IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


QUESTÕES MUITO, MUITO GRAVES

 

Uns quatrocentos juízes reuniram-se nos Açores, convocados por essa coisa que se chama Associação Sindical dos Juízes Portugueses e que passa a vida na televisão a deseducar o povo em vez de olhar para si própria e de se auto criticar pela forma como vem exercendo a sua profissão.

Males na Justiça, há muitos e de muitas origens. Se cada um, em vez de andar à procura, nos outros, da razão de tais males, se visse ao espelho, talvez tivéssemos a lucrar com este tipo de reuniões, em termos da tão badalada e tão desprezada cidadania.

 

Adiante.

 

O primeiro de todos os juízes, Dr. Nascimento, célebre pela asa protectora que pousou sobre o senhor Pinto de Sousa, em prejuízo, entre outras coisas, da tão prezada – quando convém – independência judicatória dos seus pares, decidiu entrar em seara alheia e fazer as suas propostas políticas.

 

É sabido que um dos males da nossa administração pública é a questão das competências, quer dizer, do poder de cada um. Não há repartição, universidade, instituto, direcção geral, município, etc. em que as pessoas se não batam por mais poder, por mais importância, por mais capacidade de acção, por mais visibilidade. Com isso se perde tempo, coisa preciosa em qualquer actividade, menos na função pública.

 

Ciosos de reconhecimento, os juízes recusam a classificação de funcionários. Até podiam ter razão, se como tal não se comportassem.

Mas o Dr. Nascimento quer nem mais nem menos que acabar com o Tribunal Constitucional e com o Supremo Tribunal Administrativo. Como? Transformando, um e outro, em meras secções especializadas do tribunal que ele próprio dirige!

Cá a temos, limpinha, a sede de poder, a sanha pelo açambarcamento de competências. Ó glória de mandar, ó vã cobiça, diria o poeta, mais uma vez com carradas de razão.

Deixemos de parte a argumentação contra ou a favor da espantosa proposta. Registe-se apenas a incursão do Dr. Nascimento em áreas que, manifestamente, não são da sua competência. Porquê? O poder, ah, meus amigos, o poder! Legítimo, ilegítimo, legal, ilegal, que importa?

O Dr. Nascimento não se fica por aqui. Ele quer que os advogados passem a ganhar segundo uma tabela pré estabelecida, supõe-se que por ele. Como se fosse possível tabelar os honorários dos advogados! Como? Com que critérios? Quem determina o que vale o trabalho do advogado? Não há acordos advogado/cliente? De que havia o Dr. Nascimento de se lembrar, vinte anos depois de ter sido abolida a tabela de preços da bica e do pastel de nata!

E quer mais, o Dr. Nascimento. Quer que os juízes passem a ter o poder de “evitar manobras dilatórias”. Toda a gente concorda que o processo, em Portugal, proporciona o abuso desmesurado de tais manobras. O problema é que a solução encontrada pelo douto Presidente do STJ não foi no sentido da alteração do processo, mas no de dar aos juízes o poder de dizer se aceitam ou não as normas do dito. O Dr. Nascimento não apela ao legislativo para que altere a lei, nem diz como, na sua opinião, devia ser alterada. O que ele exige é que passem a ser os juízes a determinar quando se deve ou não cumprir a lei processual!

  

Tudo isto, meus senhores, é o menos. O pior é o resto.

 

O resto é outras propostas, freneticamente aplaudidas, essas não tratando de funcionais prerrogativas, mas de violentos atentados aos mais elementares princípios do Estado de Direito.

Os juízes que,  sem o mais leve protesto, se deixam representar pela incrível associação – gravíssima verdade – querem muito mais.

Querem o poder todo! Querem passar a “activistas judiciais”. Que quer isto dizer? Que, para os juízes reunidos nos Açores, a lei deixou de ser a lei, mas o que eles entendem ser justo. Eles é que sabem quando a lei está de acordo com a Constituição e quando não está. Eles são quem distingue o que é justo e o que não é, independentemente da lei.

A Justiça, meus senhores, segundo esta gente, tem que deixar de ser cega, tem que deixar de se aplicar a todos por igual. “O Direito”, diz o chefe, “tem que (re) ganhar (?) a sua função de controlo e de regulação”.

Os juízes passarão a pedir a declaração de IRS às partes, a fim de decidir a quem dar razão. Será? Se és rico e estás contra um remediado, estás feito! Se és remediado e estás contra um pobre, vai-te lixar! Ou será de outra maneira? O juiz pergunta a cada um a sua tendência partidária, a fim de saber se se trata de um “defensor” dos “trabalhadores” ou de algum fascista encapotado. Se fores dos segundos, filho, nunca terás razão.

