IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • COERÊNCIA SOARISTA

     

     

     

     

    O espantoso Mário Soares, que nada tem de fixe, encabeça um manifesto contra a austeridade, incitando os portugueses a ir para a rua, gritar a sua “indignação” e condenar veementemente a brutal arrancada do governo contra o nosso estimável povo.

     

     

     

    A este propósito, para além de quaisquer considerações sobre a justiça dos tempos, convirá recordar a austeridade dos anos 80, comandada com mão de ferro por Mário Soares: impostos retroactivos, subsídios de Natal anulados, desvalorização maciça do escudo, anulação da capacidade de viajar, brutalidade total no ataque ao consumo, proibição de cartões de crédito fora do país, juros a rondar os 20%, etc., etc., até o Júlio Iglésias foi proibido de actuar em Portuga… um nunca acabar de cortes, recortes e desgraças.

     

        

     

    Como é possível que a mesma pessoa venha agora reclamar?

     

    Com que coerência?

     

    Será uma pessoa? Um bicho?

     

    Os problemas, no tempo dele, seriam outros?

     

    A austeridade era uma fantasia de reaccionários?

     

    A malta vivia melhor com a austeridade Soares que com a austeridade Passos Coelho?

     

    Deixemo-nos de fantasias.

    O que esta porcaria revela é a verdadeira natureza desse velho oportunista que se chama Mário Soares.

    Um vilão.

    Um bocas.

    Uma das muitas desgraças da Nação.  

     

     

     

    23.11.11

     

     

     

    António Borges de Carvalho

     

  • CESARISMOS

     

    O IRRITADO tem, por diversas vezes, expressado a sua revoltada indignação em relação à recusa do governo do senhor César em receber o navio construído nos estaleiros de Viana do Castelo, evidente manobra para fazer ajustes directos milionários com empresas gregas de aluguer de navios, não de algo de coisa que pudesse, tecnicamente, justificar-se.

     

    O navio foi recusado por uma diferença entre velocidade ínsita no respectivo caderno de encargos e a velocidade efectiva do navio. Ainda que tal diferença não fosse significativa, o governo do senhor César aproveitou a deixa para efectuar negócios cuja legitimidade pode facilmente ser posta em causa.

    Mais. O governo do senhor César procedeu de forma a arruinar uma empresa do Estado, contribuindo, sem a mais leve sombra de escrúpulo, para a nacional desgraça económica e financeira, para o risco de desemprego de centenas de trabalhadores qualificados e para o descrédito da nossa indústria de construção naval.

    Nada nem ninguém caiu em cima do senhor César por este autêntico crime de lesa Pátria. Os ditames da sacrossanta autonomia foram mais fortes que o sentido crítico dos nossos governos, que o nosso Presidente da República, que as nossas leis, que os nossos procuradores, que os nossos tribunais, que a nossa polícia. Tudo minha gente se calou, se agachou, achando “uma pena” e, implicitamente, acusando os estaleiros de incompetência. Por causa de um nó de velocidade ou coisa que o valha!

    Acresce que parece que o tal nó se ficou a dever a alterações ao projecto inicial, motivados pelo senhor César ou aceites por ele.

    Acresce ainda que os últimos ensaios, há dias realizados, apontam para a ausência do alegado quão mísero defeito do navio. O navio viajou à velocidade do caderno de encargos entre Viana e Lisboa. Parece que o ensaio, nos preciosismos técnicos dos fiscais, só será válido se o mesmo resultado for conseguido no caminho inverso. No parecer das dormentes autoridades, vale mais tal preciosismo que o interesse de Portugal, seja ele continental ou insular.

    Admitindo que, em sentido inverso, se verificasse a falta do nó em causa, que moral, mesmo assim, há na reiterada recusa do navio?

     

    É claro que, no tempo do senhor Pinto de Sousa, estava tudo no melhor dos mundos. O senhor César era lá da organização, não podia ser chamado à pedra. A colmatar a maravilha, o camarada Chavez propunha-se comprar o navio. Mais barato, mas comprava.

    Como era de calcular, a compra do camarada Chavez não passou de mote para uns dias de propaganda do senhor Pinto de Sousa. O camarada não comprou coisíssima nenhuma, o pessoal esteve à beira do desemprego, e não sabe ainda o que vai acontecer, ao dito e aos estaleiros.

     

    Mais estranho ainda é que o actual governo, que parece estar a fazer o que pode para salvar a empresa e vender o navio a outrem, não tenha uma palavra de condenação do “patriotismo” do imperial senhor César, não mande a Judiciária investigar o negócio do aluguer de navios aos gregos – milhões por ajuste directo – e que não tenha havido, que se saiba, fiscalização do Tribunal de Contas, tudo parecendo claro como a água e legítimo como… o caraças!

     

    22.11.11

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    ET. Nem de propósito: foi anunciado que nos  comptentes ensaios, o nó em fata foi ultrapassado – mais um nó – na viagem de Viajrm depara Lisboa. Mas, por mais que fique demonstrado. o hierarca do socilalismo ibérico não ceVe. Será porque está feito com os gregos? Conosco,de certeza, nnão está. 

  • SACROSSANTA DATA

     

    Andaram para aí uns jornais a dizer que o PS concorda com a abolição do feriado do 5 de Outubro.

    Miserável atoarda da mais negra reacção!

    Indignados, os serviços de “informação” do distinto partido apressaram-se a desmentir a notícia. Na sua douta opinião, o 5 de Outubro é “o símbolo maior do regime político português”.

     

    Pois é. É?

    Como querem os socialistas incensar o regime, se escolhem, para seu “símbolo maior”, a data que marca o triunfo de sociedades secretas e de grupos terroristas, de assassinos (tão assassinos que haviam, até, de se matar uns aos outros), de “intelectuais” pseudo “modernos” e sequiosos de poder e honrarias?

    Como querem os socialistas simbolizar o “regime político português” se para tal escolhem a imposição armada de uma ditadura de ideias macabras à revelia dos mecanismos democráticos que facultavam aos republicanos o direito à propaganda e à representação política e parlamentar? 

    Como querem os socialistas rever-se num sistema que diminuiu o direito de voto dos portugueses, que perseguiu tiranicamente todos os movimentos sociais do seu tempo, que prendeu, torturou e degredou milhares de portugueses, que envolveu a Pátria no inútil banho de sangue da I Guerra Mundial, metendo num chinelo as tropelias da ditadura em que havia de se converter 16 anos depois?

