IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NÚMEROS ATERRADORES

 

Segundo a estatística interna do Hospital de Santa Maria, no primeiro semestre de 2014 houve 142.454 “horas não trabalhadas”. Por mês!

Feita uma pequena conta, verificaremos que, num ano, haverá 3.418.896 horas a merecer tal classificação. Se o custo médio por hora for, digamos, por defeito, 12 euros, teremos a módica quantia de 41.026.052 de euros (quarenta e um milhões, vinte e seis mil e cinquenta e dois euros. Em 6.106 funcionários, há 14 % (838) em permanente e “justificada” paragem. A estes, a estatística junta 1676 “ausentes”, o que significa que, por razões mais ou menos desconhecidas, há quem, simplesmente, não ponha os pés no serviço.

Haverá alguma empresa no mundo que possa sobreviver nestas condições? Duvido. Haverá razões legais atendíveis para justificar números desta ordem? Com certeza que não, nem na república das bananas.

Só os médicos são responsáveis por cerca de 60.000 “horas não trabalhadas”. À atenção do Silva. Os enfermeiros, por 84.000. À atenção do Carlos. Os “técnicos”, por 25.000. O pessoal mais cá de baixo, por 46.000. Tudo boa gente. Tudo nos termos da lei. Tudo a receber, ou do hospital, ou da segurança social.

Depois, há quem venha dizer-nos – ouve-se todos os dias – que os profissionais da saúde são uns heróis.

Xiça.

 

24.8.14

 

António Borges de Carvalho



26 respostas a “NÚMEROS ATERRADORES”

  1. Quando alguém critica os políticos, coitadinhos!, diz o Irritado que são «generalizações» injustas. Pelo visto, só se pode “generalizar” sobre as restantes classes. Os números são realmente uma vergonha, a começar pela máfia médica. Mas já estive internado em Sta. Maria, e só tenho bem a dizer dos enfermeiros e auxiliares. Não lhe chamaria heroísmo, é o trabalho deles; mas encontrei competência e dedicação. Senti-me bem tratado. Foi das poucas ocasiões em que vi alguma utilidade real dos nossos impostos. Porém, dizem os números, o proverbial relaxe da função pública também grassa por lá. É impossível negá-lo. Ainda assim, os números rondam os 15%. Admitamos que é o dobro: 30%. Restam 70% de, digamos, bons ou razoáveis funcionários. De pessoas que cumprem a sua função, por acaso a mais importante do Estado. E na classe política, Irritado? Acha que chegamos a 1%?

    1. Em matéria de absentismo, não sei se há muitas críticas a fazer à classe política.Também quase não tenho razão de queixa do pessoal da saúde. Mas parece que, do ponto de vista do post, tenho toda a razão, e pago por isso.

      1. Pois, o Irritado nunca foi politico! A sua folha de assiduidade enquanto deputado fala por si. Bem prega Frei Tomás.Estou farto de embusteiros.

        1. Antes de dizer essas coisas, podia ir ver a folha!

          1. Diga-me como, porque também gostava de a ver.

          2. Porquê, alguém assinou por si?

          3. Não se veja ao espelho.

      2. O absentismo não é maior na classe política por dois motivos: falta de controlo, e justificações à la carte. Basta ver como o chuleco Costa negligencia os seus supostos deveres autárquicos; ou as faltas constantes dos deputedos em “missão parlamentar”. Também costumam alegar “força maior”. Na prática, governantes, deputedos, autarcas, vereadores, toda a pandilha faz o que quer. Como no resto, têm regras feitas por eles e para eles. O Irritado também as paga, e com muito menor proveito. Mas isso já não o incomoda.

  2. Independentemente dos comportamentos individuais das pessoas conclui-se que as pessoas não são tidas em grande apreço pelos grupos dirigentes. Justificam-se sempre os baixos salários com a baixa produtividade. Porém os responsáveis por essa produtividade, ou seja os gestores, esses tem sido remunerados de forma principesca. É costume dizer-se que o trabalhador português, quando enquadrado em empresas no estrangeiro fica produtivo. Por cá, na Auto Europa até aceitam maiores cargas horárias e diminuições temporárias de salários. Vá la uma pessoa perceber isto. Dizem que há empresas onde se diz: «se apareceres de barriguinha vais para o olho da rua«. Quando o arbítrio e tirania proliferam a todos os níveis é o que acontece. A responsabilidade não é atributo de nenhuma profissão.

