IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • As Exigências de SEPIIIRPDAACS

    SEPIIIRPDAACS1 prometeu “cooperação estratégica”. A maralha aplaudiu. Pinto de Sousa (Sócrates) ficou calado. SEPIIIRPDAACS cooperou estrategicamente. A maralha aplaudiu. Pinto de Sousa (Sócrates) aplaudiu e retribuiu.

    SEPIIIRPDAACS salamalecou-se com o governo no Natal. A maralha aplaudiu. Pinto de Sousa (Sócrates) aplaudiu e retribuiu.

    SEPIIIRPDAACS, no ano novo, exigiu resultados. A maralha aplaudiu. Pinto de Sousa (Sócrates) aplaudiu, e retribuirá, não se sabe como.

    É que a maralha não sabe que resultados SEPIIIRPDAACS exige. Se os dos aumentos de impostos, se os das vertiginosas descidas em todas as escalas europeias, se os das quebras nas pensões, se os dos estudos da OTA, se os das contas marteladas, se os das SCUTS, se os dos fechos dos hospitais, se os do complicadex, se os das vendas das prisões, se os da OPA do Belmiro, se quê.

    Na certeza de que, se o que SEPIIIRPDAACS exige é o relançamento da economia, bem pode ir preparando outro discurso para a maralha aplaudir.

     

    Antóno Borges de Carvalho

    1 Sua Excelência o Presidente da IIIRepública Portuguesa Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva
  • No Reino da Dinamarca

    É hábito de socialistas, e não só, louvar a organização, o "pogresso" (como diria SEPIIIRPPDAACS[1]) dos países nórdicos, as delícias da social-democracia, a protecção social, enfim, a felicidade da viquingagem. Nada contra. Cada um louva o que gosta. O distinto pessoal tem por norma esquecer-se, por exemplo, de que, no auge do socialismo sueco, havia cinco por cento da economia nas mãos do estado, tudo o resto era liberal. Um pormenor de somenos.

    O distinto pessoal esquece-se sempre de que, na Dinamarca (em toda a Europa, o número dois em produtividade), não há qualquer sombra do que aqui se chama "estabilidade de emprego". Um emprego, por lá, é uma forma de ganhar dinheiro, um passo na carreira de cada um, um degrau que, em princípio, se sobe. Ninguém se casa com o patrão. Este manda o empregado às urtigas sempre que lhe apetece. O empregado, por seu lado, sai quando lhe dá na realíssima gana, e vai à procura do que mais lhe agrade. É comum, normal, natural, um tipo chegar ao fim da vida útil com dez ou vinte empregos no bucho. O contrário é que é estranho. Os sindicatos colaboram com os patrões para aumentar a produtividade e, se a empresa abana, tratam de estudar a forma da a fazer deixar de abanar.

    Por isso, sim, não tenhamos dúvidas de que é por isso, ainda que não só por isso, a economia cresce, as ideias tomam forma, os produtos são do melhor, toda a gente paga os impostos e goza dos resultados.

    Por cá, a religião é outra. Inspirados pelas repúblicas (a primeira, a segunda e a terceira), pela francesia e pela Constituição, o sonho do portuga é estiolar num empregozinho, mesmo que ordinário, e por lá se deixar ficar até que a morte sobrevenha. A produtividade é a mais baixa da Europa – Europa a 12, a 15, a 25, e não tarda que a 27 – e o governo acha que é aumentando os impostos que se relança a economia. É o "pogresso" na sua mais requintada forma.

     

    Resta-nos o Figo, o Mourinho e o Cristiano. E é um pau.

     

    António Borges de Carvalho


    [1] Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa Professor Doutor Anibal António Cvaco Silva.
  • Verdades e Mentiras

    Os nossos pais ensinaram-nos a respeitar a verdade. Mentir é feio, diziam. A verdade dá ao homem dignidade, altura, qualidade. Os mandamentos das bíblicas tábuas também para aí apontam, passando a verdade a ter valor teológico e a estar no caminho da Salvação.

    Pela vida fora, porém, vemos a verdade relativizar-se. Olhamos à volta e encontramos estranhas verdades, que o são para uns e não para outros. Damos com pessoas para quem a verdade é o que lhes convém. Até no sistema penal, o acusado é livre de perorar sobre a verdade que mais conveniente lhe for, o que se compreende mas torna a verdade coisa de somenos. Há verdades que o são hoje e deixam de o ser amanhã, ou que eram mentiras ontem e deixaram de o ser. Há verdades que merecem ter consequências, outras a quem não é conferido tal privilégio. Há coisas que são tidas por verdades, outras, iguaizinhas, que, à partida, são aceites como puras mentiras.

    O senhor Fernandes, por exemplo, disse na televisão, a propósito das declarações do doutor Sousa sobra a questão da TVI, que, finalmente, se sabia a verdade, isto é que o senhor Pais do Amaral, de opinião oposta à do Sousa, era um aldrabão da pior espécie. O senhor Fernandes escolheu a verdade que mais lhe interessava, e zás!, passou a ser mesmo verdade.

    Nos últimos dias, a alternadeira Salgado, filha de uma offshore, como dizem por aí aleivosas más-línguas, escreveu num livro umas coisas que diz serem verdades. Sê-lo-ão ou não, não interessa para o caso. O que interessa é que o povo, de Norte a Sul, se alimenta das verdades da alternadeira, e gasta milhões para as ler. Os poderes públicos, a começar por Sua Excelência o Procurador Geral da República, dão às verdades da alternadeira direito de cidade, tornam-nas motivo de indignação da República, e decidem investigá-las, o que, quer se queira quer não, dá dignidade e credibilidade às verdades da alternadeira.

    Muito bem.

    Aqui há uns anos, foi publicado um outro livro, desta vez escrito por um senhor que nunca foi alternadeiro, que ensinava em universidades e que até tinha sido ministro sombra do PS e chefe das relações internacionais da mesma organização. O senhor escrevia, sobre Mário Soares e seus amigos, as verdades que achava serem verdades. Ninguém ligou bóia ao homem. O principal atingido actuou, olimpicamente, como se nada fosse. O procurador geral da República manteve um silêncio sepulcral. A opinião pública borrifou no assunto.

    Ou seja, as verdades de um são tidas como podendo sê-lo, merecem investigação e produção de prova, as do outro são descartadas como óbvias mentiras.

     

    A verdade transformou-se numa batata, sem ponta por onde se lhe pegue. Mal de quem queira seguir os ensinamentos parentais, ou as bíblicas prescrições. É capaz de ser preso, ou de ir para o inferno.

     

    António Borges de Carvalho
  • Esta Lisboa de Outras Eras

     

    I

     

    Não jogo golfe nem percebo nada do assunto. Não direi, como Eisenhower, que o golfe é the best way to spoil a nice walk, nem farei críticas a quem o joga. Às vezes ouço uns porreiraços a falar golfês. Não percebo patavina. Confesso que a conversa me provoca uma espécie de condescendência caridosa, coitados, não há nada a fazer, são assim, e pronto.

