IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CULPADA!

     

    Em recuados tempos, quando a dona Maria de Lurdes era ministra, o IRRITADO, não fora o pecaminoso facto Da senhora fazer parte de um governo comandado pelo repugnante Pinto de Sousa, até teria tido por ela alguma consideração, mais que não fosse pela guerra que o falso professor/xarroco/PC/bigodes-de-Sadam lhe movia.

    Quando o senhor Pinto de Sousa teve o ataque de cobardia que é próprio dos pantomineiros “afirmativos”, dona Maria foi recambiada para as douradas paragens da Fundação Luso-Americana, a fim de não chatear mais o temível saloio. Mais ou menos nessa altura, parece que houve uns tipos que meteram nos jornais um rebuçado “mediático”: teria ela contratado um camarada, irmão propriamente dito e não propriamente dito de outro camarada, para trabalho jurídico de monta, pelo menos de monta pelo montante envolvido. O homem não fez trabalho nenhum, nem de monta nem sem ser de monta, mas montou-se no governamental estipêndio, e não largou a montada.

    A coisa passou os habituais anos na merecida sesta da jurisdicional pasmaceira, até que… dona Maria se viu condenada a três anos e meio de prisão. Pena suspensa, como é das NEP’s.

    Queixa-se agora de “perseguição política”. E como o antigo chefe, apesar de recuperado pelo “serviço público” de televisão, já não puxa tantos cordelinhos como puxava no seu ominoso tempo, não haverá quem corrobore a sua opinião. O passarão que inventou o argumento – com tanto sucesso à época – continua a envenenar o pagode e a ser pago por isso, pelo menos em termos de “imagem”, sem que nada se tenha passado. Era tudo “perseguição política”.

    Também já lá não está o conhecido Nascimento nem o outro (parece que Pinto qualquer coisa) para dar a volta às coisas.

    Dona Maria, pobre dela, está abandonada. Esperneia como a camarada que queria ser comissária e que nem teve oportunidade para levar com os pés. De pouco ou nada lhe valerá.

     

    Já não há poder político que a proteja, como não houve para o Isaltino e não devia haver para ninguém.

    Atenção aos próximos capítulos.

     

    15.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ESCÓCIA

     

    Tem o IRRITADO andado de férias em longes terras. Não propriamente férias, é certo, mas que têm os leitores com isso? O IRRITADO não é tipo para andar no facebook, ou similar, a dizer o que faz do seu tempo. De qualquer maneira, talvez para não ser esquecido – os tempos passam cada vez mais depressa e as memórias encurtam todos os dias – aqui vai uma opinião sobre um assunto assaz irritante: o referendo escocês.

     

    Parece que a coisa está numa fase fifty/fifty, o que quer dizer que, se metade e mais um dos fulanos quiser deixar de ser britânico, metade menos um dos que o não querem perderá a nacionalidade!

    Às vezes, há coisas que nos fazem duvidar da democracia. Num mundo tão estúpido, que passa a vida a fazer as vontadinhas a mini minorias que só chateiam, há minorias esmagadoras que se narriscam a perder coisas fundamentais por causa de mini maiorias!

    O IRRITADO foi sempre contra os referendos, forma cobarde de as autoridades legítimas, em vez de tomar as decisões para que foram eleitos, as pôr nas mãos do povo. O povo, levado por sentimentos de ocasião e pela verve de quem lhe vende as ideias, vota sem conhecimento de causa. Com a agravante de, nos referendos, se tomar decisões que só podem ser alteradas por outro referendo, uma vez que, se o soberano decidiu, está decidido, e pronto.

    Os escoceses, como os catalães, vivem há mais de três séculos sob a mesma bandeira, e em paz com ela. Aos arquivos da história, vão buscar “razões” para mudá-la. Porquê? Sentimentalismos serôdios, propagandas populistas, líderes ambiciosos, inconsciência colectiva, egotismo “nacional”, um pouco de tudo? Não sei dizer.

    O que posso adiantar é que da essência do mandato democrático faz parte o prazo. Os referendos são decisões sem prazo.

    Que ideia faz o homem da rua sobre o que lhe vai suceder? É bom ficar com esterlino ou sair dele? Candidatar-se à União Europeia ou ficar de fora? Entrar no euro ou sair dele? Ficar com o NHS ou criar um novo? E as Forças Armadas, a Nato, a UE? E o petróleo, o petróleo é deles ou dos britânicos que fizeram as infraestruturas e as gerem? E, e, e…?

    Todas a opções terão prós e contras. O IRRITADO, it goes without saying, acha que mais contras do que prós.

    O que fica, porém, é a demagogia, o oportunismo, a chicana, tudo mascarado de um nacionalismo obsoleto e mal cheiroso.

    Em suma, uma boa rasteira para o escoceses e, de tabela, para a Europa e o mundo.   

     

    15.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • E O OUTRO?

     

    Parece que o Vara, os Penedos e outros suspeitos foram condenados com penas dos diabos. Então, e o outro? O tal, o especial, o mais que tudo? Continua sob “protecção institucional”? Porque mandaram os tenebrosos Pinto Monteiro e Noronha Nascimento destruir as escutas?

    Que diabo, se não tinham mal nenhum para o seu protegido Sócrates Pinto de Sousa, porque não pô-las cá fora?

    Alguém acredita em maroscas deste quilate?

     

    6.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O BANDO DOS QUATRO

     

    Não é preciso ser muito esperto para perceber que as “eleições primárias” do PS são um mar de trafulhices, pulhices, canalhices, aldrabices, traições, expulsões, manipulações, ressurreições, compras e vendas, coisa digna do Ruanda ou da Venezuela, com vantagem para estes. Serão tão sérias, tão válidas e democráticas como as das duas repúblicas que precederam a actual. Enfim, consequências das nobres qualidades que o PS, republicano, jacobino e maçon, tem vindo a cultivar com eficácia e carinho.

