Uma das jóias da cidade de Lisboa e do país, um dos mais originais testemunhos da época áurea da nossa história, a Casa dos Bicos, vai ser, com pompa e circunstância, entregue pelo Município, na intragável pessoa do seu presidente, ele próprio consequência da imperial miscigenação, a uma espanhola!
Não se percebe porque há-de a Casa dos Bicos estar na dependência, ou ser propriedade, da Câmara. A Casa dos Bicos tem valor e significado nacionais, não municipais ou não principalmente municipais.
Não se percebe porque há-de um precioso testemunho do nosso séc. XVI ser entregue aos restos de um discutível escritor do séc. XX, talvez o mais chato, prolixo e pedante da nossa língua.
Não se percebe porque há-de o município gastar uma considerável fortuna para adaptar a Casa dos Bicos às necessidades e exigências de uma espanhola, ainda por cima senhora e gestora de considerável fortuna e de consideráveis rendimentos, coisas que ficam a salvo dos gastos que exigiu.
Não se percebe o alheamento de tanta gente tida por responsável perante o atentado ao património que vai consumar-se depois de amanhã.
Mas há tanta coisa que não se percebe nesta terra que também não se percebe porque há-de o IIRTADO querer perceber esta.
14.11.11
António Borges de Carvalho

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