IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CRÓNICA GAULESA

 

 

O IRRITADO passeia-se por terras do Nicolau Sarkozy. Coitado, o homem tem andado afastado das manchetes por causa da barulheira das primárias do partido socialista. A chusma de xuxas franceses (sete!) que se apresentam é de tal ordem que ocupa os jornais e as televisões com debates e mais debates, entrevistas aos pontapés, desentendimentos mais ou menos fabricados para emocionar o pessoal, etc. e tal.

 

Isto não interessa lá muito. É evidente que o único xuxa que interessava verdadeiramente às massas era o DSK, e esse foi cientificamente afastado, vítima da sua incontinência pessoal e de armadilhas várias, a começar por uma criada de hotel e a acabar num pente francês que, passados não sei quantos anos, resolveu lembrar-se de que DSK lhe apalpou o soutien, a seguir a ter-se locupletado com os favores de alcova da sua bem amada mãezinha.

 

Adiante. O IRRITADO, mercê de um voo low cost em boa hora criado entre o Porto e La Rochelle, tem andado a pavonear-se na Ilha de Ré e no Périgord, com largo consumo de produtos da gastronomia local e da respectiva vinhaça, pior esta, e mais cara, que a lusitana pinga.

 

Como sempre que nos deslocamos pela província francesa, a fartura de chateaux, de igrejas medievais, de paisagens assombrosas ou simplesmente belas, é tal, que nos deixa tristes com a nossa secura, a nossa ausência de verde, o ar escalvado e desordenado da nossa agricultura, a estupidez endémica e confusionista da nossa sinalética turística.

 

É claro que estes tipos só são simpáticos, e nem sempre, por obrigação profissional, é claro que os restaurantes estão cheios de lulus das velhas viúvas e divorciadas, a lamber as canelas dos circunstantes sob o olhar ternurento das donas. Que interessa? O mar está lindo, o sol vivíssimo, as marés imensas, há relais maravilhosos à beira dos rios, há grutas, florestas, uma fantástica imensidão agrícola, há, em qualquer vilória, lojinhas com tudo o que há de tentador, há uma atmosfera soulagée a fazer esquecer a crise que por aqui também campeia, qual Adamastor a ameaçar os navegantes sem que o homem do leme tenha a força da inspiração e do poder do Senhor Dom João Segundo.  

 

A França (ainda) não caiu nos braços fraternos do FMI e quejandos. Mas sente-se a ameaça. Cortes orçamentais nunca vistos desde o fim da II Guerra Mundial, cerca de 60.000 professores “dispensados” entre 2007 e 2011, mais 14.000 previstos para 2012. Como entre nós, os professores fazem as suas greves (não mais que 25%) e gritam na rua. Podem fazer mais que isso? A despesa por aluno é quase duas vezes a que era em 1980 (6% do PIB!), há menos quinhentos mil alunos e mais trinta mil professores, etc. Numa palavra, não há greve que valha.

 

Os agricultores têm andado calados. Se calhar já perceberam que vivem à custa dos europeus través dessa coisa incrível que já devia ter acabado e se chama PAC.

 

Uma boa notícia para todos é que parece que o “nosso” “Barroso”, obviamente a conselho do IRRITADO, resolveu dar um murro na mesa: pôs nas ruas da amargura o “governo económico europeu” do casalinho Merkel/Sarkozy. Diz ele que a Europa tem um governo de que ele é o primeiro-ministro e que é a esse governo que compete a tal governção económica, não a uma panelinha franco-tudesca. Resta saber se terá guts e apoios para defender na cimeira de Outubro o que tão vasto sucesso obteve no Parlamento. O argumento é simples: ou nos socorremos do “método comunitário”, sediado na Comissão, ou o “método inter-governamental” conduzirá “à renacionalização, à fragmentação, quem sabe se à morte da Europa unida”.

 

Carradas de razão. Virá a tempo? Não se sabe, mas é uma ténue luzinha ao fundo do túnel do TGV para o desastre. À atenção de Passos Coelho. É capaz de ser altura de se demarcar do directório e de procurar aliados. Certo que com pinças e punhos de renda. Mas com firmeza também.

 

 

Bom, já chega. O mar está ali, à espera do IRRITADO. Na semana que vem, voltará aos seus profundos pensamentos. Salut!

 

 

29.9.11

 

António Borges de Carvalho

 



10 respostas a “CRÓNICA GAULESA”

  1. Votos de boas férias ao Irritado. Não estou tão a par das tricas Sarkozy/DSK, mas posso dizer-lhe algo que talvez não saiba: perdeu ontem, na TVI, um documentário histórico. Entrevistaram uma múmia. A múmia não é egípcia, é portuguesa, mais precisamente labrega. Foi fascinante ouvi-la a perorar sobre vários temas, como os «apelos» que terá feito a interlocutores imaginários, e a forma como estes os ignoraram. Sabe, estou cada vez mais rendido à “sua” causa real. Enquanto via a dita múmia, imaginei no seu lugar o absurdo D. Duarte Pio, e dei comigo a pensar que ficaríamos a ganhar, e muito, com a troca. Numa nota menos positiva, também dei comigo a pensar que gostaria de conhecer todos os eleitores desta múmia. Não necessariamente para falar.

    1. Não ouvi a entrevista, passei em zapping.Parece-me que o problema é o Sr. em questão querer falar (talvez até ralhar) e não poder pelo seu cargo.Nota-se que fica constrangido com perguntas sobre assuntos quentes.Pergunto eu: não poderia falar um pouco mais sem desonrar o cargo?Conhece o País e os seus problemas como poucos.

      1. Fica constrangido com «assuntos quentes»? Fala da bandalheira do Alberto, a que também ele fez vista grossa, ou fala da mama Cavacal em bancos trafulhas, ou de vivendas com vizinhos altamente recomendáveis, cujas escrituras provocam amnésia?

        1. Não estou a defendê-lo.Bem sei, porque vi, a destruição da nossa agricultura (bruxelas dixit) quando governou.Sabe-se que houve muita gente que enriqueceu não se sabe bem como.Mas continuo a dizer que conhece o País como poucos.

          1. Cavaco é a vergonha viva deste pobre país.Teremos mesmo aquilo que merecemos?

          2. «Cavaco é a vergonha viva deste país» O Pinto de Sousa morreu??? Ora bolas, sempre conseguiu escapar à cadeia…

  2. Que inveja!!!Desejo-lhe umas óptimas férias (todos merecemos sair uns dias da parvalheira).Se os últimos Reis tivessem tido a força e o sangue-frio (para não usar linguagem menos própria) de D. João II, talvez a Monarquia não descambasse como descambou; foi um grande Homem que pôs alguma “ordem no bordel”.Ouvi Durão Barroso já a meio e fiquei de boca aberta; acordou, finalmente!Bom resto de férias!

    1. A PIOLHEIRA,era assim que monarca apelidava o seu país.Sabe quem era?Se não,pergunte ao IRRITADO.

  3. A propósito das belíssimas paisagens por onde se passeia o Irritado:Somos pobres. Pior que isso, somos desleixados, porcos e sem vontade de aprender. Continuamos a não preservar o que ainda resta. Ainda assim, temos algumas gemas:- Nossa Senhora de Araceles (Alentejo profundo)- Túmulos perfeitos de D. Pedro I e Inês de Castro (não sei como estão agora mas há uns anos estavam rodeados de lixarada)- Beco do Chão Salgado (Belém) – tb. há uns anos estava uma vergonha, seringas, caca, papéis, plásticos)Boa continuação de férias

    1. Cada um fala por si!!!

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