    Dando, com galáctica importância, o seu patrocínio a tais “eleições”- de objecto inválido e processo afro-cubano -, quatro bem conhecidos gerontes vieram coonestar a coisa mediante público testemunho da sua fé costista: o golpista Sampaio, o tenebroso Almeida Santos, o parlapatão Alegre e um outro do género, já não me lembro quem.

    Estas coisas fazem-se com profissionalismo. Os quatro, certamente via os “serviços” que têm à disposição, foram tomar o pequeno-almoço ao sítio do costume para este tipo de palhaçada. Convocaram a TV, os jornais e outros que tais, todos sempre prontos a servi-los, e espalharam urbi et orbe a sua posição de apoio ao Oco II e de paternal “compreensão” para com o Oco I.

    Com tal manifestação dava o bando credibilidade ao que a não tem nem pode ter (a “eleição”), validava a tática do sai-daí-que-eu-quero-entrar, estava a colaborar na vergonhosa cizânia em que o partido está metido, espezinhava princípios que diz defender. Não terá dado por isso? Deu, deu. Mas os princípios são coisa que se mete na gaveta quando dá jeito, não é? É.

    Faltou o inventor da coisa, o geronte máximo, o mais-que-tudo. Ou está doente, ou não quer confusões lá em casa – ofender o Joãozinho ou coisa que o valha.      

     

    6.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • GRANDE HISTORIADOR

     

    O auto proclamado historiador Tavares, muito conhecido e admirado por ter posto os cornos ao Louçã – guardando o lugarzinho no Parlamento Europeu que o homem lhe tinha oferecido – e hoje lider de uma sua criatura auto denominada Livre, resolveu fazer honras ao título que proclama e tanto preza, através de considerações várias sobre a dicotomia esquerda/direita. De um ponto de vista “histórico”, como é de ver.

    Dando largas ao seu por ventura acendrado jacobinismo – coisa mais ou menos em desuso na extrema esquerda – o homem defende a sua dama, isto é, a absoluta necessidade de fundar a política na oposição sem tréguas entre esquerda e direita. E fá-lo através de um interminável série de loas aos benefícios da Revolução Francesa, coisa que, na sua esclarecida opinião, está na origem de todos e mais alguns dos direitos do homem. Os “bons”, os que defendem tais direitos, são a esquerda. Os “maus”, são os demais, mesmo que os defendam também.

    O fulano esquece-se – obviamente de propósito – que a Magna Carta Libertatum  entrou em vigor no século XIII (1215) e que a Câmara dos Comuns entrou em funcionamento pouco depois, funciona desde esses recuados tempos, e adquiriu a quase forma actual por volta de 1700. Esquece que cem anos antes da sacrossanta revolução francesa, já os britânicos tinham publicado a Bill of Rights, que ainda hoje, como a Magna Carta, faz parte das Leis Constitucionais do RU.

    E, no deserto dos seus esquecimentos, ou da sua propositada ignorância, o “historiador” inventa que a palavra “comuns” foi criada pela tal revolução, embora já existisse há séculos do outro lado da Mancha.

    Depois, ou antes, defende a “tese” que explica que a dicotomia esquerda/direita foi mais uma das brilhantes criações da magnífica Révolution. Sem se lembrar que os commons já se sentavam há séculos à esquerda e à direita do speaker, consoante as sua inclinações. Aliás, como toda a gente sabe, o Parlamento Britânico ainda hoje se arruma em duas bancadas, uma do lado esquerdo outra do direito, e não em hemiciclo como nos dos filhos do francesismo.

     

    É difícil aturar pessoas tão evidentemente vesgas como este “historiador”. Mas ele lá tem a sua tribunazinha no “Público”, para ir contribuindo para a “cultura” do povo.

    Paciência.

     

    4.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • OS DIREITOS DO HOMEM E A LÍNGUA PORTUGUESA

     

    O IRRITADO está de acordo com a igualdade de género, entenda-se entre homens e mulheres.

    Muito bem. O pior são os exageros, tipo dona Gilda que se diz “presidenta” do Brasil, ou dona não sei quantas, castelhana de serviço aos direitos de autor do defunto.

    Ontem ouvi uma rapariga assaz importante do PSD clamar que os direitos do homem têm que deixar de ser “do homem” para passar a “humanos”. Os exageros são sempre pouco inteligentes. Neste caso, é sabido que, regra geral, na língua portuguesa, o colectivo é do masculino. Pelo que dizer “do homem” é rigorosamente o mesmo que dizer “humanos”, sem tirar nem pôr. O mesmo com a generalidade dos políticos quando falam em “portugueses e portuguesas”, porque o primeiro substantivo é colectivo e segue, ou devia seguir, a regra geral. O mesmo com “cidadãos”: quando se fala de uma mulher, deve dizer-se “cidadã”, mas, no colectivo, elas estão abrangidas por “cidadãos”.

    Se levássemos estas parvoíces até ao fim, emtão o IRRITADO encetaria uma campanha para que os autarcas passassem a autarcos, os motoristas a motoristos, os presidentes a presidentos e os doentes a doentos. Por exemplo. E no reino animal? As manadas de vacas passavam, obrigatoriamente, a mandas de vacas e de bois, os rebanhos de cabras a rebanhos de cabras e bodes e os bandos de pássaros a bandos de pássaros e de pássaras. Bonito, não é?