    O golfe é jogado por salsicheiros ingleses e senhores portugueses, matronas holandesas e tias da Lapa. É um desporto democrático. Há até quem diga que o dr. Sampaio começou a pensar o golpe de estado num puting e o decidiu no buraco nove. E que a Alexandra Lencastre deu com os pés ao marido por ele falhar o buraco três. Aleivosias de  malandrins sem sombra de credibilidade. Repito-as aqui, como se compreenderá, para, veementemente, denunciar e condenar a irresponsabilidade da boataria.

    Reconheço que o campestre desporto deve ser um bom pretexto para estar com uns amigos, dizer umas piadas, dar umas passeatas e comer um bom almoço no aftermath da refrega. Neste aspecto, até tenho uma certa inveja. Lá para as américas, há uns tipos que ganham triliões com a coisa. Mais inveja tenho. Porque é que não nasci um Tiger Woods qualquer, mulatinho mas podre de bago?

     

    Possuído destes péssimos sentimentos, e vindo de Campo de Ourique, passava há dias pelas Torres das Amoreiras, onde trabalhei uma data de anos. Mesmo em frente, a fechar o green do depósito da companhia das águas, lado Nascente, uma construção estranha, nem bonita nem feia nem antes pelo contrário, dois andares de boxes ao jeito cavalar, umas casinhas – a meu ver bares e instalações sanitárias – e, ao longo das margens do herbáceo terreno, umas torres esquisitas, de ferro ou equivalente, aos quadradinhos.

    Veio-me à lembrança um velho e excelente companheiro de lutas empresariais, de seu nome Augusto Ramalho Rosa. A despropósito, no meio de uma reunião, num salão que havia no alto da Torre 2, ao olhar o abandono em que estava a cobertura do depósito, Ramalho Rosa disse-me que aquilo era o sítio ideal para um campo de putings(?), ou seja, para uns tipos darem umas cacetadas numas bolinhas, a fim de treinar para outras cacetadas mais ambiciosas. Achei a coisa inteligente, imaginativa, embora não a percebesse lá muito bem.

    Anos depois, a ideia aparecia construída. Ainda bem, pensei, há uns tipos que conseguem realizar coisas nesta cidade de pacóvios. E fiquei à espera de ver os porreiraços à porrada às bolinhas, à hora do almoço e depois de sair do escritório.

     

    Baldada espera. A coisa construíu-se, ficou prontinha, e nada! Hoje as boxes enferrujam, está tudo porco, a relva abandonada, as torres de ferro para ali, como dedos espetados de gigantes enterrados, a apontar para o espaço sideral. Resta a torreca do Aqueduto, ainda pintada (única torreca pintada, que as outras, fora do infeliz empreendimento, estão ao abandono, por certo vítimas do IPPAR), e pouco mais.

     

    Que terá acontecido?

    O que aconteceu, minhas senhoras e meus senhores, foi mais uma magnífica demonstração dos resultados da chamada democracia participativa, boutade constitucional de dramáticas consequências.

    Passo a explicar:

    Os promotores da coisa obtiveram, da companhia das águas, da câmara e das outras quatrocentas e vinte e duas organizações, públicas e privadas, com voto na matéria, as necessárias autorizações. Fizeram aprovar os trezentos e trinta e oito projectos que, naturalmente, são impostos. Obtiveram as respectivas licenças. Construíram a golfosa facility. Sujeitaram-se à oitocentas e setenta e duas vistorias que a lei postula. Tudo nos conformes, as boxes, as torres, as redinhas transparentíssimas que impediam que os passantes levassem como bolinhas no toutiço, os bares, as casas de banho, a casota do porteiro, os buracos, sei lá.

    E, no entanto, ao contrário do que diria Galileu, a coisa não se move. Não. Está parada, enferruja, há-de cair um dia sem que ninguém lhe acuda.

    Porquê?

    Porque, minhas senhoras e meus senhores, houve um abaixo assinado de uns moradores das torres, marqueses e patos-bravos, advogados e cavalheiros de indústria, embaixadores do terceiro mundo e artistas de variedades, comerciantes barrigudos e meninas esterlicadas, banqueiros e empreiteiros, a exigir à câmara o fim da abominável construção, cujas transparentíssimas redes impediriam as vistas do Tejo aos andares de baixo, dos quais talvez se visse, e continuaria a ver-se, uma nesguinha do dito. A câmara cedeu, não sei se de motu próprio se por intermédio de alguma providência cautelar, e lá se foi a alegria dos porreiraços, as cacetadas nas bolinhas, os púcaros no bar…

     

    Ficou a cidade com mais uma ruína, tão do agrado da filosofia triunfante, ainda há dias lapidarmente defendida pela dona Helena e pela dona Maria José na SIC Notícias.

    As pessoas elegem o Presidente, o Parlamento, mais a câmara, mais a junta. Legitimidade democrática. Legitimidade, mas pouco, que a “democracia” participativa está ali, para infirmar as decisões da outra, a liberal, coisa abominável para muita gente, do doutor Oliveira Salazar à dona Helena e ao camarada Jerónimo.

     

    Não se pense, nem por sombras, que a democracia participativa foi uma invenção de esquerdistas para legitimar os desmandos dos sindicatos e das comissões de moradores. Marqueses e patos-bravos, advogados e cavalheiros de indústria, embaixadores do terceiro mundo e artistas de variedades, comerciantes barrigudos e meninas esterlicadas, banqueiros e empreiteiros, são exactamente iguais aos tipos de PC, quando se trata de fazer barulho.

     

    O mais grave, minhas senhoras e meus senhores, é que as autoridades, no espírito, diga-se, de inelutáveis princípios constitucionais, cedem a esta gente, mesmo que, depois, venham a ter que pagar aos lesados monumentais indemnizações, saídas do bolso de todos nós, que não moramos nas Amoreiras, não jogamos golfe, nem temos nada a ver com o assunto.

     

    II

     

    Em tempos havia, em São Pedro de Alcântara, um lindíssimo miradouro, regalo de Lisboetas e turistas, que dele disfrutavam uma vista única sobre a cidade velha.

    Aqui há uns anos, não sei porque carga de água, começou a constar que o local estava num estado miserável, que era uma vergonha para todos nós, que precisava de obras de "requalificação", de urgente intervenção das autoridades (julgo que da câmara e do IPPAR) e que blá blá, pó pó, etc.

    Bom. Tratei de ir ver a coisa. O jardim estava mal tratado, é verdade, mas há algum jardim bem tratado em Lisboa? As esculturas precisavam de limpeza, mas há, em Lisboa, alguma que o não precise? Alguns bancos de pedra estavam semi-partidos, mas há algum jardim em Lisboa que não tenha bancos partidos? As árvores precisavem de umas podas, mas há alguma árvore em Lisboa que não precise de podas? As sargetas estavam entupidas, mas há alguma sargeta em Lisboa que não esteja entupida? Facto é que a vista se mantinha, que a sombra das árvores lá estava, que a balaustrada, algo ferrugenta, não deixava de dar para as pessoas se encostarem a ver a paisagem, que havia meninos e meninas aos beijinhos nos bancos, turistas a tirar fotografias, uma vendedeira de castanhas no honesto exercício do seu nobre mister, enfim, a coisa funcionava como a generalidade das coisas em Lisboa, isto é, funcionava mal, mas funcionava.

