IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DA ISENÇÃO E DO ESCRÚPULO HISTÓRICO

     

    Não sei se têm reparado que o jornal do amigo Oliveira e, ao que parece, de algum milionário do antigo Império, se vem dedicando, com grande destaque, à comemoração do seu 150º aniversário.

    Até aqui, tudo bem.

    O jornal gaba-se do que dizia durante a Monarquia Constitucional, das loas que teceu à I República, do que noticiou durante a Grande Guerra, da sua presença em momentos chave do sec. XX, do seu embarque no 25 de Abril, até dos tempos em que se dedicava a propagandear a revolução comunista sob a batuta do tiranete Saramago, etc., etc., etc..

    Mas, dos mais de 40 anos que consagrou a loas à II República, nada ou quase. Augusto de Castro parece nunca ter existido. Só António Ferro, apesar de aderente ao regime, teve direito a presença, dado o seu “modernismo”. Pouco ou nada mais. O Império sumiu-se no nevoeiro informativo. O DN, a sua luta por ele, também foi sovietizado, isto é, deixou de fazer parte do passado, como Béria ou Trotsky da enciclopédia bolchevista.

    Alguém com mais pachorra que o IRRITADO poderá “analisar” com “rigor científico” – como se diz e aceita agora qualquer investigação – o que foi escrito nas louvadas páginas, mas não é preciso ser “analista” para concluir o que o IRRITADO concluiu: os 150 anos do DN foram só 110.

     

    13.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • INFORMAR (apontamentos)

     

    1.No tempo da II República contava-se esta história:

    Um conhecido oposicionista aproximou-se demasiado do recinto dos leões no jardim Zoológico e foi comido por um deles.

    No dia seguinte o “Diário da Manhã” noticiava: Um pobre leão, barbaramente atacado por um comunista, viu-se na contingência de se defender.

     

    2. Ontem, em resposta a lançamentos de rockets do Hamas, Israel bombardeava.

    À noite, escrevia a SIC Notícias em roda pé mais ou menos assim: Quebra de tréguas: caças israelitas lançam bombas de 250 quilos sobre Gaza.

     

    3. A primeira página do “Sol” de ontem anunciava com destaque : Moedas foi a primeira escolha.

    Na última página do mesmo jornal, dizia o respectivo sub-director: Moedas “não foi a única escolha. Nem a principal… Moedas foi “um recurso alternativo”.

     

    Cambada.

     

    9.8.14

     

    IRRITADO   

  • BAIXEZAS

     

    O Oco II, ou camarada Costa, queixou-se amargamente, coitadinho, dos “ataques muito baixos” do Oco I, ou camarada Seguro.

    São “inúmeros os ataques” que têm sido dirigidos ao Oco II por parte do Oco I, “dos seus apoiantes” e de “um conjunto de mercenários que trabalham sob a capa de agências de comunicação”. É brutal, não acham?

    Além das queixinhas, o Oco II diz que ouviu o Oco I “despejar 80 medidas a 8 dias de umas eleições”, sem “apresentar uma visão estratégica” sobre “a correcção dos efeitos assimétricos do euro” ou sobre “um programa de recuperação que suceda ao programa de ajustamento”. Afirma também o Oco II que o seu mandato na CML é, ao contrário do que diz o insultante, “uma questão bastante prematura”. O homem (Oco II) quer “levar a cabo um compromisso para a década”, “uma mudança radical na atitude perante a Europa”, “uma reformulação do euro”, “uma agenda para o emprego” e “uma maioria absoluta”. E, no auge do esplendor da sua inteligência, diz que os votos que teve para a CML não eram para a CML, eram para primeiro-ministro ou para Presidente da República. Votaram nele, acentua, “para me dar força para assumir outras responsabilidades”. Mais reles, mais aldrabão, mais repetitivo não é possível.

    O IRRITADO ficou esmagado com estes alardes de inteligência. Estamos perante aquilo a que, com a mais profunda caridade, se pode chamar um saco cheio de vento. Primeiro, o homem acha-se vítima das maiores vilanias do Oco I, cuja existência política foi ele o primeiro a, vilmente, pôr em causa. Deve estar a ver-se ao espelho e a achar-se parecido com a Madre Teresa. Com uma diferença: ela nunca foi baixamente atacada. Ele, ao contrário, sente-se aviltado por aqueles a quem aviltou. É de estalo.

    Verdade é que nem um nem outro (nem a tenebrosa organização a que pertencem) valem a ponta de um chanfalho. Vão chamando nomes um ao outro porque um diz A e o outro A diz. E a organização, no meio da bagunça, também diz A de um lado e do outro. Lindo!

    Mentira, em que não poucos – os de dentro e os simpatizantes – vão gostosamente navegando é esta: trata-se de “eleger” um tipo para um cargo para o qual, interna ou externamente, jamais haverá eleição alguma ou eleito algum. Por um lado, devem querer meter na cabeça dos ignaros que o PM tem que vir a ser do PS (talvez seja a única intenção), por outro que a opção política das pessoas se limita a escolher um ou outro, por mais ocos que sejam, mas do partido!

    Estranho é que não haja por aí nenhuma entidade a proibir a palhaçada, por manifesta ilegalidade formal e material, por evidente inconstitucionalidade formal e material, por logro político e social, etc..

    Tudo baixeza, e da mais baixa.

     

    8.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • COMPADRES

     

    Não faltam por aí opiniões sobre a história da queda dos ES. O IRRITADO não arrisca tal coisa, porque, como a generalidade das pessoas, comentadores encartados incluídos, não percebe patavina do assunto e se dá por muito feliz por – pela simples razão de não ter dinheiro – não estar “exposto” aos efeitos da derrocada.

    Ricardo Salgado é universalmente tido como principal responsável, o que é natural, já que era ele o chefe máximo da organização.  Não falta quem já o tenha condenado a prisão perpétua ou equivalente.

    Interessante, por isso, é olhar os originais que o defendem.

    O primeiro foi o senhor Pinto de Sousa, tido por eng.º  Sócrates. É natural, já que é de temer que o Salgado, acossado, ponha a boca no trombone, o que pode ser uma chatice. Nada melhor que tirar o cavalinho da chuva.

