IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O IMPÉRIO DO RIDÍCULO

 

O IRRITADO tem passou uma semana na risota. É que anda para aí um jornal a publicar uma enorme “investigação” sobre a Maçonaria, a irmandade em tempo conhecida, por razões desconhecidas, como dos “filhos da viúva”.

 

Já lá vão muitos anos, um maçon meu amigo, convidou-me para entrar na organização.

A coisa começaria por ir a uma “sessão branca”. Que é isso? – perguntei. É uma sessão aberta aos “profanos”, em que o “templo” tem os “altares” tapados.

O que é isto? – pensei, a lembrar-me dos tempos em que, no luto da Semana Santa, os altares das igrejas tinham as imagens tapadas com panos roxos. O que é isto? Templo? Altares? Profanos? Uma religião? Mas as religiões – pelo menos a mais comum entre nós – têm as portas abertas e recebem toda a gente!

Metido na enrascada e não querendo ser antipático, pedi ao meu amigo que me desse os estatutos da organização, para que pudesse avaliar dos direitos e deveres que a filiação implicava. Ao que me foi respondido que não, a “constituição” era coisa não pública, coisa de “iniciados”. Saíramos do domínio do religioso para entrar no do esotérico.

A conversa, como é de calcular, ficou por ali.   

 

Agora, às voltas com o jornal, vejo-me mergulhado outra vez em estranhas linguagens, aventais, compassos, olhos a espreitar por triângulos, báculos ou coisa que o valha, bonecada avulsa, outra vez os templos, as iniciações, as cerimónias, o secretismo, os títulos honoríficos, rebuscados, impossíveis, inacreditáveis, os graus, toda uma patética panóplia de símbolos e de linguagens, coisas reservadas aos “irmãos” segundo os decretos da hierarquia da coisa.

 

Tudo isto, para quem vê de fora, é pelo menos ridículo, patético e idiota. A Idade Média ressuscitada no Bairro Alto.

Ou então será outra coisa, que não pode deixar de ser ilegítima, opaca e inconstitucional, e daí perigosa. Senão pergunte-se em que “Diário da República” vem publicada a respectiva “constituição”.

 

16.11.11

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “O IMPÉRIO DO RIDÍCULO”

  1. Nas revistas de banda desenhada (que eu consumia avidamente na infância) havia um clube, salvo erro do Bolinha, chamado “Menina não entra”. Era uma barraca onde os meninos mantinham reuniões muito secretas, e onde, como o nome indica, as meninas não podiam entrar. Suponho que a opinião dos meninos a respeito das meninas tenha mudado, à medida que cresceram, mas nunca saberemos. O encanto das revistas é justamente esse mundo paralelo, em que ninguém envelhece e a vida é uma sucessão de aventuras. Já no mundo real, os meninos crescem, mas alguns nunca perdem o fascínio infantil por clubes exclusivos e misteriosos, onde – curiosamente – as meninas também não entram. Os maiores clubes do género são algumas religiões, como a católica e a muçulmana, que impõem alegremente regras às mulheres, e esperam delas total devoção, mas vedam-lhes o acesso à hierarquia. Assim foi durante séculos. A maçonaria não foge à regra. É outro clube de meninos grandes, com regras e rituais tão absurdos quanto escrupulosamente respeitados. Como é óbvio, se alguém de repente exclamasse “Epá, mas isto é ridículo!”, toda a ilusão ruiria, e os meninos ver-se-iam confrontados com a sua infantilidade. É um risco que o clube não pode correr, e por isso as regras são impostas com duplo zelo. Não querem lá Irritados, querem lá fiéis. Até aqui, nada de mal: cada um tem direito à sua própria estupidez. O problema começa quando estes clubes ganham peso na sociedade, e interferem no seu normal funcionamento. A maçonaria, em particular, serve para trocar favores e influências, operando como uma espécie de MÁFIA. É claro que a sociedade deve intervir, a brincadeira já foi longe de mais. Sendo fácil de descobrir onde e quando esta gente se reúne, é preciso colocar os locais sob escuta, e investigar pessoalmente cada um dos membros – particularmente os que exercem cargos relevantes. Mas QUEM terá a coragem de o fazer, com tanta canalha graúda envolvida? Reitero a solução que já aqui deixei: se não temos soluções em casa, vamos buscá-las lá fora. Polícia estrangeira, juízes estrangeiros, e sim, POLÍTICOS estrangeiros. Portugal tem que ser salvo da sua própria élite corrupta.

    1. Uma pequena correcção: Dada a chamada libertação da mulher, hoje também há maçonaria feminina! Curiosamente, intitulam-se “maçonas”.

      1. Li algo a respeito, mas desconheço se têm funções equivalentes aos homens. Seja como for, gosto do nome: maçonas. Maçonas. Maçonas! Evoca-me moçoilas bem nutridas, de maça na mão.

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