IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • FIM DAS ROSAS, NÃO DAS ROSEIRAS

     

    Aí temos o novo PS.

     

    Um salão a abarrotar de gente. Parte dela, segundo ficou claro, não aplaudia o chefe a não ser a contra gosto e de vez em quando. O Pinto de Sousa ainda andava por lá a fazer estragos por procuração.

    A malta desconfia de falinhas mansas. Gostava das tiradas, malucas mas cheias da entusiasmante demagogia, do ex chefe. O actual junta o inútil ao desagradável: nada diz de novo ou de substantivo, nem o que diz tem alma para pôr as massas em delírio.

     

    Para dar um sinal de conveniente esquerdismo, as rosas foram substituídas por mãozinhas fechadas – aquele boneco obsoleto e de mau gosto inventado nos tempos do PREC.

    Sob o slogan “primeiro as pessoas”, ou coisa que o valha, o novo homem fez questão de informar que não sabe que há vida para além do Estado. O Estado social é para manter, tal como está, isto é, falido, inviável e a caminho da extinção. O SNS é para manter, tal como está, isto é, falido, inviável e a caminho da extinção. A protecção social é exclusivo do Estado, só por mera excepção podendo ser levada a efeito por particulares. A educação é coisa estatal, ou deixará de existir. Nada de “assistencialismos”, que é o que faz esta gente que está no poder.

    E assim, por aí fora. Ao mesmo tempo que diz que as pessoas é que interessam, defende que o que interessa é o Estado, mesmo que continue a arruinar as pessoas.

     

    O camarada Alegre ficou contentíssimo. Não só ouviu sinais e reflexos do seu “pensamento” como colocou a sua adjunta Maria de Belém (nova versão da nossa senhora da laca) ao mais alto nível, na presidência, com pouco poder e muita influência.

    A mesnada socratopífia mostrou as suas garras. Mesmo com um congresso organizado com todos os “cuidados”, aumentou em 7% a sua margem de manobra. Acrescentado um grupo parlamentar da cor, deixou claro que a vida do Seguro está pouco segura.

     

    Há coisas em que o novo chefe segue o anterior. Quer eurobonds para financiar “investimentos estruturantes”. Leia-se: quer o dinheirinho dos alemães para o chamado TGV, o aeroporto e, quem sabe, a décima quinta auto-estrada Lisboa-Porto. As empresas do regime devem estar contentíssimas.

     

    Vinte e cinco anos depois de entrar na “Europa”, o novo chefe descobriu que o caminho é o da federação. Uma novidade que até para o Dr. Mário Soares é mais velha que a mulher da fava-rica. O IRRITADO concorda. O problema é que é tarde. Inês é morta. Não é agora que se defende a federação. Não é quando a casa arde que se vem dizer ao vizinho que pague o combate ao incêndio. Primeiro é preciso apagar o fogo, depois logo se vê. Senão, fica-se a falar sozinho.

    À falta de tema mais seguro, Seguro agarrou-se à “Europa”. Coisa fixe, até porque o PSD se esqueceu dela no programa de governo e, bem ou mal, adoptou os pezinhos de lã como filosofia comportamental, a fim de não espantar a caça, isto é, os euros.

     

    E lá vem o enriquecimento ilícito outra vez. Sinal de viragem à esquerda, ou coisa que o valha. O homem propõe-se resolver o importante problema da quadratura do círculo, quer dizer a forma de “sancionar acréscimos patrimoniais injustificados” respeitando as “garantias constitucionais”. Se for capaz, merece um doce.

    Outra medida que o IRRITADO aplaudiria seria o proposto fim da subsidiação das renováveis, cancro criado pelo PS e já envolto em tantos compromissos que ninguém sabe, muito menos o Seguro, como dar-lhe a volta. Mais um doce, se for capaz.

    Depois, tivemos algumas ideias, nem originais nem novas. Protecções várias ao sector exportador, combate à corrupção, fim às confusões entre o político e o judicial. Como? Desta vez, levaria um pacote de pastéis de Belém.

    Só lhe faltou dizer que o Pinto de Sousa, criador do cancro das renováveis, fabricante, para se safar, das maiores confusões entre o político e o judicial, dono de inúmeros rabos-de-palha, é (ou era) uma besta. Mas ficou nas entrelinhas, perante os pelotões socratopífios, que espumavam de raiva.

     

    Alegrem-se os nossos corações. O pessoal do partido vai ser obrigado a assinar um “código de ética”. Estão a ver o filme? A malta assina o código. Fica livre de chatices por assinar o código. E tudo fica na mesma. O PS igual a si próprio, que é coisa que jamais deixará de ser. Cheio de “acréscimos patrimoniais”, envolvido em estranhos “fumos” e… como diria Mário Soares, para a frente é o caminho, o caminho faz-se caminhando!  

              

    12.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • FILOSOFIAS

     

    Há um número relativamente pequeno de senhores que se impõem à nossa sociedade como portadores de profundo pensamento, de altas filosofias e de insigne perfil académico. Aparecem recorrentemente na televisão brindando-nos com as suas “visões de futuro”, as suas “análises sociológicas”, as suas preocupações intelectuais, as suas interpretações filosófico-políticas.

    Ele é Sua Excelência o Professor Boaventura Sousa Santos, ele é Sua Excelência o Professor José Gil, ele é outros igualmente célebres e justamente admirados.

    Muito bem.

    Há um denominador comum à generalidade destes cérebros: o esquerdismo.

     

    Boaventura chega a extremos de zarolhismo que impedem a serena apreciação das suas teorias. Não tem uma opinião que não seja conducente à glorificação da esquerda, ainda que não se perceba bem que esquerda.