     

    A nacional-estupidez já pariu o acordo ortográfico. Por este andar, ainda havemos de assistir a uma espécie de acordo sexual, abolindo os substantivos colectivos, os comuns de dois, etc.. Talvez a senhora importante do PSD queira lançar algum projecto de lei neste sentido. Tudo se pode esperar destes entendimentos dos direitos do homem.

     

    2.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DA REFORMA DOS TRIBUNAIS

     

    Os profetas de serviço, que passam a vida a vociferar sobre a (falta de) reforma do Estado, estão em grande polvoró por causa do fecho dos tribunais: as vilas e aldeias do que ficam sem tribunais, as deslocações do povo a distâncias cósmicas, o computador que está atrasado, a arrumação da papelada, os contentores… uma catástrofe, um atentado aos direitos humanos, o fim da justiça em Portugal!

    Os demagogos de serviço no PS, como é costume, estão de acordo entre si, sem prejuízo do ódio que, reciprocamente, os anima. Oco I e Oco II desdobram-se em declarações. O PS, nas mãos de um ou de outro, dará cabo de tudo e reporá os magníficos serviços que os tribunais têm vindo a prestar às pessoas. Fantástico!

    Punhamos as coisas no sítio. A estrutura actualmente existente vem dos confins do século XIX. Nessa altura, não havia estradas, nem auto estradas, nem telefones, nem faxes, nem computadores, sequer bicicletas, nada. Apesar da tão propagandeada “proximidade”, os tribunais reformados estão muito mais perto das pessoas que no tempo da Senhora Dona Maria II. E as pessoas? Sim, as pessoas que se deslocam aos tribunais? Coitadas, constituem a esmagadora maioria dos portugueses, cifrada em 0,02% deles. Parece que os profetas andam a gozar com o pagode.

     

    É claro, os municípios que ficam sem tribunais não gostam. Por ânsia de melhor justiça? Nem pensar. Passa a haver menos advogados lá na terra, menos juízes, menos funcionários, menos tipos a almoçar nos restaurantes, menos bicas vendidas, menos casas alugadas, menos “importância” urbana. Coisas que nada têm a ver com a justiça que tanto dizem preocupá-los. Não há reforma que contente todos.

     

    Os profetas estão cheios de razão. O processo de mudança está a ser difícil. Era de esperar, há coisas que não vão ao sítio de uma mão para a outra. Levam sempre mais tempo (como as obras lá em casa) do que se esperaria. Nada de especial. Mas, para os profetas, as dificuldades “provam” que a mudança não presta. Os rapazes nem sequer se dão ao trabalho de esperar um mês ou dois para adiantar as opiniões: é já, e o resto é conversa. A “prestação” de ontem do Soares filho na SIC Notícias foi de morrer a rir. O tipo, de uma maneira de que nem o palhaço pobre seria capaz, mostrou não saber nada do assunto, mas fartou-se de falar.

     

    A maioria dos profissionais da justiça é mais cautelosa. Acha que a reforma é, em geral, positiva. Para dizer alguma coisa e não ser “acusados” de amigos do governo, vão adiantando umas cautelas. Mas, à excepção da maluca da Ordem dos Advogados e do fulano do sindicato dos funcionários (PC), as objecções de quem sabe, ou é suposto saber, são de somenos.

     

    Daqui a seis meses, talvez seja de fazer um juízo mais ou menos razoável sobre o assunto. Entretanto, o que se pode dizer é que o governo se atrasou nas reformas. Esta, que parece ser a que, até ver, vai mais fundo, só demonstra que qualquer reforma, boa ou má, terá sempre a mesma alcateia à perna.

    2.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ELEIÇÕES PRIMÁRIAS

     

    Por toda a parte vemos cartazes a publicitar as “primárias” do PS. Procuremos uma explicação para o adjectivo primárias (no caso, substantivado). Outra não há que, sendo caridoso, não seja a de primarismo.

     

    Que alternativa para umas eleições que:

    – Não existem na Constituição;

    – Não existem na Lei eleitoral;

    – Não existem nos estatutos da organização que as promove;

    – Se destinam  a um cargo que, como electivo, não existe, nem existirá;

    – Reunem um “colégio eleitoral” que não existe em em lei alguma;

    – Que partem de um “recenseamento” de uma coisa que ninguém sabe o que é, nem existe em nenhum sistema em vigor (os “simpatizantes”);

    – Que são, de forma pública e notória, fruto de inúmeras chapeladas;

    – Que, comprovadamente, provocam a expulsão de quem se queixa de evidentes aldrabices?

    – Que… bom, etc..

     

    Não, meus amigos, as eleições “primárias” do PS não se podem classificar como filhas de um qualquer primarismo. Se quisermos adjectivos, diremos que são ilegais, absurdas, demagógicas, ilegítimas, aldrabonas, anti-democráticas, uma porcaria sem nome.

    E que, acima de tudo, provam a inferioridade moral e política de quem as inventou, de quem as provocou, de quem as promove e “coordena”, e do miserável estado da agremiação que as aceita e as “legitima”.

     

    1.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MAIS UMA VEZ, O AQUECIMENTO GLOBAL

     

    Dando razão ao IRRITADO (haja quem!), vem o “Expresso” titular que “O aquecimento global fica suspenso até 2030”.

    Que quer isto dizer? Que a “comunidade científica” foi obrigada a reconhecer que anda há anos e anos a aldrabar este mundo e o outro, mas que, orgulhosa da sua “obra”, não o confessa? É isso: adia. O aquecimento global existe, mas está “suspenso”. Lindo, não é? Os “cientistas” deram ao planeta ordens para “suspender” o “aquecimento global”.

