Nos saudosos tempos do senhor Pinto de Sousa, a rapaziada do PS andava certinha, caladinha, metida em casa, cordata, sempre a aplaudir o chefe, mesmo quando ele fazia as mais espantosas asneiras, quando abanava rabos de palha, quando abria o armário dos esqueletos, quando dizia as mais repenicadas aldrabices. Já moribundo, fez um congresso-comício que, em unanimidade, fez inveja aos do velho PCUS e aos do nosso obsoleto e gangrenoso PC. Até o Seguro, se dava a impressão de não ir na conversa do chefe, fazia-o em insinuativa surdina para não espantar os pardais.
No PSD tudo se passa ao contrário. Ainda o governo dá os primeiros passos, ainda não tem, nem pode ter, qualquer resultado concreto a apresentar, e já os lobos uivam, lá por dentro e à sua volta, sedentos de sangue.
À frente, como não podia deixar de ser, o professor Sousa toma o comando das operações.
Na sua esteira, agiganta-se o novel comentador, velho cordeiro transfigurado em carnívoro: Marques Mendes.
Causando o maior espanto, eis a dona Manuela, velha cobradora de impostos, velho apóstolo do equilíbrio das contas, a usar o jornal do Costa, com garantida repercussão, para dar as suas dentadas.
Os dois primeiros são pagos para dizer o que dizem: quanto mais intrigalhada fizerem melhores audiências terão e sabe-se lá se não poderão aumentar o estipêndio. Ela, não se percebe, nem bem nem mal.
Depois, há uma série interminável de actores menores, como o careca que se diz liberal mas adora o socialismo, como o piadético do Público, dito próximo do CDS, e tantos outros que o IRRITADO não conhece mas sabe que andam por aí.
Entre os dois partidos, pelo menos neste aspecto, as diferenças são abissais. Cada um exagera para seu lado.
No PS, o ultra-seguidismo é a regra.
No PSD, a bagunça é o orgulho do “pluralismo” e da “miscegenação social”.
Diziam os que “sabem” que os lobos se calariam quando o PSD chegasse ao poder. Enganaram-se. Os lobos uivam, mesmo a destempo e despropósito.
Diziam os que “sabem” que, no PS, o criticismo ressuscitaria com a travessia do deserto. Enganaram-se. Os cordeiros nem para balir têm guts, apesar de desgraça de líder que arranjaram.
6.9.11
António Borges de Carvalho

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