Grande e risonha esperança animava, Nação fora, as distintas forças de esquerda. As broncas do Jardim eram garantia de um crescimento eleitoral nunca visto. Aleluia!
Vai daí, o pessoal roubou votos ao PSD, pois roubou, mas foi entregá-los ao CDS! O PS levou na pinha, o PC foi atrás, o BE nem se fala. A esquerda foi pelo cano abaixo sem apelo nem agravo.
O PS, se fosse coerente, ficava satisfeito: o Jardim fez um discurso de vitória totalmente socialista: intervenção do “Estado” regional em tudo e mais alguma coisa, investimento público, etc., tudo receitas tão do agrado do Pinto de Sousa e do seu rebento Seguro.
Estas coisas dos ilhéus, perceba-as quem for capaz. Viram à direita, levam com panaceias de esquerda nas fuças. Se calhar, se tivessem virado à esquerda, o Jardim fazia um discurso a fazer inveja ao George W. Bush!
Duas lições há a tirar do que se passou. A primeira é que os madeirenses, como a generalidade dos europeus, acreditam tanto nas “soluções” de esquerda como na vitória do Carcavelinhos sobre o Real Madrid. A segunda é que, para o Jardim tanto faz, desde que mantenha bem viva a imagem do inimigo “externo”. Quando fala de Lisboa é pior que o Pinto da Costa. E como, cronicamente, precisa de dinheiro, quanto mais falar em investimento público, em intervenção do Estado e noutras patacoadas do estilo, mais abichará. De parvo tem pouco.
De qualquer maneira, uma jornada muito mais positiva do que se poderia temer. Se o PS, o PC e o BE tiverem experiência semelhante no continente, então haverá lugar a alguma esperança, da propriamente dita.
10.10.11
António Borges de Carvalho

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