IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESTÚPIDA ESPERANÇA

Quando Passos Coelho se candidatou a líder do PSD já era conhecido o plano inclinado onde Portugal escorregava em movimento cada dia mais acelerado. Passos Coelho já sabia que nada do que o PM dizia era verdade. Já sabia que o PM e a sua corte de desinformadores e aldrabões não mereciam a mais leve sombra de crédito. Já conhecia a brutal desonestidade da central de notícias do governo. Estava a par da dívida que o socialismo criou e que jamais parou de aumentar. Tinha plena consciência de que, tanto por uma questão de dignidade como pela sua ruína iminente, o mais grave problema de Portugal, a maior força de bloqueio, o cancro da Nação, era o primeiro-ministro, o seu apalhaçado governo e um partido socialista que perdera toda a noção de serviço e toda a honestidade política e intelectual.

Sabendo tudo isto e muito mais, Passos Coelho deveria ter posto no seu programa eleitoral interno a promessa de derrubar o governo com uma moção de censura mal fosse eleito.

Sabendo tudo isto e muito mais, Passos Coelho deveria preocupar-se com uma rápida mudança de rumo.

O que fez? Achou que o governo devia descalçar a bota, e que ele, Passos Coelho, só lhe saltaria em cima com ela já descalçada. Apresentou cumprimentos ao rival, ajudou-o a continuar a enganar os portugueses, fechou os olhos à crise que o PS todos os dias agrava, aprovou um orçamento impossível, deixou passar o PEC 1, e o PEC 2, e vai deixar passar de novo um orçamento sem futuro.

Aquilo que o IRRITADO a seu tempo disse – que Passos Coelho ou agia depressa ou se desgastava – acabou por acontecer com a maior brutalidade. Menos 10% para ele nas sondagens, mais 10% atascados na lixeira socialista.

E agora? Passos Coelho a cair, o PR a apoiar o PS com todas as suas forças, ou com toda a sua ambição eleitoral, sem respeito por nada, nem por si mesmo, os partidos comunistas a prometer as habituais omeletas sem ovos, o CDS aos berros que é democrata-cristão, as “forças intelectuais” a bramir contra o “neo-liberalismo” como se houvesse algum liberalismo, “neo ou não “neo”, em Portugal, como se Portugal não fosse a piscina estatista, esquerdista e socialista em que todos nos vamos afogar, como se o “estado social”, agora na berra, não fosse, como diz a Cavilhas, um sonho insustentável e falido, como se alguém, na Europa ou no mundo, não tivesse há muito chegado à conclusão que somos governados por palhaços, como se, como se.         

 

A não ser que Passos Coelho tenha um ataque de bom senso e nos ponha a viver em duodécimos na esperança que o PR venha a dissolver a AR quando puder e que as pessoas percebem que Pinto de Sousa nunca mais.

 

Esperança estúpida? Talvez. Mas é a alternativa que resta à inevitável queda no abismo que, braços abertos, nos espera.

 

18.9.10

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “ESTÚPIDA ESPERANÇA”

  1. Esqueci-me, Passos Coelho é de que partido? Algum que nunca foi Governo, não é? Algum que não contribuiu activamente para o actual estado de coisas, que não teve milhões da UE à sua disposição, que não falhou em mudar as leis que temos quando o pôde fazer, que não deixou impunes os mesmos corruptos que hoje continuam à solta, que não estourou os nossos impostos em obras de retorno mais-que-duvidoso, e mordomias da classe dirigente… enfim, certamente Passos Coelho é de um partido DIFERENTE, com legitimidade moral para se assumir como força de mudança, de ruptura com o passado. Já estou mais descansado: por momentos, temi que fosse apenas MAIS UM profeta do status quo, deste sistema corrupto e falido, … do CENTRÃO PODRE que certa carneirada teima em reeleger, e em ver como uma solução, e não como o maior problema de Portugal.

