IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • VOLTA DINHEIRINHO, ESTÁS PERDOADO!

     

    É difícil “encaixar” a desgraça que por aí anda e por aí vai continuar a andar e a ser cada vez mais desgraça.

    Até quando? Ninguém saberá dizer. O mais provável é que a desgraça se instale e passe a ser “normal”.

    Já toda a gente pensou, até há quem o tenha dito e escrito, que não é possível recusar a herança do senhor Pinto de Sousa como se ele tivesse sido nosso tio, nem evitar as dramáticas consequências do que vai por essa Europa fora, como se à Europa não pertencêssemos.

    Apesar de perceber e até aceitar que não pode deixar de haver austeridade, e da dura, da difícil, todo o bicho careta acha que ela deve parar à sua porta.

    Os tipos das SCUTS acham que não têm que pagar as portagens. Os funcionários, que lhes não devem ir ao ordenado. Os reformados, que nas pensões não se toca. Os meninos, que os empregos devem ser garantidos, universais, bem pagos e vitalícios. Os sindicatos nem sequer percebem que quanto mais greves fizerem pior para eles. Os partidos comunistas dizem que é possível fazer omeletas sem ovos ou acham que quanto pior melhor, porque abre caminho às vanguardas. Os professores acham que há lugares para todos, nem que seja um professor para cada aluno. Os médicos que isso das horas extraordinárias tem que ser garantido.

    E por aí fora. Toda a gente acha que é preciso que os outros paguem. Bodes expiatórios não faltam, os bancos, os ricos, os políticos, os corruptos, o diabo a quatro. Se se tirasse o dinheiro aos bancos, aos ricos, aos políticos, aos corruptos, ao diabo a quatro, resolvia-se o problema! Não se resolvia coisa nenhuma, mas a malta vai alimentando estas revolucionárias ilusões.

    A última “indignação”, expressa em ameaças de pacotilha, é a dos tasqueiros e quejandos. A bica a setenta cêntimos em vez de sessenta e cinco? Nem pensar! Vai tudo à falência. As camas de hotel a oitenta euros em vez de setenta e cinco? Acabou-se o turismo! E por aí fora. É o pânico fabricado por mais uns que não querem pagar, em vez de cortar as unhas.

     

    Para além de todas as asneiras “sociais”, bancárias, dos governos, do welfare, há uma realidade que ninguém reconhece como tal: o dinheiro mudou de residência. Não desapareceu. O dinheiro nunca desaparece. Muda-se. Migra.

    Se o dinheiro migrou, é preciso ir buscá-lo onde está. Como com as pessoas, é preciso atrair esse ilustre emigrante. O dinheiro, como as pessoas, só volta se lhe oferecerem boas condições de vida.

    É aqui que bate o ponto. Fazer voltar o dinheiro, a bem, não é fácil. É preciso esquecer uma data de sentimentos nacionalistas, coisa, essa sim, que regressa e por aí grassa, como há cem anos. Sabe-se o que dá, e onde conduz. Sabe-se ao que levou, no século passado.

    Julga o IRRITADO que, um dia, o dinheiro vai voltar. A bem ou a mal. Essa tão odiada categoria económica, condição de liberdade, pode voltar como tal, ou como ferramenta de guerra ou de domínio. É aqui que bate o ponto.

     

    Entretanto, a opção de não pagar deixou de ser opção. E quanto mais se quiser resistir, pior.

     

    13.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ESPERANÇAS

     

    Grande e risonha esperança animava, Nação fora, as distintas forças de esquerda. As broncas do Jardim eram garantia de um crescimento eleitoral nunca visto. Aleluia!

    Vai daí, o pessoal roubou votos ao PSD, pois roubou, mas foi entregá-los ao CDS! O PS levou na pinha, o PC foi atrás, o BE nem se fala. A esquerda foi pelo cano abaixo sem apelo nem agravo.

    O PS, se fosse coerente, ficava satisfeito: o Jardim fez um discurso de vitória totalmente socialista: intervenção do “Estado” regional em tudo e mais alguma coisa, investimento público, etc., tudo receitas tão do agrado do Pinto de Sousa e do seu rebento Seguro.

    Estas coisas dos ilhéus, perceba-as quem for capaz. Viram à direita, levam com panaceias de esquerda nas fuças. Se calhar, se tivessem virado à esquerda, o Jardim fazia um discurso a fazer inveja ao George W. Bush!

     

    Duas lições há a tirar do que se passou. A primeira é que os madeirenses, como a generalidade dos europeus, acreditam tanto nas “soluções” de esquerda como na vitória do Carcavelinhos sobre o Real Madrid. A segunda é que, para o Jardim tanto faz, desde que mantenha bem viva a imagem do inimigo “externo”. Quando fala de Lisboa é pior que o Pinto da Costa. E como, cronicamente, precisa de dinheiro, quanto mais falar em investimento público, em intervenção do Estado e noutras patacoadas do estilo, mais abichará. De parvo tem pouco.    

    De qualquer maneira, uma jornada muito mais positiva do que se poderia temer. Se o PS, o PC e o BE tiverem experiência semelhante no continente, então haverá lugar a alguma esperança, da propriamente dita.

     

    10.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • 15 DE MARÇO

     

    Informa o Diário de Notícias, em destacado título, que “A democracia sai à rua dia 15”.

    O IRRITADO sobressaltou-se com a notícia. A democracia na rua? Que é isto? Virão o Presidente, os deputados, outros eleitos, os partidos, o povo, para a rua, manifestar-se contra si próprios? Virá a república para a rua, com a Clementina de tetas de fora à frente? Que será isto?

    E lá foi ver do que se tratava.

     

    Pode agora garantir que se trata de coisa altamente importante, decisiva, cheia de “projecto”, de “linha de rumo”, de “coerência” e de “sede de justiça”.

    E de pluralismo q.b.

    Vejamos: ele é a JOC (Juventude Operária Católica), a PLAGAN (Plataforma Anti-guerra Anti-NATO, o M12M (Movimento 12 de Março), o SOS Racismo, o Opus Gay, a UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, a Marcha Mundial das Mulheres, o GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental), a AGIR (agrupamento de Intervenção e Resposta), a Casa do Brasil, os Precários@Inflexíveis, a FERVE (Fartos destes Recibos Verdes), o A Cultura Está Viva e Manifesta-se na Rua, os Artistas e Públicos Indignados, o Socialismo Revolucionário filiado do Comité Internacional dos Trabalhadores, os Estudantes do Superior pelo 15 de Outubro, os (as?) Panteras Rosas e mais umas vinte “organizações” de que ninguém ouviu falar e que o IRRITADO não refere porque já está farto.

     

    É de intuir que esta monumental salganhada se propõe acabar com a “homofobia”, com a “precariedade”, com a NATO, com o “aquecimento global”, com os recibos verdes, com os “transgénicos”, com o “capitalismo” e com outros horrores da sociedade moderna, através da “democracia participativa”, da “transparência”, do socialismo revolucionário e do fim de outra precariedade, recentemente inventada, a que chamam “precariedade de vida”, como se houvesse alguma coisa mais inevitavelmente precária que a própria vida.

    Os objectivos parecem confusos, mas é fácil imaginá-los.

    Esta gente, munida dos seus ipads, ipods, iphones, blackberrys, etc., propõe a destruição pura e simples de tudo o que lhes deu origem. Os seus gadgets de estimação passarão a ser coisa que, como os pacotes de leite e as drogas, estão no supermercado ou nas ruas porque sim. O emprego é uma coisa que os outros (quem?) lhes devem, até que a morte os leve. Sobretudo, nada de eleições, nada de partidos, nada do que existe. A “democracia” faz-se na rua, é “participativa”, é coisa de minorias e de “activistas”, sendo os “activistas” o povo que manda na rua e irá passar a mandar nas nossas casas, enquanto tivermos casa.

    A tese é paralela às do Cunhal e colegas: quem manda é quem manda na rua, ou seja, quem manda em quem manda na rua.

    Eles têm “razão”, têm direito a ser alimentados, a não ter outras responsabilidades que não sejam as de fazer barulho e de exigir tudo e mais alguma coisa, têm o direito ao emprego permanente com ordenadinho ao dia 30 quer trabalhem quer não, têm o direito a ter casa, saúde, educação (pouca, que estudar é chato), tudo a cair do céu, talvez produzido pelos escravos desta gente.

    O Cunhal, ao menos, tinha uma solução: roubava-se à “burguesia” e punha-se a burguesia a sustentar o “povo”, isto é, o partido. Estes, nem isso: querem o que querem, e pronto.

    Na sociedade ideal do 15 de Outubro, toda a gente será obrigada a ter a maior das admirações pelos deficientes sexuais. Os exércitos, as polícias, as leis, as eleições, a economia, serão abolidos e substituídos pela “justiça” e pela boa vida dos “activistas”. Os “artistas” serão toda a vida pagos pela “sociedade” quer prestem para alguma coisa quer não. Haverá serviços públicos de alto gabarito, independentemente de haver meios para os pagar. O dinheiro virá de quem o tem, quer dizer, do poço sem fundo que a maralha acha que existe. O arrefecimento global passará a ser obrigatório. Se for preciso um presidente da república, tal cargo será desempenhado em mandatos de um ano e entregue, por sucessiva inerência, ao presidente da ILGA, ao secretário-geral do opus gay e ao líder espiritual da Quercus. As religiões serão abolidas e, para esse fim, criado o correspondente campo de extermínio.

     

    Só falta saber quem será o big brother. Não faltarão candidatos.

     

    19.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • O MIJARETE

     

    No tempo da ditadura, o cinco de Outubro era motivo de uma romagem à estátua do António José de Almeida, ali ao pé do Técnico. Umas meias dúzias de indefectíveis jarretas punham umas flores e diziam umas inanidades sobre as saudades que tinham da gloriosa primeira república, coisa há muito falecida, afogada nas suas guerras, desmandos e mesquinhas questões, vítima de si própria e dos sinais de tempos menos “democráticos” cujos ventos assolavam a Europa.

    Outros, ou os mesmos, faziam romagens à campa do Afonso Costa, quiçá para dar um sinal de pluralismo e não ressuscitar inimizades.

    Os mais maximalistas, ou os mesmos, deslocavam-se ao túmulo dos bem simbólicos heróis da primeira república, os assassinos Buíça e Costa, onde recordavam com saudade e ternura os bons tempos em que a república se tinha afirmado da mais significativa forma.

    A Maçonaria, oficialmente proibida e oficiosamente protegida pela segunda república através, por exemplo, da nomeação de destacados militantes seus – como Albino dos Reis ou Mário Figueiredo, ambos presidentes da assembleia nacional – não deixava, paralela e solidariamente, de se auto-homenagear pela autoria da gloriosa implantação da república.

    Saudosistas da Carbonária e do anarquismo, mais discretos porque tinham deixado de estar na moda, não deixavam, também, de se rever nos assassínios e nas bombas com que tinham cimentado o nobre ideal republicano.

    A PIDE assistia a tudo, discreta e tolerante, nas esquinas da Rovisco Pais e nos portões dos cemitérios. De vez em quando, para manter viva a chama da segunda república, prendia uns tipos daqueles, geralmente tidos por inofensivos, e voltava a soltá-los tempos depois ou mandava-os em vilegiatura para as colónias. Os perigosos eram outros, os seguidores da rádio Moscovo e quejandos. De um modo geral, eram estes que iam pagando as favas ainda que, por sinal, pouco ou nada tivessem a ver com o cinco de Outubro. Antes pelo contrário, os seus “maiores” tinham sido tanto ou mais perseguidos pela primeira república como o eram pela segunda.   

     

    Veio a terceira república. Sabe-se o que fizeram os tipos do PC e seus parceiros. Os outros, os do cinco de Outubro, à pala de umas concessões à esquerda comunista ou comunóide, conseguiram, por exemplo, que a Constituição deixasse de reconhecer a Nação, substituindo-a pela república (Portugal é uma Republica… art.º 1º), o que quer dizer que, antes do cinco de Outubro, Portugal nem sequer existia. Faz lembrar um compêndio de história “vendido” em África pelos cubanos que rezava que a história da humanidade tinha começado, depois de séculos de trevas, com a gloriosa revolução de Outubro – a soviética, claro.

     

    O cinco de Outubro passou a feriado nacional.

    Mutatis mutandis, as respectivas comemorações pouco ou nada são mais que as do tempo da ditadura. É certo que metem bandas, paradas e discursos oficiais, onde uns, como o Presidente, dizem coisas que toda a gente já sabe, outros, como o Costa, aproveitam para dar uma de esquerdista, já que ficava mal elogiarem o Buíça, a primeira guerra, ou os tempos em que se querem rever. Desta vez, em escolha que muito agradaria ao doutor Oliveira Salazar, até puseram uma prendada menina a dizer umas coisas.

    O povo, esse, liga tanto às cerimónias como ligava às romagens do antigamente. Vão lá uns tipos que andavam a passar na baixa, outros que gostam de bandas e de cornetas, festões e bandeiras. Talvez uns cem. Significam tanto de “amor” à república quanto a menina do discurso representa “a juventude”.

     

    Substancialmente, as comemorações do cinco de Outubro são o mijarete que sempre foram.

    No fundo, a olímpica indiferença do povo a tais manifestações é a melhor maneira de comemorar tão infausta memória.

