IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DE NOVO, A CENSURA

     

    Uns senhores psiquiatras forenses, reunidos em concílio, resolveram protestar contra a decisão dum tribunal de entregar a menina Esmeralda ao respectivo e diligente papá. Os clínicos em causa, após aturadas observações, resolveram opinar que não senhor, a criancinha devia ser entregue ao sargento que a criou.

     

    Esta expressão de opinião desencadeou uma tempestade. Ou duas.

     

    A douta Ordem dos médicos resolveu desautorizar os colegas, porque não tinham submetido a sua opinião ao julgamento da organização.

    Ficamos a saber que, se um médico nos receitar umas aspirinas, a receita não é válida a não ser que seja submetida à homologação da Ordem. Mais. Ficamos a saber que os médicos, mesmo que em colégio, não podem emitir, publicamente, qualquer espécie de parecer profissional, a não ser que o distinto bastonário assim o deseje. Poderá dizer-se que os pareceres médicos são confidenciais e que os médicos não podem revelar a terceiros os seus diagnósticos. Mas não foi por aqui que a veneranda Ordem atacou. Fê-lo porque não tinha sido ouvida, isto é, se a tivessem ouvido, os psiquiatras já podiam, sem peias, revelar as suas opiniões. Pelo que se trata, não de homologar pareceres, mas de censura crua e dura, e de abuso de autoridade.

     

    O não menos douto sindicato dos juízes (os juízes dizem-se órgãos de soberania e depois fazem sindicatos como se fossem metalúrgicos ou motoristas da Carris) veio a terreiro protestar indignadamente contra a ousadia da comissão de médicos. Não queriam mais nada? Então agora os senhores peritos têm o desplante, a ousadia, o topete, o atrevimento de criticar as decisões dos tribunais? Então não sabem o respeito que é devido aos órgãos de soberania? Onde é que isto vai parar?

    Ficamos a saber que é proibido, na opinião do sindicato, criticar as decisões dos tribunais, sobretudo por parte de gente que esteve envolvida no processo. A distinta organização acha, se calhar, que se pode criticar as decisões do Presidente da República, do Parlamento, do governo, mas não as dos senhores juízes. Ou seja, censura, da crua e dura.

     

    Toda a gente sabe que muita coisa há que não funciona a contento nesta pobre terra e que a Justiça, nesta matéria, é campeã. O sindicato dos juízes, na “boa” tradição sindical, não só é de opinião que os seus membros não têm culpa nenhuma do que se passa, como se eleva à posição de censor das opiniões expressas pelos cidadãos, atrevendo-se ao descoco de afirmar que não têm o direito de as exprimir se se tratar de criticar as imperiais decisões dos seus filiados.

     

    Onde vamos parar?

     

    20.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • NOTÍCIAS DO SOCIALISMO

     

    1)    O camarada Kim Jong-il, grande irmão do camarada Jerónimo, ao que dizem completamente balhelhas após uma pataleta qualquer, “nomeou” o seu filho como sucessor, ou seja, como grande e amado líder dos norte coreanos, a fim de poder continuar a gloriosa marcha do país a caminho do socialismo.

     

    2)    O Camarada Hugo Chávez, amigo do peito dos camaradas Soares e Pinto de Sousa, está a tomar as providências necessárias para ficar no poder para sempre – para sempre não, que os canalhas, felizmente, também morrem – com o objectivo de dar continuidade ao socialismo “bolivariano”. Coitado do Bolivar, que nunca foi socialista.

     

    3)    O camarada Castro (irmão do outro), em deriva “liberal” que muito inquieta o camarada Jerónimo e o arcebispo Louça, autorizou os “cidadãos” cubanos a comprar torradeiras.

     

    4)    O camarada Pinto de Sousa, sempre diligante no seu amor à verdade socialista, anunciou solenemente, no Parlamento, que vai fundar um banco de células que já funciona há dois anos.

     

    5)    O camarada Pinto de Sousa, para pôr fim à crise e desenvolver o socialismo, resolveu endividar ainda mais as PME’s, em vez de lhes pagar o que deve.

     

    6)    O camarada Pinto de Sousa, em atitude de verdadeiro socialista, resolveu nacionalizar um banco falido, assim arranjando forma de pôr as pessoas a pagar os desmandos a que o socialismo deu cobertura durante vários anos.

     

    7)    O camarada Pinto de Sousa prepara-se para, finalmente, socializar o casamento, transformando-o em inalienável “direito” socialista das fufas e dos pederastas.

     

    8)    O camarada Pinto de Sousa mandou anunciar que vai re-referendar a regionalização, com o nobre propósito de arranjar mais uns taxitos para a sua inenarrável clientela.

     

    9)    O camarada Pinto de Sousa, mais uma vez em nome da verdade socialista, conseguiu, em menos de um mês, passar o défice previsto de 2,2% para 3 e, logo a seguir, para 3,9, deixando no ar a hipótese de ainda o subir mais um bocado, assim ficando em aberto a possibilidade de aumentar o défice socialista para o que muito bem lhe der jeito, que as eleições aproximam-se e pode vir ser preciso, para dar continuidade ao socilalismo, espalhar mais uns dinheiros.

     

    10)                     O camarada Pinto de Sousa, a fim de socializar os transportes, isto é, a fim de espalhar por aí uns dinheiros que fazem imenso jeito a muita gente, insiste em continuar o seu tresloucado programa de auto-estradas, aeroportos, combóios, etc..

     

    Viva o socialismo!

     

    18.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • O REGRESSO DE SAMPAIO

     

    Pergunta a ignorância do Irritado por que carga de água o “Diário de Notícias” se vem dedicando ao relançamento político do ex-Presidente Sampaio.

    No espaço de uma semana, o dito meio dedica-lhe, por duas vezes, as suas páginas centrais. É obra.

    Um dia, o Dr. Sampaio ocupa tais páginas com um interminável artigo sobre “estratégias” para Portugal, um conjunto de análises e propostas. Dando de barato alguns impróprios erros de ortografia, a enorme artigalhada reflecte um trágico vazio de novidade, repetindo palavreado que o amigo banana não desdenharia subscrever.

    Poucos dias depois, o DN dedica o mesmo espaço a uma resenha “histórica” de “como o ‘sampaísmo’ chegou ao poder”. Ao dizer que o Dr. Sampaio saiu, em 1979, do MES – Movimento de Esquerda Socialista, talvez por só nessa altura ter descoberto o PS, o DN esquece-se de dizer o que era o tal MES. Para esclarecimento dos nossos leitores mais novos, é bom que se refira que o MES, de que o senhor foi fundador e destacadíssimo militante, era coisa extremista que agrupava esquerdistas caviar e tresloucados marxistas,  maoístas e quejandos. Como obra maior desta gente temos a campanha a favor do adiamento sine die das primeiras eleições democráticas, uma vez que era preciso deixar o “processo revolucionário” seguir o seu curso sem ser perturbado por coisa tão imprópria dele como as eleições.

    O DN esquece-se, et pour cause,do consulado de Sampaio na CML onde foi talvez o seu mais anquilosante presidente. Esquece-se de que Sampaio, como PR, talvez a continuar a sua “obra” na Câmara, impediu, com argumentos completamente idiotas, a construção do casino no Parque Mayer, assim tendo conseguido a grande façanha de evitar que o dito fosse recuperado e que nele fosse erguido um projecto urbano de altíssima qualidade a nível mundial. Esquece-se de que foi Sampaio quem consagrou, com argumentos que sabia falsos, um conteúdo novo para a sua qualidade de Comandante Supremo da Forças Armadas, coisa que sabia contrariar o espírito e a letra da Constituição. Esquece-se, finalmente, de sublinhar a sua mais que ilegítima intervenção na vida política do país através da dissolução de um parlamento onde havia uma maioria estável, estando o governo em funções há quatro meses e não havendo nem insegurança pública nem riscos quanto ao funcionamento das instituições, assim utilizando abusivamente os seus poderes a favor da sua família política.

