O que está a dar é muito importante, como dizia Caracala no Senado. Se não dizia, devia ter dito.
Houve uma conspiração contra mim, dizia Santana Lopes no seu livro. Se não dizia, devia ter dito.
É este o raciocíno de muita gente. Uma jornalista qualquer, no "Expresso" de Sábado, vem reafirmá-lo. Santana escreveu um livro a dizer que Marcelo, Sampaio e Cavaco conspiraram para o deitar abaixo.
Dir-se-ia que, nesta altura do campeonato, já não valeria a pena andar a mexer nestas coisas, pelo menos sem ter lido o livro. Esta é a hipótese mais caridosa, uma vez que estou convencido de que a fulana leu o livro mas, porque o que está a dar, como dizia Caracala, é bater no Homem, a harpia tresleu o dito, a fim de dizer o que está a dar, e não o que lá está escrito. É o que se chama, em Portugal, independência dos jornalistas.
Santana Lopes, para quem o ler, diz, e repete, e torna a dizer e a repetir, que não houve conspiração nenhuma, isto é, que os três macacões jamais se terão reunido, ou concertado, para combinar a sua queda. O que aconteceu, segundo Santana Lopes, foi que as acções dos seus principais inimigos foram determinantes para a queda do seu governo. O que é totalmente diferente de qualquer "teoria da conspiração".
Mas, para a douta jornalista do "Expresso", o que foi escrito por Santana Lopes foi o que ela acha que devia ter sido escrito, não o que escrito foi. Na irrefutável lógica da mulher, se Santana Lopes não o escreveu, devia ter escrito. O que está a dar é o que é verdade. Como diria Caracala.
Num exercício de futurologia, quiçá ilegítimo, atrevo-me a adiantar que a fulana, um dia destes, publicará um artigo a dizer que Marcelo nunca zurziu Santana, que houve contraditório e tudo, que Cavaco autorizou a sua fotografia no cartaz, junto aos outros PM’s do PSD, que o mesmo senhor jamais escreveu o premonitório[1] artigo da moeda má que expulsa a boa, que Sampaio não dissolveu a Assembleia, e que tudo não passa de vitimização e de invenção da teoria da conspiração por parte de Santana Lopes.
Enfim, enquanto as verdades da mulher estiverem a dar, não há nada a fazer. Na certeza que, quando outra coisa estiver a dar, outra coisa a mulher escreverá.
Como dizia Caracala no Senado.
António Borges de Carvalho
[1] O homem previu o futuro com exactidão. A moeda má (Pinto de Sousa, Sócrates) substituiu a boa (Santana Lopes). Como, à saciedade, mostram os tempos que correm.

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