     

    8.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • FARMACOLOGICAMENTE FALANDO

     

    Durante anos e anos, fomo-nos habituando à repetida presença, na TV e nos jornais, de um senhor de estranha barba e ar feroz, que se apresentava como uma espécie de patrão de todas as farmácias.

    Herdeiro da farmácia Cordeiro de Cascais, célebre por diversas razões, o senhor Cordeiro era nada mais nada menos que o mui ilustre presidente de uma coisa chamada, salvo erro, Associação Nacional de Farmácias.

    Não sabe o IRRITADO como a coisa começou. Sabe que o chefe Cordeiro transformou uma aparentemente inócua associação empresarial num gigante financeiro, sediado num enorme palácio, com o Tejo aos pés e grandeza q.b.

    Não sabe o IRRITADO como se transforma uma associação num banco, nem como se utiliza os dinheiros dos sócios criando uma espécie de mútua financiadora dos atrasos dos pagamentos do Estado às farmácias, mas sabe que isto conferia ao grande homem o direito de falar de alto com os governos, os bancos, os media e o povo em geral. Sabe outrossim que a mais pequena coisa que parecesse atravessar-se no caminho do senhor Cordeiro era, imediata e bombásticamente, transformada numa alta questão nacional, em risco que estavam as margens de comercialização ou coisas do género, pondo em risco a vida do conglomerado que a associação representa e, por conseguinte, dizia ele, o abastecimento de medicamentos ao povo.

    Isto durou o que durou. Veio a crise, os preços dos medicamentos desceram, os bancos fecharam-se em copas. O resultado foi que o nosso feroz Cordeiro deixou de ter argumentos para falar de cátedra com este mundo e o outro.

    Vai daí, rabo entre as pernas, o homem demitiu-se. Dirá, com certeza, que foram maus para ele, que lhe coarctaram a capacidade de gestão ou outras coisa do estilo, sendo inevitável, em sinal de indignado protesto, passar à peluda.

    Ou seja, o homem, ou estava em posição de falar de poleiro ou, deixando estar, a coisa já não lhe interessa. Boa noite, ti Pedro! Quem vier atrás que feche a porta.

     

    É sempre agradável, gratificante e fácil ter muito dinheiro para gerir e ter a árvore das patacas à disposição. Está-se no trono.

    Quando a coisa começa a dar mais trabalho, isto é, quando a porca começa a torcer o rabo, já não dá. É uma chatice. Adeus.

     

    7.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PESTE NEGRA

     

    O “reinado” de Sócrates foi uma peste negra, disse ontem, por duas ou três vezes, o Dr. António Barreto.

    O IRRITADO cumprimenta efusivamente o conhecido intelectual pela agudeza de espírito com que soube caracterizar o consulado do senhor Pinto de Sousa.

     

    5.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DO NACIONAL SOBRINHISMO

     

    Ontem, ó delícia, o IRRITADO assistiu a mais uma exibição do notável (porquê?) socialista Alfredo Barroso.

    O homem costuma não passar de desagradável, antipático e odiento. Desta vez excedeu-se. Decidiu atacar o adversário usando o mapa de famílias que o Diário de Notícias acusa de subir na vida ou ter empregos de favor via a generosidade do Jardim. O adversário, jardinista convicto, considerava toda aquela gente como altamente meritória e objecto de favor nenhum. A verdade deve estar algures no meio da coisa, sendo o IRRITADO incompetente para julgar.

    O que é engraçado, engraçadíssimo, é que o Barroso (Alfredo) tem, como argumento número um para ter ocupado bons cargos públicos, bem como para a reforma com que deve ter sido contemplado, o facto de ser sobrinho do Dr. Mário Soares. Um dos mais evidentes exemplos do nacional sobrinhismo, no seu caso do sobrinhismo literal, tem o topete de chamar a atenção para o sobrinhismo alheio. É de estalo!

    Tiro o chapéu ao seu televisivo inimigo, por se ter abstido de usar o argumento para que o IRRITADO chama agora a atenção. Parece que, afinal, a falta de educação soarista consegue ser pior que a jardinista.

    Nada melhor para comemorar a República.

     

    5.10.11

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. – Para que não passe em claro, diga-se que outra pérola do Dr. Alfredo (doutor é como exige ser tratado, sobretudo por aquela rapariguinha do CDS que teve a desgraça de casar com o Tavares) foi a que se refere aos números da dívida madeirense. Nove mil milhões, dizia ele. Seis mil e tal, dizia o outro. Para “fundamentar” a sua afirmação, o Alfredo avançou que os nove mil milhões é o número jurado pelo do chefe do PS na Madeira e, ó maravilha!, também “por um professor de economia”… Francisco Louçã de seu nome!

    Em matéria de credibilidade, de um lado e de outro, estamos conversados.

  • UMA BOA NOTÍCIA

     

    Anda meio mundo numa fona de acerbas críticas ao governo por ter acabado com os prémios em dinheiro que eram dados aos melhores alunos do secundário.

    Em abono da verdade, diga-se que a coisa não se percebe lá muito bem. Bons alunos há poucos e quinhentos euritos a cada um dos melhores não devia ter peso que se visse na nossa miserável tesura.

     

    No entanto, como diria a minha avó, Deus escreve direito por linhas tortas. Foi o que sucedeu. Gerou-se um movimento tendente a substituir os abolidos contributos do Estado por outros, da sociedade civil. Uma coisa quase inédita. À primeira vista, parece que nenhum estudante, dos seleccionados, deixará de receber o seu prémio.

    Um a boa notícia. Um importante avanço da sociedade civil, avanço que, acha o IRRITADO, deveria fazer caminho e tornar-se habitual, como o é, por exemplo, nos países de tradição anglo saxónica,.

     

    Porém…

     

    É evidente que este embrião de evolução não deveria servir para demagogias, auto-elogios e gabarolices.

    Mas… somos portugueses, não perdemos pitada do que nos possa servir de propaganda.

    Ouvi hoje um ilustre clínico, bastonário dos médicos ou coisa do género, que se pavoneou meia hora na TV à pala de uns milhares que a Ordem deu a uma dúzia de estudantes. O homem aproveitou para dizer mal deste mundo e do outro, para se queixar que os médicos, coitadinhos, passam atestados piratas sob ameaça (‘tá-se mesmo a ver, não ‘tá-se?), que dão baixas por dúvida, que o governo (este) tal como o governo (o outro) não fazem nada de jeito, etc. e tal.

    Perdeu o ilustre esculápio uma oportunidade de ouro de estar calado, não se servindo da ocasião para vir vender o seu peixe à rapaziada.

    O ponto de vista dele é outro: se pagaram os prémios aos rapazes, há que ganhar com isso. Meia hora de TV. Os prémios já estão a dar lucro!