     

    É conhecida a tendência política do jornal “independente” que se chama “Diário de Notícias”. Por isso que talvez não seja inteiramente estúpido responder à pergunta com que o Irritado abre este post concluindo que este súbito ataque de propaganda do Dr. Sampaio não é mais que o começo da campanha eleitoral para o seu regresso a Belém.

     

    Sampaio outra vez Presidente? Xiça!

     

    16.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • QUEM TE AVISA…

     

    Uma rapariga das minhas relações, católica apostólica romana, da Freguesia de São Sebastião da Pedreira, casou com um engenheiro iraquiano que trabalhava em Lisboa numa companhia de petróleos ou coisa do género.

    Tudo correu pelo melhor. O rapaz era simpático, culto e civilizado. Nasceram criancinhas, foram baptizadas, etc., tudo na melhor.

    Passados uns anitos, o engenheiro voltou para o Iraque, por razões profissionais. Levou a família, como é natural.

    Mais anos passaram. Os contactos da rapariga com Lisboa eram escassos e lacónicos. Até que uma senhora que me é próxima teve que ir a Bagdad, também por motivos profissionais.

    Isto passava-se nos tempos do grande líder socialista, muçulmano moderado, chamado Sadam Hussein. Segundo a sua propaganda, as mulheres iraquianas eram cidadãs livres e senhoras do seu destino. Nada que se parecesse com o Afeganistão, o Irão ou a Arábia Saudita.

    Bom, a minha amiga lá foi à procura da mulher do engenheiro. E encontrou-a. Vivia numa casa confortável, bem situada. Não tinha problemas financeiros. Tinha as suas instalações próprias, separadas das do marido, jamais podendo entrar nestas. Os filhos viviam com ela, sendo que só os machos, quando o pai os chamasse, podiam entrar no santuário do chefe da família. Visitas, as que ele autorizasse. Se se tratasse de mulheres, confinadas ficavam às instalações dela. Sendo homens, se o marido autorizasse, só poderiam falar-lhe na presença dele. Sair, nem pensar, a não ser que devidamente acompanhada e usando os véus e coberturas da ordem. Cartas para família só depois de lidas pelo marido. Nem livros nem jornais nem coisa nenhuma que a pusesse em contacto com o mundo corrupto e imoral dos infiéis.

    Ao contrário do que se possa pensar, o homem não era nenhum tirano. Seguia, simplesmente, o que era determinado pela “civilização” a que pertencia.

    O triste fado da mulher acabou por ser abreviado por um cancro.

     

    Quando o Patriarca aconselha as raparigas portuguesas a ter cuidado com os amores muçulmanos está, evidentemente, estribado em casos como este de que, mais do que eu, deve ter notícia.

    Admita-se que, numa sociedade como a nossa, em que ainda não há sinais visíveis daquilo a que se chama “choque de civilizações”, os patriarcais conselhos não são propriamente fruto do melhor bom-senso.

    Veja-se o coro de indignação que por aí vai. As televisões e os jornais há dois dias que não fazem outra coisa senão falar de alegados sucessos de casais “mistos”. O imã de Lisboa declarou o profundo choque que sentiu ao ouvir as palavras de Dom José. Parece que quanto mais mal a tal “civilização” faz às pessoas mais estas tendem a simpatizar com ela.

    O Patriarca preveniu, e preveniu bem. Antes que cases, vê o que fazes. Às vezes, o diabo tece-as.

     

    Não haverá um “choque de civilizações”. O que pode vir a haver, até já há, é um choque entre uma civilização e o que resta de outra que já o não é.

    Nisto, como em tudo, as excepções confirmam o que se está a tornar regra.

     

    15.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SACAR, SACAR!

     

    Na voracidade paranóico-socrótica de sacar dinheiro às pessoas, a ASAE resolveu que lhe era legítimo entrar nos escritórios dos advogados e tratá-los como se fossem a Feira de Carcavelos, a Pensão Vanessa ou a tasca da esquina.

    Toda a gente sabe que há uma entidade, a Ordem dos Advogados, que se ocupa de julgar os erros ou abusos de carácter deontológico dos seus profissionais. Toda a gente sabe que há outras entidades, polícias, tribunais, etc., que se podem ocupar de queixas de outra natureza.

    Mas a ASAE, qual Gestapo dos nossos dias, tem a obrigação socrafúfia de arranjar mais trabalho, fabricando, bem e depressa, tantas vítimas quanto possível.

     

    Talvez o Irritado se engane. Se calhar, a ASAE quer é verificar a qualidade das sanitas, a pureza da atmosfera dos escritórios, a concentração de CO2 nos arquivos, a presença, horror dos horrores, de cheiro a tabaco, os eflúvios dos sovacos da telefonista, a maciez do papel higiénico… ou se as cadeiras para os clientes têm a ergonomia indicada pelas normas do senhor Pinto de Sousa, se o sofá da sala de espera tem alguma mola avariada…

     

    De uma forma ou de outra, à ASAE compete cumprir a nobre obrigação de fabricar cada dia mais multas, mais coimas, mais contra-ordenações, mais processos, tudo a bem do orçamento do Estado.

     

    Ordens são ordens. O “espírito” do Estado do senhor Pinto de Sousa é este. Sacar, sacar, é o que está a dar.

         

    14.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • GENTE SÉRIA

     

    Dizem os craques do Casino de Lisboa que não pagaram, nem vão pagar, os quatro milhões que saíram, nas máquinas, a dois felizes jogadores. Isto, porque as tais máquinas têm um máximo de prémio de cem euros.

    Onde é que isto está escrito? Como é que as pessoas podem saber qual é o prémio máximo? Os funcionários que vendem os créditos avisam as pessoas disso?

    Em poucas palavras: as pessoas gastam o seu dinheirinho a jogar numas maquinetas que, às vezes – é com isso que as pessoas contam, senão não jogavam – dão uns prémios do arco-da-velha.

    Estão enganadas. Se o prémio que a máquina dá é maior  que aquilo que o Casino está disposto a pagar, são mandadas dar uma curva para não prejudicar a benemérita instituição.

    Isto é: ninguém sabe qual é o máximo que o Casino paga. Se suas excelências decidirem que aquela máquina só paga x, os jogadores que se lixem. É que a máquina, se declarar maior que x, estará, obviamente, dizem elas, com um “problema informático”. O que quer dizer que, sempre que achar que os jogadores lhe estão a entrar no bolso, o Casino alega avaria e não paga. Como se não fosse obrigatório ter as máquinas a funcionar em condições! Como se, se um tipo comprar um automóvel que não anda, seja na mesma obrigado a pagá-lo!

    Se as pessoas, ao jogar, assumem os respectivos riscos, porque não há-de o Casino assumir os seus?

    Que se saiba, nunca casino algum se preocupou com a ruína dos jogadores que, de bestunto “avariado” pelas tentações que o casino lhes põe à disposição, jogam mais do que deviam. Mas, se o que se “avariou” foi o miolo da maquineta, ai Jesus, que o casino não pode ser prejudicado!

     

    Haverá alguém, algum juiz, algum fiscal, alguma ASAE, que se debruce sobre isto e meta o Casino na ordem?

     

    14.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • DA INOBSERVÂNCIA DA OBSERVAÇÃO

     

    Veja-se este mimo:

     

    Na próxima segunda-feira, a distintíssima classe dos professores fará greve. Segundo os capitães da coisa, será “a maior greve de sempre”.

    No dia seguinte, esta maravilhosa gentalha começará uma outra greve (às “aulas observadas”), a qual se prolongará por um mês.

    Vejamos o que este segundo parágrafo quer dizer. Se bem entendi – estas coisas não são fáceis de entender – é assim:

    As “aulas observadas”, após as inúmeras cedências da ministra, realizam-se “a pedido” dos professores que querem obter as classificações de muito bom e excelente, ficando os restantes de fora; os professores “observadores” são obrigados, coitadinhos, a “observar” quando para tal forem convocados pelos respectivos colegas, ou seja, pelos que querem ser “observados”; os demais não se deixam “observar”. Obrigados? Não! Se fizerem greve, não "observam" coisa nenhuma. Por isso, a solução é fazer greve selectiva, para já de um mês, e depois logo se vê. Lapidar!

    Então, perguntar-se-á, isto não vai dividir a classe? Os professores que querem ser “observados” não se vão revoltar contra os capitães? Não, nem pensar. É que, como ninguém é muito bom, muito menos excelente, os requerimentos para ser “observados” (havê-los-á aos milhares) não servirão para outra coisa senão para proporcionar aos “observadores” uma folgazitas adicionais. Genial!

     

    Mas há mais. O programa das festas inclui uma jornada de “luta e reflexão” sobre as “políticas da ministra” (note-se que, para não incorrer na fúria do senhor Pinto de Sousa e para isolar a ministra, os tipos não dizem “políticas do governo”); segue-se uma concentração à porta do Presidente da República, a fim de “chamar a atenção do mesmo” (os tipos devem achar que o PR ainda não deu por nada); haverá também, em local a anunciar, um “encontro nacional das escolas em luta”; entretanto, cerca de 100 presidentes de conselhos executivos estiveram reunidos em Santarém, a fim de elaborar (mais) um documento a pedir à ministra o fim da avaliação.

     

    Os professores conseguem o grandioso feito de ser piores que o governo. Quem diria?

    A monumental irresponsabilidade que vêm demonstrando, o desprezo pelo ensino e pelos alunos que revelam, a subserviência em relação aos condotieri que, por mera “missão” política, aproveitam a oportunidade aberta pela incompetência do governo para desestabilizar a sociedade, são alguns dos mais tristes e claros sinais estado de apodrecimento em que, por obra do socialismo, se encontra a sociedade portuguesa.

     

    12.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • FUNDAMENTALISMO DE PERNAS PARA O AR

     

    É sabido que a loucura do fundamentalismo religioso é uma das causas da situação de insegurança que se vive no mundo. Acabado (lá fora, que não por cá) o fundamentalismo comunista, resta aos loucos, aos “amigos da morte”, aos selvagens, o fundamentalismo religioso.

    Mas, atenção! Um novo proselitismo, voire fundamentalismo, surge, fumegante, das fezes das almas: trata-se de novos militantes de uma nova “religião” que se propoem propagar a sua verdade: o ateismo!

    Já não se é ateu por não acreditar em Deus, e acabou-se. Há quem queira ser “missionário” da coisa. Não através da literatura, da filosofia, do cinema, da arte em geral, mas via constituição de grupos de pressão que surgem a espalhar a sua “fé”.

    Estes ilustres cidadãos, preocupadíssimos com o alívio dos “constrangimentos sociais” que, como é sabido, muito prejudicam as massas (?!), vão começar a sua propaganda através de um autocarro pintado com os seus slogans. Depois, logo se vê, informou uma besta qualquer.

     

    Nada melhor para excitar a fúria religiosa dos fundamentalistas. Se a estupidez fosse música…

     

    12.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • UMA VERGONHA NACIONAL

     

    Rezam as notícias que entra hoje em vigor o novo estatuto dos Açores.

    Depois dos avisos do Presidente, da opinião largamente expressa por todos os juristas, à esquerda e à direita (as excepções, neste caso, vêm de gente menor e só confirmam a regra), das galegadas do senhor Pinto de Sousa seguidas pela trafulhice de uns (o senhor Jerónimo), pela cobardia de outros (o senhor Rangel) e pelo oportunismo do senhor Portas (Paulo), a patacoada açoriana entra em vigor!

    O senhor César, que não é augusto, deu ao Diário de Notícias uma interminável entrevista que é um rol de faltas de educação, de primitivismo ideológico e de ordinarice mental.

    O senhor César, que não é augusto, quer agora que os quartéis da tropa, nos Açores, hasteiem a bandeira regional.

    É certo que a bandeira dos Açores é a única que exibe as cores da Nação, não as do partido republicano do princípio do século XX. Mas, ainda que à contre coeur, temos que aceitar que a bandeira, apesar de sua vergonhosa origem, é a que existe. E não é a dos Açores. E não pode, nem deve, ser substituída ou acompanhada por ela em locais que têm, exclusivamente, a ver com a soberania. Isto é tão claro como a água pura das nascentes.

    O que os tipos querem, lá nas ilhas, não é autonomia, é usurpação da soberania. Já que querem prescindir da autoridade do Estado, porque não prescindem também dos subsídios, do pagamento dos “custos da insularidade”, da gasolina mais barata, do IVA especial, dos preços de saldo nos aviões?

    Os Açores que se governem com o que produzem, mais com os dólares dos emigrantes, mais com a renda das Lajes, e que vão bugiar, vão ofender a prima, vão cuspir noutra constituição, vão chatear o Atlântico!

     

    É certo que os pontapés na Constituição começaram ao mais alto nível, quando do golpe de estado do senhor Sampaio e do alargamento das “funções” do Comandante Supremo das Forças Armadas, da autoria do mesmo senhor.

    Mas, que diabo, porque é que a sede de votos insulares do senhor Pinto de Sousa e do senhor Rangel há-de levar a que as instituições políticas, com a, apesar de tudo tímida, excepção do Presidente, há-de levar a pôr em causa a autoridade do Estado e aquilo a que se quer chamar “unidade nacional”?

     

    12.1.09  

     

    António Borges de Carvalho
  • MARAVILHAS DO SIMPLEX

     

    Um simpático estudante dirigiu-se à loja do cidadão. Escolhido o estaminé apropriado e uma vez decorridas as três horas da praxe entre a senha 459 e a 822, a cena é a seguinte:

    – Bom dia.

    – Diga.

    – Queria renovar o meu cartão europeu de segurança social.

    – BI.

    – Faz favor

    – Beneficiário.

    – 569874125698

    – Um momento.

    O computador rangeu nas bielas.

    – Você não é este.

    – Pois não. É o meu pai. Sou dependente. Estudante. Tenho 17 anos.

    – Ó pá, tu não existes! O teu pai só tem duas filhas!

    – Veja o BI, a ver de quem eu sou filho.

    – O BI não interessa.

    – Então para que é que o pediu?

    – Para ver quem tu eras.

    – Diz aí quem eu sou e de quem sou filho.

    – Pois é, mas isso, aqui, não interessa. O que interessa é o que está no computador.

    – Então meta aí no computador o nome do meu pai.

    – Era o que faltava! Então achas que isto é assim, à vontade do freguês?

    – …

    – Então, pá? Não faças essa cara! Achas que um gajo pode mudar os dados que estão no sistema, assim, à lagardere?

    – Então para que serve o BI?

    – Não querias mais nada? A Segurança Social é uma coisa, o Arquivo de Identificação é outra!

    – Eu julgava que o BI servia… de qualquer maneira, os meus pais têm cinco filhos, três rapazes e duas raparigas.

    – E o que é que eu tenho com isso? Aqui no computador só há duas raparigas e o computador é que manda!

    – Então porque é que me deram o cartão europeu da outra vez?

    – Sei lá!

    – Se mo deram foi porque o meu nome estava no computador como filho de quem sou…

    – Provavelmente. Mas agora não está.

    – Deve ser por causa do Simplex…

    – As piadas políticas ficam lá fora, estás perceber? Vai-te embora e diz ao papá que se desenrasque.

     

    No mesmo dia, o pai do rapaz enviou um e-mail a uma coisa que se chama Segurança Social Directa, pedindo o registo dos filhos em falta no computador. Missiva assinada electronicamente Alberto de Miranda e Mascarenhas.

    50 (cinquenta!!!) dias depois, recebeu a seguinte maravilha:

     

    Exmo. Senhor Alfredo

     

    Para ser analisado o seu agregado familiar deverá preencher a declaração que se junta.

     

    Com os melhores cumprimentos

    Segurança Social Directa – Lisboa

     

    Para a outra vez, o melhor será recorrer à Segurança Social Indirecta. Só que não vem na lista.

     

    12.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • CRITÉRIOS JORNALÍSTICOS

     

    Às vezes perguntamo-nos sobre os critérios que presidem à escolha dos colaboradores/comentadores/colunistas por parte dos directores de jornais.

     

    Desgraçadamente, os jornais, em Portugal, não têm cara, isto é, não têm imagem nem cartilha política, não se colocam ideologicamente, antes perseguem com fúria aquilo a que chamam “independência”.

