O dr. Rui Rio resolveu contratar, após concurso público, a exploração do Teatro Rivoli (v. post de 20.10.06) com o senhor Filipe la Féria.
Magno crime! Unanimemente, as forças de esquerda, indignadas, protestam. Que o concurso não sei quê, que o serviço público blá blá, que os interesses escondidos pó pó. A argumentação expendida pelas distintas personalidades de serviço vai da escapatória burocrática ao dislate ideológico, tudo inspirado nos dogmas da excelência de tudo o que é público e da criminalidade inerente ao que privado for.
A plêiade de esquerdoides heróis defende essa maravilha do socialismo que se expressa em salas vazias a assistir a masturbações intelectuais de esquerdoides artistas. Não interessa que o senhor la Féria venha de há anos demonstrando à saciedade que é possível atrair as pessoas para espectáculos que, sendo discutíveis, estão longe de ser estúpidos. Não interessa que a exploração do Rivoli passe a ter pés para andar. Não interessa que os portuenses se divirtam. Não interessa que a Câmara passe a poupar, ou a ganhar, com a coisa. Não. Três preocupações a assaltam: a) que a hordas de inúteis “criadores” – seus putativos eleitores – que se comprazem em chatear os espectadores continuem a chatear à vontade; b) que a vida do governo da CMP se torne o mais difícil e complicada possível; c) que os contribuintes paguem a boa vidinha dos chatos.
Não é esta a filosofia da esquerda em geral e do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) em particular? O que está em vigor não é exactamente isso de pôr o que é privado – as pessoas – a pagar com língua de palmo os desmandos financeiros, as asneiras e a ineficácia do que é público – o Estado?
Àqueles que ainda têm alguma esperança nesta gente recomenda-se que abram os olhos. O exemplo do Rivoli não será muito importante, mas, na sua simplicidade, é fácil de perceber.
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário