IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NATALIDADE

 

Esta história da natalidade dá que pensar. Diz-se que Portugal (com ele a Europa Ocidental, ele mais que ela) dentro de duas ou três décadas deixará de ter cidadãos, ou terá menos uns quatro milhões. Pior, diz-se que a maioria dos que por cá ainda houver estará com os pés para a cova, e que os capazes de fazer alguma coisa não chegarão para tratar, ou sustentar, os velhos. Um drama.

O governo, diz ele, vai tentar criar condições fiscais e sociais que estimulem a produção de bebés. Muito bem, dirão as pessoas. Resta, porém, saber se os tostões que se ganharão ou pouparão com tais medidas servem para alguma coisa.

O IRRITADO, que não faz, nem de longe, parte dos novos “demógrafos” (se não for demógrafos é uma coisa do género), atreve-se a dizer sobre o assunto algumas coisas, se calhar asneiras.

A primeira é que a crise pouco tem a ver com a queda da natalidade. Não são os países mais pobres, ou em que as pessoas são mais pobres, os que menos seres humanos produzem. Bem pelo contrário. Mesmo com alta mortalidade infantil, mesmo com fome lá em casa, mesmo sem assistência médica, são os países mais pobres os que mais crescem em termos demográficos. Porquê? Porque as famílias precisam de-mão-de-obra? Porque os processos de limitação da natalidade, entre nós conhecidos por “planeamento familiar”, não estão à mão de tais gentes? Porque as mulheres continuam a ter como principal actividade cuidar das crianças?

Com certeza por todas estas razões, e outras que de momento me não ocorrem. Uma coisa é certa: não há uma relação de causa/efeito entre o status económico das nações e a natalidade ou, se há, é de pernas para o ar, isto é, quanto mais pobres são as pessoas mais filhos têm.

As sociedades mais avançadas, onde proliferam os infantários e as creches – privados, do Estado, dos municípios, das empresas, das misericórdias ou equivalente -, onde as mulheres, até os homens, têm largos períodos de licenças de parto, onde há subsídios de aleitação e licenças para amamentar, onde os sistemas de saúde são mais eficazes, etc., são as que menos filhos têm. Porquê?

Julgo tratar-se de um problema civilizacional. É verdade do amigo banana que tudo neste mundo tem um lado positivo e outro negativo. O que há de positivo na chamada libertação da mulher, no trabalho feminino, nos contraceptivos, no planeamento familiar, na assistência social, no Estado social, tem o seu lado negro na desresponsabilização das pessoas em relação à sociedade, em termos de procriação.

Os casais normais assumem a obrigação de estudar, de trabalhar, de fazer carreira, de contribuir para a estabilidade, sobretudo económica, da sociedade. Mas, entre os seus objectivos de vida não está o de multiplicar a espécie ou, pelo menos, de a manter estável, populacionalmente falando.

Ainda há poucas décadas, os casais sacrificavam quase tudo para dar à sua vida o superior objectivo de ter filhos, de os criar, sustentar, ajudar, dando-lhes o melhor de si e prescindindo por eles de grande parte das suas comodidades e facilidades. Já não é assim. A nova moral pública, o politicamente correcto, os temas que as pessoas são levadas a abraçar (o futuro do planeta, a paixão pela “cultura”, a separação dos lixos, a poupança de água, as solidariedades globais, o consumismo – se não houvesse consumismo não havia produção, nem emprego, nem economia…), não incluem essa coisa tão simples e tão formidavelmente gratificante que é ter filhos e viver principalmente para eles.

Nesta ordem de ideias, não há vantagens fiscais, nem Estado social, nem solidariedades, nem facilidade alguma que inverta a tendência da diminuição da natalidade. O que poderá fazê-lo é uma alteração civilizacional que implica um trabalho de décadas, e a mudança dos grandes temas que nos são vendidos todos os dias, a todos os níveis.

Se as pessoas andam preocupadas com coisa tão estúpidas como o “aquecimento global”, “provocado” pela humanidade (???), com a “morte dos oceanos” por causa dos sacos de plástico, como podem ter a procriação – tão fácil de evitar! – no elenco das suas preocupações?

Mas a humanidade parece entreter-se com patacoadas, em vez de pensar em coisas sérias e justas.

 

20.7.14

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “NATALIDADE”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Senhor Irritado, faço minhas as palavras de Alberto João Jardim, este PSD, tendo ao leme uma “alcateia” de malfeitores (que fazem as “coisas” mal feitas), terá a maior derrota eleitoral de sempre nas Legislativas.Não foi para dizer “amen” a malfeitores que aderi ao Partido (ainda denominado Partido Popular Democrático – PPD). Daí votarei para afastar malfeitores.Quanto ao tema (fazer filhos), ainda estou com capacidade, dêem-me “embalagens” novas sem s correspondentes custos.Oxalá (ouça Deus) que PPC volte para a sua “origem” e fique um indigente (e ha ora, o Irritado o acompanhe).