O general do sindicato, aplaudidíssimo, quer que os tribunais “se assumam como entidades políticas”.

Na senda do meritíssimo Dr. Nascimento, os juízes vão mais longe. Não se ficam pelo downgrading do Tribunal Constitucional. É a eles que compete verificar se a lei está ou não de acordo com o que a Constituição diz, ou com o que eles acham que a Constituição diz, presume-se que na senda dessoutro “intérprete” da dita que se chamava Sampaio e que a pôs ao serviço do partido.

Um juiz de Almada, gloriosamente aplaudido pelas massas reunidas nos Açores, disse, defendendo o “activismo judicial”, que os camaradas se devem “libertar dos artigos dos códigos para poderem (sic!) defender os princípios do direito e da justiça”. Ou seja, o direito e a justiça passarão a ser o que cada juiz quiser. A lei não interessa a ninguém, muito menos à distinta classe, que julgará segundo o que cada um dos seus membros achar que está de acordo não se sabe com quê. Pior, sabe-se. E, segundo o mesmo douto iconoclasta da Justiça, o que interessa é o que a Constituição diz, ou o que cada um achar que a Constituição diz, segundo os seus próprios “princípios” e opiniões políticas.

Não se pode ser mais claro, pois não?

Mais. Por “activismo judicial” designa-se “a ampliação dos poderes dos juízes no controlo dos outros poderes públicos”. Mais uma vez, qual lei qual carapuça, qual Tribunal Constitucional qual carapuça, qual Parlamento qual carapuça, quem controla, quem regula, quem tem o poder absoluto de dizer o que está certo e o que está errado são os juízes!

 

Não, meus amigos, ao contrário do que você pensa, não compete aos juízes julgar com independência, isenção e bom senso, nos limites da Lei. Segundo as forças judiciais sindicalizadas, compete controlar o poder político, decidir o que é a lei a cada momento e julgar segundo os seus critérios pessoais.

Vasco Gonçalves não faria melhor. Álvaro Cunhal, ao pé disto, era uma criança. Salazar um benemérito. Só Hitler e Estaline se safariam.

 

A reforma da Justiça é, ou devia ser, uma prioridade essencial da governação. Não se sabe se é, se não é. Ainda não se viu nada.

 

Desta humilde tribuna, o IRRITADO recomenda vivamente a quem compete mandar nestas coisa que comece tal reforma por pôr na rua esta gente. Gente que não percebe ou não quer perceber o que é o Direito, nem o que é a Justiça, e que nega estrondosa e vilmente os seus mais fundamentais fundamentos.

 

1.11.11

 

António Borges de Carvalho



26 respostas a “QUESTÕES MUITO, MUITO GRAVES”

  1. Mais um texto a acrescentar à verborreia nacional. Os juízes não precisam de poder. Ninguém precisa de poder. Num estado de direito só o soberano tem poder. Se for democrático então só o povo o terá. Cada um, incluindo o Presidente da República estão para obedecer. Não ver isto é aceitar todas as tiranias intermédias. O irritado é mais um que aceita desde que os tiranos sejam do clube. No tempo do Salazar e do Vasco Gonçalves o estado não roubava mais do que agora. Agora o povo é roubado enquanto soberano pelos mandantes que deviam ser mandatários. Explique lá o irritado, defensor das subvenções vitalícias, com que direito o estado rouba as pensões que foram calculadas de acordo com os descontos e tempo de trabalho.

    1. Explico sim senhor, ainda que ache que, quem ainda não percebeu… paciência. É que, meu caro Picaroto, não há dinheiro! Já viu o que a contestação está a causar na Grécia, e que a Europa inteira sossobra por causa disso e não só? Já viu que os irlandeses, que perceberam mais de um ano antes de nós, e que levaram mais porrada que nós, já começam a sair do buraco?O que não quer dizer que ache bem, só porque a porrada vem de gente mais séria que a anterior. Se você, ou o Seguro, ou seja quem for, arranjarem outra solução, cá estarei para apoiar, todo contente.Agradeço não pense que o IRRITADO não vai lever uma bordoada dos diabos.A realidade é o que é, não o que gostávamos que fosse. Ou queremos perceber, ou não. É tudo.

      1. Isso de «não haver dinheiro» é relativo: o dinheiro não desapareceu, apenas mudou de mãos. A economia real é que desaparece, porque o dinheiro – muito dele virtual – concentra-se em cada vez menos mãos. Os irlandeses, como sabe, foram vítimas de algumas dessas mãos. Recuperaram ligeiramente, embora vivam pior, mas a economia real deles já funcionava. Logo, nada garante que connosco seja igual. Quanto ao picaroto, julgo que este se referia à dualidade de critérios do Irritado: porrada na maralha, tudo bem; já porrada equivalente nos que se servem (ou serviram) da política, e noutros MAMÕES, é que não pode ser.

  2. O povo é roubado enquanto soberano para alimentar os ladrões do BPN e as pessoas, sobretudo as mais pobres e desprotegidas, são roubadas enquanto súbditas cujos direitos deveriam ser protegidos.

  3. Jorge Coelho renunciou a pensão vitalícia O antigo ministro socialista disse ter enviado uma carta ao presidente da Caixa Geral de Aposentações, na qual renuncia à pensão vitalícia que recebia há dois anos.Jorge Coelho não quis adiantar qualquer motivo para a sua decisão, que surge depois do Governo ter manifestado intenções de acabar com as pensões de ex-políticos que trabalhem no sector privado.O ex-político recebia 2400 euros por mês e desde que saiu do Giverno assumiu as funções de CEO da construtora Mota Engil. Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/jorge-coelho-renuncia-a-pensao-vitalicia=f684445#ixzz1cUsEeoWrPedro Santana Lopes (antigo Primeiro Ministro) aceitou o “desafio” lançado por Pedro Passos Coelho para assumir o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia, sem remuneração (ah,ah,ah – risada), uma vez que já recebe a subvenção vitalícia pelos diversos cargos que exerceu, enquanto ‘não andou por aí’ ((ah,ah,ah – outra vez, risada).Qual o valor da “subvenção vitalícia pelos diversos cargos que exerceu” de PSL?Um desafio ao IRRITADO para um “post”,

    1. Não faço ideia do que terá a ver o seu comentário com o post.Em relação a PSL, lamento que o primitivismo do ódio se sobreponha à limpidez da verdade. E lembro que, quando PSL aceitou ir para a Misericórdia ainda não tinha começado a caça às bruxas. Portanto, não reagiu apertado pelos caçadores, mas de lovre e soberana vontade. Mais um motivo para, quem for sério, lhe tirar o chapéu.

      1. O comentário do XXI sai do contexto porque, como o Irritado sabe, os blogs ganham por vezes vida própria: transformam-se num pequeno fórum. O tema dos juízes é pertinente, mas não é polémico. Não encontrará aqui, creio eu, muitos defensores da classe, e muito menos do Sr. Noronha do Nascimento. Nem aqui, nem em lado (quase) nenhum. O XXI colocou-lhe outra questão, directa e concreta: qual o valor da subvenção vitalícia de PSL pelos cargos que exerceu? Tal como à questão do Ângelo Correia, o Irritado prefere chutar para canto. Sabe que o assunto não morre, mas prefere não lidar com ele. Tal como chutou para canto, há pouco tempo, o caríssimo Audi blindado do seu caríssimo PSL. Ninguém o culpa (pelo menos, exclusivamente a si) por estes gastos – para mim, obscenos – e ninguém espera que tenha o poder de os revogar, ou de cobrá-los de volta. O Irritado não é o Paralamento, nem é um tribunal. O problema, caro Irritado, é que mesmo que tivesse tal poder, não o faria – pois CONCORDA com eles, sobretudo quando são da sua cor. Acha bem. Acha lógico. Acha justo. É este o problema, e é por isso que o assunto não morre.

        1. Pois o nosso grande problema, muito mais grave que aqueles com que há quem se vá entretendo – com razão ou sem ela – é o da Justiça.Jamais me passou pela cabeça que as monstruosidades morais, filosóficas, intelectuais e políticas proferidas no congresso dos juizes sindicalizados não causasse um enorme escândalo nacional.Para mim, isto significa que vivemos numa sociedade a quem não foram ensinados princípios e que, em consquências, não tem massa crítica nem percebe o que se está a passar. Esprei dois dias para ver as reacções às monstruosidades. Achei que devia haver gente mais competente e sabedora que eu a denubciá-las. Enganei-me redondamente. E até, ó tristeza, os meus amigos virtuais não ligaram meia ao assunto e preferiram a oportunidade para continuar na caça às bruxas, recusando-se a perceber que, enquanto a justiça for um instrumento político,como os sindicalistas defendem, não haverá Justiça nenhuma. Bem podem bramir contra este e contra aqueledos seus inimigos de estimação, que não vão a parte nenhuma.Como disse algures, quem não quer perceber… paciência.

          1. Percebo muito bem: está a dizer que os juízes querem substituir-se à Lei, e ao poder legislativo – isto é, aos POLÍTICOS. O que o Irritado não quer perceber é que, se não confiamos nestes juízes, menos ainda confiamos nestes políticos. Não confiamos nas leis feitas por eles, nem na futura reforma da Justiça, que talvez ocorra quando os nossos netos andarem de bengala. Os juízes são uma classe arrogante, privilegiada, preguiçosa, e ineficaz? Também os políticos. Agem de forma corporativa? Também os políticos. Muitos serão corruptos, maçónicos, ou outra coisa qualquer? Também os políticos. Não os elegemos? Também não elegemos boa parte dos políticos, nem quem eles nomeiam – cada partido dispõe dos votos como entende. Por fim, conclui que «vivemos numa sociedade … que não tem massa crítica». Concluiu isso AGORA, devido a esta questão dos juízes? Fantástico, Irritado. Quem diria que, 35 anos e milhares de políticos depois, havia de concluir que a carneirada não tem massa crítica?

          2. Só por si (melhor dito, pelos seus brilhantes comentários), ainda “peregrino” por aqui.Na verdade ainda tenho esperança de ver alguns dos “iluminados” ficarem sem “luz”Cumprimentos

  4. Sabe o sr Irritado porque Frederico II era soberano?Porque os juizes eram independentes e não tinham um comité de árbitros chamado Tribunal Constitucional arranjado pelos seus mandatários.E o José Pacóvio porque não o é?Porque tem um Tribunal Constitucional arranjadadinho nas sedes dos partidos para safar políticos: ladrões, corruptos, pedófilos, etc. etc. do seu clube e do clube do Sr. Pinto de Sousa.

  5. Se a justiça tem asas protectoras,a maior é a que tem protegido o bando laranja que assaltou o BPN!!!

    1. O senhor Tecelão ainda não percebeu que quem protegeu essa gente e nos arruinou com isso foi o seu amigo Pinto de Sousa? Que diabo, já era tempo!

      1. O IRRITADO ainda não percebeu que quem protege essa gente é o “bloco central de interesses”?

      2. Só lhe falta dizer que foi o Pinto de Souisa que pôs a mão na massa,a canalha laranja nada tem a ver com o caso!!!

        1. Aquilo a que chama, por ódio primário, canalha laranja, está a contas com os tribunais.A factura da “solução” encontrada pelo seu chefe pagama-lo nós!

          1. Logo você a falar de ódio primário, lata descarada não lhe falta!!!

          2. Como sabe, o seu protegido anda, ou andou, a manobrar, via seus sequazes mais próximos, para repetir em Portugal o espectáculo grego. Deve tratar-se de mais um capítulo dos inúmeros serviços que prestou à Pátria. Se é preciso lata ou ódio primário (a especialidade é sua) para não gostar do seu protegido, vou ali e já venho.

          3. Vá,mas não precisa de vir.De ódios mesquinhos aqui escarrados tem você enchido os seus artigos.Tudo o que sai da sua cor é aqui vilipendiado,ao mesmo tempo que protege uma praga de piratas.Depois com uma deslavada lata acusa-me a mim de ter protegidos.Agora sou eu que me vou,mas hei-de voltar para o atasanar!!!

  6. Caro IRRITADO,Agradeço o tema do post … Percebo pouco dos meandros (obscuros) da justiça, mas sei que em Portugal, a Justiça (com J) é virtual. Confesso que tenho 2 pavores na vida: um deles, é o de ter que recorrer ao sistema judicial (onde por várias razões é amplamente protegido quem deve ser protegido). A Justiça tornou-se má, perversa … cega, desequilibrada e de rabo à mostra. É GROTESCA.Como se não bastasse, penso que num passado recente a lei começou a ser manipulada e distorcida em função de interesses objectivos e, uma vez mais, a colectividade foi ignorada e desprezada.Os juízes passaram a ser patetas e apatetados que adiam eternamente as decisões, protegidos por centenas de subterfúgios decorrentes da própria lei que é obscura, rendilhada e não ajuda na tomada de decisão. Em termos práticos, um processo pode demorar em média 10 anos a ter um desfecho e, em bom rigor, também é recorrente que fique 20 anos “entalado” num tribunal sem desfecho nenhum … como cidadã fico indignada por pagar salários a estes mestres da incompetência. Culpa da lei? Mudem-na …A Justiça é uma área fundamental de qualquer País, deveria ser uma prioridade de qualquer Estado, do nosso também, e é uma vergonha (pintem a cara de preto escuro!). Não está dependente de troika alguma mas exclusivamente de nós próprios, é o SERVIÇO PÚBLICO por excelência e tem sido desprezada na sua essência, escandalosamente manipulada.Uma coisa sei: não há investimento estrangeiro (licito) sem um sistema judicial minimamente decente e funcional. O funcionamento do nosso sistema é digno do 3º mundo, um verdadeiro hino à impunidade e à canalhice, também por se colocar ao nível da política e da mesquinhice inerente ao poder.E aonde anda a Ministra? Diabo de coisa sempre lamacenta e pantanosa …