    Ao contrário dos grandes jornais deste mundo, o “Times” e o “Gardian”, o “Le Monde” e o “Figaro”, o “Washington Post” e o “New York Times”, até o “El País” e o “El Mundo”, os nossos jornais passam a vida a albergar tudo quanto é gente, filhos de todas as mães, mais contribuindo para a confusão do que para o esclarecimento. Além de tudo mais, as pessoas têm, ou deviam ter, o direito de, conhecendo a “orientação” de um jornal, poder avaliar a força e a razão de quem nele escreve.

     

    Vem isto a propósito de um artigo do senhor António Vilarigues, ontem publicado no jornal privado chamado “Público”, sobre a crise israelo-hamasiana.

    Para informação de quem me lê, diga-se que o articulista assina na qualidade de “especialista em sistemas de comunicação e informação”. Esclarecendo, trata-se de um membro do PC, cujo nome faz lembrar um ilustre estalinista do meu tempo (seu pai?) que se chamava Sérgio Vilarigues.

    Demos de barato a laboriosa argumentação do “especialista”. A conclusão que o homem tira é bastante para avaliar a “informação e comunicação” a que se dedica. O homem acha que há quem “seja capaz de ver os acontecimentos de forma diferente da redutora divisão entre bons de um lado e maus do outro”. Pois haverá. Só que tais boas almas, diz o “especialista”, são, para além de alguns compagnons de route, o PC de Israel, a Frente Democrática para a Paz e a Igualdade, parceira das “facções de esquerda palestiniana, incluindo a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino. Todos comunistas, como o “especalista”, certamente por distracção, confessa.

     

    A extraordinária independência destas teorias leva-nos, como dizia a abrir, a ter em pouca consideração a política editorial dos nossos jornais.

    O “Público” não passa de um exemplo, e nem é dos piores.

     

    10.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SOVIETICES

     

    Por volta dos anos setenta, a União Soviética, através do KGB e dos partidos comunistas, alinhados ou não, infiltrou nos países ocidentais uma organização de militantes e compagnons de route, entre nós chamada CPPC (Conselho Português para a Paz e a Cooperação). A coisa articulava-se com um conselho “mundial” do mesmo nome, ou equivalente.

    A prestimosa confraria dedicava-se à nobre actividade de minar a confiança ocidental nos seus valores, a propagandear um socialismo “indispensável” para a paz e, de um modo geral, a considerar que os mísseis soviéticos eram óptimos e os da NATO um crime.

    Caído o império soviético, emagrecidas as fontes de financiamento e o apoio da espionagem do KGB, a trupe remeteu-se a quartéis e deixou de chatear.

    Agora, os mesmos e mais outros, impressionadíssimos com o problema da Palestina, ressuscitaram a coisa com outro nome. Não sei, com que apoios, mas imagino.

    Os ilustres camaradas, comunistas, “ex” – comunistas, “capitães de Abril”, personalidades da extrema-esquerda, ex-MDP’s, figuras do sindicalismo intelectual e não só, aquele tipo que é magistrado e…, até, valha-me Deus, um bispo católico (!) e um padre da mesma igreja, voltaram a reunir-se. Ontem, fizeram a vernissage do “Fórum (sic, ha ha, com acento no o) pela Paz”, organização “de defesa dos direitos humanos”.

    À noite, um tal Domingos Lopes, figura grada do PC (apresentando-se como dissidente), veio dizer de sua justiça na SIC Notícias.

    Espremida a coisa, para o homem e seus sequazes as bombas do Hamas são óptimas, as dos israelitas péssimas; os danos colaterais das bombas dos israelitas são um crime contra a humanidade, os milhares de civis que já se foram à conta do terrorismo do Hamas não contam para o deve-haver do “Fórum”; se o Hamas está escondido em escolas e hospitais, pois está muito bem, os israelitas é que não deviam atacar escolas nem hospitais, ou seja, não deviam atacar o Hamas que, generosamente, mistura terroristas com criancinhas e doentes; Israel não “reconhece” o estado palestiniano, por isso é um país bandido; o Hamas não reconhece, antes quer aniquilar, o estado israelita, estando para tal no seu pleno direito; o Hamas não cuida da população da faixa de Gaza, antes se serve dela como carne para canhão, e faz muito bem; o Hamas é fundamentalista islâmico, é financiado e fornecido pelo inefável Irão e pela doce Síria no que às armas e munições diz respeito, e está certíssimo.

    O Hamas é suportado pelos países ocidentais no que se refere a alimentação, combustíveis e medicamentos. Mas isto não interessa ao “Fórum”. O Ocidente não faz mais que o seu dever alimentando quem aposta na sua ruína e mata cobardemente as suas gentes.  

     

    Enfim, a mesma mentalidade e os mesmos objectivos do antigo CPPC. Este, ao que diz o “Fórum”, ainda existe. O “Fórum”, segundo declara, não lhe fará “concorrência “(!). Segundo o tal Lopes, o “Fórum” “é uma organização independente com gente diversa e independente, mesmo quando tem filiação partidária”. Kalidás Barreto é independente! O Avelãs e o Sucena são independentes! Mário Tomé é independente! Junte-se-lhes um bispo e um padre, mais uma dúzia de idiotas úteis, outra de marxistas frustrados, e aí está uma organização credível para falar de “paz” e de “direitos humanos”.  

     

    Enfim, talvez haja algum exagero nestas rudes palavras. É que não ouvi o Lopes até ao fim: mudei de canal antes que começasse a vomitar.

     

    8.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • PROPAGANDA ELEITORAL

     

    Na sua “Crónica Feminina”, dona Inês Pedrosa, notável escritora da nossa praça, faz um estranho paralelismo entre os senhores Otelo, Alberto João Jardim e Pedro Santana Lopes.

    Porquê esta irmandade? Porque, no douto parecer da ilustre senhora, todos comungam dos seguintes defeitos: “jogam com as emoções das pessoas, exacerbando-as sobre si”, causam “hipnose física e verbal”, trata-se de “prestidigitadores de factos e palavras”, “prometem o céu”, “utilizam no poder um discurso de contra-poder”, “armam-se em vítimas”, etc.

    Como o povo ou é “analfabeto” ou sofre de “iliteracia” e “não sabe ler estatísticas”, estes homens são, para o povo, um “afrodisíaco eleitoral”.

     

    Pelo menos no que se refere a Pedro Santana Lopes, jamais alguém o ouviu “prometer o céu” fosse a quem fosse ou fosse como fosse. Se a senhora o acha eleitoralmente afrodisíaco, ou se sente politicamente hipnotizada por ele, o problema é dela, não dos analfabetos ou dos iliterados, passe o neologismo. E não nos diga, senhora escritora, que Santana Lopes não foi vítima do golpe de estado do Presidente Sampaio, ansioso por pôr a família no poder!

     

    Dir-se-ia que, se não estivessem aqueles três nomes no texto, a senhora estaria a descrever as qualidades do senhor Pinto de Sousa. Então não foi o senhor Pinto de Sousa quem prometeu o céu (os postos de trabalho, o não aumento de impostos…)? Não foi o senhor Pinto de Sousa quem disse que estava tudo a correr pelo melhor quando estava tudo a correr pelo pior? Não é o senhor Pinto de Sousa quem insiste em ser “vítima” da oposição, que não lhe propõe coisas que ele ache boas? Não é o senhor Pinto de Sousa quem, vezes sem conta, faz “prestidigitação” com os números do défice e do orçamento? Não é a isto o que se chama “jogar com as emoções das pessoas” com a sua credulidade, com a sua tendência para achar, como opina a senhora, que quem está por cima não mente?

     

    As intelectualíssimas afirmações da ilustre escritora mais não são, afinal, que um pouco diáfano manto para cobrir a verdade do julga  deixar na sombra: a “tese”, aliás explícita, de que é preciso “estabilidade governativa” e que esta só se consegue com “maioria absoluta”.

    Como vêm, o que a senhora quer é repetir os argumentos do senhor Pinto de Sousa, num panfleto eleitoral mascarado de “análise” sociológica-política.

     

    Quase diria que, no fundo, acha que quem a lê no “Expresso” é analfabeto e sofre de “iliteracia”.

     

    O problema dela é que ainda há quem não seja parvo, ainda que seja analfabeto, “iliterado”, professor catedrático, médico, engenheiro autêntico ou simplesmente cidadão.

     

    7.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SERÃO ALDRABÃO

    Ontem, tive um grave problema conjugal. A minha mulher, intolerante como compete, opôs-se a que eu visse a entrevista do fulano. Alegava estar farta das bocas do primeiro-ministro, bem como das do Marcelo. Com carradas de razão.

    O argumento que usei para conseguir assistir a mais uma sessão de patacoada governamental foi o de, já que, quiséssemos ou não, íamos ter uma semana inteira de comentários e artigos sobre o assunto em tudo o que é meio, mais valia ver a coisa para poder ajuizar por nós. E lá a convenci a suportar mais uma ensaboadela de mentira e de batota.

     

    Sua Excelência o Primeiro-Ministro, senhor José Sócrates de Carvalho (da mãe) Pinto de Sousa (do pai), postula ser de grande valia a sua obra de fazer descer o défice de 6,8% do PIB para 2,3.

    Consultado o Eurostat (está na Internet), poderão V. Exas. verificar que jamais houve tal défice. Trata-se de pura aldrabice. Não obstante, o senhor Pinto de Sousa repete-a ad nauseam, cego ao facto de todas as instâncias competentes, nacionais e internacionais, dizerem o contrário.

    Santana Lopes e Bagão Félix “legaram” ao senhor Pinto de Sousa um défice de 2,9% (dentro das normas do PEC), o que vem escrito nas contas do Estado e nas da União Europeia. A verdade é a das contas, não a do senhor Pinto de Sousa e dos seus áulicos. O senhor Pinto de Sousa e o senhor Santos começaram por subir o "défice" “herdado" para 3,3%, e depois desceram-no até aos tais 2,3.

    Como? À custa da maior subida de impostos de que há memória e da desorçamentação de muitos, muitos milhões que, não estando orçamentados, acabam por ter que ser pagos como se estivessem. É a isto que o senhor Pinto de Sousa chama “contenção do défice” ou “ordem nas contas públicas”, a coroa de glória do seu consulado.

    Santana Lopes e Bagão Félix, como Durão Barroso e Ferreira Leite, conseguiram o mesmo sem brutalizar a sociedade, “as empresas e as famílias”, como se diz agora. Que se veja a diferença e se conclua dela, é o mínimo que se pode pedir aos portugueses.

     

    A batota atinge as raias da loucura quando o homem tem a coragem de afirmar que foi ele e o seu governo quem obrigou o BCE a baixar a taxa de juro e que é por isso que os portugueses lhe devem a (futura) baixa das prestações da casinha que foram empurrados a comprar. Deixo sem mais comentários esta aldrabice, uma vez que se trata de assunto do foro psiquiátrico.

     

    Em matéria agrícola, não andamos longe disto. Confrontado com os números, o homem mete os pés pelas mãos e diz que, se estão “retidos”, há dois anos, 800 milhões da União Europeia, é porque o Estado não tinha a sua parte para meter no pacote. Tal parte, segundo o notável político, era de 160 milhões. O Estado só tinha 100. E porque faltavam 60, o governo “cativou” 900 (800+100. Agora, anuncia o homem, pletórico de orgulho e de amor pela agricultura, vai acrescentar 100, à conta do défice, e distribuir, saberá ele quando, 1.000 milhões. Grande homem!

     

    E as dívidas do Estado? Bom, essa de pagar as dívidas, se vierem a ser pagas, deve-se à oposição, mormente ao CDS/PP. Isso, o homem não confessa. Pelo contrário, ufana-se de ter a intenção de pagar. Era para ser em Novembro. Não foi. Será em Março. De que ano, não se sabe. O que se sabe é que o governo ganhou pelo menos três meses de espera até que se comece a dizer que mentiu mais uma vez. Como, entretanto, a crise “exterior” se vai agravar, se o senhor Pinto de Sousa não cumprir mais esta promessa, o culpado será o rei da Papuásia ou coisa que o valha.

     

    Na educação, tivemos novidades de monta.

    Por exemplo, os resultados escolares deixam de ter qualquer influência na avaliação dos professores. Sabem porquê? Porque, segundo o primeiro-ministro, tal critério é novo, por conseguinte não estava nos “planos” dos professores! Não, o governo não recuou! Reconheceu que era uma injustiça usar os resultados do ensino como critério, uma vez que os professores não têm nada a ver com tais resultados. De tal maneira que nem sequer os consideraram nos seus “planos”. Injusto seria que fossem obrigados a pensar em tal coisa. Que amor pela educação!

    Uma afirmação que não se pode deixar passar sem um elogio é a que se refere ao ensino profissional. O senhor Pinto de Sousa diz que herdou, neste ensino, 5.000 alunos, e que, dada a notabilíssima acção do seu governo, a população escolar aumentou em 60.000, cifrando-se actualmente em 90.000. Que domínio dos dossiers, que precisão matemática! Engenhêros!

     

    A reforma da administração pública é outra grande obra de Pinto de Sousa. Segundo ele, há agora menos 50.000 funcionários. Se os números forem tão fiáveis como os do ensino profissional, tanto podem ser 50, como 30, ou 20, ou nenhum, não é? Os tais 50.000 vêm poupar mais de 1% do PIB, diz ele. Então, perguntamos nós, como é que a despesa pública, no orçamento dele, vai aumentar?

     

    Bom, tudo se explica com uma frase que proferiu quando lhe falaram em “cenários” para o seu futuro político:

    “ – Eu não raciociono sobre cenários”, disse.

    Sobre outras matérias, é legítimo concluir, o homem raciociona. Raciocinar não é com ele.

    Ou então o seu português foi aprendido usando o sistema do inglês técnico! Lembram-se?

     

    O senhor Pinto de Sousa é uma pessoa exigente. Exige que a oposição apresente, de imediato, alternativas à sua política. Quem manda é ele, que diabo! Por isso, até quando segue as propostas da oposição, coisa que não reconhece, não está a seguir as propostas da oposição porque a oposição nada propôs! O homem raciociona como um semi-deus!

     

    – Deslealdade para com o Presidente?

    – Nem pensar!

    – Não prometeu ao Presidente que ia tratar a contento do estatuto dos Açores?

    – Bom, isso – titubeia, enrascadíssimo – não digo.

    – Porquê?

    – Porque não revelo o teor das minhas conversas com o Presidente.

    Conclusão: o Presidente tem carradas de razão quando, claramente, o acusa de deslealdade. Uma “qualidade” que (ainda) não sabíamos que o homem tinha, a somar às muitas que já lhe conhecemos.

     

    A girândola final da entrevista deixou-me extasiado. O governo vai alterar o orçamento porque, como toda a gente menos o governo já sabia, o orçamento é um nado morto. Mas, atenção!, não se trata de um orçamento rectificativo mas de uma rectificação do orçamento. Um raciociônio digno da mais alta admiração.

     

    E mais não digo, porque já estou enjoado.

     

    6.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • ESQUERDISMO ZAROLHO

    Dona Clara Ferreira Alves, ilustre propagandista do Dr. Mário Soares, com quem faz umas viagens à conta de todos nós – ainda por cima é paga para tal – e crónica cronista do “Expresso”, onde expressa a sua filantrópica e doutoral superioridade, afirmou anteontem que os “desvios de direita” do senhor Pinto de Sousa se consubstanciam no “autoritarismo”. Não foi, coitada, capaz de encontrar outros exemplos de tais “desvios”. Compreenda-se, desvios de direita desta gente é coisa que só existe nas cabeçorras dos partidos comunistas e na estupidez visceral de muita gente do outro lado.

    Note-se, antes de mais, que os espíritos iluminados tipo dona Clara são tão de esquerda, tão de esquerda, que acham que o “autoritarismo” é coisa só pode ser praticada pela direita. Clara demonstração da mais ignara das ignorâncias ou da mais primária das zarolhices.