  2. Não vejo a grande relevância das “causas ecológicas”; querer salvar golfinhos ou linces da Malcata não impede ninguém de procriar. Parece-me que o Irritado as mete a martelo, porque embirra com elas. O dinheiro é obviamente mais importante, por ex. quantos vivem hoje na casa dos pais até aos 30 anos, ou mais? Se a vida adulta e independente começa (muito) mais tarde, não é natural que se tenha menos filhos? Depois temos, tal como diz por outras palavras, o EGOÍSMO. Quase toda a gente, algures entre os 25 e os 40 anos, quer ter pelo menos um filho. Porquê? Porque se enquadra na sua própria realização pessoal. Veja-se o caso extremo do futeboleiro Ronaldo. No entanto, ficam-se por 1 ou, no máximo, 2 filhos. Mais filhos trazem mais sacrifícios e preocupações, que se tornam incompatíveis com a chamada vida moderna, e poucos estão para isso. Daí o problema demográfico. É uma questão egoísta, ou hedonista: o indivíduo dá mais valor à sua vida, evitando o sacrifício; e dá mais valor ao presente, em detrimento de recompensas ou vidas futuras – como as prometidas pela religião, em que já não acredita. O Irritado diz que é fácil evitar ter filhos. É verdade, mas também é fácil fazê-los. Aliás, sempre ouvi que quem não sabe fazer mais nada, faz filhos. Os exemplos abundam.

    1. “…quem não sabe fazer mais nada, faz filhos” O Irritado é um exemplo?

    2. Carradas de razão, caro Filipe Bastos!O que provoca o egoísmo? Muita coisa,mas a “saída” dos temas da família e de dignidade da procriação da agenda dos países desenvolvidos desresponsabiliza e distrai as pessoas, que só vêm o amanhã e nem sequer percebem que, ou têm filhos ou acabam sós e sem referências emocionais.E a educação? Algum professor ensina o que é uma família, ou o que é ter filhos? Não: o que se ensina é como evitá-los, o que se ensina é a normalidade do que é anormal e de todas as práticas anti-reprodução.Quanto aos golfinhos e aos linces, está enganado. Não tenho nada contra, desde que não haja exageros. Os exemplos que citei nada têm a ver com os que refere.Agradeço o seu comentário, tanto mais que me custa ver tanto mentecapto a cuspir neste blog.

      1. Na Europa temos dois exemplos contrastantes: a França, uma relativa excepção à crise da natalidade, e a Itália, o país mais velho do continente. Um em cada cinco italianos tem +65 anos, e a taxa de natalidade é ainda pior que a de Portugal: 1.38 filhos por mulher. Como se explica tal diferença entre dois países vizinhos, e tão próximos em tudo o resto? Terá a ver com políticas, impostos, prioridades estatais? Não sei. Admito que tenha razão, que seja um factor. Outro caso: os EUA. Ao contrário da Europa, os EUA não têm um problema de natalidade. Isto deve-se em grande parte à imigração da América Latina, mas há outras diferenças. Por exemplo, nos filmes. A maioria dos filmes americanos dos últimos 60 anos, sobretudo aqueles consumidos em massa entre incontáveis toneladas de pipocas, retrata as famílias (quase sempre numerosas) e as crianças de forma idílica. Ao contrário da Europa, lá isto nunca mudou; ainda é apresentado – até impingido – exactamente da mesma forma. O “sonho americano” inclui inevitavelmente a vivenda nos subúrbios, o SUV da mãe, o carro ultra-gastador do pai, o jardim, o cão, e muitos filhos. No mínimo quatro; idealmente, cinco ou seis. E qualquer blockbuster, como aqueles filmes de mega-desastres, inclui inevitavelmente crianças em perigo – que escapam sempre ilesas, e cujos pais, uma vez livres de apuros, só pensam em fazer mais filhos. Quanto mais melhor. Não creio que seja apenas a lógica comercial hollywoodesca. Faz-me lembrar o seguinte: Goebbels tinha 7 filhos, e a sua família era considerada um modelo para a nação. Mas divago…

      2. Avatar de XXI (militante PSD)
        XXI (militante PSD)

        “…tanto mentecapto a cuspir neste blog”! Auto-retrato?

        1. Ó XXI, esquecendo o PSD e o Fantoche Passista por um momento, dê-me uma opinião. Quem lhe parece mais absurdo como PM: o MEDÍOCRE SEGURO… ou o CHULECO COSTA?

          1. Avatar de XXI (militante PSD)
            XXI (militante PSD)

            Essa questão é aproximadamente a seguinte: o que é a verdade? É preciso responder a essa questão para que o homem se julgue esclarecido! E ainda não vi ninguém que tenha respondido a isso!

          2. Exactamente! É como os pinguins da Patagónia. Olhe, quem lhe parece mais absurdo como PM: o MEDÍOCRE SEGURO… ou o CHULECO COSTA?

          3. Avatar de XXI (militante PSD)
            XXI (militante PSD)

            Exactamente, desconheço. No entanto, em termos políticos, sei que o maior mentiroso (dito de outro modo, burlão) é o actual PM, o que é ABSURDO. Não lhe parece?

          4. “Esquecendo o PSD e o Fantoche Passista…”, lembra-se? Falamos só do PS. O partido que governou sozinho de 2005 a 2011, que aumentou a dívida pública 40 milhões por dia, 30 mil euros por minuto, fora calotes escondidos. O partido do trafulha milionário de Paris. Agora, já focados no PS, quem lhe parece mais absurdo como PM: o MEDÍOCRE SEGURO… ou o CHULECO COSTA?

          5. Avatar de XXI (militante PSD)
            XXI (militante PSD)

            Agora, já focados na realidade, quem lhe parece mais absurdo como PM: o MEDÍOCRE SEGURO… o CHULECO COSTA,… ou o “BURLÃO” COELHO?

  3. Plenamente de acordoPlaneamente familiar … educação sexual apareceu apenas para satisfação do prazer. Teorias edonistas.O egoísmo conduz a esta situação.O egoísmo e a estupidez em nome das modernices

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