    O segundo é muito mais interessante: nada menos que o inevitável e importantíssimo – na sua opinião – Sousa Tavares, conhecido storyteller e convencidíssimo dono de inúmeras irrefutáveis teorias e razões.

    Desta vez, a teoria do homem é extraordinária: Ricardo Salgado é, simplesmente, vítima de uma família de penduras e preguiçosos a cuja ganância se viu obrigado a acorrer, expondo-se à verrina pública por amor aos seus.

    Na base desta tão douta opinião estão considerações várias sobre o capitalismo, que vão do problema da Argentina a Karl Marx, tudo para dizer que o capital se divorciou da economia e, querendo ganhar dinheiro com dinheiro, acabou por viver em circuito fechado e criar as condições para a sua própria, e a dos outros, condenação. O IRRITADO, postas as coisas nestes termos, até nem discorda lá muito. O problema é que, na sanha de defender o Salgado, o ilustre sábio pôs as coisas de pernas para o ar. É que, segundo se diz por aí, os problemas do homem começaram e se avolumaram, não porque ele vivesse na finança pela finança, mas por causa das suas incursões económicas em empreendimentos arriscados. O argumento cai pela base, como é evidente.

    Mais interessante, porém, é saber por que carga de água resolveu o nosso Tavares vir à liça com tão contraditórias bojardas. Aqui há tempos, já não sei a que propósito, o fulano tinha feito uma “declaração de interesses”: abstinha-se de comentar qualquer coisa relacionada como BES, ou ES, porque, tendo uma filha casada com um filho – ou vice versa – de Ricardo Salgado, qualquer opinião podia estar “contaminada” ou ser tida por influência familiar. Fez muito bem. Só que parece que era tudo mentira, isto é, não se pronunciava porque não lhe apetecia, não porque os seus interesses de tal o impedissem. Como o caso presente demonstra à saciedade. Quer dizer, chegada a ocasião, que se lixe a “declaração de interesses”, e vai de proteger o compadre.

     

    O mentiroso e o coxo são amigos! O resto é conversa de articulista para papalvo ler.

     

    3.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NAS GARRAS DAS BRUXAS

     

    Ocupando duas colunas do DN de ontem, aparece uma coisa chamada “Esclarecimento”.

    O IRRITADO leu, não ficou esclarecido nem percebeu nada. Mas fartou-se de rir.

     

    Aquele tipo desagradável e antipático que é sobrinho da dona Maria Barroso e é, ou foi, áulico na corte do tio Soares, entrou em guerra com nada menos que três fulanas, todas elas de respeito. Coitado do homem! São elas a dona Fernanda Câncio (tão desagradável como ele), a dona Ana Cristina Leonardo (quem será?) e a dona Irene Pimentel (historiadora de esquerda, segundo a Cância).

    Parece que andaram os quatro à porrada no Facebook e,  como devem ter achado que, dada a sua cósmica importância, tinham que passar a coisa para a imprensa escrita, apareceram no DN a alardear os seus ridículos e patéticos desentendimentos.

    A dona Cância disse que o Alfredo se “pegou” no Facebook com a dona Pimentel por causa do Hamas. O Alfredo diz que não, ele não se pegou com ela, ela é que se pegou com ele, “e de que maneira”! Ele coitadinho, só tinha dito que ela gostava de umas bocas da dona Leonarda sobre Gaza.  A dona Leonarda tinha escrito que aquilo em Gaza é “uma guerrilha do …alho” (com as letras todas), o que muito ofendeu a sensibilidade do Barroso, para além de ser demonstrativo das virtualidades linguísticas da libertação da mulher (na opinião do IRRITADO). Segundo o ofendido, a dona Pimentel “curtiu” com a maior satisfação o parecer da Leonarda, julga-se que, sobretudo, o …alho.

    Esta interessante polémica, de alta valia intelectual, prosseguiu com a dona Pimentel a chamar ao Alfredo “estalinista, fascista e social-fascista e filho da puta”! È de estalo esta finesse, não é? Aliás, na opinião dele, a fulana, ou a Irene, não sei, está “de cabeça perdida” com a polémica.

    Entra a dona Cância, e diz que o Barroso andou a “tirar excertos de posts e comentários de páginas privadas”, e que a dona Pimentel “tinha o propósito de o censurar e difamar”. Tudo por causa do Hamas, não se percebendo de que lado está cada um dos contendores. E, pergunta o IRRITADO, essa gente que anda a fazer propaganda pessoal no Facebook acha que há lá alguma coisa privada?

    Aqui, vem a Leonarda aos gritos, dizendo que o Barroso diz que ela “rematou”, “não tendo (ela) rematado nada”, que a utilização do …alho por parte de “uma senhora” é a coisa mais natural deste mundo e que ela até escreveu “pardon my french”(sic). Estão aperceber? Meus amigos, não estão a perceber porque não fazem, com certeza, parte da intelectualidade nacional, que é de esquerda, ça va de soi.

    Diz a “senhora” que o tipo a “brindou com um chorrilho de insultos”. Tê-la-á mandado para o …alho? – pergunta o IRRITADO com a maior das inocências.

    Remata a Pimentel que o termo “fdp”(sic) é perfeitamente adequado às características do Alfredo.

    É claro que, no meio desta miserável literatura, não se fica a saber qual é a opinião dos beligerantes sobre o problema em questão. Será de presumir que sejam todos a favor do Hamas, dado que são todos de esquerda. Presunção que os textos publicados não permitem. Mas lá que têm piada, têm.

     

    O IRRITADO não vai, nem por sombras, à bola com o Alfredo, mas, no caso destas patéticas demonstrações de primitivismo, até tem pena do homem, confrontado que está com três ferozes harpias.  

     

    Para divertimento do respeitável público, aconselha-se vivamente a leitura dos textos de tão ilustres e amorosas personalidades (DN de ontem, página 20).

            

    3.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • CONSTITUCIONAL INSPIRAÇÃO

     

    O Tribunal Constitucional veio declarar que uma fulana, por ser adepta de uma religião qualquer, fica dispensada de trabalhar ao Sábado. Muito bem. Mais uma douta decisão da douta organização.