     

    Gil – é ele que “provoca” este post – afina mais ou menos pelo mesmo diapasão. Para citar a sua mais recente receita, transcreva-se uma transcrição: Se o povo não se revolta, está a caucionar um sistema global político e económico injusto e explorador…

    Aqui temos, de uma penada, uma demonstração de “filosofia global”. O sistema é mau? Então não há outra solução senão a revolta. Não há soluções políticas. O sistema é irreformável. Mau por natureza, não por azar, má gestão ou desvios. Ainda pior por ter proporcionado a globalização, que tirou milhares de milhões de seres humanos da miséria e da fome, com o único prejuízo dos miseráveis autores do “sistema”.

    Parta-se tudo. Faça-se como na Revolução Francesa, de gloriosas consequências. Faça-se como na revolução soviética, de admirável futuro. Faça-se como o célebre Adolfo. Ou faça-se como acha o doutor Boaventura, mesmo que ele não explique a que revolta se refere ou o que quer que o povo faça para não “caucionar o sistema global”. É preto ou branco: o povo, ou se revolta, ou “cauciona”, ou é bom ou é mau. Coisa a que usava chamar-se maniqueísmo primário.

    É pena que cérebros tidos por tão privilegiados não sejam capazes de perceber o que está mal nem de pensar o que se pode fazer. É que, acima de qualquer bom senso, estão na sempre, nas suas cabeças, os dogmas da esquerda, coisa tanto mais contraproducente quanto mais fundamentalista.

     

     11.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • AUTÁRQUICA OPINIÃO

     

    Aquele senhor do cabelo pintado de preto que é o chefe máximo dos autarcas nacionais – poderosíssima e caríssima classe – veio dizer de sua justiça sobre a “reforma administrativa”.

    Diz ele, ou concede generosamente, que aceita fusão voluntária de municípios.

    Obrigadinho, ó cabeleira de azeviche, plástica cobertura de vigorosa inteligência!

    O que seria dos municípios que se quisessem fundir se tal não fosse aceite por tão alta instância!

    Para que queremos a reforma se ela só se aplicar a quem quiser ou a quem receber o aval do senhor Ruas?

     

    Isto para concluir que, se o governo entrar em diálogos e mais diálogos com tudo e todos, se calhar será muito democrático, grande apóstolo da “democracia participativa”, altamente apreciado por milhares de inflorescências para-administrativas da “sociedade civil”, mas não irá a parte nenhuma, nem haverá reforma nenhuma.

     

    11.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • BOAS NOTÍCIAS

     

    O IRRITADO tem que tirar o chapéu ao acordo do ministro com os professores. É claro que o bigodes do PC não assinou a coisa, nem jamais assinará seja o que for, como é sua vocação, convicção e obrigação.

    Mas, com uma chusma de sindicatos, o acordo lá passou. De tal modo que o bigodes, sem o aceitar, veio dizer que, mesmo descontente, Ia baixar a bolinha e arranjar outra matérias para desestabilizar o ensino.

    O IRRITADO, como escreveu há dias, não contava com tanto. Por isso, parabéns aos que assinaram, sindicatos e ministro.

    Talvez se possa extrapolar que, quando o PSD parecia andar atrás do bigodes, tal não correspondia à verdade, ou a toda a verdade. Haveria, ou há, uma maioria de sindicatos que não são meras bengalas do PC, como os do bigodes.

    Boas notícias.

     

    11.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • MUCH ADO ABOUT NOTHING

     

    Às vezes, temos a sensação que nos a meter os dedos pelos olhos dentro, ou a entreter com inanidades, ou a desviar-nos a atenção do que nos importa, não é?

    Ontem, os três figurões da “Quadratura do Círculo”, todos eles inteligentes e sabedores concorde-se ou não com o que dizem, entretiveram-se uma boa meia hora a discutir as já famosas “escutas telefónicas” mandadas fazer pelos serviços secretos. Ou uma pessoa se põe a pau, ou passa a acreditar que esta gente anda a escutar tudo, todos, e por toda a parte.

     

    Porquê?

    Houve alguma queixa sobre as tais escutas? Não. O que houve foi uma queixa sobre uma factura de telemóvel que terá, indevidamente, ido parar às mãos dos tais serviços. O mais que tal factura permitiria seria saber a quem o eventualmente investigado teria telefonado durante um mês. É grave? Com certeza. Mas não tem nada a ver com escutas telefónicas.

    Então porque se critica escutas sobre as quais, que se saiba, não há sinais de nenhuma espécie? Porque o importantíssimo senhor A acha que ouviu uns cliques? Porque o inigualável senhor B tem a impressão que…? Porque a nobre senhora C acha que, enfim, não é, pois?

     

    Três fulanos responsáveis e, teoricamente, responsabilizáveis, fazem os que se interessam pelas suas opiniões passar um tempão a ouvi-los falar de coisas que ninguém saberá, ao certo, dizer que existem e de que ninguém, responsavelmente, fundamentadamente, se terá queixado.

     

    Acham isto bem? A quem interessa?     

     

    O IRRITADO não acha bem.

    Não sabe a quem interessa, para além do interesse do inimigo da Ongoing. A quem mais? Às maçonarias? Quem sabe? Aos tipos da quadratura? A que propósito? 

     

     

    9.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • JÁ CHEGA!

     

    Anda o ministro Crato à nora com as “conversações” com o xarroco do PC e seus acólitos por causa da celebérrima avaliação dos professores.

    Desta humilde tribuna, o IRRITADO aconselha vivamente o ministro a que não se deixe levar em mais cantigas. Aquela gente jamais dará o seu ámen a qualquer das suas propostas. Arranjar chatices é o ofício deles. Se acrescentar o evidente facto de não quererem ser avaliados seja de que maneira for, o senhor ministro só poderá chegar a uma conclusão: ou os mete nos varais, ou eles lhe arranjam uma estrangeirinha de tal ordem que v. acaba por cair da tripeça. Por isso, meu caro, mais uma reuniãozinha ou duas, e acabou.