     

    3.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • A VER NAVIOS

     

    Anda o pessoal entretidíssimo com as histórias do Jardim. A tal respeito está tudo mais ou menos dito, para bem e para mal.

     

    Quem anda a passar pelos pingos de chuva sem se molhar é o colega dele dos Açores, um fulano desagradável e peneirento, que quer mandar mais que a Constituição e as leis, que compra os funcionários com ordenados ilegais, que tem tanta educação como o Jardim, por exemplo em relação ao Presidente da República, etc., etc.

    O dito condotieri, a ressumar pesporrente importância, ferrou uma monumental bordoada nos interesses do país, da economia e dos trabalhadores (o fulano é socialista!) recusando, por dá cá aquela palha (2 nós!), um navio construído em Viana do Castelo. Depois, por ajuste directo!, alugou na Grécia uns naviozitos para a cabotagem que caberia ao navio recusado, gastando uma fortuna que poderia ter salvo os estaleiros do Estado. Sem dó nem piedade, com o apoio paternal do senhor Pinto de Sousa, o homem deu um contributo importante para a miséria nacional, como está à vista de todos, e mandou uns largos milhões para a Grécia – há quem diga que não só para a Grécia – dando largas ao seu atlântico poderio, em brutal demonstração de desprezo pela nossa (e dele?) terra.

    Não contente com isso, mais uma vez com o terno aval do senhor Pinto de Sousa, o indivíduo tratou de sacar uns 40 milhões de indemnização, se calhar para pagar aos gregos ou a quem andou de permeio no ajuste.

    Ora os ENVC, arruinados como toda a gente sabe, pagaram 7 dos 40 milhões e fecharam-se em copas, por evidente falta de dinheiro. O manda-chuva das ilhas não é de modas: ameaça ir para os tribunais para sacar o que “é” dele.

    A pergunta que fica é esta: como é possível que o governo do país, dono da empresa arruinada, não tenha metido o fulano na ordem logo à partida, não o tenha obrigado a engolir o navio, não o tenha mandado prender por fazer ajustes directos de milhões, aceite que haja indemnizações milionárias num assunto de lesa pátria, “devidas” a quem a lesa?

    Fica a pergunta. Resposta não há.

     

    3.10.11

     

    António Borges de Carvalho

      

  • MORAL A MENOS, MORAL A MAIS

     

     

    Antes de mais, o IRRITADO agradece a quem lhe desejou boas férias. Cá está de novo, mais novo (gostava!) e ao dispor.

     

    A primeira coisa que o IRRITADO encontrou por cá, digna de nota, de riso, de troça, de choro e de tristeza, foi a inigualável história do Isaltino.

     

    As almas ofendidas, com toda a razão, com as isaltínicas peripécias, prenhes de proselitismo moral e de críticas ao sistema que as permite, aproveitam a maré para tecer os mais altos encómios ao inteligente Marques Mendes, o qual se “portou exemplarmente” ao correr com o dito Isaltino das fileiras partidárias. Muito bem.

    O pior é que se esquecem que o mesmo Marques Mendes também não hesitou em adiantar-se ao poder judicial quando correu com um homem sério da Câmara de Lisboa, isto para além de outras manifestações suicidárias que, mascaradas de “ética”, tiveram como gran finale o poder do tenebroso Pinto de Sousa.

    Indómito, corajoso, probo, impecável, Marques Mendes, com inquisitorial exagero, tratou da mesma forma dois homens que nada têm a ver um com o outro, como o futuro acabaria por demonstrar.

     

    Se isto é cortar a direito, vou ali e já venho.

     

    3.10.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CRÓNICA GAULESA

     

     

    O IRRITADO passeia-se por terras do Nicolau Sarkozy. Coitado, o homem tem andado afastado das manchetes por causa da barulheira das primárias do partido socialista. A chusma de xuxas franceses (sete!) que se apresentam é de tal ordem que ocupa os jornais e as televisões com debates e mais debates, entrevistas aos pontapés, desentendimentos mais ou menos fabricados para emocionar o pessoal, etc. e tal.

     

    Isto não interessa lá muito. É evidente que o único xuxa que interessava verdadeiramente às massas era o DSK, e esse foi cientificamente afastado, vítima da sua incontinência pessoal e de armadilhas várias, a começar por uma criada de hotel e a acabar num pente francês que, passados não sei quantos anos, resolveu lembrar-se de que DSK lhe apalpou o soutien, a seguir a ter-se locupletado com os favores de alcova da sua bem amada mãezinha.

     

    Adiante. O IRRITADO, mercê de um voo low cost em boa hora criado entre o Porto e La Rochelle, tem andado a pavonear-se na Ilha de Ré e no Périgord, com largo consumo de produtos da gastronomia local e da respectiva vinhaça, pior esta, e mais cara, que a lusitana pinga.

     

    Como sempre que nos deslocamos pela província francesa, a fartura de chateaux, de igrejas medievais, de paisagens assombrosas ou simplesmente belas, é tal, que nos deixa tristes com a nossa secura, a nossa ausência de verde, o ar escalvado e desordenado da nossa agricultura, a estupidez endémica e confusionista da nossa sinalética turística.

     

    É claro que estes tipos só são simpáticos, e nem sempre, por obrigação profissional, é claro que os restaurantes estão cheios de lulus das velhas viúvas e divorciadas, a lamber as canelas dos circunstantes sob o olhar ternurento das donas. Que interessa? O mar está lindo, o sol vivíssimo, as marés imensas, há relais maravilhosos à beira dos rios, há grutas, florestas, uma fantástica imensidão agrícola, há, em qualquer vilória, lojinhas com tudo o que há de tentador, há uma atmosfera soulagée a fazer esquecer a crise que por aqui também campeia, qual Adamastor a ameaçar os navegantes sem que o homem do leme tenha a força da inspiração e do poder do Senhor Dom João Segundo.  

     

    A França (ainda) não caiu nos braços fraternos do FMI e quejandos. Mas sente-se a ameaça. Cortes orçamentais nunca vistos desde o fim da II Guerra Mundial, cerca de 60.000 professores “dispensados” entre 2007 e 2011, mais 14.000 previstos para 2012. Como entre nós, os professores fazem as suas greves (não mais que 25%) e gritam na rua. Podem fazer mais que isso? A despesa por aluno é quase duas vezes a que era em 1980 (6% do PIB!), há menos quinhentos mil alunos e mais trinta mil professores, etc. Numa palavra, não há greve que valha.

     

    Os agricultores têm andado calados. Se calhar já perceberam que vivem à custa dos europeus través dessa coisa incrível que já devia ter acabado e se chama PAC.