     

    Pobre regime o nosso se se orgulha de tal data!

    Será esta a explicação para o estado a que chegámos?

     

    21.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • OS COMBUSTÍVEIS AFINAL SÃO BARATOS

     

    Pode dizer-se que todos os portugueses acham que os combustíveis são caros. Caríssimos!

    Todos? Não! O inenarrável Costa, desgraçadamente presidente da Câmara de Lisboa, acha que não. Vai daí, para colmatar os buracos da sua magnífica gestão, propõe que, sobre os combustíveis, seja cobrada mais uma “taxa”, isto só para Lisboa e arredores. A alta consideração socialista em que tem os seus munícipes leva-o a imaginar mais uma forma de os explorar. Tem toda a razão. Quem cometer o crime de ter um carrito já sabe. Pumba! Pimba! Toma!

     

    Os combustíveis, teatro dos mais evidentes cartéis, dos quais o Estado faz parte via impostos ad valorem (mais de metade do preço ao consumidor), são um dos mais evidentes sinais da total inutilidade das “agências” estatais, das “autoridades” estatais, dos “observatórios” estatais e de outros que tais, teoricamente destinados a controlar os preços, a fiscalizar a concorrência, a tratar da energia e dos produtos petrolíferos, etc. 

    Talvez abolindo esta gente os preços baixassem, já que esta gente é cara, caríssima, e que os efeitos da sua (in)acção são, pelo menos, catastróficos.

     

    Entretanto, há que dar ao Costa o benefício da dúvida. Ele quer entrar em força na gestão dos transportes da capital.

    Para tal, uma vez que tais transportes estão super falidos, como toda a gente sabe, para além da bordoada nos combustíveis, o camarada quer “participar” nos proventos das taxas de entrada na cidade, leia-se nas portagens de pontes e auto-estradas. Como as respectivas empresas não vão, sem mais nem ontem, entregar parte da sua facturação ao Costa, se o Costa lhes cai em cima, pumba, pimba, toma, aumentam os preços.

    Trata-se, diz o Costa, de angariar fundos para sustentar as empresas estatais de transportes. Genial. Quer mandar em tudo, até nas concessões. Mas como está farto de buracos, quer pôr-se a colmatá-los, sacando às pessoas, para depois se sentar mais à vontade nos conselhos de administração.

     

    Aguardemos calmamente o desenrolar dos acontecimentos.

     

    21.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • GREVE GERALMENTE GRAVE

     

    Antes de se saber ao certo a dimensão do estrondoso êxito (garantido pelo Jerónimo!) da greve geral do PC e Cª, talvez não seja mau recordar o que é o direito à greve e o que justifica o seu exercício.

     

    Partindo do princípio que quem trabalha por conta de outrem é objecto, por parte do outrem, das mais inacreditáveis tropelias, não tendo “armas” para se defender terá como recurso a greve, a fim de, prejudicando o outrem, o convencer a fazer aquilo a que os grevistas têm, ou se acham com direito.

    Nesta ordem de ideias, e ao contrário do postulado, o que se verifica é que os trabalhadores por conta de outrem – entenda-se os representados pelo Silva e quejandos – têm, hoje em dia, as mais variadas “armas”, todas exteriores à greve: sindicatos aos pontapés, hordas de jornalistas às ordens, televisão à porta sempre que entendem, conselhos de concertação onde concertam e desconcertam à vontade, dois ou três partidos políticos por conta, etc. Não pode dizer-se que se não exprimam como entendem e quando entendem, com altifalantes aos montes e “informação” ao serviço.

     

    Por outro lado, quem pode fazer greve são aqueles que, por uma questão de princípio, não precisariam: os que têm emprego.

    Vivemos num país onde após largos anos de rebaldaria financeira, gostosamente apodada de “pouca” pelos dirigentes dos grevistas, as pessoas se dividem em duas categorias fundamentais: as que são pagas, umas trabalhando outras não fazendo nenhum, e as que o não são porque estão no desemprego (muitas) ou não querem trabalhar (algumas).

    Numa primeira abordagem, ficaríamos com a ideia de que a greve seria legítima para os que a não podem fazer, problema sem saída, e menos justificável para os outros, os que podem fazê-la e a fazem porque, apesar do privilégio do trabalho, acham pouco o que recebem.

    Não é assim. Os campeões da greve são os que têm emprego e, destes, os que melhores empregos têm. Os exemplos são muitos: os magníficos pilotos da TAP, coitadinhos, os maquinistas da CP, gente bem paga por pouco trabalho, os antipáticos tipos da Carris a quem até o barbeiro é pago pelo patrão, e por aí fora, num nunca acabar de enjeitados desta vida.

    Distinta malta que, devidamente reforçada pelos profissionais do PC e pelo Louça mais meia dúzia, devidamente engrossada pela malta da CGTP e da UGT e acompanhada por legiões de habitués, vai conseguir, presume-se, a maior greve de todos os tempos – na doce prémonição do camarada Jerónimo.

     

    Só não vai lá estar quem precisa, quem não tem emprego, quem tem um emprego de xaxa, quem corre o risco de ir para a rua a qualquer momento.

    Uma greve contra quem precisa, contra os pobres, contra os enteados do socialismo.

    Vai haver piquetes por toda a parte, a liberdade de trabalhar será letra morta, o povo ficará prisioneiro nas estações, nas paragens de autocarro, em casa, os que não quiserem alinhar serão obrigados a fazê-lo e ficarão para o resto da vida classificados como “amarelos”, votados ao ostracismno  sindical e olhados de lado, o país perderá milhares de milhões, os credores ficarão (mais) desconfiados, os juros aumentarão,  enfim, a greve geral vai ser a maior e mais destrutiva iniciativa dos últimos anos, um acto político contra a cidadania, os cidadãos e o país em geral.    

     

    20.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PORTUGUESES HÁ MUITOS

     

    O Prof. Cavaco Silva, Presidente da República

     

    – é o que diz a Constituição, e muito bem, ficando liminarmente excluído, preto no branco, e muito bem, que Sua Excelência seja Presidente de Portugal, ou da Nação Portuguesa, ou dos Portugueses, ou de qualquer Português,  Presidente da República e é um pau –

     

    andou, e muito bem, a propagandear a República por terras do camarada Obama.

    O IRRITADO aplaude.