    Decida! E, já agora, mande-os trabalhar, que a maior parte deles há muitos anos não o fazem.

    Depois, logo se vê. Se vierem para a rua, vieram.

    Seja como for, já chega!

     

    9.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA TRAFULHICE GLOBAL

     

    A organização terrorista que dá pelo nome de Greenpeace está muito preocupada com o “recuo” dos gelos do Árctico.

    Para nos demonstrar a coisa, cifrada em não sei quantos mil quilómetros quadrados, a milionária estrutura mandou pintar o “Homem de Vitrúvio” numa placa de gelo que terá, quando muito, uns mil e tal metros de perímetro. Como, alegadamente, uns 15% do “Homem” desapareceram – não se sabe em quanto tempo – os terroristas espalharam o boneco pelas agências, informando as gentes sobre este recuo histórico, que ameaça ser tão grande, tão grande, que levará os gelos ao nível de… 2007!

     

    Dito de outra forma, uns tipos que ganham milhões a aterrorizar a humanidade com histórias como as do aquecimento global e dos perigos do CO2, coisas tão rendosas que lhes permitem dispor de meios tais que navios, aeronaves e outros sofisticados equipamentos, manusear explosivos que, impunemente, afundam instalações que consideram indesejáveis, sustentar um sem número de funcionários/“activistas” e explorar milhares de idiotas úteis, arrancaram com uma nova campanha, estilo Al Gore, a fim de angariar mais uns milhões para a “causa”.

    Nada melhor que excitar a “consciência ecológica” da canalha com o Homem de Vitrúvio congelado. Como se as contribuições da canalha, por grandes que sejam, possam alguma vez fazer alargar ou encolher os gelos do Árctico.

    Não podem.

    Mas podem fazer entrar mais uns milhões nos cofres da prestimosa organização.

     

    Ninguém, ao certo, saberá dizer se há uma tendência para o degelo do Árctico. E se houver? Ninguém poderá saber como pará-la. Ainda menos se saberá se tal degelo é bom ou é mau, se a abertura da rota marítima do pólo não será uma vantagem para a humanidade, se os prados que surgirão de sob o gelo não serão benéficos.

    Muito menos alguém, em boa consciência, poderá dizer que se trata do aquecimento global, fruto da nefasta influência do homem sobre o clima. Ninguém, em boa consciência, poderá jurar que a culpa é do CO2, ainda menos que é do CO2 produzido pelo homem, já que o homem, nessa “actividade”, é um produtor pequenino, negligenciável perante a fortíssima concorrência da Natureza, a começar nos traques das vacas e a acabar nas florestas do Amazonas.

     

    Se as previsões do senhor Gore, exploradas por este tipo de gente, fossem verdadeiras, a estas horas já Cascais tinha desaparecido, ou quase, engolida pelas impiedosas águas do Atlântico, já os campos de golfe do Algarve eram navegáveis ou, na melhor das hipóteses, a relva estava morta pela água salgada.

     

    Tudo falhou, nas previsões dos negociantes do clima e do “ambiente”. Mas, ó espanto!, continua a haver jornais que fazem a propaganda do Greenpeace, continua a haver governos que nos fazem gastar triliões em “direitos” de CO2, continua a haver uma ONU que, sedenta do poder mundial, alimenta estas porcarias.

     

    Quando tanto se fala em “resistência popular” ao “sistema” talvez fosse mais eficaz resistir às aldrabices globais que nos arruínam e que vivem penduradas no tal “sistema”.

     

    10.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ENTENDIMENTOS

     

    Está o IRRITADO, neste momento, a ouvir o fulano do lacinho, do Expresso, mais uma avençada habitual da SICNotícias, a dizer que o ministro das finanças deu uma entrevista “críptica”, “técnica”, “académica”, “initeligível para o público em geral”. etc.

    Acontece que o IRRITADO e a sua excelentíssima esposa, que não são técnicos, nem académicos, nem sabem “economês”, acharam que o ministro foi claríssimo no que disse, não havendo dificuldade alguma em percebê-lo, mesmo para qualquer tipo com não mais que a 4ª classe.

    Neste momento, o IRRITADO não está a exprimir qualquer opinião sobre o que o senhor disse.

    Neste momento, o que interessa é que o tipo do papillon e a avençada doutora do jornal económico tiveram a maior das dificuldades em perceber o que o homem disse.

    Porquê?

     

    6.9.11 (22h20)

     

    António Borges de Carvalho

  • ALCATEIAS E REBANHOS

     

    Nos saudosos tempos do senhor Pinto de Sousa, a rapaziada do PS andava certinha, caladinha, metida em casa, cordata, sempre a aplaudir o chefe, mesmo quando ele fazia as mais espantosas asneiras, quando abanava rabos de palha, quando abria o armário dos esqueletos, quando dizia as mais repenicadas aldrabices. Já moribundo, fez um congresso-comício que, em unanimidade, fez inveja aos do velho PCUS e aos do nosso obsoleto e gangrenoso PC. Até o Seguro, se dava a impressão de não ir na conversa do chefe, fazia-o em insinuativa surdina para não espantar os pardais.

     

    No PSD tudo se passa ao contrário. Ainda o governo dá os primeiros passos, ainda não tem, nem pode ter, qualquer resultado concreto a apresentar, e já os lobos uivam, lá por dentro e à sua volta, sedentos de sangue.

    À frente, como não podia deixar de ser, o professor Sousa toma o comando das operações.

