É hábito de socialistas, e não só, louvar a organização, o "pogresso" (como diria SEPIIIRPPDAACS[1]) dos países nórdicos, as delícias da social-democracia, a protecção social, enfim, a felicidade da viquingagem. Nada contra. Cada um louva o que gosta. O distinto pessoal tem por norma esquecer-se, por exemplo, de que, no auge do socialismo sueco, havia cinco por cento da economia nas mãos do estado, tudo o resto era liberal. Um pormenor de somenos.
O distinto pessoal esquece-se sempre de que, na Dinamarca (em toda a Europa, o número dois em produtividade), não há qualquer sombra do que aqui se chama "estabilidade de emprego". Um emprego, por lá, é uma forma de ganhar dinheiro, um passo na carreira de cada um, um degrau que, em princípio, se sobe. Ninguém se casa com o patrão. Este manda o empregado às urtigas sempre que lhe apetece. O empregado, por seu lado, sai quando lhe dá na realíssima gana, e vai à procura do que mais lhe agrade. É comum, normal, natural, um tipo chegar ao fim da vida útil com dez ou vinte empregos no bucho. O contrário é que é estranho. Os sindicatos colaboram com os patrões para aumentar a produtividade e, se a empresa abana, tratam de estudar a forma da a fazer deixar de abanar.
Por isso, sim, não tenhamos dúvidas de que é por isso, ainda que não só por isso, a economia cresce, as ideias tomam forma, os produtos são do melhor, toda a gente paga os impostos e goza dos resultados.
Por cá, a religião é outra. Inspirados pelas repúblicas (a primeira, a segunda e a terceira), pela francesia e pela Constituição, o sonho do portuga é estiolar num empregozinho, mesmo que ordinário, e por lá se deixar ficar até que a morte sobrevenha. A produtividade é a mais baixa da Europa – Europa a 12, a 15, a 25, e não tarda que a 27 – e o governo acha que é aumentando os impostos que se relança a economia. É o "pogresso" na sua mais requintada forma.
Resta-nos o Figo, o Mourinho e o Cristiano. E é um pau.
António Borges de Carvalho
[1] Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa Professor Doutor Anibal António Cvaco Silva.

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