    Como não podia deixar de ser, o maralhal lá do sítio fez gala em mostrar o seu acendrado patriotismo, querem ajudar, querem investir, querem pôr à disposição as suas monumentais economias, querem aproveitar as oportunidades de que o Presidente fala, etc., mas… mas em Portugal é o diabo, a burocracia, a administração pública, a inenarrável constelação de empatas cheios de poder, a “mentalidade de complicar em vez de ajudar”… enfim, os fulanos são uns patriotas, mas aturar o que nós por cá aturamos nem pensar.

    Carradas de razão.

    Está tudo certo. O que não está certo é o que o Presidente respondeu a estas queixas. Disse ele, em relação ao investimento dos emigrantes, que lhes “deve ser dada a possibilidade de o fazer sem entraves burocráticos ou constrangimentos administrativos”.

    E nós?

    Então o senhor Presidente acha que isso de prescindir dos entraves burocráticos e dos constrangimentos administrativos é só para emigrantes? Os emigrantes são portugueses de primeira e nós de segunda?

    Ou o Presidente, na sua sanha propagandística prometeu o que sabia não poder cumprir?

    Ou o Presidente acha que o é de outra república que não esta?

     

    16.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • TROPA FANDANGA

     

    Quando se vê uma multidão de militares desfilar nas ruas em manifestação sindical, fica a perceber-se que alguma coisa está muito mal entre nós.

    Não, desta vez o que está mal não é a crise, não é o governo, não é o orçamento, nem a oposição, nem a AR, nem o PR, nem a Justiça, nem a Constituição nem a Lei.

    Nada disso. O que está mal é o estado de miséria moral e profissional a que os militares chegaram. Todos os militares, já que parecem dividir-se entre os andam na rua e os que não protestam por eles andarem na rua. Ninguém fica de fora.

    Parece que as invectivas dos estúpidos – para aplicar um substantivo soft – tipo Otelo ou Vasco, fizeram caminho nas fileiras. Aliás, se nos lembrarmos dos capitães do 25, cujo acto se enraizou, ressalvadas honrosas excepções, mais em descontentamentos sindicais que em sentimentos democráticos, verificamos, clara e tristemente, que o sentido aristocrático e nobre da sua profissão, perdido nos anos do fim da ditadura, em vez de ser recuperado em trinta e tal anos de democracia, está na mesma, ou pior.

    Os militares acham-se, como os agulheiros da CP, os motoristas da Carris, os pilotos da TAP e demais chusmas de dependentes do Estado, muito acima dos demais. Os sacrifícios não são para eles. Que se lixem os outros, que se lixe a Nação. Se lhes não tocarem no pote, tudo bem. Se tocarem, vêm para a rua defender os seus intocáveis direitos, sem querer perceber que o que era direito é agora privilégio.

    Os que dependem do Estado (é o caso do autor do IRRITADO, via CNP), deviam perceber que não podem deixar de ser os primeiros a valorizar, sem um protesto, a relativa estabilidade de que gozam e que a outros não assiste. Por maioria de razão os militares, já que tanto se gabam dos seus “altos serviços”. Isto se ainda tivessem alguma noção da dignidade do que fazem e do que deles temos o direito de esperar.

     

    16.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • O IMPÉRIO DO RIDÍCULO

     

    O IRRITADO tem passou uma semana na risota. É que anda para aí um jornal a publicar uma enorme “investigação” sobre a Maçonaria, a irmandade em tempo conhecida, por razões desconhecidas, como dos “filhos da viúva”.

     

    Já lá vão muitos anos, um maçon meu amigo, convidou-me para entrar na organização.

    A coisa começaria por ir a uma “sessão branca”. Que é isso? – perguntei. É uma sessão aberta aos “profanos”, em que o “templo” tem os “altares” tapados.

    O que é isto? – pensei, a lembrar-me dos tempos em que, no luto da Semana Santa, os altares das igrejas tinham as imagens tapadas com panos roxos. O que é isto? Templo? Altares? Profanos? Uma religião? Mas as religiões – pelo menos a mais comum entre nós – têm as portas abertas e recebem toda a gente!

    Metido na enrascada e não querendo ser antipático, pedi ao meu amigo que me desse os estatutos da organização, para que pudesse avaliar dos direitos e deveres que a filiação implicava. Ao que me foi respondido que não, a “constituição” era coisa não pública, coisa de “iniciados”. Saíramos do domínio do religioso para entrar no do esotérico.

    A conversa, como é de calcular, ficou por ali.   

     

    Agora, às voltas com o jornal, vejo-me mergulhado outra vez em estranhas linguagens, aventais, compassos, olhos a espreitar por triângulos, báculos ou coisa que o valha, bonecada avulsa, outra vez os templos, as iniciações, as cerimónias, o secretismo, os títulos honoríficos, rebuscados, impossíveis, inacreditáveis, os graus, toda uma patética panóplia de símbolos e de linguagens, coisas reservadas aos “irmãos” segundo os decretos da hierarquia da coisa.

     

    Tudo isto, para quem vê de fora, é pelo menos ridículo, patético e idiota. A Idade Média ressuscitada no Bairro Alto.

    Ou então será outra coisa, que não pode deixar de ser ilegítima, opaca e inconstitucional, e daí perigosa. Senão pergunte-se em que “Diário da República” vem publicada a respectiva “constituição”.

     

    16.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • COMUNICAÇÃO SOCIAL

     

    Aqui há dias, os jornais, rádios, televisões, tudo manchetes, primeiras páginas, aberturas, etc., não falavam noutra coisa que não fosse as declarações do ministro Álvaro sobre o fim da crise.

    É evidente que o ministro Álvaro perdeu uma bela ocasião para estar calado, como há anos o homem do “oásis”, ou o senhor Pinto de Sousa no seu dia a dia. Previsões são coisas de que nunca se deve abusar, muito menos no estado e no Estado em que estamos.

    O homem escorregou, é certo, deu ideia que as suas esperanças eram realizáveis, e quando. Mas o que “anima” a chamada “comunicação social” não é isso. O homem disse a coisa de duas formas diferentes, dentro e fora da reunião.

    O IRRITADO, certamente frágil em matéria de QI, por mais que fizesse a profunda exegese das duas declarações, não conseguiu distinguir a profundidade da diferença entre uma e outra. O homem disse mais ou menos a mesma coisa em dois momentos diferentes e por diferentes palavras.

    Mas a “informação” é o que é. Não há nada a fazer. Não houve órgão da dita que não encontrasse monumentais diferenças entre uma e outra, quem não acusasse o Álvaro de “recuar”, de se “desdizer”, de não saber o que diz, o diabo a quatro.

    Malta escrupulosa, independente e séria.

     

    16.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PILARES DO PENSAMENTO

     

    Um grupo de altas individualidades, auto intituladas “moderadas”, iluminou a Nação com as suas doutas opiniões.

    Tudo gente do mais fino: o “saudável” Arnaud, glória do socialismo maçónico, a dona Roseta, viajante partidária de alta velocidade, o professor Miranda, especialista em confusões constitucionais, o Maltez, perito em graças, gracinhas e graçolas, uma tal Marina, declarada “politóloga”, o colega dela André Freire, empedernido socialista, o arquitecto Portas, surgido do lado esquerdo do nevoeiro de Vila do Conde, e mais não sei quem.

    Gente de uma finura a toda a prova, com denominador comum em simpatias esquerdóides mais ou menos nefelibatas.

    O “manifesto” que assinam diz, repete e glosa o que está dito, repetido e glosado por toda a parte. Nada de novo. A mesma paranóia, a mesma condenação gratuita do orçamento, sem uma linha que aponte para qualquer solução que não seja a de ir alimentando a ideologia.

    Que diabo, parece que, se houvesse alguma solução menos dura, não havia quem a não quisesse, a começar pelo governo. Por isso que esta gente, se quisesse ajudar a malta teria pensado no assunto e dito como devia ser.

    Já que se queixam da insegurança do Seguro, resolvem reafirmar grandes princípios, a fim de chamar a atenção para si próprios, para a sua fertilidade crítica, para a sua fidelidade ideológica e para a sua total ausência de pensamentos que, na situação em que estamos, valessem a pena.

     

    14.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NO QUARTEL DA CAÇA ÀS BRUXAS

     

    O pessoal da caça às bruxas é incansável. Pega nuns exemplos, generaliza, e aí está este mundo e o outro metido nas mais inenarráveis tropelias.

    Quando, porém, se trata de alguma coisa que pareceria ir ao encontro dos seus desejos, o dito pessoal nem dá por isso.

    É assim que, no quartel dos caçadores, passou despercebida a decisão do governo de limitar os vencimentos dos gestores públicos.

    O rapaz da TAP leva um boléu de 82%. O camarada da impossível RTP vê 69% do cacau ir à vida. O grande comandante dos CTT fica sem 62%. Etc., por aí fora.

     

    Do pessoal da caça às bruxas, nem uma palavra. A luta continua.

     

    14.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • WISHFUL THINKING

     

    Ninguém, que se saiba, sabia da existência de uma comissão encarregada de estudar a “informação televisiva”.

    A coisa passou a ser conhecida no dia em que três altíssimas (?) personalidades da nossa praça se demitiram. Que maçada!

    Então não é que, na tal comissão, havia quem achasse que a informação devia ser reduzida na televisão pública? Que topete!

    E o IRRITADO que se irrita tanto com os telejornais do senhor Rodrigues dos Santos, grande exegeta bíblico, intragável piscador de olho, socialista “independente”? Uma hora, meus senhores, uma hora de notícias em que mais de metade é preenchida com patacoadas! E o IRRITADO que se irrita tanto com aquela rapariga da SIC Notícias que guarda para os dois minutos finais, depois da publicidade, as notícias que interessam?

    Há países civilizados onde a informação diária é transmitida em meia hora, condensando o importante. Os tipos que deram umas facadas à sogra e a prima da cunhada da vizinha do prédio onde rebentou uma garrafa de gás ficam para outros momentos e outros programas. Por cá, os intelectuais demitem-se, indignados, se alguém propuser tal coisa. “Independência nacional”?!

     

    Bom, a origem de tudo isto está na estranha política do ministro Relvas. O homem, decididamente, não sabe o que quer, a não ser que não quer fazer o que fazer devia: acabar com a RTP, e pronto. Vai daí, nomeia uma comissão, decisão clássica em casos destes.

    Os senhores ou senhoras da dita comissão desatam à cacetada, vão embora, des-solidarizam-se. Caldo entornado.

    E agora? Agora, teria o ministro Relvas um bom pretexto para repensar a matéria e tomar uma atitude.

     

    Wishful thinking!

     

    14.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • MISÉRIA MORAL

     

    Uma das jóias da cidade de Lisboa e do país, um dos mais originais testemunhos da época áurea da nossa história, a Casa dos Bicos, vai ser, com pompa e circunstância, entregue pelo Município, na intragável pessoa do seu presidente, ele próprio consequência da imperial miscigenação, a uma espanhola!

    Não se percebe porque há-de a Casa dos Bicos estar na dependência, ou ser propriedade, da Câmara. A Casa dos Bicos tem valor e significado nacionais, não municipais ou não principalmente municipais.

    Não se percebe porque há-de um precioso testemunho do nosso séc. XVI ser entregue aos restos de um discutível escritor do séc. XX, talvez o mais chato, prolixo e pedante da nossa língua.

    Não se percebe porque há-de o município gastar uma considerável fortuna para adaptar a Casa dos Bicos às necessidades e exigências de uma espanhola, ainda por cima senhora e gestora de considerável fortuna e de consideráveis rendimentos, coisas que ficam a salvo dos gastos que exigiu.

    Não se percebe o alheamento de tanta gente tida por responsável perante o atentado ao património que vai consumar-se depois de amanhã.

     

    Mas há tanta coisa que não se percebe nesta terra que também não se percebe porque há-de o IIRTADO querer perceber esta.

     

    14.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NAS MALHAS DO PAISAGISMO

     

    Há muitos, muitos anos, havia na CML um paisagista que imaginou um re-arranjo dos jardins da Avenida da Liberdade. A coisa terá sido aprovada pelo então Presidente, um senhor França Borges, de genealogia jacobina e fé salazarista.