    Na sua esteira, agiganta-se o novel comentador, velho cordeiro transfigurado em carnívoro: Marques Mendes.

    Causando o maior espanto, eis a dona Manuela, velha cobradora de impostos, velho apóstolo do equilíbrio das contas, a usar o jornal do Costa, com garantida repercussão, para dar as suas dentadas.

    Os dois primeiros são pagos para dizer o que dizem: quanto mais intrigalhada fizerem melhores audiências terão e sabe-se lá se não poderão aumentar o estipêndio. Ela, não se percebe, nem bem nem mal.

    Depois, há uma série interminável de actores menores, como o careca que se diz liberal mas adora o socialismo, como o piadético do Público, dito próximo do CDS, e tantos outros que o IRRITADO não conhece mas sabe que andam por aí.

     

    Entre os dois partidos, pelo menos neste aspecto, as diferenças são abissais. Cada um exagera para seu lado.

    No PS, o ultra-seguidismo é a regra.

    No PSD, a bagunça é o orgulho do “pluralismo” e da “miscegenação social”.

     

    Diziam os que “sabem” que os lobos se calariam quando o PSD chegasse ao poder. Enganaram-se. Os lobos uivam, mesmo a destempo e despropósito.

    Diziam os que “sabem” que, no PS, o criticismo ressuscitaria com a travessia do deserto. Enganaram-se. Os cordeiros nem para balir têm guts, apesar de desgraça de líder que arranjaram.

     

    6.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • FANTÁSTICO!!!

     

    O inigualável Dr. Barroso foi à Austrália. Não se sabe o que lá foi fazer, mas seria de presumir que ia fazer alguma coisa de útil.

    Estúpida presunção.

    O Dr. Barroso foi à Austrália dizer que o Euro está mais forte que nunca, que todos os países da União são de uma solidariedade de ferro, que a crise não passa de uma oportunidade para dar um gigantesco passo em frente, que isso da Grécia, da Irlanda e de Portugal não passa de um fait divers sem importância de maior, etc.

    Em resumo, disse que, neste lado do mundo, tudo, mas tudo, corre sobre pistas de mel e de ambrosia. Não precisava de confessar os podres da região, mas, fingir desta maneira toca as raias do ridículo, para não dizer mais.

     

    Será que o homem é burro? Que acha que os australianos são burros? Ou quê?

     

    O IRRITADO, que pouco terá de inteligente, escreveu há dias ao Dr. Barroso incitando-o a dar um murro na mesa, a não se deixar subalternizar mais, a dizer, alto e bom som, aos povos da Europa, o que lhe vai na alma, mesmo que tal lhe custe o lugar.

    Ou não tem alma, ou não tem nada dentro da alma, ou consegue ser mais estúpido que o IRRITADO, ou está agarrado ao tacho. Um desalmado, ainda por cima burro e tachista?

    A estas horas, na Austrália, deve andar meio mundo a rir-se dele e, desgraçadamente, também de todos nós.

     

    A seu tempo, o IRRITADO protestou contra a nomeação de duas criaturas ineficazes, titubeantes, inúteis ou contraproducentes, que foram alcandoradas aos mais nobres postos da União: aquela inglesa que ainda não descobriu para que serve – não serve para nada – e um belga desconhecido e tíbio que ainda não pariu uma única ideia nova, ou útil.

    Pensar-se-ia que o Dr. Barroso lucraria, em projecção pessoal, uma vez rodeado por gente de quinta ordem.

    Fatal engano. Como as declarações que produziu na Austrália bem demonstram, pôs-se ao nível dos outros dois.

     

    Ainda há quem se queixe da “preponderância” da dona Ângela e do seu pendura Nicolau!

    Adiante-se uma explicação: os dois perceberam que com cães como os que puseram em Bruxelas, nem à caça aos gambosinos podem ir. Vai daí, aproveitam o vazio dos outros para o encher com o deles. 

     

    6.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ESPIÕES E ESPIADOS

     

    O IRRITADO pede desculpa por voltar à estúpida história das polícias secretas.

    Correm por aí rios de tinta. Só o Expresso – quem havia de ser? – traz três páginas mais meia primeira página. É obra!

     

    Aí vai:

    1.

    Havia um jornalista que espiava os espiões. Os espiões espiaram o jornalista. O jornalista tem o direito de espiar os espiões mas os espiões não têm o direito de espiar os jornalistas.

    2.

    Há um jornal que entrou da correspondência electrónica privada de um jornalista de outro jornal, que a escarrapachou na primeira página, assim dando um fôlego extra ao partido que protege e o protege para ganhar as eleições. Os espiões não têm o direito de se servir da correspondência (uma factura enviada pelo correio ou pela Net, não exactamente correspondência). O tal jornal tem o direito de espiar, os espiões não.

    3.

    Há o Expresso, que tem o direito de comprar aos respectivos ladrões e publicar correspondência oficial reservada. Os espiões não têm o direito de aceder às facturas das telecomunicações.

    4.

    Havia (há?) uns russos que queriam fazer negócios com uma empresa portuguesa. Não se sabe se eram mafiosos ou não, mas pareceria legítimo que os serviços secretos informassem a empresa sobre tais desconhecidos. Não é legítimo. Se as máfias russas cá viessem por via de tal gente, os serviços secretos seriam chamados à pedra por, sabendo, ter ficado calados. Mas não tinham o direito de avisar.

    5.

    Há o chefe dos espiões, o tal que prestou as informações, que se demite e se passa para a empresa informada. Não tem o direito, nem de dar informações, nem de mudar de emprego, nem de tratar da vidinha.

    6.

    Há um ilustre capitão de Abril que, sendo chefe da fiscalização dos espiões, declara que as informações dadas à empresa em causa não tinham nada a ver com segredos de Estado nem faziam mal a ninguém… mas não deviam ter sido dadas. Está no seu direito.

    7.

    Há um emérito professor que, depois de ter tido as mesmas funções do capitão de Abril, foi para o tribunal dizer que não o tinham deixado fiscalizar coisa nenhuma. Manteve-se no lugar até o deixarem e tratou de mandar aos jornais todo o seu judicial palavreado. Com todo o direito.

    8.

    Há um tipo que mandou investigar o marido da mulher que já não era dele. Nem ele tem o direito de saber seja o que for em tal matéria, muito menos têm os espiões o direito de lhe prestar serviços.

    9.

    Há um Primeiro-Ministro que, apertado pelas manchetes, decide inquirir. Está no seu direito. Depois, não comunica aos jornalistas os resultados da inquirição, alegando segredo de Estado. Não está no seu direito de negar aos jornalistas seja o que for, muito menos segredos de Estado.

    10.

    Há um jornal que, andando à rasca com falta de massa, despede pessoal e se mete em alhadas judicias com a empresa a quem o espião-mor “terá dado” informações. Está no seu direito de se servir das suas próprias páginas para destruir inimigo, mesmo que as suas guerras empresariais não interessem a ninguém.

     

    Em conclusão:

    a)   Vão todos vender chuchas.

    b)   Não chateiem mais o pagode com estas trapalhices.

    c)   São tão bons os acusadores como os acusados.

     

    4.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA INTELIGÊNCIA FISCAL

     

    O camarada Louça, após inúmeros esforços, encontrou uma alma gémea. Nada menos que o senhor Nicolau Sakozy. Não se cansa, por isso, de o elogiar.

    Em tirada demagógica quiçá bem achada, resolveu o Nicolau lançar uma taxa sobre os ricos. O Louça louva, agradece e faz propostas que, seguidas à risca, acabavam com o que resta de dinheiro em Portugal.

    O governo, ainda que tremendo de medo – é caso para isso – anda tentado a ir pelo mesmo caminho.

     

    O problema é vários problemas.

    Antes de mais, importa saber o que são ricos. Segundo o critério das nossas brilhantes taxas de IRS, ricos são os que levam para casa mil e quinhentos euros por mês. Pelo critério dos multimilionários, encontramos meia dúzia, a maior parte dos quais têm o dinheiro metido em empresas, não podendo tirá-lo de lá sem causar muito mais problemas que os que, alegadamente, resolvem.

     

    Depois, há a peregrina ideia de taxar o “património”. O senhor Berardo, por exemplo, que tem um património valente em obras de arte, antes que lhe cobrem dois tostões sobre elas passa-as a patacos a um museu ou a um Estado qualquer mais inteligente que o nosso. E vai à sua vida todo contente.

    Há património e património. Você, que comprou o andar à custa de muito suor, verá o IMI triplicar, para além de lhe taxarem a terrina Ming que a patroa da sua bisavó, uma condessa do século XIX, lhe deixou.

    O IRRITADO exagera, pensarão, talvez com uma ponta de razão.

     

    Haveria, por exemplo, que taxar os helicópteros, os aviões, os iates que uns exibicionistas apresentam por aí. Pois. Antes de mais, se forem ver quem são os proprietários de tais brinquedos, aposto que encontrarão firmas sediadas nas Bahamas, ou no Reino de Vanuatu. Como não podem ser taxados, há que ir ao património dos outros, os tais ricaços que levam mil e quinhentos euros para casa ao fim do mês.

    Prepara-te, mexilhão. Se não queres que te vão ao bolso, deixa-te de invejas!

     

    Seriamente falando, há coisas que talvez se possam taxar sem problemas de maior. Certas mais-valias, por exemplo. A não ser em coisas deste género, a coisa resolve-se mais pela via das isenções que pela dos impostos, o que não é grande novidade mas se pode reconsiderar. Assim, podia haver uma diferença fiscal digna desse nome entre os dividendos que se metem ao bolso e os que são reinvestidos. Mesmo esta ideia já anda por aí a ser tratada com os pés. Diz-se que tais incentivos se deviam aplicar em função do número de postos de trabalho que se cria. Erro fatal. Um tipo que invista numa fábrica de alta tecnologia, inovadora e competitiva, é mais taxado que outro que lance uma fábrica de chouriço de carne feito à mão.     

    Depois, vem a demagogia. Os chamados ricos, os que já pagam 46% e vão passar a pagar 49, são, muitos deles, ricos porque têm lucros do que fazem ou produzem. Ora um lucro de x é taxado em 30%, pelo menos, em IRC. Quando passado para a mão do patrão, é taxado outra vez, agora nos tais 49%, em IRS. Isto significa que, se a “minha empresa” declarar um lucro de 100, eu vou receber, se receber, 70. Desses 70, o Estado leva uns 34. Quer dizer que eu paguei ao Estado 66% do meu lucro.

    Em vez de se falar de fraude e fuga fiscal, talvez, nestes casos, mais valesse olhar para os factos e arranjar maneira de desincentivar tais práticas em vez de, simplesmente, as perseguir, ou de lançar sobre elas, a priori, o anátema da inveja, que tanto agrada a certa gente. É o Estado quem fabrica a fraude, não os que arranjam meios, mais ou menos “imaginativos”, para não se deixar esbulhar.    

     

    Numa coisa o último ataque fiscal é eficaz. É que, ou me engano muito ou, atacando quem ataca, não dá grande margem para as “revoltas sociais” da praxe. É mais provável que o “professor” dos bigodes seja capaz de arregimentar revoltosos, do que o Silva de juntar multidões no Marquês.