    1. Lapso … leia-se ” é protegido quem NÃO deve ser protegido …”

    2. Cara MónicaAgradeço venha falar do meu post em vez de aproveitar para falar de outros assuntos.Diz bem, muito bem.O “point” do meu post era o de chamar a atenção das pessoas para os dislates dos juízes no congresso do respectivo sindicato. Acusados de andar metidos na política, vêm dizer que querem mandar na política, o contrário do que se esperaria de gente com algum bom senso. Queixando-se da Lei (com razão) vêm dizer que a qurem aplicar como lhes der na gana, ou ignorá-la segundo os critérios de cada um, em vez de tentar cooperar nas alterações necessárias, ou de as propor.Etc. Judicialismo militante no seu pior e mais grave.Já agora, se me dá licença, um conselho: na sua vida civil, nos seus contratos, ponha esta gente de fora estipulando o recurso exclusivo aos tribunais arbitrais. É a única safa para quem não quer andar anos e anos à espera. Não é barato, mas a chamada Justiça também não o é.

      1. Mas os tribunais arbitrais são vinculativos? Registo e agradeço o conselho; tenho por hábito prevenir questões para não ser confrontada com problemas. Uso o conhecimento e o trabalho dos advogados antes para não ter que ser “salva” depois. Sei que antes dos problemas os advogados são baratos, custem o que custarem.Voltando ao seu post; será que se perderam de forma irremediável os conceitos de responsabilidade social, cidadania, a construção do colectivo e, especialmente, equilíbrio e bom senso? Confesso que respirei fundo para ler e reler este post, por ser, para mim, quase indecifrável em termos de lógica e processamento. Sempre considerei os meandros da justiça herméticos, verdadeiros desafios à minha paciência e, consequentemente, de fugir. Apesar de ter familiares próximos ligados à justiça, nunca me interessei (com profundidade) em saber sobre as origens de tão inacreditável funcionamento. No entanto, tive sempre cuidado para evitar, tanto quanto possível, estes tentáculos monstruosos…Uma vez mais agradeço o seu post e, também, a posterior clarificação de algumas ideias. Agora faz todo o sentido. Confrontou-me com um mundo que não é o meu, mas sendo uma das principais bases da nossa existência, uma vez consciencializado, não se ignora mais …Pergunto, o que é suposto fazer o Ministro da Justiça? Estará em permanente conflito de interesses? Será que ajuda a perverter a lei colocando o sistema judicial à mercê das manipulações políticas, ou tem a necessária craveira moral e profissional de assegurar o cumprimento da lei, promovendo o equilibro em benefício da colectividade? Quem avalia? Nesta rotunda, os legisladores dependem de quem? Nos últimos 30 anos, o que andaram os MJ a fazer para se chegar a tão grande despautério de mau funcionamento?Desde quando a justiça começou a funcionar assim tão mal? Qual a origem?

  7. Toda a justiça foi capturada pelos políticos com a revisão constitucional de 1982. Pior que haver políticos delinquentes é estarem autorizados a sê-lo. O poder judicial é um poder passivo que só é chamado a agir por outrem. Além disso a orientação do vector do erro judiciário do juiz independente será sempre aleatória e, muitas vezes não depende dele, porque não é bruxo. Tenham paciência, mas um povo que trata os seus juízes como faz o povo português não tem capacidade de ser soberano e poder fazer justiça. Mesmo aqueles que se irritam muito, fariam coisa semelhantes se estivessem no poder, porque são incapazes de ajuizar. Os inventores e transformadores de lex em latex encontram-se nos tribunais superiores, nomeadamente no Tribunal Constitucional.

    1. Não sei se o povo português trata bem ou mal os juízes … sei que a justiça não funciona e o povo é maltratado também por isso. Há um enorme vazio e precisamos de uma reforma profunda nesta área …

    2. Lastimo, mas essa da revisão de 82 escapa à minha pobre capacidade de compreensão.Não disse que a tarefa dos juízes era fácil. O que disse e repito foi que os caminhos que parece quererem trilhar tornam a emenda muito pior que o soneto, para dizer o menos.Para mim, o mais chocante é que não haja, da parte de quem, na classe, ainda tem juízo, uma clara revolta contra estes senhore. Não havendo reacção, passam a ter o “direito” de representar a classe, não é?.

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