    Foi este, garanto, o resultado da minha facts finding trip.

     

    Fiquei contente por saber que as mui distintas autoridades se preparavam para "requalificar" o local, dando de barato a justeza da prioridade dada ao assunto.

    As obras começaram há cerca de dois anos. Desde logo, verifique-se o extremoso cuidado que as ditas autoridades, sejam elas quem forem, tiveram no planeamento da obra. Diriam os estúpidos como eu que a execução se deveria fazer em duas fases, isto é, que se devia pegar em metade do miradouro, tratá-lo, e depois passar à outra, a fim da não privar as pessoas, a cem por cento, do gozo da coisa. Nem pensar! Puzeram lá um tapume a impedir o acesso, uns contentores a dar cabo do trânsito, e pumba!, vai disto: partiram aquela porcaria toda, escavacaram o que lá havia, e pronto.

     

    Uns dois anos depois, lá está o tapume, os contentores, o jardim escavacado, um caos, uma merda. Não sei se as obras pararam por ter sido encontrada nos escombros alguma gravura fugida de Foz-Côa, se deram com as ossadas do Dom Fuas Roupinho, se o empreiteiro se zangou com a amante, se o Sá Fernandes intentou alguma acção popular, se o presidente da câmara se constipou, se quê. O que sei é que ninguém trabalha nas obras há meses e meses, que ninguém pode mais ver as vistas, que a senhora das castanhas assadas foi para o desemprego, que as meninas têm que procurar outro sítio para dar beijinhos aos meninos. Uma desgraça.

     

    Olhai, senhores, esta Lisboa de outras eras. Já não há cinco reis, já não há esperas, nem há toiradas reais. Já não há festas, nem seculares procissões, nem populares pregões matinais, que já não voltam mais. Nem há Jardim de São Pedro de Alcântara, nem miradouro, nem banquinhos de jardim, nem beijinhos, nem castanhas assadas. Vá-se lá saber porquê.

     

     

    III

     

    Ali mesmo ao pé, um machimbombo, que foi amarelo mas agora está submergido em cartazes, debruça-se perigosamente sobre a Calçada da Glória.

    Rezam os cartazes qualquer coisa do género "Elevador da Glória", "Gloria funicular", em reparação, "works".

    Também deve dizer desculpem a maçada, ou sorry for that, mas isso não me lembro de ter lido. Nem li mais, a coisa chateia-me e chatices já tenho com fartura.

    Encantado. Tudo bem. O problema é que o machimbombo está assim há mais de um ano.

    Com certeza preocupada com a eventualidade de algum bando de turistas cair de escantilhão pela encosta abaixo, ou prevendo que os tipos das obras do túnel do Rossio se enganem no buraco de modo a aparecer algum combóio da linha de Sintra no cruzamento da rua da Glória, junto ao sex-shop do Paladium, a Carris, sorry pela demora, parou o elevador há que eras, e pronto. Quem quiser que vá a pé, que é bom para a saúde, ou que se deixe de parvoíces, que isso de ir dos Restauradores à Misericórdia em cinco minutos não passa de pura estultícia.

    Talvez não tenha razão, e seja de presumir que a reparação do machimbombo se revista de altíssima complicação tecnológica.

    Da minha humilde tribuna, e sempre, sempre, numa postura colaborante, pro-activa, prospectiva e positiva (ai o português do sec. XXI!), sugiro que se contacte imediatamente o senhor Bill Gates, ou que se enquadre a coisa nos acordos om o MIT, a fim de obviar às dificuldades científicas com que, por certo, se debatem os engenheiros da Carris.   

     

    António Borges de Carvalho
  • Três Anedotas

    I

     

    Se me não falha a memória

    O primeiro Rei da História

    Foi um tal Afonso Henriques,

    Que pôs todos aos despiques

    E acabou logo co’as fitas

    Expulsando os Jesuítas.

     

    Depois veio um tal Carmona,

    Embaixador em Pamplona,

    Que of’receu um elefante ao Papa,

    Que morava então à Lapa

    E era filho do Alexandre Herculano

    Inventor do aeroplano.

     

    Eis duas estrofes de um fadinho brejeiro, sobre a História de Portugal, em tempos cantado em tascas e liceus, para gáudio da rapaziada. Tudo brincadeira, como é óbvio, e com uma certa graça.

     

    Hoje, dada a cultura histórica fornecida pelas escolas e a qualidade do consequente jornalismo, faz-se o mesmo, só que a sério e sem piada nenhuma.

    Segundo o semanário "SOL", o Martinho da Arcada abriu em 1822, em pleno reinado de Dona Maria Primeira, quando o Terreiro do Paço, por iniciativa de Pina Manique, era iluminado com candeeiros de… azeite.

    A Senhora Dona Maria Primeira deu a alma ao Criador em 1816. Entre esse triste acontecimento e a abertura do Martinho da Arcada, reinaram os Senhores Dom João VI, Dom Pedro IV, Dom Miguel I, Dona Maria II, Dom Pedro V e Dom Luís I. Não é certo que o bisavô do Intendente Pina Manique já fosse nascido no tempo da Senhora Dona Maria Primeira, a qual, por irrefutável fatalidade da natureza, jamais pôs a vista no citado intendente. Quanto à iluminação a azeite…   

     

     

    II

     

    A dona Fernanda Serrano, num arroubo místico, confessa-se "budista, católica e hindu".

    Imaginem a cena: a fulana, sentada no chão, pernões escancarados e pernas cruzadas, num nirvânico delíquio, contempla os trinta e dois braços de Shiva, pede a Visnú que lhe conserve os peitinhos, e reza uma Avé Maria não vá o resto não funcionar.

    Desta humilde tribuna, recomendo umas conchinhas para os orixás, uma visita à mãe-de-santo, umas leituras do Corão, umas benzeduras do reverendo Jackson e, porque não?, um rendez-vous com o Professor Karamba.

     

     

    III

     

    Pelo punho do Professor Sousa ficámos a saber que o insigne, ribombante e tonitruante secretário de Estado Magalhães (um que abandonou o barco do PC logo que as tropelias do senhor Gorbachev começaram a fazer adornar o “sol do mundo”, lembram-se?) é o feliz proprietário da melhor fazenda de Ilhéus, no Brasil, onde cultiva cacau clonado(!?). Ainda segundo o professor Sousa, o nosso diligente governante tem como colegas, naquela zona dos trópicos, os senhores Américo Amorim e João Vaz Guedes.

    Quem não conheça o professor Sousa poderá pensar que a notícia está cheia de veneno. Mas, conhecendo-o, e sabendo que o veneno não está (nunca esteve!) na ponta da sua caneta, haverá que tomar a notícia por boa e felicitar o senhor secretário, pela iniciativa e pela companhia.

     

    António Borges de Carvalho
  • Cinco Coelhos

    COELHO UM

     

    De seu nome Miguel. Aparatchik emérito, ficou célebre quando apresentou uma moção a exigir o "feixo"(sic) da CRIL. Para além disso, é o chefe do partido do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) em Lisboa. À segunda, vai votar Cavaco. Fez tudo o que podia para acabar com o túnel do Marquês. Depois recuou, já o aceita, mas só até à Castilho. Correu com um seu camarada da Câmara. Detesta o Carrilho, mas aguenta que é serviço. Há-de ser deputado até morrer. Quem se puzer à frente está frito.

     

     

    COELHO DOIS

     

    De seu nome Carlos. Aparatchik consagrado, especialista, dizem os admiradores, em carregar com a pasta dos ministros. Saíu da obscuridade pela mão amiga da dona Ana Gomes, com quem se associou em tarefas pidescas. Sonha com o colapso de George W. Bush. Frequentador habitual dos aviões da CIA, onde, dizem as más línguas, viajava de borla, testemunhou os desmandos dos americanos, que não tratavam os tipos da alcaida com a devida deferência. Ganhou clebridade global, constando que o Mendes se quer ver livre dele mas não tem guts que cheguem.

     

     

    COELHO TRÊS

     

    De seu nome Jorge. Aparatchik de altíssimo coturno, especialista em tiradas tonitruantes com grande sucesso junto das massas ignaras. Tendo-se remetido a uma semi-disponibilidade, dedica-se a expender opiniões anodinas e abstrusas. Foi ministro, não se lhe conhecendo obra, mas gabando-se-lhe a digna passagem ao esclarecimento das bases. Feroz adepto da OTA, foi substituído no partido pelo senhor Pinto de Sousa (Sócrates). Consta que está na maior.

     

     

    COELHO QUATRO

     

    De seu nome Pero. Aparatchik medieval, adorava matar Ineses, o que lhe deu um lugar lendário na história de Portugal. O seu coração foi deglutido com castanhas – à época não havia batatas – perante os emulados cortesãos do Senhor Dom Pedro.

     

     

    COELHO CINCO

     

    De seu nome À Caçadora. Pronuncia-se coâlho na mourama, e coêlho a partir das beiras.

    É um coelho bom, ao contrário de outros do mesmo nome.

    Antigamente, comia-se, acompanhado de tinto e de fadunchos, num sítio – logo a seguir à Calçada de Carriche, hoje pasto de mamarrachos – carramanchão e tudo, chamado Retiro do Caçador (a caçadora era a mulher do caçador).

     

    António Borges de Carvalho
  • O sono da razão

    Quando o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) era ministro do ambiente, avançou com a ideia da co-incineração. Havia demasiada porcaria industrial acumulada, era preciso acabar com ela.

    Achei bem. Cheguei a escrever uma carta ao lider da oposição (dr. Barroso), a recomendar-lhe que não se deixasse arrastar pelos gritos dos chamados ecologistas, pelas lamúrias demagógicas do senhor Alegre (de Melo Duarte, por parte do pai), que não desse ouvidos aos bailaricos dos presidentes de junta com as presidentes de câmara, enfim, a explicar-lhe que era preferível, guardadas certas cautelas, queimar os resíduos do que continuar a deixar por aí milhares de toneladas de perigosa trampa. Como é óbvio, e de timbre em Portugal, a minha carta não mereceu sequer um aknowledgement por parte do seu ilustre destinatário. Mas ficou dito, e a minha consciência tranquila.

    Foi-se o inefável Guterres, e com ele o Pinto de Sousa (Sócrates). Veio o dr. Barroso. Acabei por ter que lhe tirar o chapéu: o homem descobriu outro sistema qualquer que, levando aos mesmos resultados, parece que era mais limpo, ou coisa que o valha. Os municípios aceitavam, o preço, diz-se, era razoável, e até os ecologistas gostavam! A coisa entrou em preparação. Veio o dr. Santana Lopes, e força, para a frente é que é o caminho!

    Depois do golpe de Estado, o seu beneficiário (Pinto de Sousa – Sócrates) tratou de deitar tudo fora. Alto, que isto vai ser como eu quero! É a co-incineração, e acabou-se! Esta espantosa demonstração de teimosia, ou arrogância, ou estupidez, ou autoritarismo saloio – de que os portugueses tanto gostam – levou a que se deitasse no caixote do lixo o que já se tinha gasto com o sistema Barroso. As cimenteiras deram fogo à peça, isto é, começaram a queimar a trampa.

    Acho muito bem que se queime a trampa.

    A análise retrospectiva, prospectiva e hermenêutica desta importante matéria leva a concluir:

    a) que o importante não é desfazer-se da trampa;

    b) que o importante não é encontrar o melhor meio para se desfazer da trampa;

    c) que o importante é satisfazer as vontadinhas do senhor Pinto de Sousa (Sócrates);

    d) que se deitou ao mar uma pipa de massa;

    e) que as cimenteiras estão muito contentes;

     f) que o que for se verá.

     

    Já não sei quem dizia que “o sono da razão engendra monstros”. Mas sei que tinha toda a razão.

     

     

    António Borges de Carvalho
  • Bater no Santana continua a dar

    O que está a dar é muito importante, como dizia Caracala no Senado. Se não dizia, devia ter dito.

    Houve uma conspiração contra mim, dizia Santana Lopes no seu livro. Se não dizia, devia ter dito.

    É este o raciocíno de muita gente. Uma jornalista qualquer, no "Expresso" de Sábado, vem reafirmá-lo. Santana escreveu um livro a dizer que Marcelo, Sampaio e Cavaco conspiraram para o deitar abaixo.

    Dir-se-ia que, nesta altura do campeonato, já não valeria a pena andar a mexer nestas coisas, pelo menos sem ter lido o livro. Esta é a hipótese mais caridosa, uma vez que estou convencido de que a fulana leu o livro mas, porque o que está a dar, como dizia Caracala, é bater no Homem, a harpia tresleu o dito, a fim de dizer o que está a dar, e não o que lá está escrito. É o que se chama, em Portugal, independência dos jornalistas.

    Santana Lopes, para quem o ler, diz, e repete, e torna a dizer e a repetir, que não houve conspiração nenhuma, isto é, que os três macacões jamais se terão reunido, ou concertado, para combinar a sua queda. O que aconteceu, segundo Santana Lopes, foi que as acções dos seus principais inimigos foram determinantes para a queda do seu governo. O que é totalmente diferente de qualquer "teoria da conspiração".

    Mas, para a douta jornalista do "Expresso", o que foi escrito por Santana Lopes foi o que ela acha que devia ter sido escrito, não o que escrito foi. Na irrefutável lógica da mulher, se Santana Lopes não o escreveu, devia ter escrito. O que está a dar é o que é verdade. Como diria Caracala.

    Num exercício de futurologia, quiçá ilegítimo, atrevo-me a adiantar que a fulana, um dia destes, publicará um artigo a dizer que Marcelo nunca zurziu Santana, que houve contraditório e tudo, que Cavaco autorizou a sua fotografia no cartaz, junto aos outros PM’s do PSD, que o mesmo senhor jamais escreveu o premonitório[1] artigo da moeda má que expulsa a boa, que Sampaio não dissolveu a Assembleia, e que tudo não passa de vitimização e de invenção da teoria da conspiração por parte de Santana Lopes.

    Enfim, enquanto as verdades da mulher estiverem a dar, não há nada a fazer. Na certeza que, quando outra coisa estiver a dar, outra coisa a mulher escreverá.

     

    Como dizia Caracala no Senado.