     

    2.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CORTA CORTA

     

    Ainda a tinta estava fresca nos papéis dos discursos de posse deste governo, já as santas almas clamavam que não havia cortes na despesa do Estado.

    À medida que os impostos foram surgindo, mercê dos colossais e mal suspeitados buracos que foram aparecendo, os clamores subiram de tom. Onde estão os cortes na despesa? Mais uma vez, o mexilhão vai tramar-se! Andaram a aldrabar na campanha eleitoral!

    Tudo isto é mentira e tudo isto é verdade.

    Como o governo, para seu mal ou para o seu bem – o futuro o dirá – resolveu não dar à casca, isto é, optou por não andar para aí a destapar a careca do senhor Pinto de Sousa e do seu espantoso partido, a malta fica indignada como o que lhe andam a fazer. Tem razão. É verdade.

    Mas, se se comparar a referida atitude do governo com o que fez o do senhor Pinto de Sousa, não tem razão nenhuma. É tudo mentira. O senhor Pinto de Sousa, para “provar” que tinha herdado uma situação que o “obrigava” a aumentar os impostos, encomendou um défice aldrabado ao seu colega Constâncio a fim de pôr as culpas ao seu antecessor. E não mais deixou de o exibir, como se tivesse alguma correspondência com a verdade.

     

    Par além de outras, esta é uma diferença brutal entre uns e outros.

     

    Consta que hoje o governo vai, finalmente, anunciar os tais cortes na despesa. Se calhar já anunciou, o IRRITADO é que está desatento.

    O que se vai passar é que os mesmos, exactamente os mesmos, que andavam a clamar pela falta dos ditos cortes, vão entrar em ainda maior excitação a condená-los. Esta noite, em princípio, vamos ver o que nos dizem, ou já disseram.

    Só a selecção nos pode salvar de mais uma noite de berraria. Valha-nos São Bento (Paulo)!

     

    2.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • AINDA AS SCUTS

     

    Nos saudosos tempos do Dr. Santana Lopes, o ministro das finanças declarou que ia acabar com a rebaldaria das SCUTS. Pudera! Conhecia bem os buracos que a demagogia do Cravinho & Cª tinha aberto.

    Pinto de Sousa, vários anos depois – a coisa é difícil de perceber para bestuntos pouco dotados – parece que chegou à mesma conclusão. Vai daí, entre inúmeros cagaços que os “utentes” lhe pregaram, criou um sistema de cobranças que nem ao diabo lembraria. Já tínhamos os cobradores e a Via Verde, tudo a funcionar nos conformes. Mas o governo tinha que “inovar”. Inovou de tal maneira que, ainda hoje, as portagens nas ex-SCUTS são uma dor de cabeça para meio mundo.

     

    Segundo é rezado nos meios competentes, parece que os chamados “utentes” estão a utilizar menos as SCUTS que quando estas eram de borla. O que, evidentemente, quer dizer que, afinal, havia as “alternativas” que os “utentes” diziam que não havia.

     

    Parece que ninguém explicou, nem ao Pinto de Sousa nem aos “utentes”, que as auto-estradas não se constroem para ir da aldeia A à vila B, a meia dúzia de quilómetros. Tornam-se úteis a partir da distância necessária a que o custo das portagens seja compensado pela poupança de tempo, de combustível e de saúde dos equipamentos.

    A inteligência dos chamados utentes não chega para ver isto. Ainda menos chega para ver que as auto-estradas é que são alternativa às outras, e não o contrário.

    O nacional-caloteirismo no seu mais iridescente esplendor.

     

    2.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PROBLEMAS DE JARDINAGEM

     

    Parece que o Dr. Jardim tem, lá no jardim, um buraquito de 500 milhões que não era do conhecimento dos jardineiros.

    Monumental escândalo! Não há quem não opine. Trata-se de um crime de lesa Pátria! Uma desonestidade! Uma trafulhice! O Bokassa da Madeira anda a arruinar o país! Quem põe cobro a isto? Então o governo, que é da cor do Dr. Jardim, não o mete na ordem?

    Tudo isto teria alguma razão de ser se, cá pelo rectângulo, as coisas estivessem melhor.

    Comparadas as situações, os 500 milhões do jardim do Jardim, são coisa de somenos diante dos crimes de lesa pátria, das desonestidades, das trafulhices, do arruinar do país que, paulatinamente e com ar triunfante, por cá se foi cavando. Com uma diferença: é que o Jardim lá foi fazendo alguma coisa.

     

    O IRRITADO não está a desculpar o Jardim. O que está a dizer é que quem atira pedras se devia ver ao espelho e estar caladinho como um rato, um ratinho daqueles dos jardins, que nem voz têm!

      

    2.9.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NA TERRA DO VASCULHO

     

    Numa atmosfera de escandaleira, andam os plumitivos da ordem a esmiuçar a bisbilhotice legal dos rendimentos dos membros do governo. Não sei porque carga de água se não fez o mesmo com os dos do governo socialista, mas fica a interrogação para que, quem queira, responda ou imagine.

    Com nomes, fotografias, cargos, gráficos, chavetas, cores, páginas sem fim, os jornais escarrapacham, no cumprimento da “legalidade” e da “transparência”, os rendimentos declarados pelos tais membros do governo. Como se se tratasse de crime de lesa Pátria ganhar o que ganharam!

     

    O IRRITADO fez umas continhas. Com as devidas incertezas, mas ciente de não andar longe da verdade, o IRRITADO concluiu, a partir dos rendimentos publicados de 45 membros do governo, o que segue:

    – Após impostos, os 24 membros do governo com rendimentos abaixo dos 100.000 euros, levam ou levavam para casa ao fim do mês, em média, 2.700;

    – Nos 13 que declaram entre 100.000 e 200.000, a média é de 6.100;

    – Os 7 que se ficam entre 200.000 e 347.000, teremos 7.100;

    – Finalmente, há 1 felizardo com 36.500.