     

    Uma boa notícia para todos é que parece que o “nosso” “Barroso”, obviamente a conselho do IRRITADO, resolveu dar um murro na mesa: pôs nas ruas da amargura o “governo económico europeu” do casalinho Merkel/Sarkozy. Diz ele que a Europa tem um governo de que ele é o primeiro-ministro e que é a esse governo que compete a tal governção económica, não a uma panelinha franco-tudesca. Resta saber se terá guts e apoios para defender na cimeira de Outubro o que tão vasto sucesso obteve no Parlamento. O argumento é simples: ou nos socorremos do “método comunitário”, sediado na Comissão, ou o “método inter-governamental” conduzirá “à renacionalização, à fragmentação, quem sabe se à morte da Europa unida”.

     

    Carradas de razão. Virá a tempo? Não se sabe, mas é uma ténue luzinha ao fundo do túnel do TGV para o desastre. À atenção de Passos Coelho. É capaz de ser altura de se demarcar do directório e de procurar aliados. Certo que com pinças e punhos de renda. Mas com firmeza também.

     

     

    Bom, já chega. O mar está ali, à espera do IRRITADO. Na semana que vem, voltará aos seus profundos pensamentos. Salut!

     

     

    29.9.11

     

    António Borges de Carvalho

     

  • DA GUERRA SECRETA

     

    O meu computador não tem palavras passe, nem protecções de nenhuma espécie. Se alguém aqui quiser entrar, carrega no botãozinho on/off e pronto, está no meu privadíssimo éter. É claro que se trata de uma máquina a que só os meus mais próximos terão acesso, e como não há nela segredos de especial, que se lixe.

    Nos escritórios há muito quem afine pelo mesmo diapasão, excluindo-se os que não querem que o patrão saiba por onde andaram.

    Quer isto dizer que grande parte dos PC’s, senão a maioria deles, está acessível a qualquer curioso.

     

    Posto isto, qual é a lógica de andar a perder tempo com um inquérito destinado a averiguar tem terá acedido ao computador de um jornalista, a fim de copiar a factura do telemóvel? A lógica é nenhuma.

    E, no entanto, levantou-se um clamor maluco sobre o assunto, ordenou-se inquéritos, reuniu-se comissões parlamentares, alimentou-se telejornais, encheu-se páginas e páginas na imprensa, cortou-se cabeças, tudo à custa dessa coisa extraordinária que é querer saber (uma exigência indeclinável da Pátria e da democracia, da transparência e da liberdade!) quem roubou a factura, alegadamente a pedido dos serviços secretos, os quais andavam à procura de quem, lá de dentro, dava ao tal jornalista informações tendentes a fazê-los deixar de ser… secretos.

    Segundo o politicamente correcto confundiu-se os direitos dos jornalistas com os dos serviços secretos. Achou-se que os serviços secretos tinham mais direitos ao secretismo que os sacrossantos jornalistas. Tudo errado, tudo anti-democrático, tudo inconstitucional! Então não sabem que os jornalistas podem dizer o que quiserem sobre quem quiserem, e que nada nem ninguém tem o simples direito de lhes perguntar onde foram buscar a informação? Então não sabem que os jornalistas, como os do DN – para citar um só caso -, têm o direito de entrar no computador de quem muito bem lhes apetecer, tirar de lá a correspondência que lhes apetecer, publicá-la como lhes apetecer, influenciar o eleitorado como lhes apetecer, sem que haja investigações, nem inquéritos, nem comissões parlamentares, nem páginas de jornal nem tempos de antena, nem escândalo ou preocupação pública, nada? Então não sabe que os serviços secretos não têm nada que se pareça com tal direito?

     

    O IRRITADO, que não tem nada a ver com o politicamente correcto, acha que o pessoal anda, há anos e anos, a ser enganado por parangonas e entretenhas absurdas.

    Esta coisa dos serviços secretos foi longe demais. Com a colaboração activa dos órgãos de soberania, o que agrava o caso.

    Tudo minha gente embrulhado no papel pardo das guerras do Balsemão contra o Vasconcelos e do Vasconcelos contra o Balsemão.

    O que é que o pessoal tem com isso? Comam-se um ao outro! Vão para o raio que os parta, que o pessoal tem (ou devia ter) mais em que pensar!

     

    26.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DAS BALDAS DO ENSINO

     

     

    Segundo os jornais, um número considerável de macacões entrou em medicina via “ensino recorrente”, coisa de que o IRRITADO não tinha conhecimento mas que parece ombrear com essoutra maravilha do socracretinismo a que se deu o nome de “novas oportunidades.

     

    A bandalhice começa no facto, já muito antigo, de se exigir aos candidatos a medicina médias altíssimas, sem cuidar de saber se os ditos têm um mínimo de aptidões psicológicas para exercer a profissão, se têm alguns sentimentos que os habilitem a ver nos doentes seres humanos iguais a eles e que deles precisam em situações de carência do mais precioso dos bens, a saúde.

    Assim, acedem a medicina os melhores em notas, provenham elas de inteligência ou de marranço, fulanos que podem muito bem ser umas bestas, uma vez que a inteligência ou a capacidade de trabalho, embora indispensáveis, não são nem jamais foram aval de “humanidade”, de altruísmo ou de dedicação ao próximo. Para medicina, talvez não seja preciso ter dezanoves ou vintes, mas é, com certeza, preciso que, para além dos conhecimentos, seja examinada a qualidade emocional psicológica e psíquica de cada um.

     

    Ao notável sistema de selecção em vigor veio juntar-se, por benesse socialista, uma horda de indivíduos, com médias de 19 ou 20, que fizeram o secundário… num ano!

    Compreende-se que o ex-primeiro-ministro tivesse uma queda especial para este tipo de formação, sobretudo quando se via ao espelho. Não se compreende que o ministro Gago, fulano que parecia merecer alguma consideração, tenha criado esta formidável burla.

    Burla que é tanto maior quanto qualquer tipo de ensino recorrente serve para entrar em medicina! Um fulano “fez” o 12º ano num ano e em matérias base tais que inglês e castelhano. Obteve (como?) 19 valores… E aí vai ele de rompante para a mais nobre das faculdades!

     

    Se virmos bem, a coisa não passa de uma consequência natural da filosofia triunfante, a tal que postula a não necessidade de exames, a consideração do aluno não como um trabalhador a quem compete uma tarefa exigente mas como um privilegiado a quem a sociedade deve o ensino, quer estude quer não, quer mereça quer não.

    Teoricamente, o IRRITADO nem sequer é contra o ensino recorrente. Não estará errado que um cidadão excluído do ensino por circunstâncias da sua vida mas que, ao longo dela, foi enriquecendo os seus conhecimentos, tenha a oportunidade de os demonstrar e alargar, de forma a poder, uma vez provadas as suas aptidões, ingressar no ensino superior. Sempre, porém, mediante rigorosíssimos exames, obviamente centrados nas matérias que têm a ver com o curso a que se quer candidatar.

