IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ESCÓCIA

 

Tem o IRRITADO andado de férias em longes terras. Não propriamente férias, é certo, mas que têm os leitores com isso? O IRRITADO não é tipo para andar no facebook, ou similar, a dizer o que faz do seu tempo. De qualquer maneira, talvez para não ser esquecido – os tempos passam cada vez mais depressa e as memórias encurtam todos os dias – aqui vai uma opinião sobre um assunto assaz irritante: o referendo escocês.

 

Parece que a coisa está numa fase fifty/fifty, o que quer dizer que, se metade e mais um dos fulanos quiser deixar de ser britânico, metade menos um dos que o não querem perderá a nacionalidade!

Às vezes, há coisas que nos fazem duvidar da democracia. Num mundo tão estúpido, que passa a vida a fazer as vontadinhas a mini minorias que só chateiam, há minorias esmagadoras que se narriscam a perder coisas fundamentais por causa de mini maiorias!

O IRRITADO foi sempre contra os referendos, forma cobarde de as autoridades legítimas, em vez de tomar as decisões para que foram eleitos, as pôr nas mãos do povo. O povo, levado por sentimentos de ocasião e pela verve de quem lhe vende as ideias, vota sem conhecimento de causa. Com a agravante de, nos referendos, se tomar decisões que só podem ser alteradas por outro referendo, uma vez que, se o soberano decidiu, está decidido, e pronto.

Os escoceses, como os catalães, vivem há mais de três séculos sob a mesma bandeira, e em paz com ela. Aos arquivos da história, vão buscar “razões” para mudá-la. Porquê? Sentimentalismos serôdios, propagandas populistas, líderes ambiciosos, inconsciência colectiva, egotismo “nacional”, um pouco de tudo? Não sei dizer.

O que posso adiantar é que da essência do mandato democrático faz parte o prazo. Os referendos são decisões sem prazo.

Que ideia faz o homem da rua sobre o que lhe vai suceder? É bom ficar com esterlino ou sair dele? Candidatar-se à União Europeia ou ficar de fora? Entrar no euro ou sair dele? Ficar com o NHS ou criar um novo? E as Forças Armadas, a Nato, a UE? E o petróleo, o petróleo é deles ou dos britânicos que fizeram as infraestruturas e as gerem? E, e, e…?

Todas a opções terão prós e contras. O IRRITADO, it goes without saying, acha que mais contras do que prós.

O que fica, porém, é a demagogia, o oportunismo, a chicana, tudo mascarado de um nacionalismo obsoleto e mal cheiroso.

Em suma, uma boa rasteira para o escoceses e, de tabela, para a Europa e o mundo.   

 

15.9.14

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “ESCÓCIA”

  1. Sobre os referendos: A regra da «metade e mais um» é comum a todas as eleições; e os governos nem conseguem metade dos votos. O seu Passos, por exemplo, só obteve 20%. Parece-lhe mais justo e representativo? O povo vota «sem conhecimento de causa» em todas as eleições; isso serve para eleger políticos, mas não serve para votar em referendos. Parece-lhe lógico? A «demagogia, o oportunismo, a chicana» são o território natural dos partidos e da política; estão à vista todos os dias, todo o ano. Como é isso melhor que os referendos? As decisões dos políticos só podem ser alteradas por políticos, se e quando estes quiserem. Como é isso melhor que os referendos? Uma vez que os programas eleitorais (como o do seu Passos) são mera demagogia descartável, como sugere que os cidadãos participem no que os afecta, senão com referendos? Seja a decisão do referendo boa ou péssima, quem a vai pagar são os cidadãos; logo, por que não devem ser estes a tomá-la? Boas férias para o Irritado.

    1. Obrigado pelos votos de boas férias.Quanto ao resto… nunca chegaremos a acordo!

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