Ele há gente que deixa uma pessoa embasbacada.Ora vejam os casos destas duas prendas:
O inacreditável Márinho, que se notabilizou como advogado político e informal do chamado engº Sócrates, mediante uma série de farroncas populistas convenceu largos milhares de ignaros, raivosos e ignorantes a votar nele. Lá foi parar ao Parlamento Europeu. Algo me diz que o tipo nem castelhano é capaz de arranhar, não fará habilidades soarescas em francês e de inglês saberá dizer ok, pelo que se deve ter sentido um tanto dépaisé.
Vai daí, Talvez não por isso, decide que se vai candidatar ao parlamento cá do sítio, onde, se calhar com razão, pensa que alguém lhe aturará as bojardas. Como é um tipo modesto, não se fica por aqui: anuncia que quer ser Presidente da República. É de estalo, não é? Que coragem, que legítima ambição, que sacrifícios o homem não está disposto a fazer pela Pátria!
Um pormenor há que convém realçar. É que, se vier para cá e não for eleito deputado, volta calmamente ao PE, onde o esperarão os ordenados em atraso. Entretanto, teve palco para bojardar à vontade, aí sim, preparando o futuro. A candidatura à presidência também não lhe tocará no estatuto. Além disso, terá televisão aos pontapés, e só para ele! Enquanto houver uns pacóvios a acreditar na banha da cobra, a vidinha está garantida. Os tempos passados em Bruxelas proporcionar-lhe-ão umas boas economias e, por cá, a propaganda pessoal não verá soluções de continuidade. Genial, meus amigos, genial.
Uma colega deste pantomineiro, outra que tal, ainda que com outro estilo e a quem o IRRITADO já tem dedicado alguns momentos, não pára de dar à casca: a imprensa e a televisão deram-lhe tribuna para apresentar a sua “candidatura” a comissária europeia, tribuna que usou para se propagandear na qualidade de única escolha possível: a mais conhecedora, a mais competente, a mais experiente, a mais adequada, aquela que era obrigatório convidar.
A publicidade não resultou. E, mesmo que o PM tivesse escolhido uma fulana do PS, faça-se ao PS a justiça de reconhecer que havia lá outras com qualidade que tiveram, pelo menos, a dignidade de não andar para aí aos berros.
O PM quer pôr lá o Moedas. Muito bem ou muito mal, segundo diversas opiniões. Embora o Moedas ainda tenha que se sujeitar a várias avaliações – coisa em que bem se podia aconselhar com o xarroco do PC, que é especialista na matéria – uma coisa é certa, a fulana nem com calçadeira lá irá. Razão pela qual foi à SIC, como o IRRITADO já referiu, dar à casca como uma doida, uma doida tecnocrática e convencidona, mas uma doida na mesma.
Julgava-se que, depois da sua patética exibição na SIC, a mulher se calaria. Nem pensar. Hoje, no “Público”, albergue de esquerdelhos e esquerdilhos (ainda dizem que não há beneméritos em Portugal!), volta à carga. Desta vez, faz uma descrição das qualidades necessárias para se ser comissário europeu, bem como das circunstâncias da vida de cada um que a tal se adaptam. Qualidades e circunstâncias que, como é óbvio, só a ela se aplicam.
Acaba a arenga com esta esclarecedora sentença: Quanto ao meu caso, uma última explicação para quem ainda não percebeu: o que eu critico não é não ter sido seleccionada, é não ter sido submetida à selecção pelo presidente da Comissão.
Perceberam? Eu também.
Muito se fala em “renovação” da classe política. Muito bem. O problema é que se os renovadores foram da categoria dos Màrinhos e de fulanas como esta, muito mal.
14.8.14
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário