IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GREVE GERALMENTE GRAVE

 

Antes de se saber ao certo a dimensão do estrondoso êxito (garantido pelo Jerónimo!) da greve geral do PC e Cª, talvez não seja mau recordar o que é o direito à greve e o que justifica o seu exercício.

 

Partindo do princípio que quem trabalha por conta de outrem é objecto, por parte do outrem, das mais inacreditáveis tropelias, não tendo “armas” para se defender terá como recurso a greve, a fim de, prejudicando o outrem, o convencer a fazer aquilo a que os grevistas têm, ou se acham com direito.

Nesta ordem de ideias, e ao contrário do postulado, o que se verifica é que os trabalhadores por conta de outrem – entenda-se os representados pelo Silva e quejandos – têm, hoje em dia, as mais variadas “armas”, todas exteriores à greve: sindicatos aos pontapés, hordas de jornalistas às ordens, televisão à porta sempre que entendem, conselhos de concertação onde concertam e desconcertam à vontade, dois ou três partidos políticos por conta, etc. Não pode dizer-se que se não exprimam como entendem e quando entendem, com altifalantes aos montes e “informação” ao serviço.

 

Por outro lado, quem pode fazer greve são aqueles que, por uma questão de princípio, não precisariam: os que têm emprego.

Vivemos num país onde após largos anos de rebaldaria financeira, gostosamente apodada de “pouca” pelos dirigentes dos grevistas, as pessoas se dividem em duas categorias fundamentais: as que são pagas, umas trabalhando outras não fazendo nenhum, e as que o não são porque estão no desemprego (muitas) ou não querem trabalhar (algumas).

Numa primeira abordagem, ficaríamos com a ideia de que a greve seria legítima para os que a não podem fazer, problema sem saída, e menos justificável para os outros, os que podem fazê-la e a fazem porque, apesar do privilégio do trabalho, acham pouco o que recebem.

Não é assim. Os campeões da greve são os que têm emprego e, destes, os que melhores empregos têm. Os exemplos são muitos: os magníficos pilotos da TAP, coitadinhos, os maquinistas da CP, gente bem paga por pouco trabalho, os antipáticos tipos da Carris a quem até o barbeiro é pago pelo patrão, e por aí fora, num nunca acabar de enjeitados desta vida.

Distinta malta que, devidamente reforçada pelos profissionais do PC e pelo Louça mais meia dúzia, devidamente engrossada pela malta da CGTP e da UGT e acompanhada por legiões de habitués, vai conseguir, presume-se, a maior greve de todos os tempos – na doce prémonição do camarada Jerónimo.

 

Só não vai lá estar quem precisa, quem não tem emprego, quem tem um emprego de xaxa, quem corre o risco de ir para a rua a qualquer momento.

Uma greve contra quem precisa, contra os pobres, contra os enteados do socialismo.

Vai haver piquetes por toda a parte, a liberdade de trabalhar será letra morta, o povo ficará prisioneiro nas estações, nas paragens de autocarro, em casa, os que não quiserem alinhar serão obrigados a fazê-lo e ficarão para o resto da vida classificados como “amarelos”, votados ao ostracismno  sindical e olhados de lado, o país perderá milhares de milhões, os credores ficarão (mais) desconfiados, os juros aumentarão,  enfim, a greve geral vai ser a maior e mais destrutiva iniciativa dos últimos anos, um acto político contra a cidadania, os cidadãos e o país em geral.    

 

20.11.11

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “GREVE GERALMENTE GRAVE”

  1. Pois!O problema do irritado é que abomina greves,gostaria de ter á mão uma PIDE para pôr na ordem os perigosos socialistas grevistas.Depois mistura umas tretas de pilotos da TAP,patati,patata,par dar uma certa consistência popularucha!!!

    1. Parabéns por tão límpida visão das coisas!É uma pena e uma injustiça que a inteligência e a seriedade estejam tão mal distribuídas.

      1. Ainda bem que reconhece.Você de facto não ficou a dever nada á seriedade,quanto á inteligência,não sou suficientemente atrevido para me pronunciar!!!

  2. Concordo com o Irritado: há poucas coisas mais inúteis, e até contraproducentes, do que esta greve. Aliás, a maioria das greves é completamente inútil. Onde decerto discordaremos, será nas ALTERNATIVAS a esta greve. Imagino formas bem mais eficazes de aproveitar toda esta gente, e toda esta energia. Enquanto a coisa não chegar ao lombo de certa canalha, nada irá mudar.

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