Evitar a crise (política) é preocupação maior de uma data de “pensadores” da nossa praça.
Ainda não perceberam, coitados, que não evitam coisa nenhuma. A crise política está aí, queiram ou não queiram, metam ou não metam a cabeça na areia. A simples existência do senhor Pinto de Sousa é crise bastante. Vivemos nela há anos, e dela não sairemos enquanto formos governados por este pândego palavroso e desonesto.
Esgrime-se com a necessidade do orçamento, indispensável coisa para evitar o desprestígio internacional e o agravamento da “confiança”, da “credibilidade externa”, etc.
Pura patacoada. A “confiança” cada dia é menor. A “credibilidade externa” há muito não existe: disso, não faltam concludentes sinais. Os líderes europeus acham que o senhor Pinto de Sousa é um pantomineiro ridículo e incompetente.
Correr com ele, isso sim, seria uma fonte de credibilidade para Portugal, para o Presidente da República, para os partidos políticos, para os portugueses. A “confiança”, essa, poderia, assim, renascer das cinzas em que se encontra e que já nem fumegam.
Mas os pensadores aí estão, a escarafunchar na cabeça de cada um. Não entendem que o fundamental para Portugal, neste momento, é sair do pútrido pântano em que o senhor Pinto de Sousa o meteu, à custa de demagogia barata e de muitos milhões.
O Presidente da República veio em socorro do homem, não porque goste dele, mas porque acha que perde votos se não o fizer. A Nação inteira paga hoje e pagará mais amanhã, para satisfação das ambições individuais do Prof. Cavaco.
Marcelo, guru das intrigas, prenhe de inveja, quer evitar a todo o custo que Passos Coelho consiga o que ele nunca foi capaz de conseguir. Avisa: “os portugueses vão punir quem abrir a crise política”. Quer ele dizer: dêem tempo a Passos Coelho para se desgastar, a fim de, como eu, não chegar a parte nenhuma.
O senhor Correia, porta-voz dos interesses islâmicos em Portugal, vai pelo mesmo caminho. E se Passos Coelho não for tão sensível à amizade do Càdáfi como o Pinto de Sousa?
Por diapasões deste género, como seria de esperar, alinha uma data de pensadores, sobretudo os que dependem ou julgam que dependem do senhor Pinto de Sousa.
Faltam sete dias.
Haja alguém que “ilumine” a cabeça egoísta do Presidente e o faça perceber que tem sete dias para dar algum sentido patriótico ao seu mandato.
Como disse a Dona Manuela, muito mais mal nos vem se esta gente continuar a arruinar-nos do que se vivermos uns meses com duodécimos…
2.9.10
António Borges de Carvalho

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