     

    Em resumo, com a excepção de um deles, que pode ser considerado rico, todos os outros são classe média, ou média alta, ou altinha.

    O que há de anormal nisto? Por que carga de água se anda a satisfazer a curiosidade mórbida das pessoas com assuntos que a ninguém, senão aos próprios, dizem respeito?

    A única conclusão menos feliz que dos números do IRRITADO se pode tirar é que, infelizmente, há 24 cidadãos que, por ser do governo, ganham mais do que na vida “civil” – o que não é uma boa notícia -, cerca de 20 ficam mais ou menos na mesma – o que não é boa nem má notícia – e há um herói que vai perder dinheiro – o que é uma notícia boa.

    E se nos deixássemos de vasculhar na vida desta gente e nos ocupássemos a exigir a investigação daqueles que, na cabeça de todos nós, de certeza certezinha meteram a mão no baú?

     

    30.8.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA EFICÁCIA DAS INSTITUIÇÕES

     

    Não há bicho careta que não se queixe, e com toda a razão, da ineficácia da Justiça e dos inaceitáveis tempos que leva a tomar qualquer decisão. Dizem os teóricos, impantes de sapiência mas com toda a razão que uma Justiça lenta não é justiça nenhuma.

    Só a Justiça? Não!

    Vejam como funcionam as instituições tão gloriosamente fundadas, ou tomadas, pelo PS.

    A Autoridade da Concorrência, nosso emérito “regulador” da dita, levou nada menos que sete anos para… mandar arquivar uma queixa! Não interessa de quem era a queixa, nem contra quem, nem nada. Interessante seria saber quais as investigações, as diligências, as cooperações internacionais, as acareações, os documentos, os interrogatórios, tudo o que levou a que aquela gente levasse sete anos a “julgar” a queixa de alguém contra alguém, bem como os fundamentos de uma demora de sete anos.

    Ou então, sendo mal intencionados, poderíamos perguntar quantas reuniões, quantas senhas de presença, quantas viagens, quantas ajudas de custo, quantas horas extraordinárias, quantos contratos de outsourcing, quantos pareceres, etc., foram precisos para se chegar ao arquivamento, ou seja, à conclusão que nada valeu a pena.

    A verdade é que, se fôssemos por este caminho, se calhar era mais fácil , ainda que mal intencionado, perceber o mistério dos sete anos!    

     

    30.8.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PARABÉNS À GUARDA

     

    Na Guarda, há um empresário que contratou o arquitecto Frank Ghery para projectar o alargamento de um empreendimento turístico.

    Parece que a respectiva Câmara Municipal ficou toda contente.

    O contrato celebrado com o referido arquitecto devia ser esfregado no focinho dos que chamaram nomes a Santana Lopes por querer utilizar os serviços do autor do museu de Bilbau para o projecto do Parque Mayer, devia ser esfregado na cara dos inúmeros paspalhões que, há anos e anos, condenam o Parque Mayer a ficar na mesma, devia ser esfregado na tromba dos adeptos da “transparência” e do “serviço público” que, há anos e anos, mantêm a vergonhosa vergonha dos terrenos da Feira Popular entregues às ratazanas.

     

    Parabéns à Guarda!

     

    30.8.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ALTAS FIGURAS, ALTAS ESCUTAS

     

    Já viram o que por aí vai de frisson sócio-informativo sobre as escutas telefónicas?

    Há para aí dois anos, o nosso extraordinário Procurador-Geral fez umas queixinhas aos jornais: estou a ser escutado, oiço uns cliques suspeitos. Em vez de usar, discretamente, os seus poderes – para aquilo devem chegar – o homem decidiu, qual vizinha-da-tipa-que-abandonou-a-criancinha-e-veio-mandar-bocas-na-TV, tornar-se importante, via “comunicação social”. A coisa morreu depressa, como aliás merecia.

    Aqui há tempos, lembram-se?, os serviços de contra-informação do PS, ou afectos ao PS, deram um enorme empurrão à propaganda eleitoral que levou à hecatombe da reeleição do senhor Pinto de Sousa, mediante a publicação, no Diário de Notícias, de umas mensagens roubadas de um computador privado. A coisa produziu o efeito desejado. O autor da brincadeira continua no seu posto e até é considerado um jornalista de alta qualidade moral e profissional.

    Agora, a titânica luta do Expresso contra a Ongoing, via serviços secretos, veio queixar-se de escutas feitas a um jornalista do Público. Escutas? Não! A folha dois da factura da Optimus parece que foi parar aos ditos serviços. Escutas uma ova. Violação de correspondência, talvez. Um escândalo! A violação de correspondência – para fins de investigação de uma eventual toupeira nos serviços -passou a escuta num abrir e fechar de olhos.

     

    Apanhando esta cómoda boleia, uma série de senhores, qual deles o mais prendado, classificados como “elite” pelo Diário de Notícias, vem escarrapachar as suas mais íntimas inquietações: estão a ser escutados! Ou seja, “acham” que estão a ser escutados. Como o descobriram? Não se sabe. Se calhar ouviram cliques… o IRRITADO também se farta de ouvir cliques, mas não se auto-“importantiza” por causa disso. Aliás, está-se borrifando para que lhe ouçam as poucas e curtas conversas.

    Tal não se passa com a “elite”. Altas criaturas da nossa praça, como o esdrúxulo escritor “Mário Cláudio”, o militar sindicalista – coisa bonita! – Lima Coelho, ou o grande político Ribeiro e Castro. Isto para não falar de do melífluo António José Teixeira, do comuna Honório, ou do grandioso Marinho e Pinto, entre outros.