    Vale a pena citar um sábio, politicamente incorrecto, que diz que “não conhece ‘nenhuma demonstração dedutiva de que o aumento da temperatura tenha origenm principal na acção humana’” mas “apenas conclusões indutivas sugeridas por modelos matemáticos”. E ainda: “não sabemos, o sistema climático não é ainda suficientemente compreendido, estamos às apalpadelas, o desconhecimento tudo consente! E a insistência numa ideia a priori não é atitude científica e atrasa a desejável compreensão dos mecanismos que têm lugar no sistema”.

    Eis, em meia dúzia de palavras – por defeito – o que o IRRITADO vem clamando há anos, sendo este Doutor Corte Real, que se saiba, o primeiro, depois de Delgado Domingos, a ter a coragem de, publicamente, se aproximar da verdade.

     

    Mas os profetas da “ciência” correcta só “adiam”, não confessam a burrice que impingem aos demais. Onde iria parar o negócio das emissões, as “bolsas de Kioto”, os tubarões das renováveis, as comissões da ONU, os fabricantes de moinhos, a maralha toda que vive à custa do engano?

    É de pensar duas vezes, não é?

     

    1.9.14

     

    António Borges de Carvalho

  • VIVA A EDP!

     

    Como toda a gente sabe, a EDP é uma empresa que se dedica a, legalmente, chupar os seus clientes até ao tutano. Ninguém sabe quando haverá alguém, algum Messias, que ponha fim aos preços, às alcavalas com siglas malucas, ao pagamento dos desmandos socratistas que puseram o povo a pagar moinhos de vento e outras tropelias pseudo-ecológicas, caríssimas, estúpidas em si, mas inteligentes para quem as promoveu – UE incluída – etc.

    Além disso, à semelhança de tanta porcaria que por cá temos, a EDP e satélites são monstros burocráticos, só comparáveis, ainda que por defeito, à tenebrosíssima EPAL.

     

    Esta história é bem ilustrativa da situação:

    Suponha você que tem um contador num sítio onde ninguém vai, ou quase. O consumo mensal, com alcavalas e tudo, anda pelos 10 euros. A EDP faz “estimativas” e vai-lhe cobrando balúrdios. Você, que não está na disposição de trabalhar de borla para a EDP, recusa-se, e com todo o direito, a fazer a contagem por ela, com isso perdendo tempo em macaquices electrónicas. Fica à espera do crédito. Meses passados, vêm umas centenas de euros de crédito – quer dizer que os tipos se dignaram ir fazer a contagem, que só a eles compete. De posse da preciosa nota de crédito, vai à EDP. Uma tipa antipática manda-o tirar a senha, porque o sistema mudou outra vez e já não há “encaminhamento”. Muito bem. É o menos. Passados três quartos de hora, lá aparece o seu número na pancarta. Felicíssimo, dirige-se ao posto nº 17. O tipo, excepcionalmente, não é antipático. Você diz ao que vai: quero o meu dinheirinho. O gajómetro olha para si com ar de gozo e pergunta: é o próprio? Orgulhoso, você responde que sim. Quer então receber o seu dinheiro? Você responde que sim. E porque não quer que lhe seja creditado em conta? Ainda antes se impacientar, você responde: porque o que está do lado de cá já não está do lado de lá. O animal não percebe. Você, recorrendo ao que lhe resta de paciência, explica que, para recuperar quinhentos euros em contas de dez, vai ter que esperar cinquenta meses. Além disso, acrescenta já com uma pontinha de mau humor, o dinheiro é meu, não é da EDP: passe-mo mas é para cá. O burocrata agita-se na cadeira, prenhe do mais profundo gozo. E informa: o senhor vai ao seu banco, pede um “certificado de NIB”, volta cá, tira a senha, espera pela sua vez, entrega o certificado, nós pomos tudo no computador e, uma ou duas semanas depois, transferimos o seu dinheiro. Você começa a suar, e protesta: então vocês não têm aqui um multibanco onde se tire um papelinho com o NIB? Não senhor, informa o canalha, tem que ser um certificado bancário, como o seu nome, assinatura e carimbo.

    Você estremece. Apetece-lhe atirar-se aos colarinhos do canalha. Com um esforço sobrehumano, consegue levantar-se e virar-lhe costas. Então boa tarde, diz o gajo, provocador. Você replica: boa tarde o c…… E retira-se dignamente, antes que os bandidos o mandem prender por ofensas ao funcinalismo EDPístico.

     

    Agora, imaginem os milhões que a EDP deve ter a aboborar no banco, à custa dos desgraçados que não se sujeitam à burocracia. É bem visto, não é?´

     

    27.8.14

     

    IRRITADO  

  • OBRIGADINHO, EXCELÊNCIA!

     

    Francamente, este governo não presta: então, depois de Vossa Excelência e os seus rapazes terem vivamente recomendado que aumentasse os impostos, não os aumentou! Que desplante, que falta de vergonha, que incompetência!

    Vossa Excelência e os seus rapazes têm-se farto de dizer que a coisa assim não vai lá. Cortar na despesa, não! A não ser que o governo fizesse um “estudo”, uma reforma “global”, uma coisa que se visse e de que Vossa Excelência e os rapazes gostassem. O governo é burro! Então não percebe que o que tem a fazer é seguir a política que Vossa Excelência e os seus rapazes disserem que é boa, embora, e muito bem, Vossa Excelência e os seus rapazes jamais tenham dito o que querem, ou o tenham dito de forma tão especiosa e confusa (as últimas declarações de Vossa Excelência são lapidarmente representativos desta honrosa postura) e tão iletrada que, em boa verdade, ninguém percebeu?