    As obras foram feitas, a avenida transformada numa coisa totalmente diferente. Melhor ou pior, ninguém saberá dizer. Porém, antes que os trabalhos estivessem acabados, deu-se um fenómeno raro naqueles repressivos tempos. Um movimento popular, intelectual e “mediático” sem precedentes. O pessoal não queria que a imagem da avenida fosse alterada e substituída por modernices que reputava de desagradáveis. Muito “democraticamente”, a CML obedeceu ao apelo da malta e a avenida voltou, quase toda, ao seu primitivo look. O paisagista saiu da câmara, passando de empregado a feroz inimigo do satus quo municipal. Criticava acerbamente as podas extemporâneas das árvores e a construção em (mais) altura ao longo da avenida. Ganhou a questão das podas: até hoje, as árvores nunca mais foram tratadas e ficaram entregues a si próprias, como bem se pode observar. Quanto à construção em (mais) altura, coisa horrível que havia de matar toda a vegetação do vale da avenida, esqueceu o assunto depois de ter vendido um prédio que tinha num nobre gaveto da dita. Hoje lá se ergue um feio edifício, bem mais alto que o vendido.

    Construiu-se mais uma data de edifícios. A vegetação continua na mesma, indiferente ao anátema do paisagista.

     

    A certa altura, a Gulbenkian resolveu construir o Centro de Arte Moderna, ocupando uma parte dos jardins Vilalva, agora de sua propriedade. A coisa, sob o comando do nosso paisagista, deu brado. Não se podia destruir os jardins, de sua autoria, jóia primeira da coroa da cidade. Os jornais entraram em acção, a malta agitou-se, a Gulbenkian tremeu de medo. Até que o Dr. Azeredo Perdigão, chefe máximo da fundação desde a primeira hora, veio à televisão defender a iniciativa e dizer que jamais os jardins tinham sido projectados pelo nosso paisagista. Uma firma britânica tinha sido contratada para o efeito, tendo o paisagista sido usado, entre outros, para a sua construção. O homem calou-se, o CAM foi construído, coisa magnífica, os jardins nada sofreram. Anos passados, lá voltou ele a assenhorear-se da autoria do projecto, uma vez que já ninguém se lembra das declarações assassinas do falecido Perdigão. Com razão. Águas passadas.

     

    Nos anos oitenta, nova polémica estoira. Havia uma empresa suíça que queria construir um hotel e um centro de congressos no alto do Parque Eduardo VII. Correu tinta, Abecassis foi acusado de tudo e mais alguma coisa. As hostes condenatórias, como é óbvio, eram chefiadas pelo paisagista. Os suíços acabaram por desistir, diz-se que faliram, a ideia foi abandonada. Naquele local, como é evidente, não se podia autorizar uma construção de tal envergadura e com um tal impacto na circulação, no estacionamento, etc.

    A roda da fortuna, porém, dá as suas voltas. No tempo da coligação social/comunista chefiada pelo senhor João Soares, outra coisa, bem maior e com mais impacto que o projecto chumbado, havia de surgir e triunfar na mesma zona, ainda que um pouco mais abaixo: o Corte Inglês e edifícios adjacentes. Desta vez a câmara não se preocupava com volumetrias, impactos, estacionamentos e circulações. Vai disto! Mesmo sem licenças, mesmo sem cumprir os regulamentos camarários que, com razão ou sem ela, infernizam a vida do cidadão comum, o monstro urbano construir-se-ia sob o terno olhar do Dr. Soares. Havia, no entanto, um problema: o paisagista! Vai daí, em tirada de grande visão e mestria, o município contrata-o para projectar o jardim do sobe e desce do alto do Parque. E pronto. O paisagista calou-se e o imponente conjunto urbano construiu-se sem mais chatices. Quem sabe, sabe!

     

    Para encurtar esta história, cheia de interessantes episódios, viajemos até ao presente.

    A monumental pessegada em que o Presidente Sampaio e a câmara socialista transformaram o caso do Parque Mayer, continua a fornecer material para a paisagística intervenção.

    Não contente com o abandono do único projecto visionário que tinha sido pensado já lá vão uns dez anos, não contente com a provinciana pequenez mental do que está em presença, não contente com o estado vergonhoso a que o local tem sido persistentemente conduzido, não contente com a evidente decrepitude dessa inigualável “preciosidade” arquitectónica que dá pelo nome de Capitólio, o nosso homem dedica-se à nobre tarefa de proteger o Jardim botânico, já que o tal projecto “altera a luz, as vistas e a circulação de brisas entre o Jardim Botânico e a Avenida da Liberdade”. Notável!

     

    O Costa tem duas soluções: ou se inspira na sabedoria do seu camarada Soares e trata de contratar o paisagista para não o ter à perna, ou encana a perna à rã, o que também não vai contra a “filosofia” camarária.

     

    13.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • A NADAR EM DINHEIRO

     

    O inigualável Paulo Campos, emérito manipulador de relatórios, acrisolado defensor do indefensável, gritantemente antipático, afirmou há dias, entre outras cavalidades, que a Estradas de Portugal estava na maior, sem problemas nenhuns, já que ele, Paulo Campos, sob a superior direcção do excelso Jamais! e com o alto patrocínio do espantoso Pinto de Sousa, tinha tomado as providências necessárias para que aquela empresa pública não desse problemas a ninguém.

    Se estas formidáveis afirmações tivessem sido proferidas por alguém digno de crédito, o IRRITADO teria ficado aflito. Então andou para aí o Almerindo a dizer que a EP não tinha cheta, que estava tudo falido e, afinal, era mentira?

    Ainda que fosse evidente que quem tinha razão era o Almerindo, não o Paulo, não seria mau esclarecer o assunto.

    Eis senão quando vem tudo escarrapachado no jornal. Só em2011, a EP vai sacar ao Estado a módica quantia de novecentos e doze milhões e cem mil euros em créditos do Tesouro, presume-se que emprestadados, como não pode deixar de ser. Consta que, nos anos subsequentes, será ainda pior.

     

    Já agora, para esclarecimento do reduzido público do IRRITADO, a situação em que o respeitável Campos deixou as coisas custará, em “empréstimos” do Estado, este ano, uns meros dois mil quinhentos e trinta e seis milhões, generosamente distribuídos por empresas tão dinâmicas e tão “nossas” como o Metro de Lisboa, a Refer e o Metro do Porto, para além da já citada EP, tudo maravilhas estatais que, nos primeiros nove meses deste ano, já custaram qualquer coisa como 2.121% do que tinham custado em 2010 e que, como é mais que certo, custarão ainda mais a médio e longo prazo. E ainda falta saber o que se vai passar com a Carris, os STCP, a Soflusa e tantas outras inflorescências do estado socialista que por aí pululam.

