Aí temos o novo PS.
Um salão a abarrotar de gente. Parte dela, segundo ficou claro, não aplaudia o chefe a não ser a contra gosto e de vez em quando. O Pinto de Sousa ainda andava por lá a fazer estragos por procuração.
A malta desconfia de falinhas mansas. Gostava das tiradas, malucas mas cheias da entusiasmante demagogia, do ex chefe. O actual junta o inútil ao desagradável: nada diz de novo ou de substantivo, nem o que diz tem alma para pôr as massas em delírio.
Para dar um sinal de conveniente esquerdismo, as rosas foram substituídas por mãozinhas fechadas – aquele boneco obsoleto e de mau gosto inventado nos tempos do PREC.
Sob o slogan “primeiro as pessoas”, ou coisa que o valha, o novo homem fez questão de informar que não sabe que há vida para além do Estado. O Estado social é para manter, tal como está, isto é, falido, inviável e a caminho da extinção. O SNS é para manter, tal como está, isto é, falido, inviável e a caminho da extinção. A protecção social é exclusivo do Estado, só por mera excepção podendo ser levada a efeito por particulares. A educação é coisa estatal, ou deixará de existir. Nada de “assistencialismos”, que é o que faz esta gente que está no poder.
E assim, por aí fora. Ao mesmo tempo que diz que as pessoas é que interessam, defende que o que interessa é o Estado, mesmo que continue a arruinar as pessoas.
O camarada Alegre ficou contentíssimo. Não só ouviu sinais e reflexos do seu “pensamento” como colocou a sua adjunta Maria de Belém (nova versão da nossa senhora da laca) ao mais alto nível, na presidência, com pouco poder e muita influência.
A mesnada socratopífia mostrou as suas garras. Mesmo com um congresso organizado com todos os “cuidados”, aumentou em 7% a sua margem de manobra. Acrescentado um grupo parlamentar da cor, deixou claro que a vida do Seguro está pouco segura.
Há coisas em que o novo chefe segue o anterior. Quer eurobonds para financiar “investimentos estruturantes”. Leia-se: quer o dinheirinho dos alemães para o chamado TGV, o aeroporto e, quem sabe, a décima quinta auto-estrada Lisboa-Porto. As empresas do regime devem estar contentíssimas.
Vinte e cinco anos depois de entrar na “Europa”, o novo chefe descobriu que o caminho é o da federação. Uma novidade que até para o Dr. Mário Soares é mais velha que a mulher da fava-rica. O IRRITADO concorda. O problema é que é tarde. Inês é morta. Não é agora que se defende a federação. Não é quando a casa arde que se vem dizer ao vizinho que pague o combate ao incêndio. Primeiro é preciso apagar o fogo, depois logo se vê. Senão, fica-se a falar sozinho.
À falta de tema mais seguro, Seguro agarrou-se à “Europa”. Coisa fixe, até porque o PSD se esqueceu dela no programa de governo e, bem ou mal, adoptou os pezinhos de lã como filosofia comportamental, a fim de não espantar a caça, isto é, os euros.
E lá vem o enriquecimento ilícito outra vez. Sinal de viragem à esquerda, ou coisa que o valha. O homem propõe-se resolver o importante problema da quadratura do círculo, quer dizer a forma de “sancionar acréscimos patrimoniais injustificados” respeitando as “garantias constitucionais”. Se for capaz, merece um doce.
Outra medida que o IRRITADO aplaudiria seria o proposto fim da subsidiação das renováveis, cancro criado pelo PS e já envolto em tantos compromissos que ninguém sabe, muito menos o Seguro, como dar-lhe a volta. Mais um doce, se for capaz.
Depois, tivemos algumas ideias, nem originais nem novas. Protecções várias ao sector exportador, combate à corrupção, fim às confusões entre o político e o judicial. Como? Desta vez, levaria um pacote de pastéis de Belém.
Só lhe faltou dizer que o Pinto de Sousa, criador do cancro das renováveis, fabricante, para se safar, das maiores confusões entre o político e o judicial, dono de inúmeros rabos-de-palha, é (ou era) uma besta. Mas ficou nas entrelinhas, perante os pelotões socratopífios, que espumavam de raiva.
Alegrem-se os nossos corações. O pessoal do partido vai ser obrigado a assinar um “código de ética”. Estão a ver o filme? A malta assina o código. Fica livre de chatices por assinar o código. E tudo fica na mesma. O PS igual a si próprio, que é coisa que jamais deixará de ser. Cheio de “acréscimos patrimoniais”, envolvido em estranhos “fumos” e… como diria Mário Soares, para a frente é o caminho, o caminho faz-se caminhando!
12.9.11
António Borges de Carvalho

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