    Se assim não for, como não é, estamos perante uma fraude legal, um direito adquirido sem nenhum sentido ou fundamento.

     

    No fundo, se virmos bem, a coisa até tem a sua lógica. Não vivemos nós num país onde se vendeu às pessoas, na loja da Constituição, das leis e dos governos, a ideia de que são sujeitos de uma infinidade de direitos, qual deles mais absurdo ou mais impraticável, e de nenhuma obrigação?

     

    25.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • OU HÁ MORALIDADE OU COMEM TODOS

     

    O nosso inacreditável PGR anunciou, com ribombante publicidade, que vai perseguir criminalmente o governo da Madeira, por “crime de ocultação de dívidas”.

    De acordo. Se há suspeitas, então que se investigue, julgue, e puna se, for caso disso.

     

    Fica, no entanto, uma pequena dúvida: então, e os outros?

    Então, e um senhor que andou 6 anos a enganar-nos com as contas, a começar no “défice” aldrabado que encomendou ao camarada Constâncio, a continuar nos gritos que propagandeavam uma baixa no défice no ano em que o aumentou (cf. Eurostat), a continuar em anúncios mirabolantes, a maior parte deles sem qualquer realização que lhes correspondesse e em declarações demagógicas de empreendimentos e realizações que sabia de ciência certa não ter dinheiro para realizar ou que endividaria o país até à exaustão se os realizasse, que contratou as mais ruinosas parcerias, que acrescentou a tudo isto os escândalos académicos, financeiros e de tantas outras naturezas, as manipulações informativas, as interferências em empresas privadas para sanear quem lhe não interessava, etc., etc., etc.? Quantas dívidas ocultadas, quantos problemas encapotados, disfarçados, cobertos por retórica aldrabona, quantos meses de desgraça escondida, obrigando o país a recorrer a ajuda um ano mais tarde do que (ele sabia!) era necessário?  

     

    O nosso inacreditável PGR cohonestou a queima de provas que outros magistrados consideravam conter indícios criminais, passou por cima de manipulações diversas, perseguiu os seus próprios colegas que se atreveram a pôr na mesa meia dúzia de verdades, não investigou o “caso do canudo”, com evidentes e claríssimas provas de fraude, impediu instâncias judiciais de prosseguir investigações, protegeu sem vergonha nem pejo o primeiro-ministro da época, etc., etc., etc.

    Agora, atira-se como um lobo às canelas do Alberto João. Pois que se atire, mas que seja, ou tenha sido, coerente, como é o seu indeclinável dever!

     

    O primeiro pedido que o IRRITADO fez ao Dr. Passos Coelho por alturas da sua eleição foi que tratasse com o Presidente da República da urgentíssima substituição do PGR.

    Agora que, para quem ainda acreditasse na isenção do senhor, fica à saciedade demonstrado que não a tem, o IRRITADO renova o pedido atempadamente apresentado.

    Substituam o PGR por alguém que, além de perseguir o Dr. Jardim, ressuscite as fraudes universitárias do senhor Pinto de Sousa, o nebuloso caso da sucata, o inacreditável processo do Freeport, as escrituras do Heron Castilho…

    Alguém que corte a direito, que não se escude em parlapatés e comunicados contraditórios, que restaure a moralidade das instituições, que contribua para nos fazer acreditar que há Justiça em Portugal.

     

    21.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • O JARDIM DA MADEIRA

     

    O IRRITADO costuma ser honrado com a presença de um número mais ou menos regular de comentadores. A todos aqui fica o agradecimento que merecem, sejam eles apoiantes, críticos ou as duas coisas, segundo as ocasiões e as opiniões que vão aparecendo no blog.

     

    Posto isto, atreve-se o IRRITADO a estranhar que, desde há dias, a propósito de assuntos completamente díspares e sem ter nada a ver com eles, os meus queridos comentadores venham aproveitando as oportunidades para, a despropósito, se envolverem em discussões sobre o Dr. Jardim e a sua excelência ou vilania.

    Não se sabe se isto trás implícita uma crítica ao IRRITADO por ainda não se ter pronunciado sobre as últimas notícias da Madeira, coisa que ocupa toneladas de papel e de tempo de antena.

    Picado, o IRRITADO reage ou, se quiserem, dá à casca, procurando responder, de uma assentada, ao muito que por aqui sobre o assunto tem aparecido.

     

    Dada a violência de tais notícias, e para descanso de quem anseia, o IRRITADO opina que o Dr. Jardim não deveria apresentar-se às próximas eleições regionais. Em seu lugar o número dois ficaria à cabeça da lista e, como manda a Lei, subiria o primeiro suplente lá do fim. Depois, logo se via quem subiria à Quinta da Vigia. Não se faz ideia quem.

    Para o cidadão comum do chamado “rectângulo”, o Dr. Jardim “é” a Madeira, o resto é paisagem.

    O Dr. Jardim já lá está há tempo demais, por mérito próprio ou por demérito dos seus adversários, que parecem não ser capazes de vender um copo de água no deserto. O Dr. Jardim ia-se embora, ficava livre de se defender daquilo que o acusam, e evitava ter que ser ele a descalçar uma bota que ninguém sabe como se descalça.

    Por outro lado, é verdade que, com pena ou sem ela, o pessoal está cansado do “estilo” do homem. Há coisas que podem usar-se, mas com conta e medida, não a torto e a direito, como o são as jardínicas invectivas e descocos.

    Alberto João sempre foi polémico. Sempre tratou mal os seus adversários, bem como os que, não o sendo, lhe merecem aleivosias. Chegou o momento de se deixar disso. A única forma de o fazer é reformar-se.

     

    Compreenda-se, porém, o que o espera se se for embora. Durante anos e anos, a cada hora, a cada segundo, o estilo PS revelar-se-á. Ganhando ou não as eleições, o Dr. Jardim será objecto da mais radical violência moral, social e política. Nada de mau haverá na Madeira que não seja sua exclusiva obra e desculpa número um para as asneiras de quem vier a seguir.

    Compreenda-se o dilema: sair e levar pancadaria de todo o lado, incluindo os seus amigos que deixarão de o ser assim que virar costas, ou ficar, podendo tentar tapar os buracos e continuar a ter tribuna para as suas provocações.

     

    É evidente que Dr. Jardim conseguiu, na Madeira, vastíssimas realizações. O arquipélago é hoje totalmente diferente, para melhor, do que era antes dele. Há bolsas de pobreza, diz-se com foros de verdade. O que não invalida a obra realizada, antes será excepção a confirmar a regra.

    Simplesmente… simplesmente não havia dinheiro para pagar o que se fez e continuou a fazer-se mesmo depois de já não haver qualquer esperança de socorro.

