IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CUBA E NÓS

O camarada Castro, cinquenta anos passados sobre a revolução de que foi autor e que, dizendo libertá-los, escravizou os cubanos, descobriu que, afinal, estava tudo errado. O sistema económico falhou, a escravidão reduziu o povo à fome e ao atraso, numa palavra, o socialismo teve, em Cuba, o mesmo resultado que se verificou em todos os países que a ele foram submetidos.

Esta serôdia auto-crítica, se feita com sinceridade, deveria levar o camarada Castro pelo menos à auto-flagelação ou, mais logicamente, ao suicídio. Em alternativa, cinquenta anos a impor um sistema e chegar à conclusão que o sistema imposto é, como a humanidade quase inteira já percebeu há que tempos, uma inenarrável e criminosa trampa económica, social e política, deve, ou devia, ser motivo suficiente para ser condenado a prisão perpétua no Tribunal de Haia, se houvesse justiça internacional, ou se o juiz Garzon fosse isento.

Quantos morreram por causa do regime castrista, quantos passaram, sem culpa nem julgamento, boa parte da sua vida nas prisões comunistas do Castro, quantos foram torturados, estropiados, maltratados à ordem do canalha? Como explicar que, como por toda a parte onde esta gente imperou ou impera, milhares de milhões de pessoas tenham sido assassinadas, reduzidas à miséria, à falta dos mais elementares benefícios da civilização, à carência alimentar, à vergonha de assistir impotentes aos privilégios das gentes do partido, à vilania de ver as suas filhas vendidas aos estrangeiros nas praias e nos hotéis, à desonra de andar a vender-se por uns dólares – a moeda do “inimigo” – para obter as coisas mais insignificantes e comezinhas?

A explicação é só uma: o socialismo, cujo resultado nunca foi outro.

 

A política tem, às vezes, um carácter quase bíblico. Castro é louvado, qual filho pródigo, pela malta da política. Em vez de condenado, é elogiado. Mais vale tarde que nunca. É como se o Hitler e o Estaline ressuscitassem e dissessem que, afinal, se tinham enganado: perdoar-se-lhes-ia os crimes? Pois com Fidel, parece que sim.

 

O mano Raul já andava há tempos a dar grandes benesses ao povo. Tinha, até, autorizado as massas a comprar torradeiras e micro-ondas. Agora, animado pelas palavras do chefe, tratou de pôr na rua 500.000 funcionários públicos. Que se desenrasquem. Que abram tascas e lojas de telemóveis, bordéis e sex-shops, o que lhes apetecer desde que deixem de andar pendurados no Estado!

 

Bons exemplos para nós. Quando, a breve prazo, deixarmos de ter dinheiro para torradeiras e micro-ondas, a solução será parecida. 500.000 funcionários para a rua talvez seja demais. Uns 450.000… quem sabe?

 

Entretanto, imagine-se, há quem diga que o camarada Kim Jong Il, já abriu umas frestas.

A ser verdade, dentro de pouco tempo só em Portugal haverá lugar a Jerónimos e a Louças, ou a partidos socialistas ultra-reaccionários como o nosso, que proclama não mexer em nada que nos possa safar da miserável enrascada em que nos meteu com o seu socialismo de pacotilha, feito de promessas falsas (como as do Castro) de ruína financeira (como a do Castro) de estagnação económica (como a do Castro), ainda que, reconheçamos, com uma tal dose de demagogia e de capacidade para a mentira, que consegue almejar os mesmos resultados do Castro sem precisar de acabar com a democracia, antes transformando-a na mais profunda aldrabofonocracia de que há memória e fundando-a na ignorância de um povo ingénuo, crédulo e desinformado.      

        

17.9.10

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “CUBA E NÓS”

  1. As usual you’ve hit the nail in the head…

  2. Castro é um alvo fácil: um ditador ultrapassado – pela direita, pelo centro, até pela esquerda – um fóssil que insiste em ressuscitar, cada vez mais serôdio e bacoco, útil apenas para anedotas, e apostas sobre a sua morte há muito anunciada. Em Portugal, também temos o nosso Castro, uma anedota à nossa escala: chama-se Mário Soares. Volta e meia, também parece ressuscitar. Mas o post parecer-me-ia mais justo, se o Irritado incluísse o embargo CRIMINOSO da canalha americana à ilha de Castro, e certas verdades (sacrílegas!) sobre os regimes socialistas: excelente educação (gratuita), excelentes profissionais de várias áreas, e um Estado cuja podridão não fica a dever assim tanto, à dos Estados ditos “democráticos”, que tão bem conhecemos. Voltando a Cuba, dizem os americanos que “it takes two to tango”: há quantos anos foi a Baía dos Porcos, e o que mudou desde então? É impossível falar da história e da miséria de Cuba, sem falar da guerra fria, e da hipocrisia de ambos os blocos – além do Castro, Cuba apanhou muito por tabela. Castro há-de ir em breve, já a canalha americana está cá para ficar.