     

    António Borges de Carvalho


    [1] O homem previu o futuro com exactidão. A moeda má (Pinto de Sousa, Sócrates) substituiu a boa (Santana Lopes). Como, à saciedade, mostram os tempos que correm.

  • Para Chipre, rapidamente e em força!

    Aqui há dias, dizia-me um holandês residente no Algarve que se ia mudar para… Chipre. Achei a coisa algo estranha. Chipre, uma ilha dividida, objecto de controvérsia política e de querela entre membros da NATO, arma de arremesso dos anti-Turquia da UE, causa de conflitos armados ainda não completamente arrefecidos… que ideia a tua!

    – Pois é, pá – respondia-me o fulano – isso é tudo muito bonito, mas a política, aos setenta anos, passa-me ao lado. Experimenta ver as coisas de outra maneira: Chipre tem um clima parecido com o do Algarve, que é o que ao Algarve me trouxe, tem uma rede de campos de golfe parecida com a do Algarve, que é onde, no Algarve, me entretenho, tem alguns sítios onde se vive como nos bons sítios do Algarve, que são onde, no Algarve, vivo, tem a mesma porcaria de empreendimentos urbanos, que são o que, no Algarve, me desagrada, os gregos de Chipre não são menos simpáticos que os algarvios, a comida é mais ou menos a mesma coisa…

    – Então, porque mudas? – interrompi.

    – Olha, meu filho, eu compro uma casa em Portugal, e ferram-me com o IMI. Eu trago o meu dinheiro para Portugal, e sacam-me trinta e cinco por cento. Em Chipre, dão-me incentivos fiscais para compra de casa e, se para lá mandar o meu dinheiro, cobram-me cinco por cento de IRS, como, aliás, a toda a gente. Portanto, em Chipre, não preciso de fazer ginástica fiscal. Pago alegremente os cinco por cento, e não penso mais no assunto. Estou sempre dentro da Lei, não preciso de um contabilista para me minorar a porrada, nem me vejo em ânsias, seja para defender o que é meu, seja para escapar às perseguições do fisco. Muito menos tenho que "colabrar" na resolução do problema do défice público, porque o Estado, por lá, não tem problemas desses…

     

    O meu conhecido punha o dedo numa velha ferida. A da justiça fiscal. A origem do problema está no entendimento socialista da "igualdade" de que falava a revolução francesa. Esta, postulava uma igualdade "perante a Lei". O socialismo, nas suas muitas e desvairadas versões, postula a igualdade tout court. E como a igualdade tout court é uma utopia perversa, todos, até o emigrante holandês, somos vítimas dela. Para o socialismo, há que nivelar. Quando se nivela, nivela-se por baixo. Para o socialismo, há que "igualar" o que é, por natureza, diferente. Quando se iguala, à maneira socialista, propugna-se o fim da mais enriquecedora das características humanas, a diversidade.

     

    Fiscalmente, a igualdade perante a Lei expressa-se no sistema a que o holandês vai passar a submeter-se. Se o holandês pagar cinco por cento, tendo um rendimento de um milhão, pagará cinquenta mil. Um cidadão que tenha um rendimento de cem, pagará cinco. Quem de mil gozar, pagará cinquenta. É a igualdade perante a Lei. É a justiça liberal.

    A igualdade tout court, entenda-se, a assumpção dessa igualdade como objectivo político e social, é caraterística de muitos países da nossa igualha – a maioria – em que o socialismo, mascarado de justiça social, de uma forma ou de outra, fez caminho. Gozando dela, o holandês paga, em Portugal, trezentos e cinquenta mil, o que ganha mil paga dez, o pobrezinho cinco. É a justiça de inspiração socialista. Para obter a "igualdade", diferencia-se. É o absurdo, o inhumano, em requintada expressão.

    É evidente que os cidadãos, pela simples razão de ser pessoas, tendem a resistir ao absurdo e ao inhumano. Assim, o holandês passa-se para Chipre, os portugueses, se não podem fazer parecido, dedicam-se às mais rebuscadas trafulhices, legais e ilegais, para fugir ao fisco. O fisco complica-se de tal maneira que a sua gestão de cobranças custa ao Estado somas incalculáveis, que a simplicidade fiscal pouparia. A economia estagna porque os seus agentes estão mais preocupados em saber como se poderão subtrair à voragem fiscal do que em fazer progredir as suas iniciativas. Os estrangeiros, como podem fazê-lo, deslocalizam-se. E por aí fora.

     

    A mentalidade socialista, do doutor Oliveira Salazar ao senhor Pinto de Sousa (Sócrates), passando pelo espantoso Gonçalves, é coisa de tal maneira encasquetada nas nossas mentes, que ultrapassá-la é um trabalho de gerações.

    Como fazê-lo, não sei. Mas sei que, pelo menos, é preciso ir falando no assunto.

     

    António Borges de Carvalho
  • A inteligência ao Poder!

    Lisboa está a ser objecto de uma notável operação de modernização. O município, generosa e inteligentemente, descobriu os radares! Os radares! E eu, que julgava que já havia disso por todos os lados! Sou uma besta!

    Atenda-se à minha desgraça. Há tempos, num domingo, seriam umas nove e meia da manhã, fui ao aeroporto. Gago Coutinho acima e abaixo, não havia vivalma. Soube-me bem, o silêncio, a paz de uma cidade adormecida. Devagar, pensava eu, fiz a viagem, para lá e para cá.

    Devagar uma ova! As distintas autoridades, que têm a perseguição das pessoas como principal característica da governação, estavam atentas. Através de um radar, julgo que móvel, mediram a velocidade e tiraram-me o retrato. As consequências destes arroubos tecnológicos foram devastadoras: calcule-se que, segundo a tenebrosa máquina, me deslocava à estonteante velocidade de noventa e dois quilómetros à hora! Como, no local, a velocidade administrativa é, seja em que circunstância for, de cinquenta(!!!), eis-me, já não sei se em ofensa grave se em flagrante e criminal delito. Pumba! Um balúrdio de multa e um mês sem carta. Toma que é para saberes.

    Escrevi ao digníssimo comandante da polícia. Que não havia qualquer espécie de trânsito, que a velocidade a que seguia era absolutamente inócua, blá, blá, blá. Devia ter escrito, mais que não fosse para meu consolo, que não é justo que, ao domingo de manhã, uns polícias, chateados por estar a trabalhar quando os outros descansam, se vinguem num desgraçado que não fez mal a ninguém. Não o fiz, e fiz mal. Porque a resposta seria a mesma. Um computador, missiva chapa quatorze, veio dizer-me que a Lei, blá, blá, blá, vá-se lixar.

    É com este tipo de inteligência que as distintas autoridades pensam educar os portugueses. Não percebem que, se a Lei é estúpida, as pessoas, que não a percebem, ou se esquecem dela ou fazem o que estiver ao seu alcance para a não cumprir.