     

    Estes lindos elementos foram fornecidos pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental, coisa que não se sabe bem o que é, mas que dizem ser muito credível.

    Fica bem à vista, que é o que se queria demonstrar, a maravilhosa obra do tal Campos que, à imagem do famoso filósofo da Place Pigale, se gaba de ter deixado tudo a nadar em dinheiro.

     

    9.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DO FIM DA CIVILIZAÇÃO SCUT

     

    Uma pequena história portuguesa. Verdadeira, mas que se pode tomar por fábula.

    Havia um homem que, com imaginação e talento, construíra um razoável império económico. Tinha pegado numas indústrias arruinadas pelas loucuras da revolução, relançara-as, e ganhava bom dinheiro. Tinha umas centenas de empregados, relativamente bem pagos e satisfeitos.

    Um dia, chegada a moda dos computadores e da net, o nosso homem montou, num quartinho lá do escritório, uma espécie de sala de dealing, onde um truta qualquer se dedicava a operações financeiras, ligado a Nova Iorque, Tóquio, Frankfurt…

    Depressa tais operações tomaram corpo na cabeça do nosso homem. Ganhava quase tanto no quartinho como nas suas indústrias. Pagava ao truta, e pronto. Quase não havia despesas e, com algum bom senso, a coisa dava, e dava bem.

    Um dia, apareceu-lhe uma empresa “nacionalizada nossa”, a oferecer uma sonora maquia pelas suas indústrias. O homem exultou. Ia passar de rico a multimilionário!

    Alguém do seu inner circle o aconselhou a não vender, ou a vender só metade. Veja você, disse-lhe, que a indústria é o que o mantém na vida económica, é o que o liga à realidade palpável, ao que, afinal, sustenta e justifica os seus investimentos financeiros.

    Nada feito. O cash venceu. O nosso homem passou a ter só dinheiro, o conselheiro deixou de ser preciso, o truta foi aumentado, a vida continuou.

    Anos passados, a empresa “nacionalizada nossa” passou a elefante branco do regime e o milionário não sabe o que há-de fazer ao dinheiro, para além de o ver desaparecer em operações falhadas. Pensa voltar a produzir alguma coisa, mas é tarde. Os anos passaram, ele já não tem nem estaleca nem know how para se meter noutra, nem tempo para apanhar o comboio outra vez.

     

    Mutatis mutandis, é mais ou menos o que se passa com o chamado primeiro mundo.

    Atolado em serviços, especulações e ilusões, o primeiro mundo esqueceu o primário e o secundário, como se estes fossem o décor que as transacções e os investimentos financeiros proporcionavam, isto é, pondo as coisas de pernas para o ar.

    Ao mesmo tempo, as regalias de vida que o primário e o secundário tinham permitido criar transformaram-se em “direitos sociais”, ou seja, os habitantes foram levados a achar que viviam num mundo “scut” e que os Estados, ainda que cobrando impostos, taxas e “contribuições”, eram uma espécie de deuses que não podiam falhar nem tinham um deve/haver, à la limite igual ao de cada um.

    Durante umas décadas, a superioridade científica e tecnológica do primeiro mundo manteve a capacidade de funcionamento do sistema. Mas a globalização, por tantos idiotas acusada de ser uma manobra do primeiro mundo para explorar o terceiro, provocou fenómenos globais inevitáveis e de sinal contrário.

    O terceiro mundo produzia mais barato. Guardada que fosse a superioridade tecnológica, o primeiro mundo acreditou que deixava de precisar de trabalhar em actividades “menores”: imaginaria, investigaria, inventaria, inovaria, investiria, e daria aos demais para produzir, comprando-lhes um produto final onde as mais valias realmente importantes eram suas e pagas à cabeça. O resto era mão-de-obra, mal paga e sem “direitos sociais”. Daí as deslocalizações, as joint ventures e as inevitáveis transferências de tecnologia. Resultado: em meia dúzia de anos, o terceiro mundo passou a ter tecnologia própria – como, no pós-guerra, sucedera com o Japão – os fluxos de capitais mudaram de direcção e as mais valias sumiram-se.

    O dinheiro tinha migrado. Os “direitos sociais” já não tinham cobertura. O capitalismo tinha deixado de ser liberal. Mas as suas incontornáveis regras continuaram a funcionar, já não a bem dos povos, mas contra eles.

    A saída foi a anti-liberal corrida ao dinheiro, isto é, o esquecimento das tais incontornáveis regras, a primeira das quais é a de que o dinheiro, ou corresponde aos bens que se produz e é fruto deles, ou vai embora.

    Em vez de o recriar, o primeiro mundo entrou em espiral financeira. Acusado de ser “liberal”, passou a “social”. Começou a distribuir dinheiro sem se dar conta que jamais o recuperaria, já que o colocava em mãos que produziam menos que o que deviam. Passou a viver-se como se houvesse almoços grátis. Mas não havia, nunca houve.      

    Os cidadãos, esses, ficaram entregues às suas ilusões e aos seus “direitos”. Continuaram – e continuam! – a achar que “alguém há-de pagar”. Pior, continuaram convencidos que o que pagavam ao Estado lhes podia ser devolvido com juros, o contrário do que passou a suceder. O Estado não só nem em singelo devolve como gasta mais de metade para se auto sustentar.

    O mundo scut acabou.

    A realidade, longos anos disfarçada, veio ao de cima.       

     

    Agora, há que começar de novo.

    Bater no fundo, tomar balanço para voltar ao de cima.

    Acreditar no renascimento da Fénix.

    Fazer das tripas coração.

    O resto é cantarolar de ideólogos, de demagogos, de tecnocratas falhados e de políticos pataratas.

     

    Com a razão da moda e do “correcto”, chamem simplista ao IRRITADO.

    Depois queixem-se.

     

    5.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CAPITÃES DE ABRIL

     

    Há várias espécoes de capitães de Abril: os democratas sinceros, os idealistas, os que queriam aumentos de ordenado e menos concorrência, os que estavam fartos das áfricas, os que queriam a ditadura bolchevista, os mentirosos, os enganados…

    Há quem os incense, quem os odeie, quem não lhes ligue bóia.

    Uma coisa, porém, é certa: não merecem ser representados por quem diz representá-los: o coronel, brigadeiro, tenente, ou lá o que é, Vasco Lourenço.