    1. Confundir alhos com bogalhos não me pareceria próprio de si.Coisas boas, há em tudo, havia-as no estado novo, se calhar também as há em Cuba. Não é essa a questão. Se não fosse a “resistência” americana, teríamos tido, como o Fidel confessou, uma guerra nuclear. Além disso, se não fossem os EUA, para onde teriam ido os 1.800.000 cubanos que fugiram à ditadura? Eram todos “fulgencistas”? E, se não fossem os EUA, quem teria protegido uma Europa que sempre se recusou a precaver-se, mesmo depois de se ter envolvido numa guerra que os americanos vieram resolver à custa de centenas de milhares de mortos seus? Às vezes somos levados a esquecer o essencial a favor do circunstancial. Agora, que os EUA se vão, por evidente necessidade estratégica, “esquecendo” da Europa, cá anda a Europa, desarmada, cheia de vícios, de “direitos”, de “princípios”, sem poder pagar os monstros que criou e sem ser capaz, sequer, de defender o que lhe resta. Vivemos meio século de boa vida, não há dúvida. mas não fomos capazes de criar a tal sustentabilidade de que tanto se fala.É por isso, por exemplo, que, entre nós, as “verdades” do PM são o que são. É por isso que andamos entretidos a pagar moinhos de vento, a pagar “direitos” de CO2 e outras balelas da moda, em vez de tratar do que interessa.

      1. Até concordarei com boa parte do que pensa sobre Castro, mas jamais estaremos de acordo sobre os EUA. Não me chocam os muitos imigrantes cubanos que recebeu e recebe, tendo tido parte activa na miséria do seu país. Aliás, nos últimos 60 anos, que outra coisa fizeram os EUA senão intervir nos países dos outros, conforme lhes deu na real gana? Coreia, Vietname, República Dominicana, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Filipinas, Kuwait, Iraque, Angola, Moçambique… Mesmo os maus da fita oficiais – Saddam, Bin Laden – tiveram mão americana, como é público. A II Guerra Mundial, foi provavelmente a melhor coisa que já lhes aconteceu: além da mão-de-obra qualificada que receberam “à borla”, sobretudo cientistas alemães, conseguiram ficar a tomar conta disto até hoje. Até ficaram como os “salvadores” da Europa, nos livros de História escritos por eles próprios, quando foi o camarada Josef que sacrificou 20 MILHÕES dos seus cidadãos, para derrotar a máquina nazi. Sempre gostava de ver o que teriam feito os fantásticos americanos, se em Junho de 41 tivessem sido eles a levar com toda a força de Hitler, pelas suas fronteiras dentro. Esse “what if” nunca aconteceu: a canalha americana gosta é de bombardear os outros, lá longe, quanto mais longe melhor. Até hoje, não sabem o que é sofrer uma guerra dentro do seu próprio país. Tiveram de ser eles a implodir umas torres, e matar uns poucos milhares, para causar a maior histeria de sempre – e motivar a morte de centenas de milhares de desgraçados, do outro lado do mundo. Mas enfim, já me alongo demasiado, e as “teorias da conspiração” começam a vir ao de cima…

