Há várias espécoes de capitães de Abril: os democratas sinceros, os idealistas, os que queriam aumentos de ordenado e menos concorrência, os que estavam fartos das áfricas, os que queriam a ditadura bolchevista, os mentirosos, os enganados…
Há quem os incense, quem os odeie, quem não lhes ligue bóia.
Uma coisa, porém, é certa: não merecem ser representados por quem diz representá-los: o coronel, brigadeiro, tenente, ou lá o que é, Vasco Lourenço.
Antigo guerreiro do Império, cheio de bélicos cursos, infantaria, rangers, comandos e/ou coisas do género, jovem defensor da Pátria multicontinental e multirracial, virou, não se sabe quando nem porquê, feroz inimigo do que tão firmemente tinha defendido. Aconteceu a muitos.
Houve momentos em que pareceu lutar pelo que, na sua segunda fase, dizia lutar: a liberdade e a democracia.
Era tudo fogo de vista.
Hoje em dia, cada cavadela cada minhoca. O homem desboca-se de toda a maneira e feitio, a democracia, afinal, era para ele um socialismo de analfabeta pacotilha, coisa que ninguém percebe, a começar pelo próprio.
Desiludido, não tem outra solução que não seja apelar à insurreição. Não, não é às manifestações e às greves. É à insurreição militar. Na senda da castrense filosofia do poder pelas armas, que já nem na América do Sul é moda, o nosso Lourenço, qual general Tapioca, apela aos seus camaradas para que ressuscitem, contra a democracia, a força que usaram contra a ditadura.
Vasco Lourenço, não fora o descrédito em que se espera que caia, não podia ser mais perigoso, ou mais burro, sobretudo quando há tanta farda travestida em sindicalista.
Os capitães de Abril, de todas as naturezas, se ainda os há, não podem fazer melhor que arranjar outro que os represente. Em alternativa, ou ao menos, talvez pudessem denunciar as parlapatices do Vasco.
5.11.11
António Borges de Carvalho

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