    É claro que, para o ano, o governo vai ter de aumentar os impostos. Ou seja, para já, desobedece a Vossa Excelência e os seus rapazes, mas, daqui a uns meses, vai obedecer. Só que, como é evidente, quando o governo aumentar os impostos, obedecendo, Vossa Excelência e os seus rapazes chumbarão o aumento de impostos e dirão, como é óbvio, que o governo devia baixar a despesa, mediante outra reforma global, ou o que Vossa Excelência e os seus rapazes acharem por bem, desde que não se perceba o que querem, para além de chatear este mundo e o outro.

    Isto tudo porque o estúpido do governo ainda acha que Vossa Excelência e os seus rapazes têm alguma coisa a ver com a Constituição, coisa que já não passa pela cabeça de ninguém. O governo é tão estúpido que se recusa a aceitar que Vossa Excelência e os seus rapazes se rejam por princípios em vez de normas – pela simples razão que não há na Constituição uma única norma que Vossa Excelência e os seus rapazes tenham considerado violada. O governo é tão estúpido que ainda não meteu na cabeça que o que importa é a exegese que Vossa Excelência e os seus rapazes fazem dos tais princípios, numa tarefa talmúdica, ou uma espécie de rebuscada interpretação dos preceitos e previsões do sapateiro/profeta de Trancoso.

     

    Adiante. Dada a última charada que Vossa Excelência e os seus rapazes deitaram cá para fora, o governo, para já, vai cortar 5% na educação, 8,6% na administração interna, 9,1% nos negócios estrangeiros, 12% nas finanças, 35% na economia, 3,2% na saúde, 13,5% na justiça, 3,3% na defesa, 32% na agricultura, 10,6% na cultura. Por razões óbvias, vai aumentar 4,9% na segurança social e, por razões não óbvias, 10,2% na presidência do conselho. Assim tentará ir buscar os 860 milhõezinhos que Vossa Excelência e os seus rapazes, no uso da vossa esmerada inteligência, cultura e ideologia, retiraram ao orçamento, a juntar aos montes de outros milhões que já tinham retirado.

    O resultado vai ser que os professores e quejandos vão desatar aos berros, os polícias também, os diplomatas terão achaques vários, os fiscais de finanças farão greve, o tipo do CDS da economia vai dizer cobras e lagartos pelas esquinas, os magistrados e os funcionários da justiça vão dar por paus e por pedras, os médicos, enfermeiros e maqueiros é o que se sabe, os oficiais, sargentos e praças da tropa vão entrar em polvoró, os agricultores nem se fala e, last but not least, os “criadores de cultura” vão dar ainda mais largas à sua indignação por falta de subsídios a fundo perdido.

     

    Vossa Excelência e os seus rapazes podem estar orgulhosos das vossas obras. O povo, que vai levar na touca com falta de serviços e não só, não vai perceber ou agradecer o bem que Vossa Excelência e os seus rapazes lhe fazem. Ainda bem. Agradecer a sério só o Jerónimo, o velho, a rapariga e o IRRITADO. Os primeiros por convicção, o último por ironia e desprezo.

     

    Obrigadinho.

     

    27.8.14

     

    António Borges de Carvalho    

  • NOTÍCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL

     

    A malta anda para aí a lamentar-se por causa do pífio Verão que temos tido, da água fria no Algarve, etc.. Imagine-se, há quem chegue ao ponto de duvidar da “ciência” climatológica que domina o mundo e as cabecitas tontas que, até no governo – veja-se um tal Moreira da Silva –, se dedicam a acusar a humanidade de horrendos crimes que põem em causa o futuro do planeta, fazendo-o “aquecer”.

    Então como é? Não há Verão que se veja, o Inverno foi frio, e ainda há quem nos queira meter na cachola que isto está a aquecer? Estas dúvidas, quase criminosas se seguirmos os critérios do politicamente correcto, estão a espalhar-se de forma preocupante. Daí que haja quem se dedique a “descobrir” mais uma indiscutível verdade: o aquecimento continua, só que se “transferiu”, qual futebolista, para o oceano. Sim, para o oceano, ainda que sem reflexo nas águas da Manta Rota. E, correctíssima lógica, se o oceano aquece, a terra arrefece. O que significa que a certíssima tese do aquecimento global continua de pé. Estão a ver? E tudo por causa da estúpida humanidade, que insiste em ter indústria, energia e outras estapafúrdias inutilidades!

     

    Muito a sério, o IRRITADO não faz ideia se o planeta está a aquecer ou a arrefecer, ou nem uma coisa nem outra. Mas acha que os outros, a começar pelos “cientistas” da ONU, da UE e que tais, também não fazem. A coisa está a dar, e é tudo. Há os que, “irrefutavelmente”, provam a tese do aquecimento e há os que “provam” o contrário. Só que os primeiros estão na mó de cima e os segundos na mó de baixo. A mó de cima dá imensa massa e fama global, a de baixo nem por isso. Estão a ver?

     

    Tudo isto porquê? Porque há quem ache que nos é dado compreender e alterar os caminhos do clima, como se o clima, a Terra, o cosmos, fossem coisas tão domináveis como a poluição dos rios ou o tratamento dos lixos. O tempo da Terra nada tem a ver com o nosso, os ciclos climáticos – há-os há milhares de milhões de anos – medem-se numa escala que não tem a ver coma nossa. Os certíssimos cálculos dos cientistas contratados para o efeito são mero pecado de orgulho, pretensiosismo bacoco ou oportunidade de vida.

    A malta que se lixe com a água fria da Manta Rota enquanto vai pagando a vidinha aos pecadores.

     

    24.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NÚMEROS ATERRADORES

     

    Segundo a estatística interna do Hospital de Santa Maria, no primeiro semestre de 2014 houve 142.454 “horas não trabalhadas”. Por mês!

