O inigualável Paulo Campos, emérito manipulador de relatórios, acrisolado defensor do indefensável, gritantemente antipático, afirmou há dias, entre outras cavalidades, que a Estradas de Portugal estava na maior, sem problemas nenhuns, já que ele, Paulo Campos, sob a superior direcção do excelso Jamais! e com o alto patrocínio do espantoso Pinto de Sousa, tinha tomado as providências necessárias para que aquela empresa pública não desse problemas a ninguém.
Se estas formidáveis afirmações tivessem sido proferidas por alguém digno de crédito, o IRRITADO teria ficado aflito. Então andou para aí o Almerindo a dizer que a EP não tinha cheta, que estava tudo falido e, afinal, era mentira?
Ainda que fosse evidente que quem tinha razão era o Almerindo, não o Paulo, não seria mau esclarecer o assunto.
Eis senão quando vem tudo escarrapachado no jornal. Só em2011, a EP vai sacar ao Estado a módica quantia de novecentos e doze milhões e cem mil euros em créditos do Tesouro, presume-se que emprestadados, como não pode deixar de ser. Consta que, nos anos subsequentes, será ainda pior.
Já agora, para esclarecimento do reduzido público do IRRITADO, a situação em que o respeitável Campos deixou as coisas custará, em “empréstimos” do Estado, este ano, uns meros dois mil quinhentos e trinta e seis milhões, generosamente distribuídos por empresas tão dinâmicas e tão “nossas” como o Metro de Lisboa, a Refer e o Metro do Porto, para além da já citada EP, tudo maravilhas estatais que, nos primeiros nove meses deste ano, já custaram qualquer coisa como 2.121% do que tinham custado em 2010 e que, como é mais que certo, custarão ainda mais a médio e longo prazo. E ainda falta saber o que se vai passar com a Carris, os STCP, a Soflusa e tantas outras inflorescências do estado socialista que por aí pululam.
Estes lindos elementos foram fornecidos pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental, coisa que não se sabe bem o que é, mas que dizem ser muito credível.
Fica bem à vista, que é o que se queria demonstrar, a maravilhosa obra do tal Campos que, à imagem do famoso filósofo da Place Pigale, se gaba de ter deixado tudo a nadar em dinheiro.
9.11.11
António Borges de Carvalho

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