    Antigo guerreiro do Império, cheio de bélicos cursos, infantaria, rangers, comandos e/ou coisas do género, jovem defensor da Pátria multicontinental e multirracial, virou, não se sabe quando nem porquê, feroz inimigo do que tão firmemente tinha defendido. Aconteceu a muitos.

    Houve momentos em que pareceu lutar pelo que, na sua segunda fase, dizia lutar: a liberdade e a democracia.

    Era tudo fogo de vista.

    Hoje em dia, cada cavadela cada minhoca. O homem desboca-se de toda a maneira e feitio, a democracia, afinal, era para ele um socialismo de analfabeta pacotilha, coisa que ninguém percebe, a começar pelo próprio.

    Desiludido, não tem outra solução que não seja apelar à insurreição. Não, não é às manifestações e às greves. É à insurreição militar. Na senda da castrense filosofia do poder pelas armas, que já nem na América do Sul é moda, o nosso Lourenço, qual general Tapioca, apela aos seus camaradas para que ressuscitem, contra a democracia, a força que usaram contra a ditadura.

    Vasco Lourenço, não fora o descrédito em que se espera que caia, não podia ser mais perigoso, ou mais burro, sobretudo quando há tanta farda travestida em sindicalista.

     

    Os capitães de Abril, de todas as naturezas, se ainda os há, não podem fazer melhor que arranjar outro que os represente. Em alternativa, ou ao menos, talvez pudessem denunciar as parlapatices do Vasco.

     

    5.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • O PREC ALEGRE

     

    Ao ler o imponente artigo do camarada Alegre, anteontem publicado, vemos, de forma elaborada e certamente inspirada por algum economista da tribo, algo comparável ao apelo do major Lourenço.

    O camarada Alegre, já que o PREC de esquerda foi travado manu militari, inventa um PREC de direita para legitimar o mesmo tipo de solução. É o capitão Lourenço, desta vez em versão mais rendilhada. “Soluções” expeditas, para obter o tão ansiado resultado: pôr a esquerda no poder. Já o camarada Sampaio, de forma mais sofisticada, usou instrumentos de natureza análoga aos do tão representativo militar.

    No pensamento da tribo, a tão incensada democracia, afinal, ou é de esquerda ou não é democracia. Mais ou menos como a República: mesmo tendo presenteado o país com 16 anos de repressão e bagunça mais quarenta de repressão e ditadura, a “cultura” dos alegres continua a confundi-la com liberdade e democracia. Não há nada a fazer.  

    É certo que o nosso alegre comentador faz, no seu artigo, uma análise da situação que, sendo discutível, é comum a muita gente e até tem alguma lógica, ou seja, não é estúpida nem infundada – razão pela qual o IRRITADO a atribui a um economista tribal, que o Alegre destas coisas sabe nada.

    O problema não é a análise, é a conclusão. E a conclusão é que é preciso acabar com a direita, seja lá como for. Se a democracia é estúpida ao ponto de pôr a direita no poder, então que se use outros métodos para acabar com o assunto, os métodos do aspirante Lourenço, os do camarada Sampaio, ou outros igualmente eficazes.

     

    O Dr. Passos Coelho teve o culot de dizer que “temos que mudar o regime económico”. Aí está, no raciocínio brilhante da alegre criatura, a prova de vivermos no tal “PREC de direita”. E com razão: o actual regime económico tem dado tão esplendorosos resultados, que qualquer mexida é um acto criminoso. Não é? Mantenha-se tudo como está, a bem da ideologia e do poder socialista! O que não é socialista é ilegítimo!

     

    Este reformado da RDP, e não só da RDP, onde “trabalhou” seis meses (com certeza por obra e graça do “destino” jamais apareceu na lista da caça às bruxas) acha que o actual governo segue uma política revanchista “ultra liberal”.

    Se a ignorância desse dinheiro, o camarada Alegre era multimilionário. Então não é que descobriu que subir impostos, entrar no capital dos bancos, andar à nora para manter os insustentáveis serviços sociais de uma insustentável herança, é política “ultra liberal”?

     

    Com a tribo não se argumenta. As alegres conclusões não dependem do saber, nem da lógica, nem dos sentimentos democráticos do senhor. Não são discutíveis. Aplicam-se, e pronto.

     

    Viva o socialismo!

    Viva o Lourenço!

    Viva o Alegre!

    Viva o golpe de Estado!

    Viva a República!

     

    6.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DA GREVE GERAL

     

     

    O IRRITADO pensava que a adesão da UGT à greve chamada geral, do PC, era um acto de indignação e repulsa pelos sacrifícios que a crise – que ainda vai no adro – está a exigir às pessoas.

    Haveria um certo oportunismo na coisa, ou uma certa ingenuidade, um “Maria vai com as outras”, um apanhar de um comboio que andaria com UGT ou sem ela, enfim, nada de especialmente grave.

    A ingenuidade é de quem formula tais hipóteses.

    Segundo os jornais, o anafado chefe da UGT, senhor Proença, grande consumidor de havanos de primeira qualidade, veio declarar que isso da greve chamada geral era uma questão de meia hora. Sim, de meia hora. É que, se o governo deixar de pedir, ou exigir, mais meia hora de trabalho por dia, acaba-se a adesão da UGT a tão nobre iniciativa.

    É a “batalha da produção”, em versão social sindical. Como o IRRITADO dizia há dias, trabalhar faz calos.

     

    3.11.11

     

    António Borges de Carvalho

  • QUESTÕES MUITO, MUITO GRAVES

     

    Uns quatrocentos juízes reuniram-se nos Açores, convocados por essa coisa que se chama Associação Sindical dos Juízes Portugueses e que passa a vida na televisão a deseducar o povo em vez de olhar para si própria e de se auto criticar pela forma como vem exercendo a sua profissão.

    Males na Justiça, há muitos e de muitas origens. Se cada um, em vez de andar à procura, nos outros, da razão de tais males, se visse ao espelho, talvez tivéssemos a lucrar com este tipo de reuniões, em termos da tão badalada e tão desprezada cidadania.

     

    Adiante.

     

    O primeiro de todos os juízes, Dr. Nascimento, célebre pela asa protectora que pousou sobre o senhor Pinto de Sousa, em prejuízo, entre outras coisas, da tão prezada – quando convém – independência judicatória dos seus pares, decidiu entrar em seara alheia e fazer as suas propostas políticas.