    É esse o “crime” de Jardim. Tirem-lhe as aspas, se quiserem.

    A seu favor tem o facto, que parece indesmentível, de não se ter locupletado com dinheiro público. Do seu entourage não sei se se pode dizer o mesmo.

     

    A pergunta que se segue é: quem tem moral para atirar a primeira pedra? Os socialistas do continente, que fizeram muito mais e muito pior, deixando em toda a gente as mais evidentes suspeitas sobre a lhaneza e a probidade de tanta gente? Parece que não. Esses deviam estar calados como um rato se se soubessem ver ao espelho.

    O Presidente da República, que se deixou humilhar por Jardim sem uma palavra de denúncia? Duvido.

    Os portugueses que, depois de quatro anos da mais refinada loucura governamental, puseram o senhor Pinto de Sousa outra vez no poleiro? De maneira nenhuma.

    A esquerda radical, quer dizer, comunista? Essa pode dizer cobras e lagartos, mas como diz mal de tudo e do seu contrário, não interessa.

    Os partidos do poder? Esses, talvez. O PSD, porém, está entaladíssimo e ser-lhe-á muito difícil ir para a além do que Passos Coelho já disse. E, se o PSD se honra de não dizer mal do PS, porque carga de água há de vituperar os seus? O CDS, menos entalado, não pode deixar que, por causa do Jardim, a coligação abane.

    A triste verdade é que o Governo pouco mais pode que arranjar maneira de, fazendo das tripas coração e do nosso bolso um poço sem fundo, tratar de arranjar uma forma qualquer de resolver mais este problema. Aliás, a especialidade do Governo, para já, não é nem pode ser outra.

     

    Nos bastidores, o Presidente da República, o Dr. Passos Coelho e não sei mais quem, deviam puxar os cordelinhos necessários a que o Dr. Jardim passasse a bola.

    Serão capazes? Prouvera que sim.

     

    19.9.11

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. – Inaceitável, a todos os títulos, é o que o IRRITADO acaba de ouvir de um rapazola, creio que novo porta-voz do PS. Com fero olhar, o fulano declara que o PS “exige” que o Dr. Passos Coelho declare que o Dr. Jardim personna non grata. Onde pode chegar esta gente, que andou seis anos a enganar-se e a enganar-nos nas contas – para dizer o menos!

  • TRANSMELÍFLUAS CRIATURAS

     

    A organização terrorista multinacional Greenpeace arranjou mais uma causa capaz de dar para mais uns vandalismos aqui e acolá, como é timbre, vaidade e especialidade de tal gente.

    Desta vez descobriram que há abelhas que adoram comer pólen “transgénico”, isto é, bebido em florinhas provenientes de culturas “envenenadas” por odiados especialistas exploradores do povo.

    O problema, dizem os prestigiados terroristas, é que tais abelhas, criadas pela suja mão do homem, virão a produzir “mel transgénico”. E esta, hem?

     

    Não tarda que – para além de uns incêndios em colmeias “transgénicas” e de umas desmatações de milho ou coisa que o valha altamente elogiadas pelos media – a União Europeia emita uma norma obrigando os produtores de mel a declarar por sua honra, nos rótulos, que nenhuma abelha que tenha participado no fabrico do seu mel jamais em tempo algum debicou em flor alguma com suspeitas de transgenia.

     

    É verdade que nunca jamais em tempo algum alguém ficou doente por causa das culturas transgénicas. É verdade que nunca jamais em tempo algum seja quem for demonstrou por A+B qualquer inconveniente grave da tal coisa. É verdade que nunca jamais em tempo algum, mesmo passados muitos anos de prática, algum campo, alguma seara, algum alimento, tenha apresentado perigos, mesmo não previstos, que se demonstrasse provir da transgenia.

     

    Que importa? Greenpeace dixit. O politicamente correcto adoptou a tese.

    O resto são idiotas, como o IRRITADO, que insistem em gritar que o rei vai nu.

     

    15.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • GUERRAS BLOGUÍSTICAS

     

    O senhor Lopes (Pedro Marques) resolveu despejar um dos seus habituais “pensamentos”, desta vez contra o senhor Lopes (Pedro Santana). Está no seu direito, ainda que tenha o hábito de o usar em prejuízo das ideias que diz defender. Cf. blog “União de Facto” (!).

     

    Vai daí, o nosso admirável SAPO decidiu pôr o escrito em grande destaque, vários dias, com fotografia do atacado e tudo. Lindo!

    O IRRITADO que, como é sua função, ficou irritado, resolveu deixar um comentário no escrito do famoso democrata. O dito, ou alguém por ele, informou o IRRITADO que o comentário viria a ser objecto da merecida triagem, certamente para evitar palavrões ou coisas do género. Como o irritado escrito do IRRITADO, ainda que ferozmente escrito, era de uma urbanidade a toda a prova, ficou o IRRITADO convencido que seria publicado.

     

    O IRRITADO é parvo!

    Qual publicado qual carapuça! Aquilo não é triagem, é censura, da pura, da clássica, da velha.

    Pior. Como deve ter havido mais irritados a irritar-se com o Lopes (Pedro Marques), o distinto blog informa hoje que todos os comentários ao post foram apagados!

    Eis um magnífico exemplo do que são o Lopes em causa e os seus amigos, em claro e repugnante contraste com o Lopes que criticam.  

     

    15.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CASTING

     

    O nosso (deles) pequeno Zorro tornou públicas as suas escolhas, certamente seguradas pelo Seguro, para o acompanhar na árdua tarefa de chefiar a malta do antigamente – primorosamente seleccionada pelo Pinto de Sousa – nas lides parlamentares.

    Doze vice-presidentes, doze! Todos com ordenado reforçado. Dá ideia que, se não desse escândalo, o nosso Zorrinho nomearia tantos vice-presidentes quantos os deputados, para manter a malta nos varais.

     

    Algumas escolhas merecem um pequeno e inocente comentário.

    Antes de mais, o inigualável homem de esquerda, Basílio de sua graça, muito conhecido pela sua evidente falta de espinha, pela sua ribombante petulância e pelo seu acrisolado amor a cargos de destaque.

    Destaca-se também o celebérrimo senhor das ilhas, Ricardo Rodrigues, por estranhas razões muito conhecido no arquipélago e de lá enviado por causa das moscas, bem amado no continente por argumentação zarolha e, acima de tudo, pela sua tendência para a subtracção de gravadores a jornalistas, coisa que, no PS, deve equivaler a alto valor político-ético, o que muito nos diz acerca da organização.

    Dona Inês de Medeiros, que ganhou merecida celebridade com viagens a Paris, é também uma escolha cheia de significado “cultural”, “estético” e “executivo”.

