Estamos safos! Temos inúmeros salvadores de serviço, todos sempre prontos a defender-nos. Têm a arma de eleição para tudo e mais alguma coisa. Uma arma que é um direito, pois então: chama-se greve.
Ainda ontem, os enfermeiros, que dizem estar fartos de trabalhar, coitados, e que querem trabalhar menos, deixaram os centros de saúde e os hospitais a borbulhar de gente, sem consultas, sem cirurgias, sem injecções, sem médicos de família, sem nada. Cheios de amor à Pátria, ao povo e aos contribuintes, esclareceram que estavam em greve para defender os interesses dos “utentes”.
Com os médicos passa-se o mesmo. Comandados por um sinistro politicão que se diz chefe da respectiva ordem mas não passa de um sindicalista que, em demagogia, aldrabice e populismo barato chega a fazer inveja ao tipo dos bigodes, os clínicos fazem greve para “defender os interesses dos pacientes”.
Os chamados professores, é o que se sabe. Colaboram na qualidade da educação por meio de greves, manifestações, desordens, boicotes, e mais o que manda o especialista que, destituído de qualquer limite ou vergonha, os vem comandando. Tudo para defender os alunos, os pais, a comunidade, etc..
Até os militares fazem mais ou menos as mesmas tropelias, com o evidente e nobre objectivo de preservar a qualidade e a prontidão da defesa nacional.
E os pilotos da TAP? Esses nem se fala. Deixam milhares de voos em terra, centenas de milhar de viajantes a espernear nos aeroportos, põem um bonecão do quarto esquerdo a fazer discursos na televisão para esclarecer as massas: é tudo a favor do povo, dos viajantes, da estabilidade da companhia, e por aí fora.
Alguns exemplos das inúmeras gentes que se dedicam a defender a nossa vidinha. Nem se percebe como é que, com tantos e tão eficazes defensores, ainda andamos tão à rasca.
Mas, garante o IRRITADO, a Grei está agradecida a tão nobre gente. Se não fosse ela, quem nos defenderia, hem?
Glória eterna aos nossos salvadores!
23.8.14
António Borges de Carvalho

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