    O IRRITADO anda a pensar seriamente em filiar-se na Igreja dos Mártires do Indo Fetichismo, com sede em Kuala Lumpur ou arredores, a qual proíbe os seus fiéis de trabalhar de Terça a Domingo, e mais que duas horas à segunda-feira.

     

    Lá para os confins do século XX já se cantava assim:

     

    Vivó socialismo

    Vivó Fontana

    Vivó descanso

    Sete dias na semana!

     

    Vivó socialismo

    Vivó Meneses

    Vivó descanso

    Toda a vida

    e mais seis meses!

     

    Donde se prova que os doutíssimos juízes, demonstrando inegável cultura histórica, foram nela beber os necessários ensinamentos para inspirar a sua genial interpretação da Constituição da República.

     

    2.8.14

     

    IRRITADO

  • NA MOUCHE!

     

    O primeiro-ministro, com certeza após se ter debruçado sobre o último post do IRRITADO, tomou a decisão aconselhada por ele, isto é, não cedeu à demagogia das cotas discriminatórias do sexo masculino nem às pretensões dos Ocos, ou seja, em vez de fazer as vontadinhas ao aos ditos e de ceder ao politicamente correcto, teve a coragem – coisa que lhe não falta – de nomear quem lhe apeteceu para Bruxelas: um homem, pequenino, é certo, mas com invejável cabeça. E do PSD!

    O IRRITADO fica contentíssimo por esta manifestação da gigantesca influência que tem na política nacional.

    Dois pequenos comentários:

    – Um tipo do PSD. Perguntem a vós mesmos por que carga de água havia o PM de ceder a uma gente que passa a vida a contrapor ao governo promessas que sabe irrealizáveis, que nunca avançou uma única ideia viável, que recusa liminarmente todo e qualquer compromisso, todo e qualquer consenso e que, ainda por cima, tem o desplante de dizer que essas coisas só quando for ela a mandar? Nada merece, nada vale, nada levou.

    – Um homem. Manda a correcção, contra todos os canhenhos dos direitos humanos, dos tratados e das constituições, que se nomeie mulheres pelo simples facto de ser mulheres. Por alma de quem havia o PM de ceder a mais esta trafulhice, mormente após ver o comportamento ridículo e auto laudatório da candidata do PS?

    Acrescente-se, em abono desta sensata opinião do IRRITADO, que a dita candidata, por obra e graça da SIC, veio, cheia de sabedoria, mais uma vez perorar sobre o assunto, dizendo cobras e lagartos do nomeado e da nomeação e repetindo os auto-elogios que o espelho lhe fornece, já que pouco ou nada mais poderá oferecer.

    Há anos, quando Soares, grão-mestre desta gente, foi corrido do desejado posto de presidente do Parlamento Europeu, deu à casca chamando mulher-a-dias ou coisa que o valha à fulana que ficou com o tacho, assim dando largas à sua visceral ordinarice. Agora, de forma mais sofisticada, em linguagem técnico-politico- pesporrente, a senhora vem fazer o mesmo.

     

    O paleio é outro. A ordinarice é a mesma.

     

    2.8.14

     

    António Borges de Carvalho

  • HOMENS E MULHERES

     

    Então vamos nomear um comissário para a UE! Muito bem.

    Os critérios são simples: competência em áreas seleccionadas, experiência profissional e política, sem rabos de palha… etc.. Muito bem.

    Mas, rezam os órgãos de “informação”, acima de tudo, para além de tudo, arrasador, surge o mais importante de todos os critérios: tem que ser uma mulher! Muito mal.

    Em termos daquilo a que se chama “direitos humanos”, de que faz parte a não descriminação por motivos de género, é uma bojarda de todo o tamanho. Muito mal.

    O IRRITADO, que é contra a referida descriminação, não acha tolerável que os homens sejam ostracizados por ser homens, como tolerável não seria que as mulheres o fossem por ser mulheres.

    Por isso, acha que o PM devia nomear quem achasse melhor, seja homem ou mulher, com o acordo do Oco ou sem o acordo do Oco.

     

    Já agora, adianta: não à dona Maria Luís, que faz cá falta, não àquela tipa do PS, apesar de não fazer cá falta nenhuma, só porque andou para aí a atirar o currículo à cara das pessoas e a dizer que era a melhor do mundo.

    Há por aí várias pessoas (homens e mulheres) do PSD e do PS que podem servir sem causar erisipelas.

     

    Se eu fosse ao Passos, só para chatear escolhia um homem. Mas não vou tão longe. Governem-se.

     

    31.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DO USO SOCIALISTA DA PRIVACIDADE

     

    O IRRITADO está muito triste. É que, calcule-se, ainda não recebeu nenhuma mensagem do Costa! Que despautério! Então o Costa pagou 5.000 euros (barato, se for verdade) por uma lista de 5.000.000 de endereços email em que não constava o do IRRITADO? Que desconsideração!

    Mesmo sem receber, e ainda bem, nenhuma mensagem do Oco II, fica o IRRITADO a saber que há uns tipos que fazem colecção de endereços para vender. Uma total ausência de escrúpulo, uma criminosa invasão da privacidade de cada um. Fica também a saber que há quem lhes compre as colecções. Uma total ausência de escrúpulo, uma criminosa invasão da privacidade de cada um.

    É isto possível? É.

    Haverá alguma “entidade”, “autoridade”, “observatório”, “fundação”, “alto comissariado”, ou equivalente, dos milhares que por aí vicejam, que mande prender fornecedores, vendedores e compradores deste tipo de “mercadoria”? Haverá por aí algum procurador público que se debruce sobre o assunto?

     

    Ou muito me engano ou não há.

     

    31.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DESEJA UM EMPREGO?

     

    Talvez este anúncio lhe interesse:

     

    PROCEDIMENTO CONCURSAL COMUM PARA A CONSTITUIÇÃO DE RELAÇÃO JURÍDICA DE EMPREGO PÚBLICO POR TERMO INDETERMINADO PARA DOIS POSTOS DE TRABALHO E TERMO DETERMINADO PARA UM POSTO DE TRABALHO, NA CARREIRA E CATEGORIA DE ASSISTENTE OPERACIONAL

     

    Assim. Sem espinhas, como vem no jornal.