     

    É sabido que um dos males da nossa administração pública é a questão das competências, quer dizer, do poder de cada um. Não há repartição, universidade, instituto, direcção geral, município, etc. em que as pessoas se não batam por mais poder, por mais importância, por mais capacidade de acção, por mais visibilidade. Com isso se perde tempo, coisa preciosa em qualquer actividade, menos na função pública.

     

    Ciosos de reconhecimento, os juízes recusam a classificação de funcionários. Até podiam ter razão, se como tal não se comportassem.

    Mas o Dr. Nascimento quer nem mais nem menos que acabar com o Tribunal Constitucional e com o Supremo Tribunal Administrativo. Como? Transformando, um e outro, em meras secções especializadas do tribunal que ele próprio dirige!

    Cá a temos, limpinha, a sede de poder, a sanha pelo açambarcamento de competências. Ó glória de mandar, ó vã cobiça, diria o poeta, mais uma vez com carradas de razão.

    Deixemos de parte a argumentação contra ou a favor da espantosa proposta. Registe-se apenas a incursão do Dr. Nascimento em áreas que, manifestamente, não são da sua competência. Porquê? O poder, ah, meus amigos, o poder! Legítimo, ilegítimo, legal, ilegal, que importa?

    O Dr. Nascimento não se fica por aqui. Ele quer que os advogados passem a ganhar segundo uma tabela pré estabelecida, supõe-se que por ele. Como se fosse possível tabelar os honorários dos advogados! Como? Com que critérios? Quem determina o que vale o trabalho do advogado? Não há acordos advogado/cliente? De que havia o Dr. Nascimento de se lembrar, vinte anos depois de ter sido abolida a tabela de preços da bica e do pastel de nata!

    E quer mais, o Dr. Nascimento. Quer que os juízes passem a ter o poder de “evitar manobras dilatórias”. Toda a gente concorda que o processo, em Portugal, proporciona o abuso desmesurado de tais manobras. O problema é que a solução encontrada pelo douto Presidente do STJ não foi no sentido da alteração do processo, mas no de dar aos juízes o poder de dizer se aceitam ou não as normas do dito. O Dr. Nascimento não apela ao legislativo para que altere a lei, nem diz como, na sua opinião, devia ser alterada. O que ele exige é que passem a ser os juízes a determinar quando se deve ou não cumprir a lei processual!

      

    Tudo isto, meus senhores, é o menos. O pior é o resto.

     

    O resto é outras propostas, freneticamente aplaudidas, essas não tratando de funcionais prerrogativas, mas de violentos atentados aos mais elementares princípios do Estado de Direito.

    Os juízes que,  sem o mais leve protesto, se deixam representar pela incrível associação – gravíssima verdade – querem muito mais.

    Querem o poder todo! Querem passar a “activistas judiciais”. Que quer isto dizer? Que, para os juízes reunidos nos Açores, a lei deixou de ser a lei, mas o que eles entendem ser justo. Eles é que sabem quando a lei está de acordo com a Constituição e quando não está. Eles são quem distingue o que é justo e o que não é, independentemente da lei.

    A Justiça, meus senhores, segundo esta gente, tem que deixar de ser cega, tem que deixar de se aplicar a todos por igual. “O Direito”, diz o chefe, “tem que (re) ganhar (?) a sua função de controlo e de regulação”.

    Os juízes passarão a pedir a declaração de IRS às partes, a fim de decidir a quem dar razão. Será? Se és rico e estás contra um remediado, estás feito! Se és remediado e estás contra um pobre, vai-te lixar! Ou será de outra maneira? O juiz pergunta a cada um a sua tendência partidária, a fim de saber se se trata de um “defensor” dos “trabalhadores” ou de algum fascista encapotado. Se fores dos segundos, filho, nunca terás razão.

    O general do sindicato, aplaudidíssimo, quer que os tribunais “se assumam como entidades políticas”.

    Na senda do meritíssimo Dr. Nascimento, os juízes vão mais longe. Não se ficam pelo downgrading do Tribunal Constitucional. É a eles que compete verificar se a lei está ou não de acordo com o que a Constituição diz, ou com o que eles acham que a Constituição diz, presume-se que na senda dessoutro “intérprete” da dita que se chamava Sampaio e que a pôs ao serviço do partido.

    Um juiz de Almada, gloriosamente aplaudido pelas massas reunidas nos Açores, disse, defendendo o “activismo judicial”, que os camaradas se devem “libertar dos artigos dos códigos para poderem (sic!) defender os princípios do direito e da justiça”. Ou seja, o direito e a justiça passarão a ser o que cada juiz quiser. A lei não interessa a ninguém, muito menos à distinta classe, que julgará segundo o que cada um dos seus membros achar que está de acordo não se sabe com quê. Pior, sabe-se. E, segundo o mesmo douto iconoclasta da Justiça, o que interessa é o que a Constituição diz, ou o que cada um achar que a Constituição diz, segundo os seus próprios “princípios” e opiniões políticas.

    Não se pode ser mais claro, pois não?

    Mais. Por “activismo judicial” designa-se “a ampliação dos poderes dos juízes no controlo dos outros poderes públicos”. Mais uma vez, qual lei qual carapuça, qual Tribunal Constitucional qual carapuça, qual Parlamento qual carapuça, quem controla, quem regula, quem tem o poder absoluto de dizer o que está certo e o que está errado são os juízes!

     

    Não, meus amigos, ao contrário do que você pensa, não compete aos juízes julgar com independência, isenção e bom senso, nos limites da Lei. Segundo as forças judiciais sindicalizadas, compete controlar o poder político, decidir o que é a lei a cada momento e julgar segundo os seus critérios pessoais.

    Vasco Gonçalves não faria melhor. Álvaro Cunhal, ao pé disto, era uma criança. Salazar um benemérito. Só Hitler e Estaline se safariam.

     

    A reforma da Justiça é, ou devia ser, uma prioridade essencial da governação. Não se sabe se é, se não é. Ainda não se viu nada.

     

    Desta humilde tribuna, o IRRITADO recomenda vivamente a quem compete mandar nestas coisa que comece tal reforma por pôr na rua esta gente. Gente que não percebe ou não quer perceber o que é o Direito, nem o que é a Justiça, e que nega estrondosa e vilmente os seus mais fundamentais fundamentos.

     

    1.11.11

     

    António Borges de Carvalho