Ontem, por mero acaso, entrou-me em casa um programa da RTP destinado ensinar português às pessoas. Nobre tarefa.
Vi uns minutos daquilo. Fiquei com uma fúria de tal ordem, que foi preciso a família agarrar-me para evitar que atirasse o aparelho pela janela fora.
Então não é que um fulano, ao que me disseram um actor em tempos nas bocas do mundo por razões eventualmente mesquinhas, vem dizer às pessoas que o plural de Pai Natal é pais natais? E esta, hem?
Acrescentou o referido intelectual de esquerda que assim era porque, sendo Pai um substantivo e Natal um adjectivo, e tendo o adjectivo que concordar com o substantivo que qualifica, se um está no plural, ao outro tem que suceder o mesmo.
Admito que o actor não seja mais que isso, isto é, que esteja ali para debitar um texto qualquer que lhe puzeram à frente. O que não posso admitir é que os gramáticos ao serviço da RTP não saibam, nem que natal é um substantivo, nem o que é um substantivo composto, nem que os substantivos compostos não acabaram quando aboliram os tracinhos.
Não vale a pena entrar em considerações que o caso não merece. Compreende-se, mesmo não gostando, que a Língua se vá transformando por influências diversas, às vezes catastróficas, e que, na rua, nos jornais, nas televisões, se ouçam e leiam as mais desvairadas novidades e asneiras.
Mas que a asneira e a ignorância sejam proclamadas, em “serviço” público, como a máxima das correcções, meus amigos, nem à porrada!
António Borges de Carvalho

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