    Ser-se culturalmente zarolho é um defeito grave. Mas ser tão básico quanto a senhora demonstrou, é coisa que, multiplicada por uns milhares de espectadores, atinge as raias, ou da loucura, ou do pecado público. Ainda por cima, se dermos à cidadã em causa o benefício da dúvida e pensarmos que estaria, conscientemente, a mentir, a coisa atinge uma gravidade que os “provedores” do telespectador, as inúmeras “autoridades”, “entidades” e quejandos (invenções para-censórias de esquerda criadas pelo senhor Pinto de Sousa), se deveriam pronunciar, eventualmente banindo a mulher dos poleiros onde faz as suas pregações.

    Seria um descanso para toda a gente, ainda que fosse, também, um grave desvio de autoridade, de esquerda ou de direita. No caso, tanto faz.

     

    5.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SAIR DA CRISE

     

    Os governos, por toda a parte, têm sido pródigos em descobrir “remédios” para a crise. Ele é tentar “aguentar” indústrias com subsídios loucos, ele é “parar” falências bancárias, ele é distribuir uns tostões pelos mais pobres, ele é as promessas de suporte às pequenas e médias empresas, ele é os avais do estado postos à disposição destes e daqueles, ele é as nacionalizações dos buracos, ele é…

    Pelo menos entre nós, a chuva de milhões prometida não passa disso, isto é, de prometida. Se o Estado viesse a ter que os desembolsar – o que até pode vir a acontecer – faliria de um dia para o outro. E, como as reservas dos que lhe poderiam acudir terão tido destino, não se sabe como se poderia sair do túnel. Possivelmente, teríamos que nos habituar a viver nele, não por um ano ou dois, mas por tempo de gerações.

     

    Estas funéreas impressões talvez mereçam uma reflexão.

     

    Quem já conta uma certa idade lembrar-se-á de ver, nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta, legiões de japoneses que passarinhavam no Ocidente por tudo o que era fábrica, feira, exposição, tudo o que metesse tecnologia e I&D. Munidos de máquinas fotográficas e de blocos de notas, os simpáticos nipónicos, inimigos de ontem, procuravam a todo o custo o aggiornamento com as realizações industriais do seus novos amigos. Tempo passado, os produtos japoneses eram vistos no Ocidente com desconfiança, os automóveis eram feios, as máquinas fotográficas de segunda, e por aí fora. Mas isto durou pouco. Os produtos da tecnologia japonesa impuzeram-se e o Japão tornou-se a potência científica, tecnológica e económica que conhecemos.

    Daí não veio mal ao mundo. A Europa de Leste e o seu imperador soviético sofriam os resultados do comunismo, isto é, salvo pontuais excepções estiolavam e não entravam no pace do Ocidente. Não eram concorrentes.

    Morta a tirania comunista, exponencialmente desenvolvida a comunicação, abatidas barreiras comerciais, o mundo entrou na chamada globalização, talvez um dos maiores triunfos do capitalismo, que levou dignidade e bem estar a biliões de seres humanos, até aí privados das mais elementares liberdades, incluindo a de produzir e vender.

    A lógica do processo, a procura dos meios que permitem a investigação e o desenvolvimento, levou, primeiro, à globalização da mão-de-obra, depois à transferência de tecnologia. O que se passou pelo mundo fora pouco ou nada teve a ver com o processo japonês. Este, baseava o desenvolvimento na sua própria força de trabalho, sem ceder – xenofobamente, se quiserem – à atracção da mão-de-obra estrangeira ou da “deslocalização”.

    Actualmente, a I&D ocidental vai procurar realização em mercados longínquos, o Ocidente é invadido pelos seus próprios produtos, fabricados em regiões onde deixa boa parte das suas mais valias. A colossal massa financeira assim gerada além fronteiras tem vindo, em boa parte, a regressar ao Ocidente, sustentando-lhe os défices, públicos e privados, mas não correspondendo a qualquer mais valia económica dos seus receptores.

    Mais do que o sub-prime, mais do que os produtos “tóxicos”, fenómenos que correspondem a políticas “sociais” tendentes a levar o “gozo” do capital financeiro a vastíssimos universos de cidadãos que com pouco mais contavam que com o valor do seu trabalho, mais do que a “ganância dos especuladores”, foi a deslocação do centro de gravidade da produção o que motivou a actual crise.

    A “supremacia” ocidental, de que os não ocidentais precisavam como mercado de eleição, entrou em declínio, o que “globalizou” a crise.

     

    E agora?

    Onde é que o Ocidente (a Europa e os EUA), carentes de matérias-primas, falhos de fontes energéticas, mais preocupados com o “aquecimento global” e com outras patacoadas do género do que com o seu próprio futuro, vão buscar a simples manutenção dos níveis de bem-estar e de protecção social a que estão habituados? Isto se, como começa já a acontecer, a I&D agressiva que era exclusivo do Ocidente começa a ser praticada por outros com iguais resultados, se o capitalismo globalizado produz efeitos equivalentes em paragens onde os factores de produção, a energia, as matérias-primas, estão mais disponíveis, onde a mão-de-obra é abundante e mais barata, onde os custos da protecção social quase não existem?

    Onde estão os mercados para os produtos da tecnologia ocidental, se esses mercados passam a produzi-los sem precisar de mais transferências de tecnologia?

    Onde vai parar o nosso modus vivendi?

     

    Seja qual for a resposta, ela não tem nada a ver com a manutenção de indústrias em fase de obsolescência (como os automóveis americanos), com o evitar a tout prix a falência de quem está falido, com a cobertura “generosa” do aumento exponencial dos custos do desemprego.

    Quando, em Portugal, unanimemente, se fala em combater o desemprego e, ao mesmo tempo, se baseia a erradicação do problema em obras públicas, ou seja, em empregos sem futuro e num endividamento colossal do país, não se estará a cavar a sepultura da nossa sociedade?

    Outra unânime mezinha é a de necessidade de produzir bens exportáveis. De acordo. Mas exportáveis para onde? Com que mais valias? Onde estão os clientes?

     

    O nosso problema é o do Ocidente em geral, exponenciado pelo atrazo e o endividamento em que o PS de Guterres nos mergulhou, que os governos PSD/CDS não conseguiram estancar e que a desgraça do governo socialista de Pinto de Sousa multiplicou, atirando-nos a mar de demagogia, de mentira, de incompetência, de falta de visão de futuro e de brutalidade fiscal em que estamos submersos vai para quatro anos.

     

    Donde, a solução será a de manter, custe o que custar, a supremacia científica e tecnológica e o sistema económico que fez do Ocidente a parte mais avançada e mais rica do globo.

    Sacrifícios, todos sabemos que temos, ou teremos, que fazer. Mudança de padrões de vida, em princípio, também temos, ou teremos, que suportar. Ao menos que seja em nome de alguma coisa que tenha um fim, um objectivo, um projecto, um futuro.

    O avanço que, apesar de tudo, ainda existe no Ocidente, terá que ser exponenciado, a fim de que não sejam os outros a vender-nos o que nós próprios inventámos e que, a prazo, deixaremos de ter, sequer, dinheiro para pagar.

     

    Se levarmos, não à letra, mas a sério, os apelos à produção de “exportáveis”, estaremos, não direi nós, que somos nabos, mas o nosso mundo, no caminho de alguma luz.

     

    Não é com pachos quentes que se cura pneumonias.

     

    3.1.09

     

    António Borges de Carvalho

     
  • UIVOS

     

     

    Leia o que segue com atenção:

     

    “No quadro da separação de poderes, o estatuto dos Açores não é matéria de que o governo se ocupe. Não tem qualquer declaração a fazer.”

     

    Esta frase foi proferida pelo senhor Lacão, luminária socialista que, ao que consta, é membro do governo.

    De um ponto de vista formal, a declaração é inatacável.

    Vistas as coisas materialmente, quer dizer, politicamente, trata-se de uma porcaria sem nome.

    A criatura pertence a um governo cujo chefe é o chefe do partido que, em exclusivo, integra o governo. O partido tem maioria absoluta no Parlamento. O chefe do partido, que é o chefe do governo, o chefe da maioria e o chefe do Lacão, toma a decisão de presentear a política portuguesa com uma das mais repugnantes atitudes de que há memória.

    Mas, no parecer do tartufo, o chefe que manda fazer a asneira, que é o chefe dele, o chefe dos deputados, o chefe do partido e o chefe do governo, não tem nada com isso.

     

    Miserável!

     

    1.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • CONSELHOS SOARISTAS

     

    Notre ami Soares enriquece-nos a mente, esta semana, com mais uma das suas habituais arengas. O Irritado realça dois pontos, merecedores de reflexão.

     

    O primeiro diz respeito à extrordinária mensagem de Natal do senhor Pinto de Sousa. Soares afirma que com realismo o homem nos avisou das dificuldades. Esqueceu-se de dizer que tal aviso corresponde ao cagaço monumental que ele sente com o que já percebeu ser o resultado mais de três anos de demagogia, durante os quais nos andou a entreter, aldrabando, com a ideia de que tudo corria pelo melhor.

    Diz Soares que o engenheiro técnico se colocou numa perspectiva de defesa do interesse nacional. Com certeza porque, no parecer de Soares, era a primeira vez que tal acontecia. Pinto de Sousa mostrou-se aberto para dialogar com partidos, sem excepção e com os sindicatos. Leia-se mais uma vez, o fulano quer responsabilizar terceiros (os partidos) pelos apertos de cinto a que nos vai obrigar, com a peregrina desculpa da crise internacional. Vai, por outro lado, pedir batatinhas aos sindicatos com quem, como toda a gente sabe, não tem feito outra coisa senão andar à batatada.

    Elogio dos elogios, Soares gaba a generosa intenção do primeiro-ministro de ter um bom relacionamento institucional com os órgãos de soberania, Presidente, Parlamento, instituições judiciais. No dia seguinte a, por ordem do primeiro-ministro, se ter cometido a mais violenta das cavalidades contra o Presidente, Soares acha que o homem é sincero ao prometer o tal relacionamento institucional!

    Soares acha, além disso, que o homem mudou de estilo, usando uma forma mais próxima e humana ao dirigir-se aos portugueses. Não dei por isso, mas, reconheçamos que, implicitamente, Soares acha que, antes, o primeiro-ministro era distante e inhumano. Muito bem, estou de acordo. Só que é preciso ser parvo para acreditar em tal mudança.

    Ah! É verdade! No parecer de Soares, o relacionamento com os sindicatos não inclui manifestações de rua, nem protestos mais ou menos violentos, coisas que não remedeiam os flagelos a que a governação socialista nos condenou. Pois não.

    As críticas da oposição (leia-se o gozo que deu a toda a gente a baixa das taxas de juro da autoria do governo…) foram detalhes sem relevância. Pois.  

    Em consequência da notável mensagem do PM, o ex-Presidente, apela ao voto no PS. As oposições, quer as comunistas (Soares chama ao BE, carinhosamente, esquerda radical…), quer as de direita, só sabem dizer mal, andam no bota abaixo (aprenderam com o PS…), não oferecem soluções, só criticam, são uma malandragem. Soares descobriu que é obrigação das oposições fornecer ao governo as soluções para os problemas que cria, o que bem demonstra a evolução do “pensamento” soarista no que à democracia se refere. Soares conclui que o vazio político é a alternativa ao PS e que os eleitores têm que perceber que, ou votam PS, ou o país fica ingovernável. Coitado, já não percebe que o problema do país não é ser, endemicamente, ingovernável, mas sim ser mal governado.

     

    A segunda maravilha do artigo de Soares tem a ver com o recuo que já começa a preparar em relação à excelência do senhor Obama, já que a situação no próximo e médio oriente é a maior dor de cabeça da administração Obama, que não se apresenta nada fácil.

    Ora como o senhor Obama já deu largas mostras de não ir na conversa, seja do Hamas, seja dos Talibãs, Soares começa a temer que o homem não cumpra o programa de política internacional que  tão generosamente lhe anda a oferecer há meses.

    Por outro lado, Soares avisa Israel que está a caminho do abismo, o qual é nada mais nada menos que o seu desaparecimento, a prazo, como Estado. Na privilegiada cabeça de Soares, o problema inverteu-se: não se trata de criar um Estado palestino, trata-se de acabar com Israel.

    O Amadinejá diz o mesmo.

     

    1.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • CARROCEIROS!

     

    Jornalistas, comentadores, professores, intelectuais, opinadores, gurus, pregadores de várias confissões, etc., desdobraram-se ontem à noite, e desdobrar-se-ão hoje, amanhã e depois e depois e depois, nas mais desvairadas opiniões, cenários, previsões, pensamentos, declarações, considerações, qual delas mais douta, mais sábia, mais eloquente, elucidativa, forte, crítica, pensada, documentada, fundamentada, brilhante, sobre o que disse o Presidente da República acerca das porcarias que se fizeram no Parlamento a pretexto do estatuto dessa coisa a que se, em má hora, se deu o nome de região autónoma dos Açores.

    Pelo menos em seis canais de televisão não se falou, toda a noite, doutra coisa. Hoje, os jornais, reais e virtuais, encherão páginas e páginas com o assunto. De tempestade num copo de água a importantíssima violação constitucional, de comichão passageira a doença incurável, tudo vai ser dito, redito, badalado, repisado.

     

    O primeiro a vir à liça, coisa odiosa, foi esse aparatchik de pacotilha que dá pelo nome de Vitalino (nome que nem no dicionário vem). Numa das suas habituais tiradas de propaganda, o homem diz que não deu por nada. O Presidente não disse nada de especial, a democracia é feita de desentendimentos, tudo normal, tudo nos conformes, a vida continua no melhor dos mundos, o PS aí vai, triunfante, na senda do progresso e do apoio popular, enquanto o PSD se entretém a meter os pés pelas mãos. O Silva, amanhã, proferirá alarvidades de jaez semelhante, a preparar a malta para mais umas bocas do chefe.

     

    O Irritado, após profunda reflexão, sente-se no inalienável direito de emitir a sua modesta opinião. Modesta, mas séria, a única boa, modéstia aparte. Pelo menos melhor que a do Vitalino.

    O que se passa não é um problema constitucional. Não é uma questão jurídica. Não é um problema político. Não é uma birra de comadres.

    É, simplesmente, uma história de carroceiros.

    Passo a explicar:

    Se, como disseram as luminárias do PS, se tratasse de uma questão de somenos, então porquê insistir? Se se tratasse de uma interpretação legítima da Constituição, então porque fazer finca-pé? Se fosse pouco importante, porquê levar a coisa até à rotura? Se todos os especialistas, incluindo o glorioso propagandista do PS que dá pelo nome de Vital Moreira, acham que o Presidente tem razão, porquê insistir na burrice, na asneira, na provocação?

    A resposta é fácil. Trata-se de gente sem princípios, sem moral – ou com moral republicana… – que aproveita para esticar a corda, a ver se mete nos varais quem nomeou inimigo. Que interessa a Constituição, que interessa a boa educação, que interessa a dignidade da Nação, das instituições, da política, se aquela gente viu uma oportunidade de “vencer”, mesmo que tripudiando, enganando, criando dificuldades, sendo ordinário?

    É, repita-se, um problema de educação. Coisa que jamais existiu nessa gente que se chama Partido Socialista, e de há anos agravada pela chefia de um provinciano mentiroso e autoritário, autor de projectos analfabetos e de rábulas politécnicas. Se temos oportunidade, pensa essa gente, de nos pôr em cima do Presidente da República, porque não fazê-lo? O que queremos é poder, não é? Então que se aplique a moral republicana, que é a moral do PS. E se os idiotas do PSD e do CDS nos fazem companhia, hemos de convir que a carroceirada não só é livre como benquista e generalizada!

    O homúnculo do PPD, um tal Rangel, digno sucessor do masoquista Mendes, sem chama nem vida, deu largas, rangendo, à monumental cobardia de não reconhecer os seus erros e não voltar atrás. Carroceiro!

    O CDS acompanha a bestialidade geral, possuído, ao que parece – pelo menos é o que diz esse nado morto da política que dá pelo nome de Ribeiro e Castro – da ambição de casar Portas com Pinto de Sousa (que ternura!).

