DESCOBERTAS NATALÍCIAS
Por certo a título de presente, os números 1 e 2 do Partido socialista aproveitaram a quadra para presentear a Nação com duas descobertas sensacionais:
a) O senhor Pinto de Sousa, na sua mensagem de Natal, comunicou que, afinal, quem manda nas taxas de juro na zona euro não é, como se julgava, o Banco Central Europeu, mas o Governo Português! Veja-se a euro-importância do país, por obra e graça do senhor Pinto de Sousa. Todos, nós e os restantes cidadãos europeus, devemos estar obrigadíssimos em relação à baixa da taxa de juro na UE, obra do seu ilustríssimo governo;
b) O Costa, esse, é mais modesto: às 23,30 de 5ª feira anunciou que a pobreza, em Portugal, por obra e graça do PS e do seu magnífico governo, tinha descido de 40 para 18 por cento. Dando de barato que, às 23,45, o mesmo senhor, no mesmo local, informava que tal descida partia, não de 40, mas de 23 por cento, pode concluir-se que, se o senhor Pinto de Sousa der 500 euros a cada pobre pelo Natal, os felizes contemplados deixam automaticamente e de uma vez por todas, de ser pobres.
Assim vão as verdades oficiais.
PONTAPÉS NA BOLA
Mais uma vez, o Irritado, que nunca foi doente da bola (de futebol), não resiste a duas observaçõesinhas:
Na mesma jornada do campeonato:
– um senhor árbitro, com cujo nome não sujarei esta página, deixou por marcar dois penáltis contra o Fê Cê Pê;
– outro senhor árbitro, inominado pelas mesmas razões, anulou um golo limpíssimo ao Esse Ele Bê.
É sempre bom repetir o que está certo. Aí vai um velho conselho, à atenção do senhor …berto Catrapil:
– exportem-se os árbitros portugueses para o Afeganistão, onde poderão desempenhar um papel de relevo nos verdes campos de papoilas;
– Importe-se igual número de árbitros da 5ª divisão do Reino Unido, a fim de suprir as necessidades.
É fácil, é barato, e pode ser que o futebol, por cá, passe a ter alguma credibilidade.
JUSTELA DE CASTIÇA
Veja-se este mimo:
– Uma fulana, especialista em alugar apartamentos a mulheres de vida fácil (fácil?), é estrangulada e, de seguida, degolada por um “cliente”;
– o dito cliente foi apanhado pela polícia;
– presente ao juiz, confessou o crime, faltando ainda saber se o cometeu sozinho ou acompanhado;
– perante estas circunstâncias, o cidadão em causa, prenhe de direitos, foi pelo meritíssimo mandado para casa, onde ficará em prisão domiciliária;
– a GNR montou guarda à porta do senhor, a fim de evitar que o mesmo saia para comprar fósforos;
– a seu tempo, isto é, logo que os serviços competentes forneçam à GNR a indispensável pulseira electrónica, cujo prazo de entrega parece ser longo, a mesma será carinhosamente colocada no pulso do impoluto cidadão.
Até aqui, trata-se de factos que são do domínio público.
Permita-se-nos agora que façamos algumas previsões:
– tudo se passará dentro da maior das normalidades:
– a GNR passará o tempo que for preciso a fazer cera à porta do fulano;
– quando o fornecedor de pulseiras enviar, por Express Mail, a pulseira encomendada, os senhores guardas subirão ao quarto esquerdo, a fim de pedir licença para colocar o adereço no pulso do senhor;
– a esposa do cidadão em causa informará os senhores guardas sobre a estranha circunstância de o seu bem amado esposo ter saído pela janela da casa de banho já há uns dias, a fim de ir à rua comprar uma caixa de fósforos, e ainda não ter voltado, o que muito a inquieta;
– os senhores guardas, incomodados com a situação da pobre senhora, regressarão a quartéis a fim de levantar o competente auto de ocorrência;
– meses passados dar-se-á o arquivamento do processo;
– uns anos depois, prescrito o crime, o nobre cidadão regressará à pátria e ao convívio dos seus.
AGENTES PENSANTES
Uma senhora professora, indignadíssima, no meio de uma manifestação de repúdio, exibia (a fotografia vem no jornal) uma folha com um “poema” de protesto manuscrito com uma caligrafia que, no meu tempo, levaria um menino da quarta classe a passar uma hora virado para a parede.
Podemos ler, no dito jornal, as estrofes 3 e 4 do referido poema. Tal e qual como segue:
"3) Este modelo
Cheira mesmo a Pinochet
Imposto a todo o custo
O vá-se (sic!!!) lá saber porquê
Ai, ai, ai, ai
Já chega de palhaçada
Reuniões a toda a hora
Não vamos em carneirad
4) Os prof. são agentes pensantes
E não querem alinhar
Em políticas errantes
Ai, ai, ai, ai
Não gosto desta mulher
Sr 1º Ministro
(???) lhe outro tacho qq."
Onde vamos parar com “agentes pensantes” deste calibre é coisa que, desgraçadamente, não é difícil de imaginar.
POBRES CRIANCINHAS!
A distinta associação que diz representar os pais dos alunos do secundário, perante a história dos meninos que apontaram à professora uma pistola de plástico exigindo melhores notas, criticou violentamente o sistema por permitir… o uso de telemóveis nas aulas.
Isto é, para os distintos pais, isso de pistolas de plástico, de ameaças, de exigências, de bagunça nas aulas, não passa de peanuts. Importante e grave é que os meninos filmem os acontecimentos, transformando a aula em plateau e umas meras agressões, uns gritos, uns palavrões, uns empurrões, uns passeios por cima das carteiras, num escândalo.
Como se não fosse tudo mais que normal, curial, próprio da melhor e mais bem educada juventude!
Por seu lado, as ínclitas “autoridades” com jurisdição na matéria, desde aquela senhora que proibiu os professores de ter opiniões políticas contrárias às do senhor Pinto de Sousa até à direcção da escola, acharam tudo mais que normal. Uma pistola de plástico? Que giro! Uns empurrões? Uma delícia! Uns pulos por cima das carteiras durante a aula? Que ternura!
Pobres criancinhas!
*
29.12.08
António Borges de Carvalho

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