    Para as distintas autoridades, a Lei não é só igual para todos, é também igualmente aplicável em todos os casos e em todas as circunstâncias. Um Porsche Carrera 4, novinho em folha, na auto-estrada, não pode ultrapassar os cento e vinte à hora. Exactamente o mesmo que se passa com um Fiat quinhentos com trinta anos de idade. Um tipo com três condenações por atropelamento está sujeito ao mesmo limite. Outro, que nunca foi, sequer, multado, está na mesma. Se a auto-estrada for óptima, com três faixas e raro tráfego, o limite é cento e vinte. Se estiver cheia de buracos, ou de lombas de má construção (olhem a CREL!), ou prenhe de movimento, o limite é cento e vinte. Se estiver bom tempo, o limite é cento e vinte. Se chover, ou nevar, o limite é cento e vinte. Para um chefe de família com trinta e dois anos, o limite é cento e vinte. Para uma velhinha de oitenta e cinco, o limite é cento e vinte.

     

    Xiça! Tanta estupidez toca as raias da loucura!

     

    Mas sosseguem os espíritos mais inquietos, pelo menos os de Lisboa. A câmara vai "implementar" (neologismo bacoco e analfabruto) um novíssimo sistema.

    A capital, seguindo os objectivos dos nossos bem amados PR e PM, moderniza-se!

    Portugal anda para a frente. Em tudo, menos em inteligência. 

     

    António Borges de Carvalho

     

     
  • Negócios

    O governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) vendeu a Penitenciária! Mas, atenção, meus senhores, não a vendeu a algum criminoso privado, entenda-se criminoso por não ser público, vendeu-a, sim, à Parpública, uma coisa nebulosa que detem participações do Estado, tão pública como indica o nome.

    São uns artistas, estes rapazes. Eles vendem, mas, para que não se fale em receitas extraordinárias, nem em horríveis, corruptas e condenáveis “privatizações”, mascaram a venda metendo-se a si próprios no meio. Genial.

     

    Imagine-se o que seria o coro das nobres gentes se uma coisa destas tivesse acontecido antes do consulado socraticoide. O governo disfarçava o défice com mais uma manobra contabilística, fazia negócios consigo próprio para disfarçar mais uma cedência ao lóbi do betão, o qual, obviamente, estava por trás da geringonça, ávido de lucros, garras de fora, à espera de mais esta dádiva do tenebroso capitalismo. A coisa seria apodada de “trapalhada”, de desvario de uma direita fascizante, de mais um criminoso golpe contra o Estado e o Povo. Pedir-se-ia a queda imediata do governo, pôr-se-ia a coisa em tribunal, haveria dezassete providências cautelares a entrar nos Tribunais. A imprensa tonitruaria aleivosias. O senhor Lima, no Expresso, compararia Santana Lopes a Pinochet. O senhor Fernandes, na Câmara e na RTP, ribombaria acusações de corrupção e compadrio. O senhor Telles diria que se estava a pôr em risco uma jóia inigulável do nosso património construído. O PS descobriria uma zona húmida no alto de Campolide. O PC faria queixa ao Tribunal Europeu. A dona Ana Gomes fundaria uma comissão de inquérito. O dr. Sampaio chamaria o dr. Rebelo de Sousa a Belém.

     

    E, no entanto, nada aconteceu. O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) fez exactamente, rigorosamente, o que qualificaria de hediondo crime se fosse feito pelo deu antecessor.

     

    Tavez seja cedo, mas facto é que, até agora, nem um comentário, nem uma palavra se ouviu a este respeito. Pode ser que me engane, mas tenho a impressão que a coisa é capaz de passar à margem de críticas.

     

    O Irritado seguirá o assunto com a devida atenção.

     

    António Borges de Carvalho

     
  • O Crime do Rivoli

    O dr. Rui Rio resolveu contratar, após concurso público, a exploração do Teatro Rivoli (v. post de 20.10.06) com o senhor Filipe la Féria.

    Magno crime! Unanimemente, as forças de esquerda, indignadas, protestam. Que o concurso não sei quê, que o serviço público blá blá, que os interesses escondidos pó pó. A argumentação expendida pelas distintas personalidades de serviço vai da escapatória burocrática ao dislate ideológico, tudo inspirado nos dogmas da excelência de tudo o que é público e da criminalidade inerente ao que privado for.

    A plêiade de esquerdoides heróis defende essa maravilha do socialismo que se expressa em salas vazias a assistir a masturbações intelectuais de esquerdoides artistas. Não interessa que o senhor la Féria venha de há anos demonstrando à saciedade que é possível atrair as pessoas para espectáculos que, sendo discutíveis, estão longe de ser estúpidos. Não interessa que a exploração do Rivoli passe a ter pés para andar. Não interessa que os portuenses se divirtam. Não interessa que a Câmara passe a poupar, ou a ganhar, com a coisa. Não. Três preocupações a assaltam: a) que a hordas de inúteis “criadores” – seus putativos eleitores – que se comprazem em chatear os espectadores continuem a chatear à vontade; b) que a vida do governo da CMP se torne o mais difícil e complicada possível; c) que os contribuintes paguem a boa vidinha dos chatos.

    Não é esta a filosofia da esquerda em geral e do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) em particular? O que está em vigor não é exactamente isso de pôr o que é privado – as pessoas – a pagar com língua de palmo os desmandos financeiros, as asneiras e a ineficácia do que é público – o Estado?

     

    Àqueles que ainda têm alguma esperança nesta gente recomenda-se que abram os olhos. O exemplo do Rivoli não será muito importante, mas, na sua simplicidade, é fácil de perceber.

     

    António Borges de Carvalho
  • Analfabrutos!

    Ontem, por mero acaso, entrou-me em casa um programa da RTP destinado ensinar português às pessoas. Nobre tarefa.

    Vi uns minutos daquilo. Fiquei com uma fúria de tal ordem, que foi preciso a família agarrar-me para evitar que atirasse o aparelho pela janela fora.

    Então não é que um fulano, ao que me disseram um actor em tempos nas bocas do mundo por razões eventualmente mesquinhas, vem dizer às pessoas que o plural de Pai Natal é pais natais? E esta, hem?

    Acrescentou o referido intelectual de esquerda que assim era porque, sendo Pai um substantivo e Natal um adjectivo, e tendo o adjectivo que concordar com o substantivo que qualifica, se um está no plural, ao outro tem que suceder o mesmo.

    Admito que o actor não seja mais que isso, isto é, que esteja ali para debitar um texto qualquer que lhe puzeram à frente. O que não posso admitir é que os gramáticos ao serviço da RTP não saibam, nem que natal é um substantivo, nem o que é um substantivo composto, nem que os substantivos compostos não acabaram quando aboliram os tracinhos.

    Não vale a pena entrar em considerações que o caso não merece. Compreende-se, mesmo não gostando, que a Língua se vá transformando por influências diversas, às vezes catastróficas, e que, na rua, nos jornais, nas televisões, se ouçam e leiam as mais desvairadas novidades e asneiras.

    Mas que a asneira e a ignorância sejam proclamadas, em “serviço” público, como a máxima das correcções, meus amigos, nem à porrada!

     

    António Borges de Carvalho
  • Cinco Sacos

    Debate alfacinha (Prós e Contras – RTP1):

     

    O Carrilho – Um saco de vento

                Coitado! Se eu fosse capaz de ter pena do homem, estava tristíssimo. Ainda não

                conseguiu perceber, nem onde está, nem o que anda para ali a fazer.