  2. É curioso, como se bate e rebate na tal tecla de que o PSD e o CDS, (já agora porque não o PPM ) estiveram no Governo e que portanto estes são muito mais culpados do que o PS, que coitadinho é uma vitima de “falsas acusações” que pelos vistos só devem caber aos outros que não o PS. Até parece que de há 16 anos para cá (no mínimo ) o PS não esteve no Governo pelo menos 13. Até parece que quando nos Anos 90 e tais e o PS entrou no governo, tudo o que lá havia era desgraça, Bancarrota, com um desemprego incalculável, etc., etc., etc., e que fora o magnifico Governo do Engenheiro Guterres, que salvou a pátria. Até parece que fora o Governo do Dr Barroso primeiro, e, sobretudo, o Governo de 3 meses do Dr Santana Lopes, que enviaram tudo isto pelo cano e que, face a isto, o “homem” da “coragem” Sr José Pinto de Sousa, tem feito um trabalho titânico, para trazer o pais ao de cima, com o Aumento de emprego (actualmente, mais de 1.000.000 de desempregados) que se não fossem os tais 150.000 empregos criados pelo senhor indicado anteriormente (Zé PS) seriam o tal milhão mais 150.000. Com todas estas parecenças fico profundamente admirado como existem pessoas que supostamente são inteligentes e continuam a partilhar deste lodaçal, e alguns, criando cada vez mais lama, onde vivem, e se habituaram a viver e, pior que tudo já nem sabem viver de outra forma. O argumento mais comum (apesar de não deixar de ser extraordinário) é que se defende este lodaçal, porque se é de Esquerda. como se as práticas dos PS fossem mais esquerda do as do PSD. Mas quando as pessoas não têm capacidade de discernimento para se aperceberem das diferenças (se as houver) e preferem viver eternamente no lodaçal já pouco ou nada há a fazer, a não ser um golpe de Estado que ponha termo a toda esta palhaçada. Cumprimentos sou o Francisco Luiz

    1. Caro Francisco Luiz, não sei se chegou a ler o meu comentário (era o único a este post, antes do seu), mas há um facto que gostaria de lhe recordar: se o PS governou 13 dos últimos 15 anos, não é menos verdade que o CENTRÃO governou 34, dos últimos 34 anos. Ou seja: ao contrário de si, há quem não distinga tão acuradamente essas subtis diferenças – de ideologia e de resultados – entre PS e PSD, e sobretudo, entre os representantes eleitos de ambos os partidos. Esse é, aliás, um dos passatempos mais populares em Portugal: os apaniguados de ambos os partidos, competem entre si para nomear o maior número de calamidades públicas do partido rival. É uma competição difícil: entre Pintos de Sousa, Mordomos Barrosos, Varas dos robalos, Loureiros (Dias e Valentins), Rodrigues coleccionadores de gravadores, Albertos emborrachados, Coelhones de pontes caídas, Pretos das malas, Mesquitas e Isaltinos, etc, etc, etc… temos um jogo realmente divertido, e praticamente interminável. Face a todas as evidências, creio que temos hoje o PIOR Governo de sempre. No entanto, esta súcia não chegou cá de pára-quedas, nem foi importada da Albânia: é a herança de 30 anos de CENTRÃO PODRE, de um conjunto de figuras de ambos os partidos, tão diferentes frente às câmaras de televisão, tão próximos por trás delas, unidos por um objectivo comum: SAQUEAR Portugal, para benefício próprio – e desgraça do país.

      1. Caro Filipe, já reparou que 75% dos portugueses não se incomodam com a corrupção? Já reparou que hoje, na Administração Publica (cada vez mais sob o regime jurídico privado) só entram as “cunhas”, que cada vez vêm do mais “alto”? Sabe qual a consequência? Em geral a “cunha” é para entrar os mais incompetentes!Há um estudo Europeu que demonstra que os nossos “gestores públicos” são, simultaneamente, os mais incompetentes e os mais bem pagos. Eu acrescento: e os que mais permitem a corrupção.