    Prosseguindo, é coisa que se processa “nos termos do disposto no art.º 50º da Lei nº 12-A/2008, na redacção actual, conjugado com o art.º 19º da Portaria nº 83-A/2009 de 22 de Janeiro, republicada pela Portaria nº 145-A/2011 de 6 de Abril, torna-se público por aviso desta autarquia, com o nº 8707/2014, publicado no Diário da República, II Série, nº 144 de 29 de Julho de 2014…”

     

    Perante isto, você, se não estiver familiarizado com o Simplex, sistema em boa hora inventado pelo saudoso Pinto de Sousa, dito Eng.º Sócrates, é capaz de pensar que se trata de vagas para assistente em operações de algum general, em vigorosos e patrióticos combates, quem sabe se graduado coronel. Ou coisa que o valha. Mas você, como pessoa normal que é, não percebeu patavina da epígrafe e resolveu ler o resto. Bem feita. Ficou então a saber que se trata de um lugar de coveiro, outro de carregador de sacos e outro de contínuo (este a prazo!) em importantíssima freguesia situada algures. Dada tal localização e tal importância, é de certeza obrigatório publicar o “Aviso” em vários jornais de distribuição nacional, o que foi exemplar e legalmente feito e pago.

    Se você anseia por um lugar de coveiro em casa do diabo, não hesite. Na certeza, porém, que a atenta leitura do tal “Aviso”  “não dispensa a consulta do Aviso Integral, publicado no Diário da República acima identificado”, isto sem prejuízo de informação contida em dois sites dedicados ao assunto, de consulta recomendada. Poderá ainda telefonar para 000000000, sempre sem esquecer o Diário da República.

     

    O IRRITADO não está a imaginar. Tudo isto é verdade, as citações são ipsis verbis (sem acordo ortográfico). Um coveiro, um ajudante de transportes e um contínuo são “assistentes operacionais”! Para os contratar e, com certeza, a fim de evitar cunhas, são precisos vários diplomas legais, portarias e avisos, tudo ao nível da Nação, não vá alguém dos montes algarvios querer candidatar-se a tais tachos em para lé do Marão.    

    Assim funciona o Simplex. Assim se arranja emprego para os milhares de inúteis envolvidos no processo. Assim os lugares acabam, como antigamente, por ser dados ao primo da cunhada do presidente da junta, ao namorado da enteada do amanuense de serviço e à cozinheira da casa de pasto do irmão da avó do chefe dos bombeiros, que está farta de pastéis de bacalhau. Sem dispensar, é claro, para cada um, um processo preenchendo os indispensáveis requisitos legais, o que representará inúmeros requerimentos, certificados e demais documentação da praxe, concursos, despachos, avisos, anúncios no jornal, etecetera e tal.

    Mas os candidatos, tanto os selecionados como os preteridos prestaram à Nação o notável serviço de proporcionar trabalho e vencimento a milhares de burocratas que, não fora o Simplex, estariam no desemprego

     

    29.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • A MULHER QUER PALCO!

     

    A inacreditável cidadã que os advogados elegeram para bastonário(a!) não cessa de nos causar arrepios. É sabido que foi “fabricada” pelo Màrinho, o que não augurava nada de bom. Mas, na ânsia de dar largas à sua pretendida notoriedade, bem como ao primitivismo, ao provincianismo e ao pirismo que a caracterizam, passa todas as fronteiras.

    Desta vez, resolveu proibir os estagiários de receber do Estado uma subvenção. Porquê? Porque parece ter encontrado, nas caves dos estatutos, uma norma qualquer que justifica a atitude, norma que, nem de longe nem de perto, a maioria dos advogados interpreta da mesma maneira. Mas ela quer mostrar poder! Isso é que é importante, mesmo que venha em injustificável prejuízo de umas centenas de jovens que dão “o litro” para entrar na profissão.

     

    Ponhamos as coisas como elas são. Desde sempre houve estágios de advocacia. Desde sempre, os pobres estagiários andaram meses a calcorrear repartições com questões de chacha, como se de contínuos se tratasse. Desde sempre trabalharam de borla, salvo raríssimas excepções. É também verdade que, nos dias de hoje, em virtude de várias e inteligentes disposições europeias (“Bolonha” et alia) os cursos passaram de 5 para 4 anos, o que poderia justificar que o estágio, pelo menos no primeiro ano, não fosse remunerado.

    Mas se alguém, no caso o Estado, sequioso de ver menos jovens a tinir, os quiser remunerar, o que tem a respectiva Ordem com isso?

    Com que “moral” (se calhar é a moral republicana…) são impedidos de ganhar pelo trabalho prestado?

    Que regra deontológica pode obrigar a Ordem a privar os futuros colegas de rendimento?

    Que crueldade mental está instalada na cachola da mulher?

    Que gozo lhe dá prejudicar os demais?

    Que lucra com isso, ela ou a profissão?

     

    A profissão nada lucra. A Ordem também não. Os estagiários nem se fala.

     

    A mulher está extasiada com o poder, coisa típica de tantos dos que descem à cidade sem nada que se aproveite dentro da cabeça. Quer ser vista, falada, invejada, incensada. E se for, literalmente, à custa de terceiros, que se lixe.

     

    28.7.14

     

    António Borges de Carvalho           

  • IDEIAS PARVAS

     

    O IRRITADO tem por António Guterres muita consideração pessoal. Trata-se de um cidadão exemplar, a quem se não conhece rabos de palha ou trafulhices. Family man, não há quem não reconheça que foi um pai exemplar, um marido atencioso, um companheiro constante da sua primeira mulher, sobretudo nos difíceis tempos que precederam a sua prematura morte. Diz quem o conhece bem que mantém o seu estilo de vida e de comportamento no seu segundo casamento – com uma vereadora do Costa. Foi um aluno brilhante, formou-se no IST com altas classificações.

     

    Mas o que interessa, neste momento, aos portugueses, é a sua postura política e o seu passado como governante.

    Oriundo da oposição católica à ditadura, cedo entrou para o PS, a cuja liderança chegaria. Nos idos anos de 1980, integrou o chamado “secretariado” do PS, com Sampaio e outros que a si mesmos atribuíram a função de fazer a vida negra ao Soares, sofrendo este, segundo diziam, de “desviacionismo” de direita. Foram tempos épicos no partido. Guterres, perceba quem quiser, era dos que se opunham a uma evolução do regime num sentido mais democrático, ou mais consentâneo com os costumes políticos e sociais da “Europa” daquele tempo.