    Feita uma pequena conta, verificaremos que, num ano, haverá 3.418.896 horas a merecer tal classificação. Se o custo médio por hora for, digamos, por defeito, 12 euros, teremos a módica quantia de 41.026.052 de euros (quarenta e um milhões, vinte e seis mil e cinquenta e dois euros. Em 6.106 funcionários, há 14 % (838) em permanente e “justificada” paragem. A estes, a estatística junta 1676 “ausentes”, o que significa que, por razões mais ou menos desconhecidas, há quem, simplesmente, não ponha os pés no serviço.

    Haverá alguma empresa no mundo que possa sobreviver nestas condições? Duvido. Haverá razões legais atendíveis para justificar números desta ordem? Com certeza que não, nem na república das bananas.

    Só os médicos são responsáveis por cerca de 60.000 “horas não trabalhadas”. À atenção do Silva. Os enfermeiros, por 84.000. À atenção do Carlos. Os “técnicos”, por 25.000. O pessoal mais cá de baixo, por 46.000. Tudo boa gente. Tudo nos termos da lei. Tudo a receber, ou do hospital, ou da segurança social.

    Depois, há quem venha dizer-nos – ouve-se todos os dias – que os profissionais da saúde são uns heróis.

    Xiça.

     

    24.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • EM DEFESA DO POVO E DA NAÇÃO

     

    Estamos safos! Temos inúmeros salvadores de serviço, todos sempre prontos a defender-nos. Têm a arma de eleição para tudo e mais alguma coisa. Uma arma que é um direito, pois então: chama-se greve.

    Ainda ontem, os enfermeiros, que dizem estar fartos de trabalhar, coitados, e que querem trabalhar menos, deixaram os centros de saúde e os hospitais a borbulhar de gente, sem consultas, sem cirurgias, sem injecções, sem médicos de família, sem nada. Cheios de amor à Pátria, ao povo e aos contribuintes, esclareceram que estavam em greve para defender os interesses dos “utentes”.

    Com os médicos passa-se o mesmo. Comandados por um sinistro politicão que se diz chefe da respectiva ordem mas não passa de um sindicalista que, em demagogia, aldrabice e populismo barato chega a fazer inveja ao tipo dos bigodes, os clínicos fazem greve para “defender os interesses dos pacientes”.

    Os chamados professores, é o que se sabe. Colaboram na qualidade da educação por meio de greves, manifestações, desordens, boicotes, e mais o que manda o especialista que, destituído de qualquer limite ou vergonha, os vem comandando. Tudo para defender os alunos, os pais, a comunidade, etc..

    Até os militares fazem mais ou menos as mesmas tropelias, com o evidente e nobre objectivo de preservar a qualidade e a prontidão da defesa nacional.

    E os pilotos da TAP? Esses nem se fala. Deixam milhares de voos em terra, centenas de milhar de viajantes a espernear nos aeroportos, põem um bonecão do quarto esquerdo a fazer discursos na televisão para esclarecer as massas: é tudo a favor do povo, dos viajantes, da estabilidade da companhia, e por aí fora.

     

    Alguns exemplos das inúmeras gentes que se dedicam a defender a nossa vidinha. Nem se percebe como é que, com tantos e tão eficazes defensores, ainda andamos tão à rasca.

    Mas, garante o IRRITADO, a Grei está agradecida a tão nobre gente. Se não fosse ela, quem nos defenderia, hem?

    Glória eterna aos nossos salvadores!

     

    23.8.14

     

    António Borges de Carvalho     

  • PROPOSTAS INCORRECTAS

     

    O pessoal (IRRITADO incluído) queixa-se amargamente da destruição da classe média, via impostos malucos, cortes em salários, pensões e no mais que encontrarem para taxar. O carcanhol é preciso para tapar os buracos que há por aí, sejam eles quais forem e tenham vindo de onde tenham vindo. Isto é verdade, venha o mais pintado descobrir que assim não é.

    Certo é que a classe média é vítima dos princípios sagrados do socialismo, neste caso da chamada “proporcionalidade”, usada esta à maneira de cada um, pelo governo, pelo tribunal constitucional, pelo “pensamento” político de quem é suposto pensar, etc., sem contraditório. Se usarmos este tão esquecido método – o do contraditório – pensaremos duas vezes, o que pode não ser inútil, ainda que pouco socialista.

    Porquê a classe média? Porque, como é óbvio, em rendimentos, é onde mora a maior parte do dinheiro. Se a maior despesa do Estado é, de longe, em salários e prestações, não há volta a dar-lhe senão cortar aqui. Mas é facto que os contribuintes abrangidos pelos cortes não prefazem sequer 20% do total. E se os outros também pagassem? Uma pergunta a merecer uma resposta que poria o socialismo nacional em polvoró. É que a resposta é taxar os de baixo. Se pensarmos que os contribuintes não “ricos”, isto é, com menos de mil euros mensais, andarão, por defeito, pelos cinco milhões, se lhes fosse aplicada uma taxa de, por exemplo, 5 euros por mês, teríamos, ao fim do ano, nada menos que 350.000.000 de euros. E, se fosse “proporcional”, poder-se-ia obter uns quinhentos milhões. O que talvez pudesse aliviar a classe média sem causar problemas de maior aos que gozam do actual privilégio de não pagar um tostão. Fazia-lhes mossa? Pequena mossa. Não faz aos demais, e grande?

    É claro que há outras receitas fiscais que se poderia aumentar, as taxas sobre o tabaco, as bebidas espirituosas, os produtos supérfluos e de super luxo, etc.. Também se poderia pensar em aumentar as taxas sobre produtos financeiros, mas estes, por um lado, andam pelas ruas da amargura e, por outro, as taxas teriam que ser vistas em função das praticadas fora, sob pena de o dinheirinho que resta ir para outras paragens à procura de melhor remuneração.

