IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PROPAGANDA CINÉFILA

 

Vi ontem, pela segunda vez, um filme do Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona” de seu nome. Uma comédia de costumes, algo imoral mas inteligente e divertida. Além disso, um postal ilustrado de Barcelona, terra de maravilha, a despertar o desejo de lá ir em espectadores de todo o mundo. Lá, em particular, e a Espanha, em geral.

É evidente que a cidade, ou o Estado, ou os dois, financiaram o produto. Lucraram com isso, em publicidade e em bilhetes vendidos. Receitas formidáveis, ao nível global.

 

Sabendo isto, não é possível deixar de pensar: e nós?

Nós financiamos o grande cineasta Manuel de Oliveira, tão grande como chato, que vende uns bilhetes a uns intelectuais franceses e vai dando prejuízo ao Estado, como se está mesmo a ver. Financiamos a dona Teresa Vilaverde, que nos presenteia com coisas horríveis, paranóicas, suicidárias, que devem dar um prejuízo louco. Financiámos um senhor que fazia filmes sobre mal cheirosos pêlos púbicos, coleccionados por um tarado. E devemos financiar muito mais, que o IRRITADO há eras que não frequenta tais coisas, mas é-lhe lícito imaginar. Parece que, lá nas Franças, essas coisas são muito apreciadas por umas dúzias de cinéfilos.

Não me venham com excepções, que só confirmam a regra.

 

Se pegássemos no Woody Allen ou noutro de semelhante gabarito e o puséssemos a filmar uma historieta inteligente passada em Lisboa, ou no Porto, ou onde fosse neste país que tem tanto, tanto, para mostrar, não só não gastávamos dinheiro (investíamos!) como nos acontecia como a Barcelona: pagavam-nos para fazer a nossa publicidade!

 

Quando os espanhóis fizeram as comemorações do Colombo, que era tão castelhano como eu, mandaram fazer filmes de história, devidamente martelada, ou romanceada, se quiserem, filmes que venderam ao mundo inteiro. Publicidade gratuita. As nossas comemorações dos descobrimentos, lembram-se?, gastaram milhões em teses académicas, edições de luxo e outras matérias assaz elitistas, muito conhecidas no seu pequeno mundo de estudiosos e intelectuais. Não tem o IRRITADO nada contra teses, estudos, edições, congressos, etc. mas, que diabo, porque não chamar o Spielberg ou outro que tal, e mandar fazer a saga de Bartolomeu Dias, a tragédia de Inês de Castro, a descoberta do Brasil, contadas de forma a que, mau grado alguma inexactidão histórica, fizessem propaganda desta coisa por esse mundo fora? E que, ainda por cima, fizessem dinheiro?

 

Nem pensar! Por cá financia-se a arte, nem que seja a arte mais chata do Universo. 

   

À atenção do ministro da cultura.

Um bocadinho de propaganda nunca fez mal a ninguém. Ainda menos à Cultura.

 

12.9.11

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “PROPAGANDA CINÉFILA”

  1. Este governo não tem ministro da cultura,só secretário de estado,um sr intelectual que antes antes se entretinha a bater no Pinto de Sousa.Teve a compensação!!!

    1. Se calhar você queria que nomeassem alguém da sua pandilha!Eu sei que não é ministro. Mas também sei que, como os ministros, reporta directamente ao PM, o que é a mesma coisa por menos dinheiro.

      1. “… é a mesma coisa por menos dinheir0”, diz o Irritado.Ora, melhor “coisa” por “menos dinheiro” faria o José Cid que, aliás, tem “melhor curriculum cultural”.

      2. Terá de fazer o favor de me ilucidar quem é a minha pandilha,que é para verificarmos que não é a mesma que a sua.

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