    Lá foi subindo a escadaria, e chegou a primeiro-ministro depois da desistência de Cavaco Silva. Notabilizou-se por dar um fortíssimo empurrão na nossa desgraça financeira, via “prestações sociais” e outras despesas sem cobertura, isto é, cobertas por dívidas e mais dívidas. A certa altura percebeu que já não havia salvação para a situação que, com tanta “caridade”, tinha criado. Na primeira oportunidade (a perda de umas eleições autárquicas) declarou que o país estava “num pântano”, isto é, no pântano que ele próprio criara, deu às de Vila Diogo e, uns tempos depois, arranjou emprego na ONU, aliás em funções bem adequadas ao seu perfil.

     

    (O seu sucessor que, via Manuela Ferreira Leite, tinha abandonado a sua tese do “choque fiscal” e percebido que tinha que nos apertar o cinto, fez mais ou menos o mesmo: abandonou o navio e vogou para as bem mais seguras águas de Bruxelas. Veio Santana Lopes. O PS resolveu a questão da liderança, o PC também. Sampaio, vendo a esquerda preparada para se assenhorear do poder, nem deixou respirar o novo governo, a quem não deixou ter tempo para fazer seja o que for. Pumba!, correu com ele para abrir as portas ao inacreditável Pinto de Sousa. A partir daqui, a história é conhecida. O país afundou-se ainda mais, num mar de obras públicas impossíveis de pagar, de PPP’s malucas, de swapps catastróficos – isto para dizer o menos – até à bancarrota final.)

     

    Por tudo isto, é estranho que andem para aí uns senhores a preparar a passadeira vermelha para que António Guterres passe a ser o novo ocupante do Palácio Real de Belém. 

    Há dois portugueses que jamais deviam ser prostos para tal: Pinto de Sousa e… Guterres. Então vamos eleger um dos mais eficazes obreiros da nossa miséria?

    Será possível que isto caiba na cabeça de alguém? É sim senhor, cabe sim senhor. Pelo menos nas cabeças do Costa e… do Rio. Na do primeiro, é natural. Na do segundo, valha-nos Santa Engrácia! O homem anda a dar mostras evidentes de lhe ter caído algum parafuso quando saiu da CMPorto. O Costa, para quem (como para a generalidade dos respectivos camaradas) a história de “uma maioria, um governo, um presidente” era, até ontem, uma desgraça, passou a defender a velha tese de Sá Carneiro. E, pelos vistos, vai ter uma ajudinha do Rio, que se dispõe a ser seu número dois sem pudor nem dignidade.

    Mais grave ainda é que estes dois pretendentes ao poder propõem, em uníssono, o alargar dos poderes e das funções presidenciais: juntar às nossas desgraças económicas, financeiras e sociais, uma desgraça e um atraso políticos que, à excepção da França, todos os europeus que nos são próximos já perceberam que é uma entorse democrática, um risco de conflitos institucionais desnecessários, um total absurdo: a criação de duas legitimidades com a mesma origem, o sufrágio universal.

    Há tanta coisa útil a fazer se quisermos dar agilidade e boas condições de funcionamento ao sistema político! Como é que estas duas alminhas se metem (nos querem meter) num estúpido molho de problemas a acrescentar aos outros?

       

     26.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • REAL POLITIK

     

    Não é particularmente impressionante que a Guiné Equatorial tenha entrado para a CPLP. Há, por toda a parte, casos semelhantes. A própria GE é membro da chamada francofonia, Moçambique faz parte da Commonwealth, etc.. Há uma série de países a pedir estatuto de observador, candidaturas tão aparentemente absurdas como as da Geórgia e da Turquia…

    O argumento com base nos “direitos humanos”, ou na obrigatoriedade da democracia, não colhe de jeito nenhum. Não somos amicíssimos da China, ditadura comunista, ou de Cuba, onde tais direitos são letra morta, enganado que foi o povo que via no facínora Fidel Castro um libertador? Não somos parceiros de negócios (falidos ou em vias de falência) de primitivos canalhas como o Chávez ou o Maduro? Não temos com Angola, um país corrupto de alto a baixo, relações “privilegiadas”? Os nossos aliados nº1, os EUA, não têm a pena de morte aplicada em grande parte do seu território?

    Não ficaríamos tristemente sós se votássemos contra a unanimidade dos nossos consócios da CPLP?

    Deixemo-nos de caridosas balelas, e façamos pela vida.

    O outro argumento é o da língua. Aqui, sim, devia haver limites. Mas… o ditador bandido Obiang fez do português língua nacional, coisa que não passará do papel, como é óbvio, mas fez. O mesmo tirano não suspendeu a pena de morte? Suspendeu, sim senhor, signifique isso o que significar. Ou seja, cumpriu as exigências que lhe fizemos, anulando as nossas diplomáticas dúvidas. Que argumentos nos restavam? Zero. Apanhados em contra mão, outra solução não nos restava que a de meter a viola no saco e votar com os demais.

    Uma saída nos restava, oferecida pelo tirano. A de o pôr na rua quando teve o desplante, a provocação, o topete, a falta de respeito, de fazer o seu discurso de “entronização” em castelhano, francês e inglês. Aí sim, podíamos mostrar, pelo menos, que somos filhos de boa gente. Não mostrámos. Agora… mija na mão e deita fora, como diz o ditado.

    *

    Por falar em política externa vem à colação a simpática deslocação do camarada Xin Jin Pin (não é assim, mas não faz mal) aos Açores, onde foi recebido pelo nosso mui ilustre ministro dos negócios estrangeiros e pelo chefe do socialismo lá do sítio. O tal Xin foi direitinho às Lages e a mais parte nenhuma. Não estava preocupado com a agricultura, com as vacas, com as pescas, não ia comprar queijo da ilha, nada disso. As Lajes é que é bom! Que dirão os EUA, que pagam uma renda dos diabos pelas facilidades? É desta que vão embira? Que satisfação foi dada à malta pelos ministros da defesa e dos negócios estrangeiros? Nenhuma, que se saiba. Os jornais estão calados como ratos a este respeito. Será que o senhor Portas quer arranjar “êxitos” diplomático-comerciais com esta “escala” do Xin, como o Pinto de Sousa arranjou com o Chávez, um arranjinho que nos vai custar uma fortuna?