        1. Caro Filipe,Não faz sentido determo-nos muito na 2ª guerra mundial, que já vai bem longe, quando é bem mais premente que nos cinjamos ao presente. No entanto, quando falarmos do passado, há conveniência em tentar lê-lo como se passou, olhar quanto possível a fotografia no conjunto e depois de olhá-la, ver o que se olhou, entender o que se viu, aprender com o que se entendeu – e sobretudo opinar perante o que se aprendeu.Quando diz que Stalin sacrificou (suponho que lhe atribui pesar nessa perda) 20 milhões de compatriotas para derrotar a máquina nazi, ao passo que os americanos se instituíram injustamente em heróis, falha bastante à verdade dos factos.Stalin nunca mostrou a menor hesitação em mandar matar os seus concidadãos, mesmo sem a ajuda de Hitler e há cálculos com bastante veracidade histórica que enumeram as suas vítimas na proximidade dos 50 milhões e mesmo mais.A sua sanha ficou bem patente durante a retirada da Wehrmacht, em que Stalin não perdoou aos lituanos, bielorrussos e ucranianos terem recebido os alemães como libertadores do jugo soviético, no Verão de 41 – e tratou-lhes da saúde. Não se esqueça que ele era georgiano.Tal como exigiu em Potsdam ou já em Ialta, não sei bem, que lhe fossem entregues todos os prisioneiros de guerra russos estacionados na zona dos Aliados, e os pobres saíram dos campos de concentração alemães directamente para os da sua terra. Pelo sim, pelo não, foram dizimados. E levou as exigências mais longe, ao ponto de obter que todos os russos que estivessem no Ocidente lhe fossem entregues.Até os refugiados vivendo em Inglaterra desde a revolução de 1917 foram metidos à força em comboios (como os judeus na Alemanha) e enviados para a URSS, onde podemos imaginar o que lhes sucedeu.Não acredito que sustente que a entrada dos Estados Unidos e o seu poder industrial ao serviço do armamento não veio decidir definitivamente a sorte da guerra.Sobre a “boa imprensa” de Castro, uma breve nota: quando da guerra de 75 em Angola Fidel aproveitou para se imiscuir no conflito ao lado do MPLA, a um tempo escoando os universitários desempregados e ajudando a decidir o rumo da guerra.Quando são os americanos, é “ingerência na vida interna do país”. Com Fidel foi “aconselhamento” (os soldados eram todos conselheiros, pois claro). Os russos entraram com o dinheiro, os cubanos com homens, e toda a gente a assobiar para o lado.Quem quiser que acredite que Fidel está repeso. O arrependimento de um hipócrita será sempre apenas mais um acto de hipocrisia.

          1. Caro Manuel, Quando escrevi que Estaline sacrificou 20 milhões dos seus cidadãos, jamais lhe pretendi atribuir qualquer pesar pelo facto. Sacrificou 20 milhões para derrotar Hitler, tal como sacrificou muitos outros para se manter no poder, ou como sacrificou milhões de ucranianos que morreram de fome, no “Holodomor” negado durante décadas. A intervenção dos EUA foi decisiva, ninguém o contesta, mas durante 3 longos anos foi a URSS que resistiu (e acabou por vencer) a Alemanha, praticamente sozinha. Como o próprio Hitler reconheceu, a nata da Wehrmacht e da SS tombou no Leste. Será sempre motivo de especulação, que a não ter acontecido a invasão da URSS, os Aliados alguma vez tivessem desembarcado na Normandia. Quanto a Castro, há-de partir sem deixar saudades. No entanto, ido o “papão comunista”, o mundo verga-se cada vez mais à força oposta: os interesses americanos, apoiados por lacaios europeus. Nunca houve força tão poderosa, nem tecnologia tão avançada para a difundir e proteger. Até esta amena troca de comentários, há-de estar a ser lida e arquivada algures, numa sala climatizada com milhares de discos, para eventual análise e utilização futura, caso seja preciso. Hitler, Estaline, ou Castro, jamais sonharam com tanto.