     

    O Carvalho – Um saco de ignorância

                Tonitruante estalinista, fica bem ao lado do Carrilho. Diz umas patacoadas

                demagógicas sobre o orçamento, mostrando à saciedade que não sabe

                ler números.

     

    O Fernandes – Um saco de trampa.

                Moralista de serviço, de inspiração louçónico-ribeirotelista. Com as palermices

                sobre o túnel, causou à cidade muitos milhões de prejuízo.

                Pagar? Que ideia! A moral dele só se aplica a terceiros.

     

    A Dona Maria José – Um saco de importância.

                Única espertalhona do naipe. Arranjou a bandeira da reabilitação da Baixa,

                encheu-se de vapor, e trata da vidinha. A cidade é o menos, preciso é arranjar

                um bom lugar na bicha do CDS.

     

    O Carmona – Um saco de sorte.

                À boleia dos nabos, safou-se. Quando já ninguém dava um chavo por ele, lá foi,

                de mansinho, esperneando. O pior é que a malta continua a torcer os pés nos

                buracos dos passeios e já não acredita em nada.

     

    Pobre Lisboa!

     

    António Borges de Carvalho
  • Originalidades

    Para além dos descobrimentos, o sistema político das autarquias é o mais original contributo dos portugueses para a civilização ocidental. As nossas Câmaras devem ser as únicas instituições do mundo em que, após eleições, a oposição fica… no poder!!!

    Bem podem os senhores vereadores da oposição vociferar que não têm ordenado. Pois é, mas, sentados no governo, ganham senhas de presença para votar… contra o governo!

    Só em Portugal! Minto. No Líbano, o Ezebolá também quer estar no poder. Eleições? O que é isso?

     

    António Borges de Carvalho
  • As consequências da Carolina

    Já muito se disse e escreveu, muito se dirá e escreverá, sobre as “memórias” da Excelentíssima Senhora Dona Carolina Salgado. Pela minha parte, já pus o fedorento assunto no caixote do lixo, sem ofensa para o dito caixote, nem para o restante lixo.

    Uma nota, porém, e bem inquietante, merece o que veio a lume sobre a reacção de Sua Excelência o Procurador Geral da República. Recém empossado, o senhor parece não ter aprendido nada com os problemas do seu ilustre antecessor, coitado, que metia os pés pelas mãos cada vez que vinha a público, armado em político.

    Excitadíssimo com o livro da alternadora, o PGR tratou de pôr as suas tropas em campo, o que se podia compreender, se ao caso fosse dada a dimensão que merece, ou reconhecida a natureza que tem. Mas não. Sua Excelência tratou de publicitar, urbi et orbe, as suas decisões, bem como as movimentações das tropas no terreno. Ou seja, ao contrário da contenção e da discrição que deveria caracterizar o seu trabalho, o PGR vem para os jornais fazer a sua publicidadezinha.

    Mau começo, Senhor Procurador. Não tarda está na fossa, como o outro.  

    António Borges de Carvalho
  • Obrigado, Doutora Maria!

    O meu coração rejubila de justa alegria. Maravilha das maravilhas, a Doutora Maria é de centro-esquerda! Oh! As almas portuguesas, há tantos anos nas trevas da ignorância, são, finalmente, objecto da luz intensa que se desprende das palavras esclarecidas e esclarecedoras de tão ilustre personalidade.

    Nós, pobres de nós, que nunca tínhamos ouvido a verdade, que jamais tínhamos tido a dita de ouvir uma palavra sobre os profundos pensamentos de tão insigne mente, que vivíamos como que obliterados de uma parte do verdadeiro conhecimento, do que ilumina, do que distingue, do que enobrece, que não sabíamos o que se passava no mais profundo âmago da resplendente alma, tivemos a dita de sobre nós recaír, como divina unção, enfim liberta de peias, a palavra ilustre da ilustre cidadã.

    Obrigado! Mil vezes obrigado!

    Andou a Grei, anos e anos, a estribar-se em enganadores factos e acontecimentos e, a partir deles, a fazer injustos juízos, ilegítimas suposições, enganadoras inferências.

    Sim, ó cidadãos do meu país, vós que heis visto o esposo da Doutora Maria ser ministro do primeiro Governo que combateu e derrotou a esquerda depois da Revolução dos Cravos, que o heis observado a odiar a política, pasto de esquerdismos, e a não se candidatar ao Parlamento, assim desafiando o seu já defunto chefe, que assistísteis ao seu percurso de oposição ao socialismo e o heis feito triunfar sobre a esquerda e chegar a Primeiro Ministro, vós que testemunhásteis a sua derrota perante o candidato da esquerda e o vísteis, dez anos depois, retirar justa desforra sobre, não um, mas três candidatos da mesma igualha, como pudésteis imaginar que ele não fosse de esquerda? Mais. Como pudésteis conceber que a sepulcral quão silenciosa pudicícia da sua fiel esposa quisesse dizer que não era de esquerda?

    Estais agora, assim o espero, devidamente esclarecidos. Numa atitude de respeito pelos cidadãos, respeito que, por ser burros, nem sequer merecem, a Doutora Maria veio pôr os pontos nos is. Ao ponto de sugerir, coitada, que teve alguns incómodos políticos durante a segunda República. Que generosidade a sua! E que estremosa companhia faz ao seu ilustre esposo, na diária labuta em prol do Governo de esquerda, governo que lhe cumpre, não observar, mas apoiar, por pensamentos, palavras e obras!

    O exemplo do doutor Freitas do Amaral, bíblica inspiração, floriu, frutificou, multiplicou-se, como vedes.

    É desta massa que se fazem os grandes portugueses.

    Ah! Como os admiro!

     

    António Borges de Carvalho
  • Ontem e hoje

    Uma senhora, rapariga nova, com ar de executiva, toda ela pràfrentex, camisa e blazer à homem (ficava-lhe bem, diga-se sem favor), toda desembaraçada, ao que julgo secretária de estado, apareceu em frente do Crespo da SIC Notícias, a dizer umas coisas sobre a história dos deficientes, velhinhos e quejandos, a quem o socraticóide governo se prepara para presentear com uns cortezitos no rendimento, seja por via fiscal, seja por malandrices várias em sede de segurança social.

    Coisa de somenos, defendia a rapariga. E lá foi espraiando os argumentos que quis, que o Crespo, honra lhe seja, é um entrevistador com pés e cabeça, não uma burra pretenciosa como as suas colegas de serviço aqui e ali, que passam a vida a interromper as pessoas com perguntas estúpidas e não deixam ninguém dizer de sua justiça até ao fim.

    A senhora foi falando, falando. O Crespo, de vez em quando, dava-lhe um apertãozinho. A senhora ia ficando cada vez mais atrapalhada, até que… meu Deus, até o Crespo ficou gago, banzo, quadrupetizado: a senhora declarou, nem mais nem menos, que 20% (vinte por cento) dos velhotes cá do sítio têm pensões de mais de 10.000,00 (dez mil euros- dois mil contos) por mês, e por isso não merecem outra coisa senão ser penalizados!

    O Crespo ainda tentou que a rapariga esclarecesse melhor esta matéria, mas tinha ficado tão estúpido – coitado, como eu o compreendo – que nem coragem teve para levar a coisa até onde devia.