    Vamos a ver os desenvolvimentos desta obscura história. Para já, não cheira nada bem…

     

    25.7.14

     

    António Borges de Carvalho   

  • MAIS NOTÍCIAS DO PS

     

    Um tal Rui Santos, PS, presidente da câmara de Vila Real declarou ser objectivo do governo “encerrar concelhos por este país fora”.

    O IRRITADO, como qualquer português, duvida que o governo tenha tal intenção, apesar da promessa estar no papel que o PS, depois de levar “este” país à bancarrota, assinou com os nadadores salvadores da troica. Mas, se o ilustre presidente de Vila Real tiver razão, o IRRITADO verá nisso uma medida positiva, aliás prometida pelo senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, do PS, em nome “deste” país.

     *

     

    “Expulsões aos molhos no PS”, titula o DN. Vai tudo raso. Não se sabe quem é o autor da graça, se o Oco I se o Oco II, se o Jorge Coelho, se quem. Curioso é ninguém falar de alguma “comissão de justiça partidária” ou equivalente, encarregada destas matérias, que tenha tomado as decisões. O que muito nos diz sobre o saco de gatos em que o PS se transformou – se o não é desde sempre – onde qualquer manjerico dá pontapés no rabo de qualquer girassol. Assim, sem mais aquelas. Razão tinha Santos Silva, esse luminar da política socratista, quando dizia “quem se mete com o PS leva”. A coisa caiu lá na loja, não se sabendo que PS se mete com que PS, nem que PS leva ou deixa de levar. Que levem todos.

     *

    O senhor Carlos César foi nomeado para o altíssimo cargo de mandatário da candidatura do Costa não sei a quê, isto é, sei – ao contrário do Tribunal Constitucional – que, em Portugal, não há candidatos a primeiro-ministro, muito menos a eleger por filiados e simpatizantes de um partido.

    Mas esta vem a propósito do mandatário, não do mandante, ainda que só um mandante destes possa escolher um mandatário daqueles. É que, para além da sua reconhecida pesporrência parlapatona, o tipo teve o desplante (verdadeiro crime económico e social) de recusar um navio por causa de dois nós de velocidade e de, conscientemente, arruinar uma empresa pública com o objectivo de alugar uns navios na Grécia. A nomeação traz ao bestunto a velha máxima: diz-me com quem andas…

     

     *

    Aos maldizentes que têm a mania de chamar nomes ao Costa por ele não ter uma única ideia que o distinga do Seguro (tão oco um como o outro, como diz o IRRITADO), veio o homem atirar à cara com os princípios da sua “Agenda para a Década”. Assim: “valorizar os nossos recursos, o território e a lusofonia”, “modernizar as empresas do Estado”, “investir no futuro: a ciência, a educação e a cultura” e fortalecer a coesão social”. E esta? O Oco I não diria o mesmo, não anda para aí a dizer o mesmo? E o amigo banana, não diria o mesmo?

    *

    A maior vergonha disto tudo – bem sei que vivemos num país de que a vergonha não é cidadã – é o recente e propagandeado namoro do Costa com o Rio. Rio cai das alturas, isto é, afinal não presta. Costa chafurda em lagos de oportunismo. Dizer mais, para quê?

     

    24.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTÍCIAS DO DIA

     

    Num só número de um dos jornais socialistas de Lisboa, dito “de referência”, aparecem as seguintes notícias e temas:

     

    – Novo filme português: F… e F… interpretam casal gay;

    – Daniela e Malu namoram em Amsterdão;

    – De férias, Frank apaixona-se por Michel, um homem muito atraente;

    – As dificuldades dos transsexuais iranianos.

     

    Haverá por aí gente normal de quem falar?

    Com tanta propaganda, como é que ainda há quem fale de natalidade?

     

    24.7.14

     

    ABC

  • NATALIDADE

     

    Esta história da natalidade dá que pensar. Diz-se que Portugal (com ele a Europa Ocidental, ele mais que ela) dentro de duas ou três décadas deixará de ter cidadãos, ou terá menos uns quatro milhões. Pior, diz-se que a maioria dos que por cá ainda houver estará com os pés para a cova, e que os capazes de fazer alguma coisa não chegarão para tratar, ou sustentar, os velhos. Um drama.

    O governo, diz ele, vai tentar criar condições fiscais e sociais que estimulem a produção de bebés. Muito bem, dirão as pessoas. Resta, porém, saber se os tostões que se ganharão ou pouparão com tais medidas servem para alguma coisa.

    O IRRITADO, que não faz, nem de longe, parte dos novos “demógrafos” (se não for demógrafos é uma coisa do género), atreve-se a dizer sobre o assunto algumas coisas, se calhar asneiras.

    A primeira é que a crise pouco tem a ver com a queda da natalidade. Não são os países mais pobres, ou em que as pessoas são mais pobres, os que menos seres humanos produzem. Bem pelo contrário. Mesmo com alta mortalidade infantil, mesmo com fome lá em casa, mesmo sem assistência médica, são os países mais pobres os que mais crescem em termos demográficos. Porquê? Porque as famílias precisam de-mão-de-obra? Porque os processos de limitação da natalidade, entre nós conhecidos por “planeamento familiar”, não estão à mão de tais gentes? Porque as mulheres continuam a ter como principal actividade cuidar das crianças?

    Com certeza por todas estas razões, e outras que de momento me não ocorrem. Uma coisa é certa: não há uma relação de causa/efeito entre o status económico das nações e a natalidade ou, se há, é de pernas para o ar, isto é, quanto mais pobres são as pessoas mais filhos têm.

    As sociedades mais avançadas, onde proliferam os infantários e as creches – privados, do Estado, dos municípios, das empresas, das misericórdias ou equivalente -, onde as mulheres, até os homens, têm largos períodos de licenças de parto, onde há subsídios de aleitação e licenças para amamentar, onde os sistemas de saúde são mais eficazes, etc., são as que menos filhos têm. Porquê?

    Julgo tratar-se de um problema civilizacional. É verdade do amigo banana que tudo neste mundo tem um lado positivo e outro negativo. O que há de positivo na chamada libertação da mulher, no trabalho feminino, nos contraceptivos, no planeamento familiar, na assistência social, no Estado social, tem o seu lado negro na desresponsabilização das pessoas em relação à sociedade, em termos de procriação.

    Os casais normais assumem a obrigação de estudar, de trabalhar, de fazer carreira, de contribuir para a estabilidade, sobretudo económica, da sociedade. Mas, entre os seus objectivos de vida não está o de multiplicar a espécie ou, pelo menos, de a manter estável, populacionalmente falando.

    Ainda há poucas décadas, os casais sacrificavam quase tudo para dar à sua vida o superior objectivo de ter filhos, de os criar, sustentar, ajudar, dando-lhes o melhor de si e prescindindo por eles de grande parte das suas comodidades e facilidades. Já não é assim. A nova moral pública, o politicamente correcto, os temas que as pessoas são levadas a abraçar (o futuro do planeta, a paixão pela “cultura”, a separação dos lixos, a poupança de água, as solidariedades globais, o consumismo – se não houvesse consumismo não havia produção, nem emprego, nem economia…), não incluem essa coisa tão simples e tão formidavelmente gratificante que é ter filhos e viver principalmente para eles.

    Nesta ordem de ideias, não há vantagens fiscais, nem Estado social, nem solidariedades, nem facilidade alguma que inverta a tendência da diminuição da natalidade. O que poderá fazê-lo é uma alteração civilizacional que implica um trabalho de décadas, e a mudança dos grandes temas que nos são vendidos todos os dias, a todos os níveis.

    Se as pessoas andam preocupadas com coisa tão estúpidas como o “aquecimento global”, “provocado” pela humanidade (???), com a “morte dos oceanos” por causa dos sacos de plástico, como podem ter a procriação – tão fácil de evitar! – no elenco das suas preocupações?

    Mas a humanidade parece entreter-se com patacoadas, em vez de pensar em coisas sérias e justas.

     

    20.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTÍCIAS DO PS

     

    1. Parece que uma fulana, filiada no PS com as cotas em dia e membro de uma estrutura qualquer, resolveu denunciar um ror de aldrabices, de preparação de chapeladas, de filiados fantasma, de simpatizantes a peso e não sei de quantas mais trivialidades do processo de recenseamento em curso para as aldrabófonas eleições de um candidato a primeiro-ministro (não há candidatos primeiro-ministro no nosso sistema eleitoral!). Em consequência da indecente e por certo anti-“democrática” atitude da filiada, foi a dita prontamente expulsa da agremiação, julga-se que em processo sumário e expedito, sem investigar as acusações nem ouvir a queixosa/acusada.Em respeito pela mais profunda e arreigada moral republicana, a organização dá assim, aos portugueses em geral e aos filiados e simpatizantes em particular, a noção clara dos princípios que a animam.

     

    2. O Costa, em mais uma repetição do que diz o Seguro, resolveu abrir a porta a negócios com o PSD. Mas, atenção!, com “outro PSD”. Elogie-se esta súbita abertura democrática, esta generosa cedência aos apelos do PR, esta demonstração de respeito pelo interesse nacional, esta vontade de compromisso. Um verdadeiro patriota, este Costa. Igualzinho ao outro. É claro, que, para que as coisas fiquem claras, o “candidato a primeiro-ministro” põe os pontos nos is. Primeiro, terá o PSD que se dissolver, que criar outro PSD, um PSD que compreenda, aceite e se submeta ao poder soberano do PS. Sem isso, como é natural, o Costa não alinha. Tal como o Seguro. Ficamos a saber que, primeiro, haverá que aceitar o poder imperial do primeiro-ministro do PS, depois se verá.

    Há muitos anos, o embaixador da RDA convidou o autor destas linhas para um copo de detestável vinho branco lá na embaixada – um miserável pardieiro do tipo estalinista, ou africano, ali à Fonte Luminosa. Seria uma reunião a dois, sem protocolos nem notícias no jornal. Assim foi. Destinava-se o bate-papo a informar o convidado acerca do sistema político da RDA, sobretudo no que se refere ao respeito nela vigente pelo pluralismo democrático. Esclareceu que tinham por lá um partido democrata-cristão, e até havia liberais a dizer de sua justiça. Era pena, na opinião do tal embaixador, que “o Ocidente” não reconhecesse os escrúpulos democráticos do PC germânico de Leste e as amplas liberdades vigentes na progressiva república. Fiquei esclarecido. Aliás, já estava.

    Aqui temos, bem clara, a filosofia que preside ao “pensamento” do Costa e do outro Oco: todos têm direito a existir desde que quem mande seja eu. Na certeza que os tolerarei – se se portarem bem, é bom de ver. Quem imaginaria que, vinte anos depois da morte da RDA, ainda há quem vá buscar o seu republicano exemplo.

     

    À atenção do “eleitorado” em vias de fabricação.

     

    20.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • VIVA O CRATO!

     

    Não haverá em Portugal uma só alma que ainda não tenha percebido que os chamados “professores” jamais aceitarão qualquer espécie de avaliação, seja feita por quem for, quando for e onde for, tenha o conteúdo que tiver, sirva para o que servir.

    Eles são “professores” e, como tal, estão acima de tudo e mais alguma coisa. Se alguém os criticar, cuspirão o mais cobarde, o mais reles, o mais cínico de todos os argumentos, mais ou menos assim: “estamos a defender os alunos, o ensino público e a sua ‘qualidade’, as novas gerações, a democracia, a república”. Maior mentira não se pode imaginar. Fingem que não percebem que são joguete (ou gostam de o ser) de uma organização criada para os dominar e os usar como arma de arremesso contra o governo, este ou outro.

     

    Ora o Crato trocou-lhes as voltas. Marcou as provas para uma data tão próxima que já lhes não permitia, legalmente, fazer greve. Apanhados em contra mão, os generais do sindicato disseram cobras e lagartos. O xarroco escarrou os mais rebuscados insultos. Agora, anunciam que vão boicotar, criar desordem, borborinho, gritaria, nos locais das avaliações. A porcaria revela-se mais uma vez.