    Onde reside o mais da massa “a sério” é onde há milhões de pessoas. E não há por onde fugir a isto. Pelo menos se se quiser aliviar a tal classe média. Aliás, as hipóteses postas vão no seguimento da douta opinião do tribunal constitucional, para quem a solução fiscal é, expressamente, a melhor. E até seria uma maneira de não se dizer que quem paga são sempre os mesmos, quando quem paga não são os que menos têm, mas os que cometem o crime de estar um bocadinho acima da fronteira da pobreza.

     

    O IRRITADO espera não ser assassinado por causa disto.

     

    21.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PENA DE MORTE

     

    As nossas convicções mais profundas são, às vezes, abaladas ou postas em causa por fortuitos acontecimentos. Quando lemos a história de um ser vivo que matou uma criancinha mergulhando-a, como uma santola, em água a ferver, que pensar sobre a nossa recusa da pena de morte? Que posição mais humanamente justificável senão a de exigir uma morte, pelo menos equivalente, para tal monstro? Sem julgamento, sem contraditório, já!, e com a maior dose de crueldade possível.

    Pensando melhor, nem se trata de defender a pena de morte. É que o assassino não é propriamente uma pessoa, é uma hiena, ou pior, com forma humana. Que mal há em matar uma hiena?

     

    Dir-se-á que estes violentos pensamentos, para além de pôr em causa princípios gerais da civilização, carecem de fundamento moral. Será certo. Mas é o que ocorre, não é?

     

    20.4.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ENTRAR NA POLÍTICA!

     

    O IRRITADO está a pensar seriamente fundar um partido, o que seria impossível se tivesse que arranjar adeptos, mais cinco mil assinaturas, mais não sei quê. Mas, seguindo as regras agora postas em vigor pelo PS, as coisas mudam de figura.

    Só no cemitério de Benfica arranja-se muito mais do que as assinaturas necessárias. Se se quiser ter mais representatividade da boa burguesia, de alguma nobreza e da Maçonaria, pode recorrer-se ao cemitério dos Prazeres, onde há disso com fartura. Depois, para dar um ar cosmopolita, arranja-se uns emigrantes de quinta geração.

    Assim criadas as bases e tratada a papelada, haverá que financiar a coisa. Também não será nenhum quebra cabeças: vai-se ao Norte e, mediante umas promessas, entra-se em contacto com especialistas, os quais, treinados no pagamento de quotas, não deixarão de proporcionar, de forma discreta, os meios necessários.

    E pronto. O IRRITADO, graças à imaginação socialista, terá o seu partido. Será o seu incontestável líder e militante nº 1. Posta a coisa na internet (redes sociais e outras que tais), marchetada com um populismo bem imaginado (ao ponto de dizer coisas como as dos Ocos ou do Màrinho)  não faltarão candidatos a aderir e a começar a pagar quotas.

    O caminho do poder fica aberto!    

    Como o IRRITADO já está velho, o mais provável é que tudo não passe de intenção: carece-lhe a pachorra para tanto trabalho. Fica a sugestão para os seus leitores mais activos.

    NB. Qualquer esclarecimento quanto ao modus faciendi da coisa poderá ser pedido ao PS, cuja secção minhota se especializou na matéria.

     

    20.8.14

     

    IRRITADO

  • DN e PÚBLICO, OS MAIORES!

     

    Parece que o Primeiro-Ministro, na sua qualidade de líder do PSD fez um discurso de rentrée política na Sexta-Feira.

    No dia seguinte, Sábado, os chamados jornais “de referência” titulavam em parangonas de primeira página “Falta de funcionários ameaça segurança nas escolas públicas” (DN) e “Inspecção ao Montepio avalia relação do banco com o universo GES” (Público).

    No Domingo, hoje, o jornal do amigo Oliveira, em gorda manchete, escreve “Seguro e Costa recusam desafio de Passos para reformar pensões”: os ocos ocupam as duas páginas seguintes. O do engenheiro Belmiro é mais modesto: não põe a coisa em manchete, mas não deixa de anunciar na 1ª página: “PS rejeita o desfio de Passos para mudar a Segurança Social”: na página 10, lá vem o Oco I, com magnífica foto e uma das habituais “informações” de uma das suas agentes destacadas no jornal, dona Leonete.

    Será que, como o discurso do PM foi sexta à noite, não tiveram tempo, no Sábado, para o noticiar? Não. A coisa lá estava, mas na página 2 (nos dois jornais) sem direito, sequer, a chamada de primeira página. Para quem sabe um mínimo de como estas coisas se processam, estava previamente planeado arranjar uma coisa qualquer para as manchetes de Sábado e relegado o PM para a segunda página. Estava também planeado, em termos de espaço na primeira página de Domingo, espaço e manchete para o Oco I e para o Oco II.

     

    Algo me diz que, quando for a rentrée do BE, do PC e do PS, teremos que gramar manchetes com a Catarina pespineta e o careca, com o Jerónimo bolchevista e com os ocos a cores.

     

    Jornalismo de qualidade, deontologia profissional, probidade informativa, honestidade, etc., é o que caracteriza a “comunicação social” do socialismo nacional. Como o socialismo em geral. Ça va de soi.

     

    17.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • O PÂNTANO

     

    Desta vez perderam a cabeça.

    Ouviram ontem Sua Excelência o Senhor Presidente? Mais patético, mais ridículo é difícil, senão impossível. O homem, que nem sequer tem o bom senso de saber calar-se, meteu os pés pelas mãos, as normas “julgadas” não são inconstitucionais nem deixam de o ser. Ou são hoje para não ser amanhã ou de pernas para o ar, tanto faz. Só há princípios, não há uma só disposição na Constituição que cubra as decisões. Os princípios interpretam-se para cima e para baixo, de manhã para a esquerda, à tarde para a direita, e vice-versa paralelamente, na vertical ou na horizontal.

    Constituído a si próprio como partido da oposição – não eleito – o Tribunal Constitucional deixou de ter estatuto, não cria jurisprudência, feito para clarificar complica e obscurece. Depende de humores, fabrica conceitos contraditórios, abjura do próprio passado jurisprudencial. Como partido da oposição que é, apetece-lhe chumbar tudo, mas dá uma no cravo outra na ferradura a ver se se safa, alhos e bugalhos no mesmo prato, quem sabe se com medo do que a História dirá dele. Venha o Talmude, a Cabala, o diabo, interpretar o que diz aqui para desdizer acolá.

    Assim se afundam as instituições, mergulhadas na mais ordinária politiquice. Assim se infirma a boa intenção de quem fundou o TC para substituir a bagunça castrense que o antecedeu.

    Pior que a crise dos partidos, dos políticos, dos bancos, da economia, das finanças, é o mal cheiroso pântano em que esta gente meteu a III República. O pântano tem poder absoluto, indesmentível, irrecorrível, total e totalitário, o pântano borbota e desborbota gases tóxicos como entende, mas nem ele se entende a si próprio. Quem quiser que entenda, como se fosse possível entender o absurdo. O pântano trata mal o Presidente da República de forma bem pior que os que o insultam na rua e são julgados por isso. O pântano não é julgado, mas também não julga, faz política, “interpreta”, hoje de uma forma amanhã de outra – todas abstrusas como o “pensamento” dos juízes – os “princípios” que encontrou ou inventou para se divertir.

    É nisto que vivemos, sem que haja outro remédio que não seja ir tomando a cicuta que o pântano regurgita.

     

    15.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MÀRINHO PINTO E MARIA JOÃO RODRIGUES

     

    Ele há gente que deixa uma pessoa embasbacada.Ora vejam os casos destas duas prendas:

     

    O inacreditável Márinho, que se notabilizou como advogado político e informal do chamado engº Sócrates, mediante uma série de farroncas populistas convenceu largos milhares de ignaros, raivosos e ignorantes a votar nele. Lá foi parar ao Parlamento Europeu. Algo me diz que o tipo nem castelhano é capaz de arranhar, não fará habilidades soarescas em francês e de inglês saberá dizer ok, pelo que se deve ter sentido um tanto dépaisé.

    Vai daí, Talvez não por isso, decide que se vai candidatar ao parlamento cá do sítio, onde, se calhar com razão, pensa que alguém lhe aturará as bojardas. Como é um tipo modesto, não se fica por aqui: anuncia que quer ser Presidente da República. É de estalo, não é? Que coragem, que legítima ambição, que sacrifícios o homem não está disposto a fazer pela Pátria!

    Um pormenor há que convém realçar. É que, se vier para cá e não for eleito deputado, volta calmamente ao PE, onde o esperarão os ordenados em atraso. Entretanto, teve palco para bojardar à vontade, aí sim, preparando o futuro. A candidatura à presidência também não lhe tocará no estatuto. Além disso, terá televisão aos pontapés, e só para ele! Enquanto houver uns pacóvios a acreditar na banha da cobra, a vidinha está garantida. Os tempos passados em Bruxelas proporcionar-lhe-ão umas boas economias e, por cá, a propaganda pessoal não verá soluções de continuidade. Genial, meus amigos, genial.

     

    Uma colega deste pantomineiro, outra que tal, ainda que com outro estilo e a quem o IRRITADO já tem dedicado alguns momentos, não pára de dar à casca: a imprensa e a televisão deram-lhe tribuna para apresentar a sua “candidatura” a comissária europeia, tribuna que usou para se propagandear na qualidade de única escolha possível: a mais conhecedora, a mais competente, a mais experiente, a mais adequada, aquela que era obrigatório convidar.

    A publicidade não resultou. E, mesmo que o PM tivesse escolhido uma fulana do PS, faça-se ao PS a justiça de reconhecer que havia lá outras com qualidade que tiveram, pelo menos, a dignidade de não andar para aí aos berros.

    O PM quer pôr lá o Moedas. Muito bem ou muito mal, segundo diversas opiniões. Embora o Moedas ainda tenha que se sujeitar a várias avaliações – coisa em que bem se podia aconselhar com o xarroco do PC, que é especialista na matéria – uma coisa é certa, a fulana nem com calçadeira lá irá. Razão pela qual foi à SIC, como o IRRITADO já referiu, dar à casca como uma doida, uma doida tecnocrática e convencidona, mas uma doida na mesma.

    Julgava-se que, depois da sua patética exibição na SIC, a mulher se calaria. Nem pensar. Hoje, no “Público”, albergue de esquerdelhos e esquerdilhos (ainda dizem que não há beneméritos em Portugal!), volta à carga. Desta vez, faz uma descrição das qualidades necessárias para se ser comissário europeu, bem como das circunstâncias da vida de cada um que a tal se adaptam. Qualidades e circunstâncias que, como é óbvio, só a ela se aplicam.

    Acaba a arenga com esta esclarecedora sentença: Quanto ao meu caso, uma última explicação para quem ainda não percebeu: o que eu critico não é não ter sido seleccionada, é não ter sido submetida à selecção pelo presidente da Comissão.

    Perceberam? Eu também.

     

    Muito se fala em “renovação” da classe política. Muito bem. O problema é que se os renovadores foram da categoria dos Màrinhos e de fulanas como esta, muito mal.

     

    14.8.14

     

    António Borges de Carvalho