entende que os trabalhadores só têm direitos,e os empresários deveres,os funcionários publicos são uns madraços,e eu é que deveria ser mais honesto.Você é um pãndego!!!

        2. Este particular,é para lhe dizer que;apesar de não ter simpatia nenhuma pelas ideias que vai deixando escorrer,nunca o julguei mercenário!!!

          1. Vê como tenho razão? Responde por responder: não contra-argumenta, não acrescenta nada ao debate, nem sequer me insulta de forma interessante. Grande parte dos seus comentários, são graçolas pífias e sem qualquer substância. Sei que é capaz de fazer melhor: há certamente mais por descobrir, debaixo dessa careca. Homem, solte-se, esqueça de vez em quando a avença xuxa, diga o que lhe vai na alma! Não tenha medo: o Pinto de Sousa não pode ler TODOS os blogs na internet, e ninguém aqui o irá denunciar.

          2. Ficou provado que você foi mercenário,agora provar que eu sou xuxa,coisa,que ao que parece tanto o preocupa.Como é que eu posso contra argumentar quando não há argumento. Registo,os meus comentários são graçolas.Os seus são o quê?

  4. Não há maneira de acabar com o míldio das caixas de comentários??Dá-se um pontapé numa pedra e sai de lá um tecelão,figura circense.Este país sempre teve grande tradição de bufos e bajuladores do poder.O partido fascista do Rato soube bem montar a teia.O rei vai nú e o tecelão continua a gabar o fato novo do dito.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *