Anda o pessoal entretidíssimo com as histórias do Jardim. A tal respeito está tudo mais ou menos dito, para bem e para mal.
Quem anda a passar pelos pingos de chuva sem se molhar é o colega dele dos Açores, um fulano desagradável e peneirento, que quer mandar mais que a Constituição e as leis, que compra os funcionários com ordenados ilegais, que tem tanta educação como o Jardim, por exemplo em relação ao Presidente da República, etc., etc.
O dito condotieri, a ressumar pesporrente importância, ferrou uma monumental bordoada nos interesses do país, da economia e dos trabalhadores (o fulano é socialista!) recusando, por dá cá aquela palha (2 nós!), um navio construído em Viana do Castelo. Depois, por ajuste directo!, alugou na Grécia uns naviozitos para a cabotagem que caberia ao navio recusado, gastando uma fortuna que poderia ter salvo os estaleiros do Estado. Sem dó nem piedade, com o apoio paternal do senhor Pinto de Sousa, o homem deu um contributo importante para a miséria nacional, como está à vista de todos, e mandou uns largos milhões para a Grécia – há quem diga que não só para a Grécia – dando largas ao seu atlântico poderio, em brutal demonstração de desprezo pela nossa (e dele?) terra.
Não contente com isso, mais uma vez com o terno aval do senhor Pinto de Sousa, o indivíduo tratou de sacar uns 40 milhões de indemnização, se calhar para pagar aos gregos ou a quem andou de permeio no ajuste.
Ora os ENVC, arruinados como toda a gente sabe, pagaram 7 dos 40 milhões e fecharam-se em copas, por evidente falta de dinheiro. O manda-chuva das ilhas não é de modas: ameaça ir para os tribunais para sacar o que “é” dele.
A pergunta que fica é esta: como é possível que o governo do país, dono da empresa arruinada, não tenha metido o fulano na ordem logo à partida, não o tenha obrigado a engolir o navio, não o tenha mandado prender por fazer ajustes directos de milhões, aceite que haja indemnizações milionárias num assunto de lesa pátria, “devidas” a quem a lesa?
Fica a pergunta. Resposta não há.
3.10.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário