IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


Fora o Pereira, pimba, pum!

Um dia, estava eu em São Tomé, cidade capital, apareceu por lá o Primeiro Ministro, doutor Cavaco Silva. Na comitiva, levava um histrião, de nome Pereira, que viria a ser a estrela de um espectáculo que a comitiva portuguesa oferecia ao povo local.

Não conhecia o tal Pereira, nem nunca lhe tinha posto a vista em cima.

Por dever de ofício, lá fui ver o espectáculo. O Pereira, em vez de se limitar a debitar umas cantigas, coisa para que era pago, resolveu, extra-programa, botar discurso. Frente às autoridades locais e à comitiva do nosso Primeiro Ministro, desatou numa arenga tão paternalisticamente paternalista quão estupidamente estúpida. Disse tudo o que se não devia dizer numa ocasião daquelas. Poderia pensar-se que o tipo tinha alguma intenção política subjacente ao que dizia. Mas não, o fulano era tão bronco que achava que estava a dizer coisas certíssimas, que mui bem recebidas seriam. Houve um sururu na assistência, há quem diga que o PM pediu desculpa ao Presidente local, e as coisas ficaram por ali.

Nunca esquecerei a vergonha que senti.

 

Quando Santana Lopes resolveu meter o Pereira no Parlamento, achei que se tratava de um erro imperdoável. Mas, enfim, podia ser que o fulano, passado um bom par de anos, tivesse feito algum upgrading ao QI ou, com a idade, tivesse ganho algum bom senso, ou ainda que alguém lhe tivesse dado umas lições de boas maneiras, coisa para a aprendizagem da qual se não exige uma inteligência por aí além.

Baldada esperança.

 

Sua Alteza Real o Duque de Bragança, Senhor Dom Duarte, por ocasião do 1º de Dezembro, deu uma entrevista a um jornal. Disse coisas com que concordo a cem por cento, outras não tanto, como é natural. Mas foi, para todos os portugueses, uma aparição pública de altíssima dignidade.

Para todos, menos para o Pereira. O Pereira veio à liça, ao que diz em representação do PPM (pobre PPM!),  dizer cobras e lagartos do “sr. Duarte”. A besta dá-se ao luxo de pôr em dúvida a legitimidade de Sua Alteza. Dá-se ao luxo de votar contra a representatividade histórica da Família Real. E, como girândola que muito o honra, diz que, na Assembleia, se farta de trabalhar a tratar da lei do caravanismo. Afinal, sempre há quem o meta onde merece. Só é pena que não o metam numa caravana e não o mandem pentear macacos para o raio que o parta.

 

António Borges de Carvalho

 


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