    Imagine-se a tempestade político-mediática que um acontecimento destes teria causado nos bons tempos de Santana Lopes: haveria 14 primeiras páginas a acusar o governo de ser doido e aldrabão, o Marcelo passaria cinco sessões, pelo menos, a invectivar o Primeiro Ministro, o dr. Sampaio chamaria a Belém sete ministros, três líderes partidários, dois generais, o Carvalho da Silva e o outro da UGT, no Rossio montava-se uma banca para recolher assinaturas de cidadãos indignados, a drª Maria José publicava uma diatribe na Nova Gente e o dr. Machete pedia o reforço do presidencialismo, já!

    Nos desgraçados tempos em que hoje vivemos, a senhora, toda fataça, pode dizer o que muito bem lhe vier à cabeça. A esquerda, a direita, a “informação”, o Primeiro Ministro, a oposição, o Bernardino, o Marcelo, o sindicato dos juízes, os passeantes da tropa, tudo minha gente, se baba de ternura perante estas coisas.

    Os velhinhos, os doentes, os deficientes, esses, porque são velhinhos, doentes e deficientes, não podem fazer manifestações. Que se tramem, que nem no caixote do lixo dos Marcelos têm lugar.

     

    António Borges de Carvalho
  • Fora o Pereira, pimba, pum!

    Um dia, estava eu em São Tomé, cidade capital, apareceu por lá o Primeiro Ministro, doutor Cavaco Silva. Na comitiva, levava um histrião, de nome Pereira, que viria a ser a estrela de um espectáculo que a comitiva portuguesa oferecia ao povo local.

    Não conhecia o tal Pereira, nem nunca lhe tinha posto a vista em cima.

    Por dever de ofício, lá fui ver o espectáculo. O Pereira, em vez de se limitar a debitar umas cantigas, coisa para que era pago, resolveu, extra-programa, botar discurso. Frente às autoridades locais e à comitiva do nosso Primeiro Ministro, desatou numa arenga tão paternalisticamente paternalista quão estupidamente estúpida. Disse tudo o que se não devia dizer numa ocasião daquelas. Poderia pensar-se que o tipo tinha alguma intenção política subjacente ao que dizia. Mas não, o fulano era tão bronco que achava que estava a dizer coisas certíssimas, que mui bem recebidas seriam. Houve um sururu na assistência, há quem diga que o PM pediu desculpa ao Presidente local, e as coisas ficaram por ali.

    Nunca esquecerei a vergonha que senti.

     

    Quando Santana Lopes resolveu meter o Pereira no Parlamento, achei que se tratava de um erro imperdoável. Mas, enfim, podia ser que o fulano, passado um bom par de anos, tivesse feito algum upgrading ao QI ou, com a idade, tivesse ganho algum bom senso, ou ainda que alguém lhe tivesse dado umas lições de boas maneiras, coisa para a aprendizagem da qual se não exige uma inteligência por aí além.

    Baldada esperança.

     

    Sua Alteza Real o Duque de Bragança, Senhor Dom Duarte, por ocasião do 1º de Dezembro, deu uma entrevista a um jornal. Disse coisas com que concordo a cem por cento, outras não tanto, como é natural. Mas foi, para todos os portugueses, uma aparição pública de altíssima dignidade.

    Para todos, menos para o Pereira. O Pereira veio à liça, ao que diz em representação do PPM (pobre PPM!),  dizer cobras e lagartos do “sr. Duarte”. A besta dá-se ao luxo de pôr em dúvida a legitimidade de Sua Alteza. Dá-se ao luxo de votar contra a representatividade histórica da Família Real. E, como girândola que muito o honra, diz que, na Assembleia, se farta de trabalhar a tratar da lei do caravanismo. Afinal, sempre há quem o meta onde merece. Só é pena que não o metam numa caravana e não o mandem pentear macacos para o raio que o parta.

     

    António Borges de Carvalho

     
  • Marcadamente de ESQUERDA

    Há um senhor, baixote, de barbicha mefistofélica, que se dedica à nobre actividade de cortar nas pensões do povo, de pôr os velhinhos, deficientes e doentes terminais a pão e laranjas, e de coarctar a liberdade dos jóvens de prover ao seu futuro como entenderem. O homem aparece quase diariamente na televisão, a anunciar as suas generosas medidas sociais. É uma aparição terrível, que faz tremer as pessoas. Ao vê-lo, quem não pensa: é desta? É hoje que o gajo me vai sacar mais algum?

    Chama-se Vieira da Silva e é ministro não sei de quê.

    A seu lado no ècran, ou melhor, um pouco atrás e um pouco à esquerda, ou à direita, está sempre, a espreitar para a câmara, uma espécie de fantasma, um indivíduo sem boca, de olhar mortiço, cuja função (julgava eu), é exactamente essa: compôr as aparições do chefe, enquadrar a imagem, dar à coisa um ar mais temível, como que de uma espécie de antecâmara de missa de corpo presente ou de cena do purgatório em versão socraticóide. Com a presença do fulano, os anúncios do outro ficam mais realistas, tomam um ar de maldição inelutável, infundem nas almas o terror e o tremor necessários à aceitação sem resistência das bordoadas da barbicha.

    O "Sol" veio, porém, iluminar o meu conhecimento da verdadeira natureza deste espreitador inveterado de lares com televisão. O homem é secretário de estado do barbichóide ministério.

    Estou-lhe grato. É que, na entrevista que deu ao "Sol", veio dar preciosos esclarecimentos. Afinal, ao contrário do que há quem diga, este governo é, nas palavras sabedoras e esclarecidas do fantasma, "marcadamente de esquerda". Eu, que sempre pensei assim, que nunca tive, a este respeito, qualquer sombra de dúvida, não posso deixar de agradecer. Ainda bem que o ilustre senhor o vem dizer, do alto das altas responsbilidades que lhe estão cometidas.

    O governo Pinto de Sousa (Sócrates) vai zurzindo as pessoas com nefastos cortes, mentiras desavergonhadas e projectos malucos. É acusado, pelos partidos comunistas, de "fazer política de direita". Sem um protesto, a direita, com a inteligência que, desgraçadamente, a caracteriza, deixa passar. O senhor Pinto de Sousa (Sócrates), espertalhão, deixa passar. Mais tarde, poderá pôr as culpas dos seus desmandos para a direita: foi tal a situação em que me deixaram, que não tive outro remédio senão meter o socialismo na gaveta. Estão a ver? Um fartote: o que correr bem, venha a meu crédito e ao do socialismo; o que correr mal, a culpa é da direita. Genial!

    Por isso que seja de agradecer ao espreitador de ècrans o ter vindo, finalmente, pôr as coisas no sítio. O governo é marcadamente de esquerda, as medidas que vai tomando, ou ditatoriais ou megalómanas, são marcadamente de esquerda, a floresta de enganos em que mergulhou o país é marcadamente de esquerda, o abismo a que está a conduzir-nos é marcadamente de esquerda.

    Bem hajas, ó fantasma dos ècrans! No meio de tanta mentira, tiveste a coragem de dizer a verdade.

     

    António Borges de Carvalho