    Já agora, porque não brindar com uma palavrinha de apreço e estima o inigualável Braga, um grande pequeno homem, como o Einstein, que teve a glória e o mérito de abrir as portas da Venezuela e o coração do camarada Chavez e das suas dívidas e princípios ao senhor Pinto de Sousa e aos acolhedores braços da Pátria?

    Dois magníficos demagogos, com fartas tendências inquisitoriais, compõem também o distinto leque de personalidades: os senhores Junqueiro e Medina.

    Finalmente, é bom não esquecer um conjunto de nulidades parlamentares, tais como um senhor Ameixa, um ignoto Andrade, a dona Fertuzinhos – raio de nome!, diz-se que odiada em terras algarvias, e outra senhora que se chama João.

     

    A Pátria muito tem a esperar deste leque de notáveis personalidades, não é?

     

    15.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NEM O DIÓGENES NOS VALE!

    I – A EDUCAÇÃO NACIONAL

    As tropas do PC dos bigodes, “representantes” dos professores, fizeram uma espera ao primeiro-ministro.

    Delicadamente, o tema do “encontro” estava expresso num enorme cartaz em que se chamava ladrão ao “encontrado”, bem como aos seus subordinados da educação e das finanças.

    A decorar tão sugestiva e bem educada expressão de “sentimentos”, os três senhores objecto do insulto apareciam retratados com chapéus de cowboy e encimados pela parangona

     

    PROCURAM-SE

     

    Às vezes passamos por cartazes pendurados nos prédios dizendo vendem-se andares. Não falta quem diga que é coisa de patos bravos e gaioleiros que não sabem ler nem escrever.

    Os nossos “professores” são piores que os gaioleiros. Fazem os mesmos erros, com a diferença que não têm desculpa.

    “Procuram-se”? Então o verbo concorda com o complemento directo em vez de concordar com o sujeito que, sendo indeterminado, é do singular, em português como em todas as línguas latinas e não latinas?

    Eu sei que o sujeito, nas reformas “democráticas “ do ensino, deve chamar-se apito, e que o complemento directo é capaz de ser conhecido por algum impronunciável palavrão. Mas, que diabo, não deixam de ser o que são!

     

    Como podemos nós exigir às gerações mais novas que saibam português, se quem os ensina faz públicos erros deste calibre?

    Não seria de pôr na rua, com justa causa (incapacidade absoluta e irremediável para o exercício do cargo) todos os responsáveis pelo cartaz, a começar pelo PC dos bigodes?

     

    Depois, punha-se um cartaz a dizer

     

    PROCURA-SE

     

    Seguido da frase:

     

    Professores que saibam português

     

    Podia decorar-se a coisa com um boneco do Diógenes, a sua velha lanterna em punho, no deserto, à procura de tão improváveis criaturas.

     

     

    II – BOA EDUCAÇÃO E COERÊNCIA

     

    Invectivado pelo PC dos bigodes, o PM fez uma extraordinária demonstração de serenidade. Conseguiu responder às difíceis questões do fulano sem se irritar, com a calma dos justos, sem qualquer assomo de demagogia. Explicou, com ar pedagógico mas não paternalista, as verdades que toda a gente sabe mas ninguém aceita quando as consequências do socretinismo lhe batem à porta.

    Até disse, com o melhor dos sorrisos, que achava piada ao cartaz do “procuram-se”. Calculo a convicção com que o disse.

     

    É evidente que o bigodes percebeu tudo, tim-tim por tim-tim. Mas não é da sua natureza perceber. Continuará a chamar os nomes que lhe vieram à cabeça, a fazer os desacatos morais que muito bem lhe apetecer, a convocar greves, manifestações e comícios, a andar pelo país a desestabilizar este mundo e o outro.

    Que diabo, o ofício dele é esse, não é perceber o que se passa! Coerência, meus senhores, coerência!

     

    13.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PROPAGANDA CINÉFILA

     

    Vi ontem, pela segunda vez, um filme do Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona” de seu nome. Uma comédia de costumes, algo imoral mas inteligente e divertida. Além disso, um postal ilustrado de Barcelona, terra de maravilha, a despertar o desejo de lá ir em espectadores de todo o mundo. Lá, em particular, e a Espanha, em geral.

    É evidente que a cidade, ou o Estado, ou os dois, financiaram o produto. Lucraram com isso, em publicidade e em bilhetes vendidos. Receitas formidáveis, ao nível global.

     

    Sabendo isto, não é possível deixar de pensar: e nós?

    Nós financiamos o grande cineasta Manuel de Oliveira, tão grande como chato, que vende uns bilhetes a uns intelectuais franceses e vai dando prejuízo ao Estado, como se está mesmo a ver. Financiamos a dona Teresa Vilaverde, que nos presenteia com coisas horríveis, paranóicas, suicidárias, que devem dar um prejuízo louco. Financiámos um senhor que fazia filmes sobre mal cheirosos pêlos púbicos, coleccionados por um tarado. E devemos financiar muito mais, que o IRRITADO há eras que não frequenta tais coisas, mas é-lhe lícito imaginar. Parece que, lá nas Franças, essas coisas são muito apreciadas por umas dúzias de cinéfilos.

    Não me venham com excepções, que só confirmam a regra.

     

    Se pegássemos no Woody Allen ou noutro de semelhante gabarito e o puséssemos a filmar uma historieta inteligente passada em Lisboa, ou no Porto, ou onde fosse neste país que tem tanto, tanto, para mostrar, não só não gastávamos dinheiro (investíamos!) como nos acontecia como a Barcelona: pagavam-nos para fazer a nossa publicidade!

     

    Quando os espanhóis fizeram as comemorações do Colombo, que era tão castelhano como eu, mandaram fazer filmes de história, devidamente martelada, ou romanceada, se quiserem, filmes que venderam ao mundo inteiro. Publicidade gratuita. As nossas comemorações dos descobrimentos, lembram-se?, gastaram milhões em teses académicas, edições de luxo e outras matérias assaz elitistas, muito conhecidas no seu pequeno mundo de estudiosos e intelectuais. Não tem o IRRITADO nada contra teses, estudos, edições, congressos, etc. mas, que diabo, porque não chamar o Spielberg ou outro que tal, e mandar fazer a saga de Bartolomeu Dias, a tragédia de Inês de Castro, a descoberta do Brasil, contadas de forma a que, mau grado alguma inexactidão histórica, fizessem propaganda desta coisa por esse mundo fora? E que, ainda por cima, fizessem dinheiro?

     

    Nem pensar! Por cá financia-se a arte, nem que seja a arte mais chata do Universo. 

       

    À atenção do ministro da cultura.

    Um bocadinho de propaganda nunca fez mal a ninguém. Ainda menos à Cultura.

     

    12.9.11

     

    António Borges de Carvalho