    1. A sua observação, que agradeço, não terá lá muito a ver com o meu post. Tem razão em muito do que diz. Quanto aos casos tipo auto europa, deixe-me fazer notar duas coisas: a) os ordenados de lá são óptimos, ninguém se quer arriscar perdê-los; b) Não há intersindical a mandar nos trabalhadores; c) como diz, aquilo é uma organização a sério! Não há arbítrio nem tirania porque há entendimento e cooperação, o PC não anda por lá!

  3. Olhe Sr. Irritado, estou convencido que, se por um milagre, o povo ensandecesse e votasse no PCP e BE ia tudo para o charco, talvez até com passo mais acelerado do que estamos a caminhar. A questão é apenas esta: as pessoas não sabem o que estão a fazer: A ideologia não pode estar acima do direito. A democracia assenta na submissão esclarecida e terá que haver sempre, pelo menos mais um submisso que nos outros regimes para não haja nenhum déspota. Porém a submissão esclarecida implica que identifiquemos Sua Majestade o nosso soberano que é único. Sim, o poder é majestático e a legitimidade do seu detentor não é discutível. O Mestre de Avis passou por esse processo. Como podemos ser uma democracia se aqueles que fazem a opinião pública tem comportamento de bastardos, manipuladores baixinhos e tratam o povo como uma amálgama de estúpidos que se pode moldar. O pior é que eles não são melhores. Diz o prof. Tagarela que é muito cedo para os candidatos a PR se apresentarem para não se desgastarem. Quanto menos conhecidos melhor! Ninguém se considera servidor. Agora é tudo cidadão. Cidadão e ignorante.

    1. Poder majestático, submissão esclarecida, legitimidade indiscutível… Ó Sr. Picaroto, fala sério ou brinca? Acha realmente que a única alternativa a esta partidocracia podre, e a este esgoto político-financeiro-judicial, é a submissão a um soberano que ninguém elege, e que a ninguém deve explicações?

      1. Não entendeu que o Sr Picaroto se refere ao DIREITO? Sim, Direito como regras cuja submissão será indiscutível. Não se discute a regra: CUMPRE-SE. Todos sem excepção.Sabe, Sr Filipe, o Império Romano, com uma área muito superior à União Europeia, durou quase dois milénios! Sabe como? Através do DIREITO. Sabe como acabou?

        1. Ah, claro, o DIREITO. Lapso meu. E quem cria as leis, senão o esgoto político-partidário? E como são referendadas? Por exemplo, quando é que esta Constituição foi aprovada pela maioria da população? E os juízes, continuam a ter o poder discricionário de a interpretar como entendem? Para um juíz, acredito que seja um bom sistema. Mas pouco ou nada tem de democrático.

          1. Sabe como acabou o Império Romano? Pense na sua resposta e lá chegará.Pense, caro Filipe. Não use demagogia. Deixe isso para o Irritado.

          2. O meu ponto é: sem esclarecer e consultar os cidadãos, não há democracia. Estes têm de poder decidir aquilo que os afecta. Quem paga é quem manda. Simples, não é? A sua alegoria romana é mais misteriosa. Presumo que insista na importância da obediência à lei. Mas quem fez a nossa lei? A quem serve? Quem a interpreta e aplica? Os maiores cancros nacionais: a classe política, os magistrados, o pântano dos tribunais, os clubes mafiosos de batina e avental, e os mamões que fazem do país a sua coutada. Uma última novidade, Sr. Borgas: o Império Romano, como todos os impérios, cresceu porque deu mais porrada do que levou. Os outros povos não se renderam às lindas leis de Roma. Renderam-se porque levaram na pá.

          3. AI sr. Filipe! Como está errado. A questão não está no crescimento do Império Romano. A questão está na Lei, que permitiu a MANUTENÇÃO do império, como diz “obediência à Lei”. Se os outros “levaram na pá”, é porque a Lei era cumprida.Agora tem razão na coisa da “questão portuguesa”: a classe política, os magistrados, o pântano dos tribunais, os clubes mafiosos de batina e avental, e os mamões que fazem do país a sua coutada.Assim, há que inverter esta “tendência”. Não lhe parece?

          4. Sem dúvida; mas não se pode defender um sistema podre e combatê-lo ao mesmo tempo. Não se pode apregoar a obediência cega à lei, ou aos chulecos do TC, quando ambos enfermam dos males que se quer erradicar. Ou seja, a Lei é parte do problema. Porque nasce inquinada, porque não é referendada, e porque é aplicada com os pés. Daí não merecer submissão, muito menos acrítica.