    2. Caro Irritado,(Tinha escrito isto de manhã, mas não tive tempo de enviar para o blog. Chegado agora a casa, vejo que o debate foi evoluindo. Se amanhã tiver tempo e os dois ilustres polemistas tiverem paciência, volto cá)Voltado de férias, de uma serena apneia de “civilização”, a 8 km (por estada de campo) da vilória mais próxima, 15 ditosos dias sem internet, 15 luminosas noites sem televisão (só quando os filhos apareciam no fim-de-semana), em que apenas a visão de um rebanho ovino arrastando-se na várzea de cabeça rente ao solo me evocava a carneirada em que os eleitores se tornaram (sou eleitor mas não voto há que anos) e de termos regredido tanto no progresso e no tempo, que ao ouvir governantes e políticos creio viver no tempo em que os animais falavam.Em suma, venho preparado para assistir ao espectáculo socrático no seu final, em que afinal somos nós os condenados a beber a cicuta e contorcermo-nos em agoniados estertores, enquanto o idiota em que os idiotas votaram se enreda em explicações atabalhoadas como um cábula que não estudou a lição e se há-de escapulir para um lugar europeu como os seus antecessores.Este episódio do fim do TGV é de cartoon, se não fosse tão penosamente verdadeiro – e dispendioso. É bem verdade que para sustentar uma mentira são precisas outras quarenta. Com este Chavez que nem é de Chaves, as mentiras acumulam-se a um ritmo que corre parelhas com o montante dos juros. Enfim, uma miséria completa, no sentido figurado e infelizmente directo do termo.Voltando ao tema de Cuba, peço-lhe que permita me dirija também ao Filipe, como se estivéssemos em conferência.Li com o costumado gosto e proveito os textos de um e outro. E encontro razão nos dois. Se por exemplo relerem o primeiro parágrafo deles, constatarão que ambos falam verdade. E o mesmo se aplica ao segundo e ao terceiro.O quarto parágrafo do Filipe é que me suscita alguns comentários. Pois, a guerra fria… e como agora se diz de todos os julgamentos, foi uma mega-discussão – que durou quase meio século. Como em todas elas, para as percebermos bem não é pior que se averigue porque é que começaram. Ainda a guerra mundial não acabara e já as relações entre os aliados e Stalin estavam a arrefecer. Não pode haver duas opiniões: foi Stalin que tornou possível a invasão da Polónia, que desencadeou o conflito mundial. Tão ladrão é o que rouba como o que vigia. E Stalin permitiu a Hitler estar seguro de lhe restar apenas a frente oeste, de países como a Holanda e Bélgica, que bem sabia serem tão fracos como a Polónia, que enviou a sua cavalaria – de cavalos – contra a cavalaria alemã, de tanques, para não falar nos Stukas, que dominavam o ar. Enfim, não vou fazer a história da segunda guerra mundial, mas a guerra fria foram sucessivas provocações dos russos que geravam reacção dos americanos.A partir de Kennedy, esse gangster na Casa Branca, que tinha ganho as eleições com a discreta e secreta ajuda da Mafia, que dominava o poderoso sindicato dos camionistas, a política externa dos USA alterou-se completamente. Como militar que vira morrer centenas de milhares de jovens americanos, Eisenhower tornara-se muito cauteloso sobre conflitos. Já Kennedy, vaidoso da sua romântica aventura na PT109, “entrou a matar” – e Salazar bem o entendeu desde a primeira entrevista com o novo embaixador.Houve um pequeno problema: os mafiosos, que se regem por um rígido código de honra de raízes sicilianas, se respeitam o adversário que lhes dá luta de frente e com nobreza (juízes honestos, polícias incorruptos, etc.) despreza – e liquida – aqueles que a ela recorrem e depois a atraiçoam. E por terem cometido esse fatal erro com o sub-mundo, os manos Kennedy foram parar ao outro.Voltando à Baia dos Porcos, um Kennedy ainda inexperiente (tinha 4 meses de mandato) acreditou que a CIA tinha uma operação bem montada e enganou-se.Mas no caso dos mísseis, Kruschev escreveu nas suas memórias que por mais que uma vez Castro o incitou a lançar os mísseis estacionados na sua ilha, a cento e poucos quilómetros da Flórida, precipitando o mundo num conflito nuclear. (continua)

      1. (continuação)Felizmente o grosseiro russo e o galã americano preferiram defender os seus interesses económicos a servir ideologias suicidas de um alucinado pouco amigo da higiene.Oiço chamar ditador a Pinochet. Matou e prendeu muita gente, é verdade. Mas tendo recuperado a economia e estando a sociedade normalizada (o Filipe é muito novo para se lembrar das enormes manifestações populares contra Allende), ao fim de 14 anos convocou eleições e tendo perdido por 56/44, abandonou o poder.Fidel matou e prendeu mais gente e por mais tempo, levou o país à miséria (é verdade que o povo também ajuda, como por cá) e serve-se do ridículo expediente – que ninguém exprobra – de deixar o irmão a mandar, enquanto está de baixa médica. Mas nunca ouvi um locutor da televisão adjectivá-lo de ditador, nem quando mandou encerrar a maricagem em campos de concentração (decerto confortáveis, com requintes de hotelaria).Quanto ao sucesso da educação, já aqui se falou: um amigo meu que foi lá de férias, transportou-se num táxi amolgado e fumarento, competentemente guiado por um… engenheiro nuclear, com curso na URSS. Não sei bem se uma educação assim se pode considerar “excelente”, ainda que seja melhor que aquela ministrada pela Universidade Independente, muito justamente encerrada por este primeiro-ministro.Vale a pena recordar que esses “sucessos” castristas eram pagos, a peso de ouro, pelos russos. Quando a ferrugenta cortina de ferro desabou, com tudo o que escondia detrás dela, Cuba também levou por tabela, e tabela seca, pois a liquidez acabou-se. Esta inflexão ideológica e os beijinhos do loquaz cubano na mão do Papa devem-se mais a interesses económicos que a genuíno arrependimento. Se estivesse a falar com sinceridade, deixava que se criassem outros partidos. “The temptation of the age is to look good without being good.” (Brennan Manning)

  3. Avatar de Ricardo Venturini
    Ricardo Venturini

    …à vergonha de assistir impotentes aos privilégios das gentes do partido…Safa…por momentos pensei que tivesse mudado drasticamente de assunto e estivesse a falar do Portugal do Pinto de Sousa.

  4. ángel carromero barrios…..

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