      2. Caríssimo Senhor Filipe Bastos. Confesso que me surpreendeu com o que escreveu a propósito do meu comentário. Na verdade, o conteúdo do meu, foi feito muito a propósito do seu. É curioso, que de uma forma geral acabo por concordar com QUASE tudo o que escreve nele, achando, todavia, que faltariam aí alguns pequenos pormenores que acho muito importantes e que podem mudar de alguma forma a perspectiva do assunto e de suas causas. Por assim dizer, a visão de cada um, pode de alguma forma entender que “A” será mais culpado do que “B”, ou vice versa, contudo, “A” e “B” existem sem deixar de existir “C”, “D”, “E”, “F” e etc. e estes, (uns de uma maneira outros de outra, todos terão a sua ‘cota parte’ de “culpa” ou de “louros”. Quero com isto dizer que as coisas más aconteceram e acontecem, porque houve um ponto de partida para que elas se propiciassem e essas podem-se apontar (entre outras) a (dita) Revolução do Cravos, que só poderia dar nisto, apesar de poder ter sido muito pior. Claro que um golpe de estado com flores, só em Portugal para poder resultar, visto que o conceito que se generaliza cada vez mais é de que este País não é um país a sério. Acontece que tudo isto abre portas a toda a sorte de desmandos e oportunismos, para além de encobrir muito bem todas as incompetências e expedientes que se têm vindo e continuam a vir a destacar na vida pública do país político, social, desportivo, autárquico, empresarial e etc.. Em todo o caso, não deixo de salientar que achei curiosa a sua observação que diz … “… os apaniguados de ambos o Partidos, competem entre si para nomear o maior numero de calamidades públicas do partido rival. … ” … e que concordo com ela, porém, também me parece que existe algo que a meu ver ainda é pior do que tudo isto… a auto destruição entre militantes do mesmo partido, especialmente quando isto acontece com um dos principais partidos da nossa praça. Um Partido com grandes responsabilidades políticas que passa a vida “a dar tiros nos pés”, em consequência de ambições pessoais e patéticas, leva a que esteja órfão ” de há 16 anos para cá e por isso uma certa elite ” interna está sempre à espera da sua própria oportunidade para se tornar líder e consequentemente se tornar um 1º Ministro, … só que estes são muitos, e por isso fomentam intriga interna, para que cada um dos adversários sejam eliminados, um a um, até que venha a sua própria oportunidade, e ser aclamado como …. “o Salvador da Pátria” . Claro que isto se vai tornando como uma “bola de neve” ou talvez “um circulo vicioso ” em que as coisas tendem em se degradar cada vez mais pelo descrédito e pela manifesta incompetência. Sendo assim, estas são as razões porque entendo que este país se encontra no fundo e que só um “Golpe de Estado” a sério é que poderia resolver tudo isto. sendo certo que pessoalmente já pouco ou nada poderei fazer a não ser ter opinião. O “país”, continua a agravar a sua situação de dependência absoluta de terceiros desprezando tudo aquilo que lhe poderia garantir alguma auto-suficiência , e a ser orientado por gente de ideias curtas e primárias que nos trouxeram a este ponto com tendência a cada vez pior. Grato pela sua disponibilidade Sou o Francico Luiz

        1. Caro Francisco Luiz, Identifico-me totalmente com esta sua resposta: é também assim que vejo a situação, apenas gosto mais de chamar os BOIS PELOS NOMES. Ou seja, em vez de dizer “um dos principais partidos da nossa praça”, não é mais fácil dizer simplesmente: PSD? E em vez de dizer “uma certa elite interna”, não é mais fácil dizer: o CENTRÃO PODRE, tanto do PS como do PSD, que quer acima de tudo chegar ao poder, para MAMAR à grande e à francesa, enquanto alimenta as respectivas máquinas partidárias, e os BOYS que constituem 99% dos partidos actuais?

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