    De três coisas podem os portugueses estar certos:

    a)      Enquanto houver avaliações haverá bagunça;

    b)      Se deixar de haver avaliações, haverá bagunça na mesma;

    c)       Basta que o Crato mexa uma palha, seja que palha for, para haver bagunça;

    d)      Se não mexer palha nenhuma, bastará que não mexa palha nenhuma para haver bagunça.

    Que diabo, o xarroco tem direito ao trabalho, e o seu trabalho é dar largas à trampa ideológico-revolucionária que lhe enche as meninges!

     

    A partir daqui, o IRRITADO recomenda ao Crato que se farte desta gente de uma vez por todas, e exerça os poderes que legitimamente tem sem dar satisfações a quem não as merece e só as usa contra ele e contra todos nós.

    Se o fizer, viva o Crato!

     

    19.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • RES Et VERBA

     

    É do conhecimento público que os dois ocos têm opiniões coincidentes. Um tem mais parlapaté que o outro, mas não passa daí. Um diz que vai repor reformas, ordenados, subsídios. O outro vai pela mesma, mais explícita ou mais implicitamente. Ambos se propõem tornar a sociedade mais justa, mais fraterna, mais igual, mais solidária, mais rica, mais culta, mais letrada, mais isto e mais aquilo. Um e outro dizem que vão abrir os cofres e dar por aí dinheiro a todos, acabar com a pobreza, reabrir milhares de escolas, de tribunais, de repartições, mais consultas médicas, intervenções, cirurgias, tudo! Como vão pagar? Pormenor! Ambos vão pôr a “Europa” na ordem. Chegam a Bruxelas, dão dois murros na mesa, e pronto. Aquela malta, a começar pela Merkel e a acabar no Draghi, borra-se de medo, e pronto, é de caras, está resolvido o problema.

    Eles mostram como é. Os dois percorrem o país a falar às massas, um dizendo de trás para diante o que o outro diz de diante para trás. Ainda a campanha não foi financiada – o camarada Jorge Coelho ainda anda a fazer contas – e já lá vão rios de dinheiro. Donde vem ele? Ninguém sabe. O Oco 1 é capaz, como chefe do partido, de ter lá uns trocos. Mas, e o Oco 2? Será rico? Não se sabe. O que se sabe é que, ao mesmo tempo que percorre o país a arengar aos papalvos, está sentado no seu cadeirão da Câmara de Lisboa, isto é, não sendo ubíquo, não põe lá os pés mas recebe o ordenado. Será? E os assessores que são da CML e andam com ele em peregrinação, também são pagos pelos munícipes? E os luxos dos palcos, dos slogans, do som, das luzes, dos popós, etc.? Estará o J. Coelho a adiantar uns cobres? Ou virá tudo do saco do costume? Ou vão ficar a dever a toda a gente?

     

    Animem-se. No dia-de-são-nunca saberemos a resposta.

    17.7.14

     

    António Borges de Carvalho

  • ACIMA DA LEI

     

    O IRRITADO é insuspeito de qualquer simpatia por um magistrado sindicalista, Cluny de seu nome.

    O homem, nos termos da lei vigente, foi nomeado para um tacho europeu da sua especialidade. Bem ou mal, não interessa. Nos termos da mesma lei, o chamado Conselho Superior do Ministério Público foi chamado a pronunciar-se sobre a existência ou não de algum impedimento legal que obstasse à nomeação do sindicalista magistrado.

    Pronunciou-se contra, sem adiantar as razões. Depois, deixou passar para a imprensa que a razão de oposição era a de não concordar com o sistema de nomeação em vigor, o qual não lhes dá a importância que julgam ter na matéria em causa.

    Ficamos a saber que, daqui por diante, quando um tipo não gostar de uma lei qualquer está no direito de a não cumprir e que, se for demandado por isso, os magistrados do Ministério Público acharão que fez muito bem. As alternativas são: ou os magistrados acham que são mais que os outros, ou o Estado de Direito passa a república das bananas por douta iniciativa desta gente. A separação de poderes, a própria existência de procuradores do Estado e outros institutos tidos por indispensáveis passam a ser letra morta sempre que não sejam do agrado de suas excelências.

    Não se trata de um fait divers. Não se trata do tal Cluny, já que, para a Nação, é indiferente que o homem fique com o tacho ou sem ele. Neste particular, o chumbo até tem a sua piada. Pois não é que cai em cima de um tipo que passava a vida a chatear meio mundo com as suas preleções jurídico-políticas?  

    O alcance desta atitude é muito mais grave e profundo que se possa imaginar.

    O sistema de justiça é criticado pelas mais diversas razões, muitas vezes com carradas delas. A lei é complicada, o processo ainda mais, as instalações não prestam, a informática não funciona, os advogados são uns canalhas, o governo não pesca nada do assunto, etc.. Os magistrados ficam olimpicamente fora destas críticas. Eles são óptimos, uns heróis, estão acima de tudo. Não assumem qualquer responsabilidade. Maus são, por definição, os outros.

    Os fulanos nem sequer percebem que estão, em termos públicos, como todas as sondagens indicam, abaixo de todas as instituições, abaixo, muito abaixo de todos os agentes políticos e administrativos, o que quer dizer que a opinião pública, ao contrário dos magistrados, tem a noção do cancro que a classe é para a sociedade. Isto não lhes interessa, o que lhes interessa são os salários, os prémios, as casas, as instalações, as reivindicações e por aí fora, como se fossem motoristas da Carris ou agulheiros da CP.

    Para cúmulo, vêm agora confessar que se consideram acima da lei, quando a lei lhes não agrada.

    Descer mais? Inimaginável.

    Diz a imprensa que o chumbo do Cluny (ou da lei!) foi aprovado por três votos contra dois e oito abstenções. O mínimo que se exigiria, se houvesse moral pública, era que os três chumbadores, a começar pela PGR, fossem imediatamente corridos da função, os cobardes que se abstiveram suspensos sine die, e os que votaram contra promovidos, um a PGR, outro a presidente do CSMP.

    Mas vivemos em Portugal. Quem responsabiliza, quem controla, quem castiga as corporações e os seus generalíssimos? Talvez o Zé do Telhado, não é?

     

    17.7.14

     

    António Borges de Carvalho