  4. Sr. Filipe Bastos, desculpe-me, mas o senhor ainda não está preparado para a democracia. Sabe porquê? Porque não sabe ser submisso. Saber ser submisso é ser submisso apenas ao seu soberano e, ao mesmo tempo ser um guardião da sua soberania porque todo o soberano precisa de guardiões senão perderá a sua soberania. Se esse soberano for o povo então a democracia vai pelo cano.Por isso senhor Filipe Bastos enquanto não souber olhar de cima para baixo para os detentores do poder político será sempre uma pessoa sujeita à tirania e escravidão. Infelizmente o povo português não tem guardiões capazes.O soberano não se elege aclama-se.Os seus servos aclamam-no e escolhem os servos mais capazes para o exercício do seu poder e mantem-se vigilantes sobre esse exercício. Só assim se consegue a democracia. Se não se tiver essa capacidade melhor arranjar um déspota que seja esclarecido porque o despotismo de um é bem melhor que o despotismo de muitos.

  5. Sr. Filipe Bastos, submissão esclarecida não é «obediência cega». As constituições devem ajustar-se ao sentir do soberano, as leis às constituições, os mandatários devem jurar-lhe fidelidade e procurar abdicar das suas ideologias. Devem ser promovidos os referendos.Deveria ser ensinado aos juristas o que é o direito e ser promovido o uso do dicionário de português bem como o uso do caderno de significados nas escolas.Numa democracia torna-se necessário uma elite de guardiões. Sem ela nada feito. As soberanias também se constroem e perdem. D. Afonso VI foi entronado e depois mandado para os Açores. Um povo pouco atento é um soberano apeado. A palavra legitimidade é uma daquelas que as pessoas deviam aprender.Compare-se a crise de 1383/1385 com a de 1580 e saber-se-á a importância destas coisas.Por mim, estou convencido que, se em 1383 estivesse já inventado o ADN não teria havido invasão nem a batalha de Aljubarrota.

  6. Sr. Picaroto, talvez eu esteja mais obtuso do que é habitual, mas custo a entender a sua concepção de democracia. Soberanos, servos e guardiões pertencem à Idade Média. Estamos em 2014. Em 2014 os soberanos são figuras decorativas, parasitas pomposos que passam as vidas em festas e caçadas, às expensas do contribuinte. Apenas são úteis às revistas cor-de-rosa. A democracia é, lamento recordar-lhe, a ditadura da maioria. Até podemos – e, a meu ver, devemos – limitar o voto a quem demonstre merecê-lo, mas o resultado final será sempre uma conta de somar: ganha quem tiver mais votos. E só isso confere legitimidade a um candidato, uma proposta, uma decisão. Num futuro que hoje parece distante, algumas decisões até dispensarão votos: devem ser executadas por computadores, de forma lógica e automática. A máquina é o único “soberano” que admito, pois não decide por caprichos, e não me chula mais a sua prole. É imparcial, incorruptível, e infalível. Mas divago. A minha concepção de democracia, Sr. Picaroto, é assim: tudo referendado, e – com excepção de noções fundamentais como a igualdade, equidade, ou dignidade humana – não há vacas sagradas. Já o Sr. Picaroto parece preferir vacas sagradas. É como o Irritado.

  7. Engano seu pensar que isso pertence ao passado. O pai que educar o filho sem regras está a construir um desgraçado. Mais de 90% dos meus actos, são actos de submissão ou dos deveres e princípios que me incutiram ou dos direitos a que obrigam. Aos deveres e princípios conta a minha vontade; aos de direito a isso sou obrigado e conta a vontade de outrem. Mesmo a minha pensão gostava de ter uma daquelas douradas sem ter descontado para ela. Se outros tem à minha custa porque não eu à custa dos outros.Por aqui me fico, pedindo desculpa e agradecendo ao Sr. Irritado pelo espaço proporcionado.

    1. O IRRITADO agradece a todos os intervenientes, por teram discutido sem insultos, palavrões e outras coisas impróprias de gente civilizada.Só não engole aquela da demagogia,mas paciência!

  8. Pois deve ser por isso mesmo. Não conheço o tema em detalhe. Mas com tantos a faltar às suas obrigações, os que sobram e se empenham têm que fazer o seu trabalho e …o dos outros….O mundo é assim. Não é? “Heróis” destes há por todo o lado. No Estado e nas empresas. Não é exclusivo da saúde nem da educação. É a vida. Mas os dirigentes das centrais sindicais vivem nestes protestos para que alguém os continue a sustentar. Verdade?

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