    Os partidos comunistas, embora reconhecendo (disseram-no!) que o Presidente tem carradas de razão, cumprem o seu papel com o nobre objectivo de desgastar o único poder eleito que não é da família.

     

    A Nação, que fez a mais racista das descolonizações ao recusar a independência a quem não fosse preto, acaba por “despromover” as instituições soberanas a favor dos “poderes” regionais.

    O senhor César, digno membro da trupe socialista, ri-se a bandeiras despregadas: é mais fácil dissolver o Parlamento do Estado que a assembleiazeca lá do sítio!

     

    Perante o carroceirismo, a estupidez e o oportunismo triunfantes, não sei o que quero, nem o que pensar.

    Mas, no calor da indignação, apetece-me dizer aos ilhéus que vão bugiar, chatear outro, pentear macacos, pastar caracóis. Que se governem com o dinheiro que gerarem em vez de se locupletar com o nosso. Que viajem, independentes e livres, ao preço a que viajam os demais. Que paguem a gasolina ao preço que for. Que não tenham privilégios, como nós não temos. Que paguem os custos da insularidade como nós os pagamos, mais os da ocidentalidade.

     

    Afinal, para que servem os arquipélagos? Eu sei, é para alargar a zona económica exclusiva. Seria um bom argumento, se, nesta pobre terra, se ligasse bóia à tal zona. Se ninguém se preocupa com isso, pagamos para quê? Para sustentar os Césares e os seus parasitários socialismos?

     

    30.12.08

     

    António Borges de Carvalho

     
  • PRESENTES DE NATAL

     

     

     

     

    DESCOBERTAS NATALÍCIAS

     

    Por certo a título de presente, os números 1 e 2 do Partido socialista aproveitaram a quadra para presentear a Nação com duas descobertas sensacionais:

     

    a)    O senhor Pinto de Sousa, na sua mensagem de Natal, comunicou que, afinal, quem manda nas taxas de juro na zona euro não é, como se julgava, o Banco Central Europeu, mas o Governo Português! Veja-se a euro-importância do país, por obra e graça do senhor Pinto de Sousa. Todos, nós e os restantes cidadãos europeus, devemos estar obrigadíssimos em relação à baixa da taxa de juro na UE, obra do seu ilustríssimo governo;

     

    b)    O Costa, esse, é mais modesto: às 23,30 de 5ª feira anunciou que a pobreza, em Portugal, por obra e graça do PS e do seu magnífico governo, tinha descido de 40 para 18 por cento. Dando de barato que, às 23,45, o mesmo senhor, no mesmo local, informava que tal descida partia, não de 40, mas de 23 por cento, pode concluir-se que, se o senhor Pinto de Sousa der 500 euros a cada pobre pelo Natal, os felizes contemplados deixam automaticamente e de uma vez por todas, de ser pobres.

     

    Assim vão as verdades oficiais.

     

     

     

     

    PONTAPÉS NA BOLA

     

    Mais uma vez, o Irritado, que nunca foi doente da bola (de futebol), não resiste a duas observaçõesinhas:

     

    Na mesma jornada do campeonato:

    – um senhor árbitro, com cujo nome não sujarei esta página, deixou por marcar dois penáltis contra o Fê Cê Pê;

    – outro senhor árbitro, inominado pelas mesmas razões, anulou um golo limpíssimo ao Esse Ele Bê.

     

    É sempre bom repetir o que está certo. Aí vai um velho conselho, à atenção do senhor …berto Catrapil:

     

    – exportem-se os árbitros portugueses para o Afeganistão, onde poderão desempenhar um papel de relevo nos verdes campos de papoilas;

    – Importe-se igual número de árbitros da 5ª divisão do Reino Unido, a fim de suprir as necessidades.

     

    É fácil, é barato, e pode ser que o futebol, por cá, passe a ter alguma credibilidade.

     

     

     

     

    JUSTELA DE CASTIÇA

     

    Veja-se este mimo:

     

    – Uma fulana, especialista em alugar apartamentos a mulheres de vida fácil (fácil?), é estrangulada e, de seguida, degolada por um “cliente”;

    – o dito cliente foi apanhado pela polícia;

    – presente ao juiz, confessou o crime, faltando ainda saber se o cometeu sozinho ou acompanhado;

    – perante estas circunstâncias, o cidadão em causa, prenhe de direitos, foi pelo meritíssimo mandado para casa, onde ficará em prisão domiciliária;

    – a GNR montou guarda à porta do senhor, a fim de evitar que o mesmo saia para comprar fósforos;

    – a seu tempo, isto é, logo que os serviços competentes forneçam à GNR a indispensável pulseira electrónica, cujo prazo de entrega parece ser longo, a mesma será carinhosamente colocada no pulso do impoluto cidadão.

     

    Até aqui, trata-se de factos que são do domínio público.

     

    Permita-se-nos agora que façamos algumas previsões:

     

    – tudo se passará dentro da maior das normalidades:

    – a GNR passará o tempo que for preciso a fazer cera à porta do fulano;

    – quando o fornecedor de pulseiras enviar, por Express Mail, a pulseira encomendada, os senhores guardas subirão ao quarto esquerdo, a fim de pedir licença para colocar o adereço no pulso do senhor;

    – a esposa do cidadão em causa informará os senhores guardas sobre a estranha circunstância de o seu bem amado esposo ter saído pela janela da casa de banho já há uns dias, a fim de ir à rua comprar uma caixa de fósforos, e ainda não ter voltado, o que muito a inquieta;

    – os senhores guardas, incomodados com a situação da pobre senhora, regressarão a quartéis a fim de levantar o competente auto de ocorrência;

    – meses passados dar-se-á o arquivamento do processo;

    – uns anos depois, prescrito o crime, o nobre cidadão regressará à pátria e ao convívio dos seus.

     

     

     

     

    AGENTES PENSANTES

     

    Uma senhora professora, indignadíssima, no meio de uma manifestação de repúdio, exibia (a fotografia vem no jornal) uma folha com um “poema” de protesto manuscrito com uma caligrafia que, no meu tempo, levaria um menino da quarta classe a passar uma hora virado para a parede.

    Podemos ler, no dito jornal, as estrofes 3 e 4 do referido poema. Tal e qual como segue:

     

    "3) Este modelo

        Cheira mesmo a Pinochet

        Imposto a todo o custo

        O vá-se (sic!!!) lá saber porquê

        Ai, ai, ai, ai

        Já chega de palhaçada

        Reuniões a toda a hora

        Não vamos em carneirad

     

    4) Os prof. são agentes pensantes

        E não querem alinhar

        Em políticas errantes

        Ai, ai, ai, ai

        Não gosto desta mulher

        Sr 1º Ministro

        (???) lhe outro tacho qq."

     

    Onde vamos parar com “agentes pensantes” deste calibre é coisa que, desgraçadamente, não é difícil de imaginar.

     

     

     

    POBRES CRIANCINHAS!

     

    A distinta associação que diz representar os pais dos alunos do secundário, perante a história dos meninos que apontaram à professora uma pistola de plástico exigindo melhores notas, criticou violentamente o sistema por permitir… o uso de telemóveis nas aulas.

    Isto é, para os distintos pais, isso de pistolas de plástico, de ameaças, de exigências, de bagunça nas aulas, não passa de peanuts. Importante e grave é que os meninos filmem os acontecimentos, transformando a aula em plateau e umas meras agressões, uns gritos, uns palavrões, uns empurrões, uns passeios por cima das carteiras, num escândalo.

    Como se não fosse tudo mais que normal, curial, próprio da melhor e mais bem educada juventude!

     

    Por seu lado, as ínclitas “autoridades” com jurisdição na matéria, desde aquela senhora que proibiu os professores de ter opiniões políticas contrárias às do senhor Pinto de Sousa até à direcção da escola, acharam tudo mais que normal. Uma pistola de plástico? Que giro! Uns empurrões? Uma delícia! Uns pulos por cima das carteiras durante a aula? Que ternura!  

     

    Pobres criancinhas!

     

    *

     

     

    29.12.08

     

    António Borges de Carvalho