IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COMPADRES

 

Não faltam por aí opiniões sobre a história da queda dos ES. O IRRITADO não arrisca tal coisa, porque, como a generalidade das pessoas, comentadores encartados incluídos, não percebe patavina do assunto e se dá por muito feliz por – pela simples razão de não ter dinheiro – não estar “exposto” aos efeitos da derrocada.

Ricardo Salgado é universalmente tido como principal responsável, o que é natural, já que era ele o chefe máximo da organização.  Não falta quem já o tenha condenado a prisão perpétua ou equivalente.

Interessante, por isso, é olhar os originais que o defendem.

O primeiro foi o senhor Pinto de Sousa, tido por eng.º  Sócrates. É natural, já que é de temer que o Salgado, acossado, ponha a boca no trombone, o que pode ser uma chatice. Nada melhor que tirar o cavalinho da chuva.

O segundo é muito mais interessante: nada menos que o inevitável e importantíssimo – na sua opinião – Sousa Tavares, conhecido storyteller e convencidíssimo dono de inúmeras irrefutáveis teorias e razões.

Desta vez, a teoria do homem é extraordinária: Ricardo Salgado é, simplesmente, vítima de uma família de penduras e preguiçosos a cuja ganância se viu obrigado a acorrer, expondo-se à verrina pública por amor aos seus.

Na base desta tão douta opinião estão considerações várias sobre o capitalismo, que vão do problema da Argentina a Karl Marx, tudo para dizer que o capital se divorciou da economia e, querendo ganhar dinheiro com dinheiro, acabou por viver em circuito fechado e criar as condições para a sua própria, e a dos outros, condenação. O IRRITADO, postas as coisas nestes termos, até nem discorda lá muito. O problema é que, na sanha de defender o Salgado, o ilustre sábio pôs as coisas de pernas para o ar. É que, segundo se diz por aí, os problemas do homem começaram e se avolumaram, não porque ele vivesse na finança pela finança, mas por causa das suas incursões económicas em empreendimentos arriscados. O argumento cai pela base, como é evidente.

Mais interessante, porém, é saber por que carga de água resolveu o nosso Tavares vir à liça com tão contraditórias bojardas. Aqui há tempos, já não sei a que propósito, o fulano tinha feito uma “declaração de interesses”: abstinha-se de comentar qualquer coisa relacionada como BES, ou ES, porque, tendo uma filha casada com um filho – ou vice versa – de Ricardo Salgado, qualquer opinião podia estar “contaminada” ou ser tida por influência familiar. Fez muito bem. Só que parece que era tudo mentira, isto é, não se pronunciava porque não lhe apetecia, não porque os seus interesses de tal o impedissem. Como o caso presente demonstra à saciedade. Quer dizer, chegada a ocasião, que se lixe a “declaração de interesses”, e vai de proteger o compadre.

 

O mentiroso e o coxo são amigos! O resto é conversa de articulista para papalvo ler.

 

3.8.14

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “COMPADRES”

  1. O chuleco Tavares defende o compadre. E o Irritado? O Irritado, como o resto da “Direita”, passou de defensor a (suave) detractor do Salgado. Do dia para a noite. Deixe-me recordar-lhe umas coisinhas: Até agora, quem criticava o Mamão Salgado, quem dizia que ele era o Dono Disto Tudo, que o BES era um polvo pulhítico-parasita-financeiro, e que toda a Banca era um imenso BPN legalizado, era – aos olhos da Direita e do establishment – um alucinado comuna. O mantra oficial do regime: a Banca é boa! a Banca funciona bem! precisamos da Banca! a Banca é fixe! Há anos que aqui lhe digo exactamente isso, e que me responde? Exactamente isto. Chegou a comparar-me ao camarada Jerónimo. Pois bem. O Mamão Salgado cai em desgraça, e de repente não há cão ou gato que não lhe caia em cima. E até há quem tenha descoberto que a Banca é que manda no país, e que é uma grandíssima chulice legalizada! Quem diria… Chegados aqui, com toda esta podridão à vista, o Irritado e restante Direita já estão em contenção de danos: afinal o culpado é só o Salgado! Esse malandro é que abusou do sistema! O sistema é bom! O capitalismo é lindo! O capitalismo lindo e puro, dos Bancos bons, da mão invisível, da fantástica Thatcher, do brilhante Reagan, dos bilionários e dos “mercados”, esse continua inquestionável. Os Salgados é que o estragam. Faz lembrar os comunas: o comunismo é lindo. As pessoas é que o estragam.

    1. Há uma diferença abissal entre o capitalismo e o socialismo. É que ao capitalismo deve-se a liberdade política e social e o progresso que tem havido. Ao socialismo deve-se tirania, miséria e o mais que por aí ainda se vê, sem excepções.Postas as coisas nestes termos, os defeitos e desvios do capitalismo liberal, isto é, nos limites da Lei, ao contrário do que se passa do outro lado, não significam que, em si, ao contrário do socialismo, seja estruturalmente mau. Por isso, as grandes crises do capitalismo (há esta como já houve outras), não devem servir para infirmar os seus pressupostos de base. Servem para procurar soluções e aplicá-las. Desta vez, uma crise mais grave se junta à cascata de falhanços, ou ajuda a provocá-los: a deslocalização do indústria da pátria do capitalismo (o Ocidente) para outras zonas do globo. Quer isto dizer que, ao contrário do que v. primariamente diz (desculpe o advérbio) , a humanidade não se divide em mamões e não mamões. A coisa é muito mais complexa que isso. Entrar em ganeralizações e imediatismos fáceis não resolve nada.Isto não tem a ver com o Salgado. O Salgado (para lá de evidentes malfeitorias, que se espera o sistema puna e resolva), foi uma espécie de Sócrates da banca, isto é, achou que a dívida se “geria”, fosse qual fosse o seu montante. E que as coisas se haviam de compor, mais tarde ou mais cedo. Só que não se compuseram…

      1. Lamento corrigi-lo, mas a Humanidade sempre se dividiu entre mamões e não-mamões, privilegiados e não-privilegiados, exploradores e explorados. Entre os faraós e os desgraçados que lhes construíam as pirâmides, entre os palácios dos seus caros aristocratas e o estrume dos camponeses, entre ricos industriais e os miseráveis operários que lhes criavam a riqueza, entre o conforto dos generais e o massacre dos soldados, etc, etc. Tal como agora entre os banqueiros e o resto da populaça. Chama a isto generalizar, mas em 6000 anos de História registada sempre assim foi. Em que parte não foi? Nos contos de fadas? ———– O Salgado – acredite – não é um Sócrates da Banca. TODA A BANCA É ASSIM. É uma mera questão de grau, ou de tempo, desde que a loucura dos “mercados”, e do dinheiro inventado do ar, tomou conta disto tudo. Os comunas podem ser alucinados ou escroques ou que V. quiser, mas têm muita razão sobre a Banca. É isto que lhe custa a aceitar. É por isto que depois da “crise internacional”, do BPN, do BPP, do Banif, do BCP, e agora do BES, continua a negar a realidade. E o BES, se o seu Passos não fosse uma triste marioneta, não devia receber nenhum empréstimo avalizado pelo Estado. Devia ser NACIONALIZADO, não apenas a parte podre como o BPN, mas o pouco de bom que ainda tem. Esta solução que encontraram é mais do mesmo: os contribuintes entram com o risco, e quando a poeira assentar a MAMA continua.

        1. Lamento corrigi-lo, mas a Humanidade sempre se dividiu entre mamões e quem quer mamar, mas não pode, privilegiados e quem quer ser privilegiado, mas não consegue, exploradores e explorados. Daí o velho ditado “NUNCA PEÇAS A QUEM PEDIU, NUNCA SIRVAS A QUEM SERVIU”.

          1. Se o seu sonho é ser chulo e parasita, é lá consigo; mas escusa de pintar o resto da Humanidade à sua imagem.

          2. A minha previsão está concretizada. O senhor tem um “espelho”.

          3. Avatar de John Le Carré - PÚBLICO
            John Le Carré – PÚBLICO

            «Philip estava sempre a avaliar tudo em profundidade. Era uma tarefa dolorosa e extenuante, e que provavelmente no fim o condenou à desgraça. O mundo era demasiado … Vamos ter que esperar muito tempo até surgir um novo Philip.»

      2. Por acaso, logo após o meu comentário de ontem deu na Sic Notícias um documentário que devia ver. Chama-se ENDIVIDADOS. Fala de um tema que evita: o sistema monetário. E explica, em termos simples, porque quaisquer soluções vão falhar se não mudarmos este sistema. Até já existe um movimento político, o Money Reform Party. Felizmente algumas pessoas já acordaram… mas a carneirada ainda dorme. Quando tiver 15 minutos, dois links: http://www.moneyreformparty.org.uk https://www.positivemoney.org

      3. Pois, ’tá bem abelha…

  2. Quem mandou o Moedinhas para a Bruxelas?Um palpite: a Goldman Sachs!Passos Coelho anuncia que, afinal, Carlos Moedas é a pessoa indicada pelo governo para a Comissão Europeia, bla bla bla bla bla bla….Ou seja, a Goldman vendeu, não dia 30 de julho, não no dia 31 de julho, não no dia 1 de agosto, mas no dia 23 de julho o que comprara no dia 15. No dia em que os pseudo brokers e a imprensa desmiolada do nosso país recomendaram a compra de mais lixo do BES, a Goldman Sachs vendeu o dito lixo!

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