    Toda esta malta, quando fala ao telefone, evita dizer coisas. Que eu saiba, sempre foi assim. Quem nunca apanhou um cruzamento de linhas?

    No entanto, o que está a dar é fazer um estardalhaço dos diabos. Nenhum dos inquiridos sabe ao certo se está a ser escutado. O que, salvo erro, acontece a dez milhões de portugueses. Só que há uns (que se acham) mais importantes que os outros.

    Andam para aí inquéritos, processos, audiências, acareações, investigações, queixas, bocas aos pontapés.

    O melhor, no estado a que isto chegou, é acabar com os serviços secretos. Poupa-se uma data de massa e evita-se estas trapalhadas, ou trapalhices.

    Há outra solução, mais mitigada, que já vi escrita por aí: passarem os serviços secretos a avisar o respeitável público. Mediante competente ofício, os referidos preveniriam os cidadãos: somos a informar Vossa Excelência que, a partir das 12 horas do dia quatro do mês que vem, o seu telefone nº ####### passará a estar sob escuta. Assim, evitava-se os tremores e as suspeitas de que alguém viesse a saber, por exemplo através do camarada Honório, que vinha aí a revolução bolchevista, que o Dr. Portas ia ser defenestrado pelo ínclito Ribeiro e Castro, ou que o Dr. Capucho telefonou ao construtor do mamarracho do Estoril Sol.

     

    No meio de tão grande pessegada, tenho pena do Primeiro-Ministro que, com tanta coisa útil a fazer, anda a deixar-se entreter com estas. Não tem outro remédio, coitado!

      

    29.8.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CABECINHAS PENSADORAS

     

    O capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, redu-la à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a.

    Boaventura Sousa Santos, Visão

     

    Rezam as crónicas que este bem-aventurado senhor Santos é nada mais nada menos que um ilustre professor não sei de quê.

    A brilhante “análise” que acima se reproduz prova o subido e elaborado pensamento do senhor. Nem o alemão Carlos Marques, nem o seu camarada Engels, nem o grande líder Lenine foram capazes de chegar a tais alturas, ou a tão profundo pensamento.

    Estes, punham à democracia o adjectivo “burguesa”. Os primeiros diziam que ela, com o seu capitalismo, havia de destruir-se, vítima das suas próprias “contradições”, surgindo então a ditadura “do proletariado”, seguida do “socialismo real”. O terceiro achava que o “processo histórico” podia ser acelerado, e agiu em conformidade, isto é, conseguiu a tal ditadura “já”, e rapidamente a transformou naquilo que não podia deixar de vir a ser: a ditadura do partido, com a negação de todo o Direito e sustentada por ferozes polícias.

    Entretanto, o capitalismo que o nosso Boaventura tão violentamente condena criava a civilização ocidental, as sociedades mais livres e o progresso económico, social, científico, etc. que jamais a humanidade conheceu.

    Não há nada perfeito. Não há nada parado no tempo. Tudo conhece evolução, progresso e regresso, bons e maus momentos. Não há nada que, em si, não tenha elementos destrutivos, não corra perversos riscos, não tenha altos e baixos. O capitalismo, quando não é liberal, isto é, quando o Estado toma o lugar do Direito, ainda que produza meios económicos e financeiros, pode reduzir a sociedade a um instrumento de exploração. Viu-se há pouco, com Pinochet, como uma ditadura feroz e sanguinária, conservando elementos essenciais do capitalismo, conseguiu notável progresso económico. Todas as ditaduras ditas de direita (nazismo, fascismo, franquismo, salazarismo…) elegeram agentes económicos e financeiros a quem deram liberdades especiais, ditas capitalistas, os chamados “empresários do regime”, dispostos a aceitar o status quo em nome da conservação e da liberdade da sua iniciativa. Mas nunca tiveram o sucesso que o capitalismo liberal obteve onde, mesmo em socialismo democrático, “tomou conta” da economia, respeitando o Direito. Na Suécia, por exemplo, no auge do poder do partido socialista, só 5% da economia estava nas mãos do Estado. O que quer dizer que, respeitados os princípios liberais do capitalismo, até a social-democracia consegue, em “liberdade liberal”, ser um bem.

     

    O mal, o erro, a cegueira dos boasventuras da nossa praça são iguais aos de Marx e Lenine: partem do princípio que o homem é aquilo que jamais foi ou será: uma criatura que pode ser totalmente dominada, conduzida, retorcida, ainda que com o nobre fim de a transformar no “homem novo”. No tristemente célebre “homem novo”.

    Quando, nas obscuras profundezas do bolchevismo, os motoristas de táxi, em Moscovo, vendiam caviar e outras coisinhas – em dólares! – aí estava o Homem, não o “novo”, que nunca existiu, mas o homem propriamente dito, a tratar da sua vida como podia. Por outras palavras, mesmo na mais feroz das repressões anti-liberais e anti-capitalistas, a natureza humana continua a mesma.

     

    À liberdade económica, um Estado digno desse nome fornece o quadro jurídico e administrativo necessário a que se não transforme em dominação: a isso se chama capitalismo liberal.

    O capitalismo é o “pai” da democracia, no sentido em que lhe subjaz. Jamais houve uma sem o outro, ainda que possa ter havido aquele (não liberal) sem esta.

     

    O IRRITADO não ignora nem nega que atravessamos uma fase da história em que os achaques do capitalismo se transformaram em doença grave, com tendência para a pandemia.  

    Mas não é negando o essencial que se cura a doença.

    Não é seguindo os conselhos e as opiniões maximalistas do Professor Boaventura e apaniguados que chegaremos a bom porto.

     

    27.8.11

     

    António Borges de Carvalho